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Enfermería Global

versión On-line ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.11 no.26  abr. 2012

http://dx.doi.org/10.4321/S1695-61412012000200024 

ENFERMERÍA Y PERSPECTIVA DE GÉNERO

 

A utilização do preservativo feminino pelas profissionais do sexo

El uso del preservativo femenino por las profesionales del sexo

 

 

Oliveira, F.S.*; da Costa, C.F.S.**; Kerber, N.P. da C.***; de Barros, A.M.****; Wachholz, V.A.****; de Lemos, D.B.*

*Mestranda do Programa de Pós Graduação em Enfermagem. Integrante do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. Bolsista CAPES. Email: flaviaseles@gmail.com
**Mestre em Enfermagem. Professor Assistente III da Escola de Enfermagem.
***Doutora em Enfermagem. Professora da Escola de Enfermagem e Programa de Pós Graduação. Líder do Grupo de Pesquisa Viver Mulher.
****Acadêmica da Escola de Enfermagem. Integrante do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Brasil

 

 


RESUMO

Este estudo objetivou investigar a utilização do preservativo feminino (PF) pelas profissionais do sexo cadastradas na Secretaria Municipal de Saúde do município do Rio Grande/RS.
Trata-se de um estudo quantitativo e descritivo, realizado no ano de 2009 com 19 mulheres, por meio da aplicação de um questionário individual contendo questões sobre hábitos de saúde sexual e utilização do PF. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Furg sob parecer no 53/2009.
Nos resultados foi encontrado que 47,30% relataram que acompanham a sua situação de saúde regularmente; 58% tiveram contato com este tipo de preservativo no serviço de saúde e 73,55% afirmam nunca terem adquirido alguma DST. Quanto as práticas sexuais 68,45% relataram utilizar apenas o preservativo masculino para se prevenir das DST's; as mulheres que já utilizam o PF utilizaram no sexo vaginal e 47,30% não vêem as vantagens e 52,65% não vêem desvantagens em usar o PF.
É importante então que nas unidades de saúde, os profissionais incluindo os enfermeiros, devem estar preparados para lidar com as questões de saúde dessas mulheres e orientação quanto a importância do uso do preservativo para a manutenção da saúde.

Palavras chave: Prostituição. Populações vulneráveis. Enfermagem em saúde comunitária.


RESUMEN

Este estudio tuvo como objetivo investigar el uso del condón femenino (PF) de trabajadoras sexuales registradas en el Departamento Municipal de Salud de la municipalidad de Rio Grande / RS.
Es un estudio descriptivo y cuantitativo, realizado en 2009 con 19 mujeres, a través de la aplicación de un cuestionario individual que contiene preguntas sobre los hábitos sexuales y el uso del PF. El estudio fue aprobado por el Comité de Ética de la FURG en opinión N o 53/2009.
Los resultados indicaron que 47,30% informó que acompañan a su estado de salud regularmente, el 58% había tenido contacto con este tipo de condones en los servicios de salud y 73,55% no afirman haber adquirido nunca una Infección de Transmisión Sexual (ETS). En cuanto a las prácticas sexuales 68,45% informó del uso de preservativos sólo para prevenir las ETS, las mujeres que ya están utilizando el PF practicaron sexo vaginal y el 47,30% no ve las ventajas y el 52,65% no ve las desventajas en el uso del PF.
Es importante entonces que los establecimientos de salud, incluyendo enfermeras profesionales, estén preparados para afrontar los problemas de salud de estas mujeres y asesorarlas sobre la importancia del uso del condón para el mantenimiento de la salud.

Palabras clave: Prostitución. Población vulnerable. Enfermería en salud comunitaria.


ABSTRACT

This study aimed to investigate the use of female condom (PF) by sex workers registered with the Municipal Health Department of the municipality of Rio Grande / RS.
It is a descriptive and quantitative study, conducted in 2009 with 19 women, through the application of an individual questionnaire containing questions about sexual habits and use of FP. The study was approved by the Ethics Committee of the FURG in opinion No. 53/2009.
The results found that 47.30% reported that they check their health status regularly, 58% already had contact with this type of condom in the health service and 73.55% claim never to have acquired an STI. Regarding sexual practices 68.45% reported using condoms only to prevent STDs, women who are already using PF practised vaginal sex and 47.30% do not see the advantages and 52.65% do not see the disadvantages of using the PF.
It is important then that the health facilities, professionals including nurses, should be prepared to deal with health issues and counsel these women about the importance of condom use for health maintenance.

Key words: Prostitution. Vulnerable population. Community health nursing.


 

Introdução

As doenças sexualmente transmissíveis (DST's) caracterizam-se como um grande problema de saúde pública, em vista do grande número de pessoas acometidas por estas. Como exemplo, de 1980 até junho de 2006, o Brasil acumulou 433.067 casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), sendo o país que possuía maior índice de pessoas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) na América Latina, correspondendo a aproximadamente 1,8 milhões de pessoas infectadas(1).

Do ano de 2000 a 2005 foram notificados 159.429 casos de pessoas com AIDS no Brasil, dentre estes 17.099 no estado do Rio Grande do Sul (BRASIL, 2005). Conforme dados fornecidos pela Vigilância Epidemiológica da Prefeitura Municipal do Rio Grande, neste mesmo período, foram notificados 796 casos de AIDS, sendo 472 (59,3%) do sexo masculino e 324 (40,7%) do sexo feminino(2).

No Brasil, as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) de infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa, a cada ano, são de 937.000 casos de sífilis, 1.541.800 gonorréia, 1.967.200 clamídia, 640.900 herpes genital e 685.400 novos casos de HPV(2).

Segundo dados, os casos de DST notificados e atendidos no estado do Rio Grande do Sul(3) no período de janeiro de 2006 a maio de 2008 no sexo feminino Gonorréia / Clamídia 553 casos, Sífilis 63, herpes genital 105, condiloma acuminado 81, hepatite B e C zero casos, Gardnerella/Tricomonas 1621, candidíase 1141.

No ano de 2007, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio Grande, foram notificados 82 casos de AIDS sendo destes, 9 (10,9%) por exposição homossexual, 1(1,21%) bissexual, 50(60,97%) por exposição heterossexual e 22(22,62%) por outro tipo de exposição. Já nos primeiros seis meses de 2008 foram notificados 62 casos de HIV, onde a exposição heterossexual 53(84,48%) predomina maciçamente(2)

Neste cenário, um aspecto preocupante é a feminização da doença, cuja incidência aumentou de 9,3, em 1996, para 14,2, em 2005, salientando que entre as mulheres com mais de 30 anos houve aumento em todas as faixas etárias, desde 1990 e a razão em relação ao sexo (M:F) passou de 15,1:1 em 1986 para 1,5: 1(1).

Dado o crescimento do número de casos de AIDS entre as mulheres, no Brasil, intensificaram-se as atenções nas relações de poder existentes entre homens e mulheres, especialmente no que diz respeito às desigualdades de gênero na negociação do uso de preservativo. Foram criadas intervenções voltadas para ações sobre as formas de transmissão e de prevenção da infecção pelo HIV dirigidas às mulheres especialmente entre as profissionais do sexo, dentre essas, ações de empoderamento e autoestima, para valorizar o autocuidado e a adoção de medidas de prevenção(3)

As profissionais do sexo estão sujeitas a um maior risco de contrair uma DST, pois trabalham diariamente com diversos clientes, com histórias sexuais desconhecidas. Elas integram um grupo que necessita de uma educação sexual elucidativa com o desígnio de abordar a prevenção para uma prática sexual segura, devendo estar atentas sobre a importância do uso do preservativo para sua segurança em saúde, já que é considerado um dos métodos mais eficazes na prevenção das DST's/AIDS, desde que seja usado de maneira adequada e em todas as relações sexuais(4).

Todavia, uma limitação do método para as mulheres está na dependência do uso pelo parceiro, afetando seu direito de livre escolha, quando ele não aceita utilizá-lo. Percebemos a necessidade de fortalecer as mulheres para que tenham condições de exercer o auto-cuidado voltado para a saúde sexual e reprodutiva.

A utilização do preservativo feminino (PF) é uma medida que pode ser adotada, uma vez que independe da aceitação do parceiro. Mas, para isso, é necessário oferecer acesso à informação adequada, pautada na discussão e na formação de um pensamento critico sobre valores sociais, culturais e de gênero. Para isso, os profissionais da saúde precisam estar preparados para desenvolver essas atividades, de maneira a estabelecer vinculo e ganhar a confiança das mulheres para que possam ganhar autonomia e defender o direito de acesso ao PF, refletindo sobre sua exposição aos riscos e sua independência da decisão masculina(5).

Em um estudo que procurou verificar o comportamento de prostitutas quanto à prevenção de DST's /AIDS, foi evidenciado que, muitas delas, não utilizam o preservativo, seja o masculino ou o feminino, em todas as relações sexuais, assim como, não têm o conhecimento devido quanto às DST's no tocante à transmissão, aos sinais e sintomas, e ao tratamento(4).

A AIDS e as DST's tornaram-se, para as profissionais do sexo, um risco decorrente do seu trabalho, uma vez que o sexo é a sua matéria-prima. Deste modo, o preservativo representa segurança para que a profissional possa se prevenir das DSTs, portanto, um objeto fundamental e indispensável para o exercício dessa profissão(4).

Diante da importância cada vez maior de abordar essa questão na atualidade, surgiu a necessidade de responder à seguinte questão de pesquisa: de que maneira as profissionais do sexo estão utilizando o Preservativo Feminino? De forma a responder a esse questionamento, apresenta-se o objetivo de compreender como vem sendo utilizado o preservativo feminino pelas profissionais do sexo.

 

Metodologia

Este estudo é um recorte do trabalho de conclusão de Curso em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande/FURG, apresentado no ano de 2009, intitulado "A utilização do preservativo feminino pelas profissionais do sexo cadastradas na SMS do Rio Grande/RS".

Foi realizado um estudo quantitativo, de caráter descritivo em que a fonte de dados consistiu na aplicação de um questionário contendo perguntas abertas e fechadas, investigando hábitos sexuais e de vida, além de questões que envolviam diretamente a percepção e os motivos de utilizar o PF.

As entrevistas ocorreram no primeiro semestre de 2009 e foram desenvolvidas na sede da coordenação de DST's, na sede do Grupo de apoio e prevenção a Aids (GAPA) pois muitas mulheres, que estavam cadastradas, ao invés de irem ao posto de saúde, buscavam o preservativo no GAPA e nas "casas de programa" onde as profissionais do sexo exercem suas atividades.

No período da coleta de dados haviam 50 profissionais cadastradas e o contato era realizado no momento em que estas se deslocavam à coordenação de DST's, na Secretaria Municipal de Saúde (SMS), local em que eram distribuído gratuitamente os preservativos masculino e feminino. Como na época da coleta, poucas profissionais estavam se deslocando até o posto, a coleta foi, também, realizada nas casas de programa.

O contato para realizar as coletas nas "casas de programa" era feito pela coordenadora de DST's que realizava o contato com a gerente dos estabelecimentos, onde era marcado um dia e um horário que pudesse ser realizada a visita. Essas visitas eram realizadas pela pesquisadora juntamente com a coordenadora e o deslocamento era feito através de viatura da SMS. Foi conseguido estabelecer contato com 36 mulheres.

O critério de inclusão das mulheres na pesquisa foi já ter utilizado o preservativo feminino pelo menos uma vez e, em função disso, o questionário completo foi aplicado a 19 profissionais do sexo.

Os dados foram tabulados no programa Excel e, posteriormente, foram verificados os quantitativos absolutos e percentuais, procedendo-se a uma análise descritiva dos dados, efetuando-se a discussão com base na literatura científica existente sobre a temática. O projeto foi encaminhado ao Núcleo de Estudos e Pesquisa em Enfermagem e Saúde -NEPES da Secretaria Municipal da Saúde do Município do Rio Grande e ao Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande-CEPAS em que foi aprovado sob Parecer no 53/2009. As participantes foram informadas do objetivo e da metodologia do estudo, solicitando sua assinatura no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

Resultados

As mulheres que compuseram a amostra do estudo tinham entre 19 e 63 anos, com a maior freqüência compreendida entre 19 e 45 anos, representando 60,64%. Quanto ao estado civil, pouco mais da metade das profissionais (58,00%) são solteiras, seguido de 21,10% de divorciadas.

Quanto ao grau de escolaridade das entrevistadas, foi constatado que 42,05% dessas mulheres completaram o ensino fundamental e 15,75% completaram o ensino médio. Em relação às características reprodutivas, 94,75% das mulheres entrevistadas são mães, sendo que destas, 79,35% tiveram mais de duas gestações.

Em relação ao acompanhamento médico para avaliação da saúde, 58,40% relataram realizar esse acompanhamento regularmente e 21,10% destas admitiram que fazem quando sentem necessidade ou procuram um médico para ver alguma situação específica de saúde.

Quanto ao meio de comunicação pelo qual obteve informação sobre o preservativo feminino, o serviço de saúde foi apontado pela maioria das mulheres entrevistadas (58,00%), seguido da televisão, que apareceu como a fonte desta informação para 15,75% das mulheres.

Outros temas investigados em relação às DSTs encontram-se explicitados na Tabela 1, a seguir:

 

 

Quanto à utilização de preservativo como forma de prevenção de DST's, 68,45% das mulheres entrevistadas referiram fazer uso do preservativo masculino, sendo que 73,55% relatou nunca ter adquirido alguma DST.

Em relação às mulheres que já adquiriam algum tipo de infeção ginecológica, 10,50% relatou já ter apresentado candidiase e 15,80% fizeram referência à outras infecções, não explicitadas na pesquisa. Quanto ao tratamento das doenças já adquiridas, 15,80% tinham concluído na época de realização da pesquisa, sendo que a mesma porcentagem ainda se encontrava em tratamento.

Na tabela 2, a seguir, apresenta-se o perfil de utilização do preservativo feminino pelas profissionais do sexo.

 

 

Ao relatarem sua experiência com o uso do PF, a maior parte das profissionais entrevistadas (89,50%) relatou preferência pela utilização somente para fazer sexo vaginal e quase metade das entrevistadas (42,05%) preferiu utilizar a camisinha feminina com clientes fixos/antigos. Interessante constatar que 36,85% das mulheres usaram esse método com seu namorado/esposo/companheiro.

Ao ser investigado as vantagens e desvantagens na utilização de preservativo feminino destaca-se que mais de 50% das profissionais não vêem nem uma nem outra. Em compensação, 21,10% visualizou a vantagem de usar o PF quando o homem se recusa a usar o preservativo masculino, e 21,10% percebe este método como modo de prevenir as DST's.

 

Discussão

Os dados dessa pesquisa, em relação a escolaridade, assemelham ao estudo realizado no ano de 2004 na cidade de Ribeirão Preto, sobre as vulnerabilidade das profissionais do sexo pelas DST's apontou que, quanto a escolaridade de que mais de 70% dos participantes tinham escolaridade máxima de 8 anos - com cerca de 18% deles com não mais de 4 anos - evidencia o reduzido grau de educação da população estudada(7).

A baixa escolaridade somada às dificuldades financeiras ou à pobreza absoluta faze parte dos obstáculos, quase intransponíveis, para a integração das profissionais do sexo no mercado oficial de trabalho. Para aquelas que pertencem às camadas sociais mais baixas, as perspectivas de mudança de atividade ainda são menos viáveis em virtude da baixa (ou nenhuma) escolaridade e da falta de qualquer qualificação profissional(8).

Na busca aos serviços de saúde, as profissionais do sexo, devido ao seu elevado grau de vulnerabilidade, devem procurar o serviço de saúde regularmente para fazer a testagem de sorologia, exames de sangue de rotina, exame preventivo do câncer de colo do útero e o exame de mamas. Os profissionais de saúde têm o dever de orientá-las quanto a isso, pois, muitas vezes, elas procuram o serviço de saúde somente quando julgam necessário, por apresentar alguma sintomatologia.

Como algumas DST's, em sua fase inicial, são assintomáticas, quando o serviço de saúde é acionado, o problema pode ter se estendido a uma magnitude tal que dificulte a intervenção ou exija maior complexidade no tratamento, podendo ocasionar maiores danos do que se tivesse sido tratado precocemente.

A questão do posto de saúde ter sido apontado por mais da metade dessas mulheres caracteriza-se como extremamente relevante. O serviço de saúde tem suma importância na veiculação da informação, pois é lá que a população busca atendimento de saúde e onde há a condição de serem obtidas as informações corretas sobre as formas de prevenir e/ou tratar problemáticas de saúde, sem incorrer em riscos desnecessários ou utilizar métodos ou tratamentos inadequados. Em relação à prevenção de DST, é nas UBSs que a população pode ter acesso aos preservativos, então, os profissionais presentes nas unidades podem aproveitar esses momentos e transmitir informações sobre os métodos de prevenção e como utilizá-los corretamente.

A Unidade Básica de Saúde constitui a "porta de entrada" do usuário, tendo um papel potencializador na abordagem das DST/AIDS. A possibilidade de fortalecer relações de vínculo, a proximidade territorial e a integração com a rede comunitária local são fatores que facilitam e ampliam o acesso à informação, realização de testes de sorologias, insumos de prevenção, além de encaminhamentos a serviços de referência(5).

Além disso, os profissionais de saúde que atendem a mulher devem estar preparados, acolhendo-as, principalmente diante de um diagnostico de DST positivo dando atenção adequada às suas necessidades, mas acima de tudo, dando suporte para que estas saibam lidar lidar estigma e rejeição social(6).

Vemos que as profissionais do sexo que participaram do estudo, já utilizaram pelo menos uma vez o preservativo feminino, mas nas suas práticas sexuais cotidianas, preferem usar o preservativo masculino. Este dado assemelha-se aos resultados da pesquisa do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, "Comportamento Sexual e Percepções da População Brasileira sobre o HIV/ AIDS", realizada em 2005, que mostra que apesar de 81,2% dos brasileiros já terem ouvido falar de preservativo feminino apenas 4,3% das mulheres já tinham experimentado e 4,1% dos homens disseram ter tido relação sexual com uma parceira que usou o preservativo(9)

Em vista disso, é importante que sejam ampliadas as opções de prevenção, de tal forma que os direitos às práticas sexuais sejam um direito de todos(9).Entende-se que as mulheres anseiam por métodos que, ao mesmo tempo que lhes garantem proteção, facilitem a negociação com seus parceiros, de tal modo que possam garantir relações sexuais protegidas.

Os métodos contraceptivos, como o preservativo masculino e o feminino devem ser disponibilizados na rede pública de saúde e os profissionais precisam assegurar que as mulheres tenham condições e informação suficiente para usá-los de forma livre e consciente.

Por tanto, faz-se necessário que o ingresso dessas mulheres em programas de prevenção de DSTs e de planejamento familiar seja facilitado e que estes serviços possam disponibilizar esses métodos, adaptando-os às características e condições de vida próprias do exercício da prostituição(11)

O preservativo feminino apresenta muitas vantagens no caso específico das profissionais do sexo uma vez que permite a colocação com até oito horas de antecedência do ato sexual, possibilitando a mulher já sair de casa protegida. Além disso, permite uma maior autonomia das mulheres na decisão por relações sexuais seguras (11).

 

Considerações finais

Os resultados encontrados neste estudo puderam evidenciar que as profissionais do sexo entrevistadas apesar de já terem utilizado o preservativo feminino, preferem utilizar o preservativo masculino nas relações sexuais, profissionais e pessoais. Além disso, preferiram usar o preservativo feminino com namorados/companheiros, mostrando a relação de confiança que o uso desse método pode significar para essas mulheres. Como as profissionais do sexo apresentam alto grau de exposição a doenças em seu trabalho, precisam estar conscientes da obrigatoriedade de proteção rotineira. Além disso, elas precisam ser orientadas sobre a necessidade de negociação do uso do preservativo com os seus clientes e, também, na vida privada, com seus companheiros, para que tenham segurança sem implicações na sua vida pessoal.

Em virtude de muitas profissionais do sexo trabalhar a noite, os serviços de saúde e os profissionais que dele fazem parte, devem estar atentos aos horários de atendimento para essas mulheres, sendo necessário, muitas vezes, horários diferenciados para que estas possam comparecem a atendimento de maneira assídua.

Então vemos que é necessário, primeiramente a adequação dos locais de saúde, com maior número de distribuição do PF; segundo o preparo do contingente profissional que irá lidar com as profissionais em questão, que estes sejam livres de preconceitos e tabus, que saibam lidar com as particularidades dessa classe de trabalhadoras e assim , possam elaborar atividades de autoconfiança para que as profissionais possam negociar o uso do PF com maior segurança e utilizar com maior freqüência, preservando a sua vida e a dos seus clientes.

 

Referências

1. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico-Aids e DST's. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2006 [acesso em: 12 jun 2009]. Disponivel em:        [ Links ]

2. Secretaria Municipal da Saúde (RS). Casos de AIDS por categoria de exposição, período 2000-2008. Coordenação Municipal DST/AIDS. 2008. Mimeografado.         [ Links ]

3. Ministério da Saúde. Plano Integrado de Enfrentamento à Feminização da Epidemia de Aids e outras DST. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2007 [acesso em: 08 ago 2011]. Disponivel em:        [ Links ]

4. Moura ADA, Oliveira RMS, Lima GG, Farias LM, Feitosa AR. O comportamento de prostitutas em tempos de Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis: como estão se prevenindo? Texto Contexto Enferm. 2010; 19(3): 545-53.         [ Links ]

5. Oliveira NS, Moura ERF, Guedes TG, Almeida PC. Conhecimento e Promoção do Uso do Preservativo Feminino por Profissionais de Unidades de Referência para DST/HIV de Fortaleza-CE: o preservativo feminino precisa sair da vitrine. Saúde Soc. São Paulo 2008;17(1):107-16, 2008        [ Links ]

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7. Passos ADC, Figueiredo JF de C. Fatores de risco para doenças sexualmente transmissíveis entre prostitutas e travestis de Ribeirão Preto (SP), Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2004;16(2):95-101.         [ Links ]

8. Ministério da Saúde. Programa de Cooperação Técnica França. Brasilia (DF): Ministério da Saúde; 1998 [acesso em 26 Out 2008]. Disponivel em: http://www.aids.gov.br/cgeral/ong/prostf.htm        [ Links ]

9. Ministério da Saúde. Comportamento sexual da população brasileira e percepções do HIV/Aids. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2005 [acesso em: 17 jun 2009]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/avalia4/home.htm.         [ Links ]

10. Kalkcman S, Santos CG, Cruz, VM. Preservativo feminino de látex: ampliando as alternativas de proteção. Anais do IX Congresso virtual de HIV/AIDS; 2009 [acesso em 08 Jun.2009] Disponível em: http://www.aidscongress.net        [ Links ]

11. Silva RM, Araújo MA, Pessoa CM, Moraes MP. Saberes e práticas de prostitutas a cerca dos métodos contraceptivos. Revista Baiana de Saúde Publica. 2008;32(2):177-89. 2008.         [ Links ]

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