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Enfermería Global

versión On-line ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.16 no.45 Murcia ene. 2017  Epub 01-Ene-2017

http://dx.doi.org/10.6018/eglobal.16.1.231801 

Originales

Perfil epidemiológico das emergências traumáticas assistidas por um serviço pré-hospitalar móvel de urgencia

Andréa Tayse de Lima Gomes*  , Micheline da Fonseca Silva**  , Bruno Araújo da Silva Dantas***  , Jéssica Maria Arouca de Miranda****  , Gabriela de Sousa Martins Melo*****  , Rodrigo Assis Neves Dantas***** 

*Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Bolsista CAPES/DS. Membro do grupo de pesquisa Laboratório de Investigação do Cuidado, Segurança, Tecnologias em Saúde e Enfermagem (LABTEC)/UFRN.. E-mail: andrea.tlgomes@gmail.com

**Enfermeira. Membro do grupo de pesquisa Laboratório de Investigação do Cuidado, Segurança, Tecnologias em Saúde e Enfermagem (LABTEC)/UFRN

***Enfermeiro. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFRN. Membro do grupo de pesquisa Incubadora de Procedimentos de Enfermagem/UFRN.

****Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da UFRN. Membro do grupo de pesquisa Incubadora de Procedimentos de Enfermagem/UFRN.

*****Enfermeira/o. Professor adjunto da Graduação em Enfermagem do Departamento de Enfermagem da UFRN. Membro do grupo de pesquisa Incubadora de Procedimentos de Enfermagem/UFRN. Brasil.

Resumo

Objetivo

Descrever o perfil epidemiológico das emergências traumáticas assistidas por um serviço pré-hospitalar móvel de emergência do Nordeste do Brasil.

Métodos

Estudo documental e quantitativo, realizado a partir das fichas de atendimento das emergências entre janeiro e junho de 2014, sendo a amostra composta por 1.960 fichas. Utilizou-se um questionário estruturado para a coleta de dados e a análise foi por estatística descritiva.

Resultados

Houve destaque para os Acidente de Trânsito (AT) - 67,7%; quedas (17,1%); e perfuração por arma de fogo (6,8%). A maioria dos envolvidos eram homens (76,2%), enquadrados no grupo etário jovens adultos (46,6%) e o maior número de ocorrências foi no fim de semana (37,4%). Destes, 58,1% tiveram trauma leve e 44,0% não sofreram politraumatismo. Observou-se que houve negligência em relação a anotação da escala de coma de Glasgow em 39,0% dos casos.

Conclusão

Entre as emergências traumáticas atendidas, os AT ocorreram em maior proporção no domingo, envolvendo jovens adultos do sexo masculino. Ressalta-se que a negligência dos profissionais quanto às anotações básicas nas fichas de atendimento são responsáveis por gerar dificuldades para o desenvolvimento de pesquisas. E, no que diz respeito aos processos judiciais, é notório que não há respaldo documental quanto a assistência prestada.

Palavras chave Assistência pré-hospitalar; Emergências; Traumatologia

Introduçao

As mortes por acidentes e violências mais comumente chamadas "Causas Externas" (CE) ocupam a terceira causa de morte na população geral e a primeira na população de 1 a 39 anos, ficando atrás das doenças cardiovasculares e neoplasias, respectivamente1)(2.

A violência assumiu papel preocupante para a sociedade brasileira nas últimas décadas e tornou-se grave problema de saúde pública em razão de sua magnitude, gravidade, impacto social e capacidade de vulnerabilizar a saúde individual e coletiva. As causas externas, que englobam as violências e os acidentes, constituem a terceira causa de mortalidade na população geral e a sexta de internações no país3)(4.

Em relação aos eventos não fatais, observa-se grande número de internações, atendimentos em serviços de emergência e sequelas permanentes, traduzindo-se em altos custos para a sociedade, uma vez que em sua maioria as vítimas são jovens e em situação socialmente produtiva. Os índices de absenteísmo por sequelas resultantes de traumas são responsáveis pela origem de potenciais despesas previdenciárias1)(5.

Os cenários da atenção às emergências e urgências nos serviços públicos no Brasil talvez não estejam preparados ou adaptados à atual transição epidemiológica, para a qual contribuem substancialmente as CE, além de enfrentarem muitas dificuldades quanto a estrutura e aos recursos materiais e humanos. Demanda-se maior investimento do Estado para o atendimento adequado das vítimas de trauma, políticas públicas efetivas que possam reduzir os índices alarmantes e, consequentemente, a morbimortalidade associada6.

Diante dessa problemática, o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel de urgência apresenta importante papel na assistência prestada às vítimas de trauma, uma vez que este serviço é caracterizado pelo atendimento rápido, de resgate, ou transporte de pacientes com quadros de urgência ou emergência declarados7.

A maioria das mortes por trauma ocorre na cena ou na primeira hora do trauma, porém, 76% poderiam ser evitadas. O atendimento pré-hospitalar ágil e de qualidade torna-se, então, parte muito importante na garantia da sobrevida dos pacientes vítimas de trauma. Por isso, a primeira hora do atendimento inicial a pacientes na fase pré-hospitalar é referida como "hora de ouro"8.

Destarte, conhecer as características que envolvem o trauma é fator preponderante na elaboração de estratégias de atuação das equipes multiprofissionais no atendimento direcionado, nas ações preventivas e educativas para minimizar os danos causados a vida humana e a sociedade.

Para isso, elaborou-se a seguinte questão de pesquisa: Como se caracterizam as emergências traumáticas atendidas por um serviço pré-hospitalar de urgências? Deste modo, o presente estudo objetivou descrever o perfil epidemiológico das emergências traumáticas assistidas por um serviço pré-hospitalar móvel de emergência do Nordeste do Brasil.

Material e Método

Trata-se de um estudo documental e descritivo, com delineamento transversal e abordagem quantitativa, realizado a partir das fichas de atendimento das ocorrências assistidas entre janeiro e junho de 2014 pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Rio Grande do Norte (SAMU 192 RN). Os dados foram coletados pelos próprios pesquisadores durante os turnos manhã e tarde no setor de arquivamento do SAMU 192 RN, localizado no município de Macaíba/RN, no período de maio a julho de 2014.

A população do estudo foi composta pelas fichas de atendimento de enfermagem de 2.952 ocorrências assistidas pelo SAMU 192 RN. Adotou-se como critérios de inclusão as fichas de anotações de enfermagem dos casos de emergências traumáticas, envolvendo acidentes de trânsito (AT), perfuração por arma de fogo (PAF), perfuração por arma branca (PAB), quedas e agressão física por força corporal. Os critérios de exclusão consistiram em fichas de pessoas com afecções clínicas e fichas com anotações ilegíveis. Foram excluídas da presente pesquisa 992 fichas, conforme os critérios de seleção, totalizando amostra de 1.960.

Os dados foram coletados por meio de um questionário estruturado, o qual foi elaborado com base na ficha de anotações de enfermagem do SAMU 192 RN, sendo composto pelas seguintes variáveis: dados do atendimento (data, dia da semana, horário, município e tipo de atendimento), informações da vítima (sexo e faixa etária) e elementos da gravidade do acidente (sinais vitais, nível de consciência, escala de coma de Glasgow, tipos de lesões ocasionadas pelo acidente e segmento anatômico lesionado). Para a caracterização das vítimas, classificou-se a idade em faixas etárias, a saber: 0 a 24 anos = jovem; 25 a 44 anos = jovem adulto; 45 a 59 anos = adulto; 60 anos ou mais = idoso.

A análise dos dados foi feita por meio de estatística descritiva, organizados em uma planilha eletrônica no software Microsoft Excel 2010 e, em seguida, exportados para o programa SPSS versão 20.0. Os resultados foram apresentados mediante frequências relativas e absolutas através de tabelas.

A pesquisa obedeceu aos aspectos éticos e legais conforme a Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, complementada e atualizada pela Resolução n. 466/12. O estudo obteve parecer favorável pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes (CEP/HUOL) com número de protocolo 437/10 e Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE): 0025.0.294.051-10.

Resultados

A amostra estudada constou de 1.960 fichas de atendimentos a vítimas de emergências traumáticas, sendo 1.327 (67,7%) por AT, 335 (17,1%) por quedas, 134 (6,8%) por PAF, 93 (4,7%) agressão física por força corporal e 71 (3,6%) por PAB, atendidas pelo SAMU 192 RN entre os meses de janeiro e junho de 2014.

A caracterização das vítimas de emergências traumáticas atendidas pelo SAMU 192 RN, conforme sexo, faixa etária e dia da semana em que ocorreu o trauma, é demonstrada na Tabela I.

Tabela I Caracterização das vítimas de emergências traumáticas atendidas pelo SAMU 192 RN e do dia em que ocorreu o trauma, 2015 . 

CARACTERIZAÇÃO DAS VÍTIMAS E DO DIA DA OCORRÊNCIA
Sexo n %
Masculino 1494 76,2
Feminino 466 23,8
Faixa etária
Jovem 600 30,6
Jovem adulto 913 46,6
Adulto 269 13,7
Idoso 178 9,1
Dia da semana
Domingo 385 19,6
Segunda 254 13,0
Terça 235 12,0
Quarta 221 11,3
Quinta 225 11,5
Sexta 291 14,8
Sábado 349 17,8
TOTAL 1960 100,0

Fonte: própria pesquisa

Conforme a Tabela I, a maioria dos indivíduos era do sexo masculino (76,2%), enquadrados no grupo de jovens adultos (46,6%) com média de 33,9 anos (±19,0), e o maior número de atendimentos por emergências traumáticas foi no final de semana, que inclui sábado e domingo (37,4%).

Quanto à associação entre o sexo das vítimas de emergências traumáticas e o tipo de trauma (Tabela II), observa-se que o sexo masculino foi o mais envolvido nos cinco tipos de emergências traumáticas estudadas, compondo 76,2% da amostra, com destaque para os AT (52,7%). Evidenciou-se como principal emergência traumática o AT, seguido pelas quedas.

Tabela II Associação entre o tipo de trauma e o sexo das vitimas atendidas pelo SAMU 192 RN, 2015. 

TIPO DE TRAUMA Sexo TOTAL
Masculino Feminino
n % n % N %
Acidente de trânsito 1033 52,7 294 15,0 1327 67,7
Perfuração por arma de fogo 114 5,8 20 1,0 134 6,8
Perfuração por arma branca 53 2,7 18 0,9 71 3,6
Quedas 220 11,2 115 5,9 335 17,1
Agressão física por força corporal 74 3,8 19 1,0 93 4,8
TOTAL 1494 76,2 466 23,8 1960 100,0

Fonte: própria pesquisa

No que diz respeito à associação entre o tipo de trauma e a faixa etária, observou-se predomínio dos jovens adultos (46,6%), indivíduos entre 25 e 44 anos, em todos os tipos de emergências traumáticas, conforme demonstrado na Tabela III.

Tabela III Associação entre o tipo de trauma e o grupo etário das vítimas de emergências traumáticas assistidas pelo SAMU 192 RN, 2015. 

TIPO DE TRAUMA Grupo etário TOTAL
Jovem Jovem adulto Adulto Idoso
n % n % n % n % N %
AT 429 21,9 656 33,5 173 8,8 65 3,3 1323 67,5
PAF 60 3,1 64 3,3 10 0,5 1 0,1 135 6,9
PAB 21 1,1 41 2,1 9 0,5 0 0,0 71 3,6
Quedas 65 3,3 102 5,2 61 3,1 109 5,6 337 17,2
Agressão física 25 1,3 50 2,6 16 0,8 3 0,2 94 4,8
TOTAL 600 30,6 913 46,6 269 13,7 178 9,1 1960 100,0

Fonte: própria pesquisa.

A associação entre a escala de coma de Glasgow e a constatação de politraumatismo ou não, nos indivíduos que sofreram algum tipo de emergência traumática, no período estudado, está explicitado na Tabela IV.

Tabela IV Associação da Escala de Coma de Glasgow com a ocorrência de politraumatismo nas vítimas assistidas pelo SAMU 192 RN, 2015. 

ESCALA DE COMA DE GLASGOW Politraumatismo TOTAL
Sim Não
Classificação n % n % n %
3-8 Traumas graves 10 0,5 23 1,2 33 1,7
9-12 Traumas moderados 3 0,2 21 1,1 24 1,2
13-15 Trauma leve 277 14,1 862 44,0 1139 58,1
Ignorado 157 8,0 607 31,0 764 39,0
TOTAL 447 22,8 1513 77,2 1960 100,0

Fonte: própria pesquisa.

Constatou-se que 58,1% dos indivíduos apresentaram a escala de coma de Glasgow entre 13 e 15 pontos, sendo classificado em trauma leve. Entretanto, destes, 14,1% foram politraumatizados e 44,0% não sofreram politraumatismo. Além disso, observou-se que houve negligência quanto à anotação da escala de coma de Glasgow em 39,0% das fichas de atendimento de enfermagem.

Discussões

O trauma pode gerar danos temporários e permanentes como óbitos, invalidez, tratamentos prolongados e de alto custo, acarretando prejuízo socioeconômico para o paciente e seus familiares9.

Estudo realizado nos 24 Estados brasileiros e outro em Cuiabá/Mato Grosso/Brasil, encontraram que as emergências traumáticas mais frequentes foram os AT, seguidos de quedas, PAF, agressões por físicas por força corporal e PAB, o que corrobora com o presente estudo 10)(11.

Os AT são considerados episódios complexos, pois podem estar relacionados a falhas humanas, do próprio veículo e até mesmo ambientais. Alguns destes fatores são decorrentes de imprudência do condutor, como manobras arriscadas, alcoolismo e drogas, excesso de velocidade e cansaço, bem como, podem estar associados a fatores climáticos, vias e sinalização inadequada e falta de manutenção dos veículos12.

O trânsito brasileiro é considerado um dos mais perigosos do mundo e se configura problema de saúde pública, constituindo temática de graves proporções para a sociedade moderna, pois é responsável por altos índices de morbidade, mortalidade e incapacidade com sequelas físicas e/ou cognitivas permanentes. No Brasil, a ingestão de bebida alcoólica associada à condução de veículos é apontada como um dos principais fatores responsáveis por acidentes5)(13.

Os indivíduos do sexo masculino são os que mais se envolvem em eventos traumáticos. Essa prevalência pode ocorrer devido a aspectos culturais, biológicos e sociais que propiciam um comportamento violento, tornando-o mais vulnerável a causas externas9)(14. Pesquisa aponta que o atendimento ao sexo feminino se deu, principalmente, por causas clínicas11. E, as ocorrências se deram, em maior proporção, no final de semana, devido a relação com eventos festivos, consumo de bebidas alcoólicas e diminuição da fiscalização15.

Embora os homens tenham sido os mais atingidos em todas as categorias das emergências traumáticas, não se pode desconsiderar as vitimas do sexo feminino, pois é um fator que influência na saúde e no âmbito social9. Nesse estudo, a maior incidência de eventos entre as mulheres foi o AT. Segundo a literatura, na maioria dos casos de AT envolvendo mulheres, estas se encontravam na posição de passageira14.

Os adultos jovens, com idade média entre 34 e 37,6 anos, são as principais vítimas de trauma10)(11)(14. Todos os grupos etários, com exceção dos idosos sofreram, sobretudo, AT, ressalta-se a importância quanto aos números de episódios com PAF e PAB entre os jovens e jovens adultos. Sugere-se que a violência nesse grupo aconteça pela desigualdade social e a difícil inserção do jovem no mercado de trabalho16.

Determinantes sociais e culturais referentes à questão de gênero expõem o sexo masculino a maiores riscos para o trauma, como velocidade excessiva, manobras arriscadas, violência e consumo de álcool. No entanto, constatou-se que as mulheres podem estar expostas a situações traumáticas, embora não tenham ingerido bebida alcoólica, por estarem acompanhadas de jovens do sexo masculino que fazem uso de álcool, e colocam a própria segurança e a dos acompanhantes em risco17.

A idade precoce de consumo regular de bebida alcoólica pode deixá-los mais expostos, por estarem passando por profundas mudanças físicas e psíquicas, e ocasionar comportamentos socialmente indesejáveis17.

Entre os idosos, a principal causa do trauma foram as quedas. As pessoas nesta faixa etária requerem maior cuidado devido ao alto índice de mortalidade em decorrência do tipo de trauma anteriormente citado. Pesquisa realizada com idosos residentes no Estado de São Paulo, mostrou que as quedas da própria altura tende a aumentar a gravidade de acordo com o avanço da idade18.

A escala de coma de Glasgow avalia o nível de consciência e a gravidade do traumatismo, por isso é de grande valia no atendimento ao traumatizado para estimar o prognóstico da vítima14)(19. Essa escala também é utilizada para avaliar a relação do tempo-resposta no atendimento de acordo com a necessidade do paciente14.

Após a completa avaliação das etapas do protocolo para atendimento ao politraumatizado e a adequada correção das lesões encontradas, o profissional do serviço de emergência deve identificar o padrão neurológico em que a vítima se encontra, sendo indicado o uso da Escala de Coma de Glasgow para este fim20.

Observou-se que esse dado foi negligenciado em grande parte das fichas de atendimento de enfermagem, o que demonstra a vulnerabilidade da equipe no registro das informações, o que pode indicar possível carência de conhecimento teórico sobre a adequada utilização desta escala. Por sua vez, os profissionais associam a diminuição do nível de consciência com a queda do padrão respiratório, o que, segundo eles, requer a aplicação da cânula de Guedel21.

A utilização da Escala de Coma de Glasgow como ferramenta da avaliação neurológica da vítima politraumatizada não foi devidamente descrita pelos participantes do estudo, assim como na presente pesquisa. Embora seja esperado informações ignoradas, devido a necessidade de rapidez e agilidade no atendimento, que deve priorizar a estabilização da vitima e não o preenchimento de informações, essas falhas tornam o registro incompleto e sem respaldo para situações que envolvam a justiça11)(21.

Para prevenir a ocorrência de eventos traumáticos, diminuir a gravidade das ocorrências, a ocupação de leitos hospitalares e os índices de anos perdidos e incapacitados, principalmente na população jovem, deve-se investir em estratégias de controle de perigos e riscos, utilizando medidas sistemáticas de promoção à saúde e prevenção de agravos, para que possam viver a juventude de forma segura e sem prejuízo à saúde17.

Considerando que o enfermeiro é um profissional voltado para a implementação do cuidado à saúde em todos os ciclos de vida, visando à integralidade do cuidado, ele deve estar capacitado para a execução de programas de educação em saúde voltados para o jovem e para a família, traçando estratégias e metas com vista a estimular a redução de danos e o comportamento seguro, visando reduzir os episódios traumáticos17)(22.

Conclusões

Observou-se que entre as emergências traumáticas atendidas pelo SAMU 192 RN no período de janeiro a junho de 2014 houve maior quantitativo de AT, seguido por quedas. A maioria dos envolvidos eram do sexo masculino, na faixa etária entre 25 e 44 anos (jovem adulto). Grande parte dos atendimentos ocorreram no final de semana, sendo o maior número no domingo. Quanto a relação do tipo de trauma com o sexo, verificou-se que os jovens adultos tanto do sexo masculino quanto o feminino sofreram em maior proporção AT. Enquanto os idosos, foram mais acometidos por quedas.

Em relação à gravidade do trauma, a maioria das vítimas de emergências traumáticas obteve a classificação entre 13 e 15 pontos (trauma leve) na escala de coma de Glasgow e o indivíduo, na grande parte dos casos, não sofreu politraumatismo. Entretanto, ressalta-se a negligência dos profissionais quanto à anotação da classificação da escala de coma de Glasgow, tendo em vista, que é um dado imprescindível para a avaliação da gravidade do trauma. Além disso, a deficiência de dados nas fichas de atendimento dificulta o desenvolvimento de pesquisas, bem como, em processos judiciais, não há respaldo documental comprobatório.

Sabe-se que os óbitos por causas externas são considerados problema de saúde pública com altos índices de óbitos e elevados números de absenteísmo por sequelas irreversíveis envolvendo jovens. O atendimento rápido e qualificado a esse tipo de ocorrência é diretamente proporcional ao prognóstico da vítima. Salienta-se a importância da educação permanente para os profissionais de saúde que trabalham no âmbito pré-hospitalar, uma vez que a primeira hora, chamada hora de ouro, é considerada crucial para a sobrevida dos indivíduos em situações de emergência.

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Recebido: 06 de Julho de 2015; Aceito: 07 de Setembro de 2015

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