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Archivos de Zootecnia

versión On-line ISSN 1885-4494versión impresa ISSN 0004-0592

Arch. zootec. vol.61 no.233 Córdoba mar. 2012

http://dx.doi.org/10.4321/S0004-05922012000100014 

 

Efeito da inclusão de farelo de arroz integral em rações para leitões de 21 a 42 dias de idade

Effect of inclusion of rice bran in diets for piglets from 21 to 42 days of age

 

 

Gomes, T.R.1*; Carvalho, L.E. de2A; Freitas, E.R.2B; Nepomuceno, R.C.1; Ellery, E.A.C.1 e Rufino, R.H.M.1

1Departamento de Zootecnia. Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, CE. Brasil. *thalleszoo@yahoo.com.br
2Departamento de Zootecnia. CCA/UFC. Fortaleza, CE. Brasil. Aeuquerio@ufc.br; Bednardo@ufc.br

 

 


RESUMO

Foram utilizados 60 leitões fêmeas e machos castrados, de linhagem comercial, desmamados com média de 21 dias de idade e com peso vivo médio de 5,4 ± 1,44 kg, com o objetivo de avaliar os efeitos da inclusão de farelo de arroz integral (FAI) em rações para leitões na fase de creche, sobre o desempenho zootécnico, ocorrência de diarréia, bem como a viabilidade econômica. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado com cinco tratamentos (0,0; 5,0; 10,0; 15,0 e 20,0% de FAI) e seis repetições por tratamento, sendo a unidade experimental (parcela) constituída por dois animais. Os resultados mostraram que o consumo de ração médio diário (CRMD), ganho de peso médio diário (GPMD) e conversão alimentar (CA), bem como a ocorrência de diarréia não diferiram significativamente (p>0,05) para os diferentes níveis de inclusão de FAI. A análise econômica mostrou que não houve diferença significativa entre os tratamentos. Concluiu-se que o fornecimento de farelo de arroz integral foi viável até o nível de 20% de inclusão nas dietas de leitões no período de 21 a 42 dias de idade.

Palavras chave: Alimento alternativo. Desempenho zootécnico. Subproduto do arroz. Suíno.


SUMMARY

Sixty castrated male and female piglets (commercial lineage), weaned at 21 days of age and average live weight of 5.4 ± 1.44 kg, were used aiming to evaluate the effect on productive performance, diarrhea, and economic viability of adding different levels of rice bran (RB) in rations for pigs. The experimental design was completely randomized with five treatments (0.0, 5.0, 10.0, 15,0 and 20.0% of RB) and 6 replicates per treatment, where the experimental unit (plot) consisted of two animals. Results showed that daily mean feed intake (DMFI), daily mean weight gain (DMWG) and feed conversion (FC), as well as the occurrence of diarrhea, did not differ significantly (p>0.05) for the different levels of RB inclusion in the ration. The economic analysis showed no significant difference among treatments. It is concluded that adding rice bran up to 20% in pig ratios for the period from 21 to 42 days of age is technically viable.

Key words: Alternative feedstuff. Zootechnical performance. Rice by-product. Swine.


 

Introdução

O arroz é um dos cereais mais produzidos no mundo e, por ser utilizado principalmente na alimentação humana, apenas os subprodutos do beneficiamento desse grão são utilizados na alimentação animal, com destaque para o farelo integral e a quirera (Lima et al., 2000).

O farelo de arroz integral (FAI) é obtido no polimento do grão de arroz, após o seu descascamento e que não sofre extração de óleo. Apresenta aspecto farináceo e fibroso, é suave ao tato e representa de 8% a 11% do peso total do grão. É constituído da camada intermediária entre a casca e o endosperma, gérmen, fragmentos de arroz e pequenas quantidades de casca com granulometria semelhante ao farelo (Luchesi e Justino, 2003).

Conforme os valores tabelados por Rostagno et al. (2005), o FAI é um alimento energético que apresenta energia digestível, metabolizável e líquida para suínos de 3179, 3111 e 2384 kcal/kg, respectivamente; 89,30% de matéria seca, 13,24% de proteína bruta, 14,81% de gordura, 12,58% fibra em detergente ácido, 21,30% fibra em detergente neutro, 0,11% de cálcio e 0,32% de fósforo disponível.

Alguns aspectos devem ser considerados para o uso do FAI na alimentação animal. Um deles é que sua composição química pode variar em função do tipo de processamento do arroz, uma vez que não existe uma padronização do método de polimento do grão de arroz durante o seu beneficiamento para o consumo humano (Zardo e Lima, 1999). Segundo Costa (2001), em função do grau de polimento do arroz e da quantidade de casca incorporada ao farelo de arroz, o teor de amido do FAI pode variar de 10 a 20% e o de fibra bruta 8 a 20%. Outro aspecto importante, é que a sua utilização é limitada devido a efeitos anti-nutricionais, sendo o alto teor de fibra, a presença de fitatos e inibidores enzimáticos e a rancidez oxidativa durante o armazenamento, os mais citados e que podem prejudicar a digestibilidade dos nutrientes da ração (Le Goff, 2002; Selle et al., 2000).

Na literatura não são comuns os relatos do uso de FAI na alimentação de suínos na fase de creche (21 a 63 dias de idade). Por sua vez, os resultados das pesquisas com a utilização desse alimento na ração de suínos com idades mais avançadas têm demonstrado a viabilidade da inclusão em níveis superiores a 30%. De acordo com Ara et al.(1975) e Bertol et al. (1990), para suínos em crescimento e terminação, o FAI pode ser usado como substituto de parte ou de todo o milho e parte do farelo de soja resultando em uma inclusão de quase 90%. Já Hurtado Nery et al. (2010), concluiu que a substituição de 100% do milho por FAI afetou o ganho de peso diário e o peso da carcaça, entretanto a utilização de até 50% de FAI em substituição ao milho permite obter desempenho zootécnico e características de carcaça similares aos obtidos com rações baseadas em milho para suínos na fase de terminação. Nicolaiewsky et al. (1989) também verificaram que o FAI quando limitado a 30 ou 40% da ração, possibilitou a obtenção de resultados semelhantes aos obtidos com rações a base de milho. Miyada et al. (1987) trabalhando com suínos em crescimento, não encontraram efeito sobre a conversão alimentar pela substituição do milho pelo FAI até o nível de 50%. No entanto, Campabadal et al. (1976) observaram redução no ganho de peso diário, a partir do nível de 35% de FAI na ração de suínos em crescimento e terminação, ao passo que Brooks e Lumanta (1975), trabalhando com suínos na fase de terminação, observaram redução no desempenho a partir do nível de 50% na ração. Campos et al. (2002), avaliaram o efeito da inclusão de FAI sobre o desempenho e características de carcaças de suínos nas fases de crescimento e terminação e concluíram que os animais que consumiram rações com FAI ao nível de 30% tiveram pior conversão alimentar e menor ganho de peso quando comparados com os animais do tratamento controle, muito embora essa inclusão não tenha influenciado as características de carcaça. É possível que essas variações se devam entre outros fatores à grande variação na composição química desse subproduto (Lemos e Soares, 1999) e ao tipo de suíno utilizado em cada trabalho por serem épocas distantes.

Diante do exposto os objetivos foram avaliar os efeitos da inclusão do farelo de arroz integral em rações para leitões de 21 a 42 dias de idade sobre o desempenho, a ocorrência de diarréia e a viabilidade econômica.

 

Material e métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura do Departamento de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará (DZ/CCA/ UFC), situado no Campus do Pici, em Fortaleza, CE, localizado a 03o 43' 02'' latitude e 38o 32' 35'' longitude, com altitude de 15,49 metros acima do nível do mar. Foram utilizados 60 leitões fêmeas e machos castrados, de linhagem comercial, provenientes do Setor de Suinocultura/UFC, desmamados com média de 21 dias de idade e peso vivo médio de 5,4 ± 1,44 kg. O experimento teve duração de 21 dias e foi realizado durante a fase de creche (21 a 42 dias de idade).

Os animais foram distribuídos em cinco tratamentos (0,0%; 5,0%; 10,0%; 15,0% e 20,0% de inclusão de farelo de arroz integral) com seis repetições por tratamento, sendo a unidade experimental (parcela) constituída por dois animais. Devido à uniformidade nos pesos iniciais dos leitões, os mesmos foram distribuídos nos tratamentos seguindo um delineamento inteiramente casualizado.

Os leitões foram alojados em um galpão aberto, construído de alvenaria, pé direito com altura de 2,5 metros, cobertura com telhas de barro e piso compacto de cimento de rugosidade média com declividade em torno de 3%. Cada leitão foi alojado em baia medindo 1,00 m de largura por 2,00 m de comprimento, equipada com comedouro de cimento e um bebedouro tipo chupeta, instalados em extremidades opostas. Foram instaladas cortinas de polietileno ao redor de toda extensão do galpão com o intuito de promover um melhor conforto térmico aos leitões após o desmame.

Durante todo o período experimental os dados de temperatura e umidade relativa do ar foram coletados no início da manhã e no final da tarde. As temperaturas foram registradas por termômetros de máxima e mínima e a umidade relativa do ar por meio de termohigrômetro. Os dados de precipitação pluviométrica foram obtidos junto ao Setor de Meteorologia Agrícola do Departamento de Engenharia Agrícola (DENA/CCA/ UFC), situado a 300 metros do galpão experimental.

Para a formulação das rações experimentais (tabela I), foram consideradas as exigências nutricionais recomendadas por Rostagno et al. (2005). As rações experimentais foram formuladas para serem isoprotéicas, isocalóricas, isolisínicas, isocálcicas e isofosfóricas.

 

 

Os alimentos foram submetidos a análises bromatológicas no Laboratório de Nutrição Animal (LANA) do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará, onde se obteve para o farelo de arroz integral (matéria seca: 89,49% e proteína bruta: 11,46%), milho (matéria seca: 88,47% e proteína bruta: 8,78%), farelo de soja (matéria seca: 88,70% e proteína bruta: 47,10%). Os valores de cálcio, fósforo, lisina, metionina, metionina+cistina, fibra bruta FDN, FDA, sódio e gordura foram baseados nas tabelas de Rostagno et al. (2005) e foram corrigidos de acordo com a matéria seca encontrada. As rações na forma farelada e água foram administradas à vontade.

Os dados referentes ao ganho de peso médio diário (GPMD) e consumo de ração médio diário (CRMD) foram obtidos por pesagens semanais individuais dos animais e de suas respectivas rações, menos os desperdícios. A partir destes dados, calculou-se a conversão alimentar (CA).

A avaliação da ocorrência de diarréia foi realizada durante os 21 dias do período experimental (21 a 42 dias de idade), onde foi observado se havia ou não diarréia nos leitões diariamente, em cada baia, por um único observador, sempre no mesmo horário, às 8:00 h. A verificação consistiu em observar por aproximadamente 10 minutos os leitões, adotando o procedimento adaptado da baia e a região perianal dos animais. de Vassalo (1995). Como era difícil flagrar o leitão no momento em que ele estivesse defecando, normalmente observou-se o piso de baia e a região perianal dos animais.

Foi utilizado o escore de fezes atribuindo leitão no momento em que ele estivesse notas para cada animal, diariamente, de 0 a 3, sendo: (0) fezes sólidas, (1) fezes past