SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.16 número46Tiempo de cicatrización de las heridas crónicas, a propósito de un estudio de prevalencia e incidenciaPerspectivas de los cuidados de enfermería en el embarazo de alto riesgo: revisión integradora índice de autoresíndice de materiabúsqueda de artículos
Home Pagelista alfabética de revistas  

Servicios Personalizados

Revista

Articulo

Indicadores

Links relacionados

  • En proceso de indezaciónCitado por Google
  • No hay articulos similaresSimilares en SciELO
  • En proceso de indezaciónSimilares en Google

Compartir


Enfermería Global

versión On-line ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.16 no.46 Murcia abr. 2017  Epub 01-Abr-2017

http://dx.doi.org/10.6018/eglobal.16.2.235801 

Revisiones

Educação em saúde no contexto escolar: estudo de revisão integrativa

Évilin Costa Gueterres1  , Elisa de Oliveira Rosa1  , Andressa da Silveira2  , Dos Santos Wendel Mombaque3 

1Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA).

2Doutoranda e Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Professora Assistente do Curso de Graduação em Enfermagem da UNIPAMPA

3Doutorando e Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Enfermeiro do Trabalho da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Brasil

RESUMO

A educação em saúde é considerada um meio bastante importante para ampliação do conhecimento e práticas relacionadas aos comportamentos saudáveis dos indivíduos. Dessa forma, o estudo tem como objetivo aracterizar as produções científicas e descrever a atuação do enfermeiro nas práticas de educação em saúde na escola. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura nas bases LILACS e BDEnf. Por meio dos critérios de inclusão selecionou-se 20 artigos, que responderam a seguinte questão: de que forma o enfermeiro atua nas práticas de educação em saúde no contexto escolar? Os resultados emergiram três categorias para a análise: “Educação em saúde e a problemática da saúde pública na escola”, “Enfermagem e a educação em saúde na escola” e “Ações desenvolvidas no ambiente escolar”. A partir de 2010 houve um aumento significativo nas publicações, com predomínio de estudos com abordagem qualitativa. Contudo, percebeu-se a complexidade que envolve as práticas de educação em saúde em âmbito escolar e a fragilidade existente nas publicações científicas no que tange a inserção do enfermeiro no ambiente escolar.

Palavras chave saúde escolar; educação em saúde; enfermagem

INTRODUÇÃO

A educação em saúde é um meio importante para ampliação do conhecimento de práticas que se relacionam a comportamentos saudáveis por parte dos indivíduos. Nesse contexto, as ações de educação em saúde têm caráter persuasivo, pois procuram preceituar certos comportamentos considerados pertinentes para a prevenção ou minimização de agravos à saúde1)(2.

A escola é um espaço destinado a formação sócio educacional capaz de contribuir significativamente na formação dos sujeitos, de modo pleno, integral e saudável2. Nesta ótica, o contexto escolar é essencial para o desenvolvimento do conhecimento partilhado e para a integração com a comunidade. Onde encontra-se grande parte da população que demonstra interesse em aprender, com potencial disseminador de informações1)(2)(3.

A articulação da escola com as esquipes de saúde deve ser pautada nos interesses dos usuários sendo capaz de satisfazer suas necessidades de saúde. Por meio da participação no meio escolar articulando ações voltadas para a atenção à saúde, torna-se possível a formação de cidadãos empoderados do conhecimento a cerca de hábitos de vida saudáveis3.

A fim de enaltecer as ações de saúde no contexto escolar, destaca-se o Programa Saúde nas Escolas (PSE), por ser uma estratégia para a disseminação dos conhecimentos no que tange as práticas saudáveis, sendo estas repassadas às crianças e adolescentes em um espaço formador, em conjunto com a equipe de saúde4)(5.

No que se refere à equipe de saúde a enfermagem possuiu um papel fundamental, atuando prioritariamente na potencialidade do indivíduo ter autonomia em relação a sua saúde. Dessa forma, a educação em saúde potencializa a qualidade de vida, ressaltando a importância de se desenvolver hábitos saudáveis2)(3)(4) com consciência, desse modo, os indivíduos deixam de ter uma consciência ingênua e passam a ser mais críticos.

Os profissionais da área da saúde estão qualificados para promover a educação em saúde, vislumbrando a troca de informação entre os indivíduos, respeitando a individualidade e as peculiaridades de cada um, possibilitando que se promova saúde por meio das práticas educativas. Esta é a forma mais eficiente de promover saúde e orientar para práticas de vida saudáveis, onde se oportuniza o compartilhamento de saberes. Este processo tem no ambiente escolar seu principal ponto de partida, visto que é na escola que surgem os primeiros grupos sociais2, considerando que nesse ambiente é possível construir laços afetivos e sociais, essências para a formação de cada indivíduo3.

Frente essas assertivas, este estudo objetiva caracterizar as produções científicas e descrever a atuação do enfermeiro nas práticas de educação em saúde na escola.

MÉTODO

Trata-se de um estudo de revisão integrativa, a busca foi desenvolvida na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS-BIREME) nas bases de dados eletrônicas Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados para Enfermagem (BDEnf) no segundo semestre de 2014. A questão de pesquisa utilizada para o levantamento bibliográfico foi: “De forma o enfermeiro atua nas práticas de educação em saúde no contexto escolar?” Para isso, utilizou-se os Descritores de Ciências da Saúde (DECs), enfermagem [and] saúde escolar.

A delimitação temporal deste estudo foi de 2007 a 2014, justifica-se esse período devido o Programa Saúde na Escola (PSE) ter sido instituído por Decreto Presidencial nº 6.286, em 5 de dezembro de 2007, na perspectiva de ampliar as ações específicas de saúde aos alunos da rede pública de ensino4.

Os critérios de inclusão foram: artigo em português, artigos publicados no período de 2007 a 2014, artigos disponibilizados em texto completo em suporte eletrônico gratuito, para acesso ao texto completo foi utilizado o seguinte recurso: link disponível, ademais os artigos deveriam convergir com o objetivo proposto e abordar a temática estudada.

Assim, os critérios de exclusão foram: dissertações, teses, livros, capítulos de livros, anais de congressos ou conferências, relatórios técnicos e científicos e documentos ministeriais.

Utilizando os descritores “enfermagem” e “saúde escolar” foram encontradas 1.150 publicações, após realização do filtro de pesquisa na BVS, utilizando os critérios de inclusão foram encontradas 238 publicações, por meio da leitura prévia dos títulos e resumos foram excluídas 218 publicações que não respondiam aos critérios propostos, totalizando 20 artigos na amostra final.

Para o mapeamento das produções científicas utilizou-se uma ficha documental constituída das seguintes variáveis: código, título do artigo, ano de publicação, abordagem metodológica e região da publicação.

A partir do desenvolvimento da análise do conteúdo, que se apresentou em três etapas: pré-análise, exploração do material e interpretação do material, efetuou-se a leitura flutuante e o fichamento (ficha documental e ficha de extração dos dados), permitindo maior abrangência na análise do conteúdo. Foi realizada a interpretação dos resultados relacionando-os com a literatura, observando rigor ético quanto à propriedade intelectual dos textos pesquisados7.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Entre as bases de dados LILACS e BDEnf, a que apresentou maior número de publicações selecionadas foi a BDEnf com 12 (60%) dos artigos.

Constatou-se que 9 (45%) dos artigos são qualitativos e 10 (50%) artigos quantitativos, salienta-se que apenas 1 (5%) é quantitativo-qualitativo.

Em relação ao espaço temporal dos estudos destacaram-se os anos de 2010 com 9 artigos (45%), 2012 com 5 artigos (25%), seguido dos anos de 2011 com 4 artigos (20%), salienta-se que os anos de 2008 e 2009 obtiveram 1 artigo (5%) cada.

Dentre os 20 artigos analisados na integra, verificou-se que as regiões brasileiras de maior procedência das produções foram Nordeste e Sul cada qual com 7 (35%) dos artigos, seguidas da região Sudeste com 5 (25%) dos artigos e Centro-Oeste com 1 (5%) dos artigos.

A seguir, apresentar-se-á a Tabela 1 onde consta a síntese das produções.

Tabela 1 Ficha documental. Uruguaiana, 2014. 

Cód. Título do artigo Ano Abordagem Região Base de Dados
A1 Educação em saúde na escola: estratégia em enfermagem na prevenção da desnutrição infantil 2008 Qualitativo Nordeste LILACS
A2 Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE. 2009 Qualitativo Nordeste BDEnf
A3 Prevalência do tabagismo entre escolares de Florianópolis, SC, Brasil e as contribuições da enfermagem. 2010 Quantitativo Sul BDEnf
A4 Fatores de risco associados à obesidade e sobrepeso em crianças em idade escolar. 2010 Quantitativo Sudeste BDEnf
A5 Enfermeira de ligação: uma estratégia de integração em rede. 2010 Quantitativo Sul BDEnf
A6 Percepção de adolescentes sobre sua sexualidade. 2010 Qualitativo Sul LILACS
A7 Prevenção do tabagismo na adolescência: um desafio para a enfermagem 2010 Quantitativo Sudeste BDEnf
A8 Violência entre jovens: Dinâmicas sociais e situações de vulnerabilidade. 2010 Quantitativo Sul LILACS
A9 Hábitos alimentares de adolescentes de escolas particulares: implicações para a prática da enfermagem pediátrica. 2010 Quantitativo Nordeste BDEnf
A10 Qualificação de professores do ensino básico para educação sexual por meio da pesquisa-ação. 2010 Quantitativo Centro-Oeste BDEnf
A11 Olho vivo: analisando a acuidade visual das crianças e o emprego do lúdico no cuidado de enfermagem. 2010 Quantitativa Nordeste BDEnf
A12 Identificando necessidades de crianças com deficiência auditiva: uma contribuição para profissionais da saúde e educação. 2011 Quantitativo Sudeste LILACS
A13 Prevenção da violência escolar: avaliação de um programa de intervenção. 2011 Quantitativo Sudeste LILACS
A14 Obesidade juvenil com enfoque na promoção da saúde: revisão integrativa. 2011 Quantitativo-Qualitativo Sul BDEnf
A15 Condições de saúde de escolares e intervenção de enfermagem: relato de experiência 2011 Qualitativo Nordes te BDEnf
A16 Ações de educação em saúde realizadas por enfermeiros na escola percepção de pais 2012 Qualitativo Nordes te BDEnf
A17 Saúde e cuidado na percepção de estudantes adolescentes contribuições para a prática de enfermagem 2012 Qualitativo Nordes te LILACS
A18 A inserção da equipe de saúde da família no ambiente escolar público: perspectiva do professor 2012 Qualitativo Sul LILACS
A19 Representações sociais da violência escolar na expressão de jovens estudantes 2012 Qualitativo Sul BDEnf
A20 Dinâmicas de criatividade e sensibilidade na abordagem de álcool e fumo com adolescentes. 2012 Qualitativo Sudeste BDEnf

Para nortear a extração dos conteúdos utilizou-se uma ficha de extração dos dados, exposta na Tabela 2, composta das variáveis: objetivos dos estudos e síntese dos resultados, possibilitando a elaboração de categorias temáticas nos achados que apresentaram significância de elementos comuns de maior incidência no material encontrado, as categorias foram: “Educação em saúde e a problemática da saúde pública na escola”; “enfermagem e a educação em saúde na escola” e “Ações desenvolvidas no ambiente escolar”.

Tabela 2 Ficha de extração dos dados. Uruguaiana, 2014 

Código Objetivos Síntese dos Resultados
A-1 Identificar a percepção das crianças sobre alimentação saudável. As crianças ampliaram seus conhecimentos, mostrando a necessidade de estratégias.
A-2 Abordar o uso de tecnologias educativas como estratégia de educação em saúde junto a adolescentes. O uso de tecnologias educativas como estratégia de educação para saúde entre adolescentes.
A-3 Analisar a prevalência de tabagismo entre escolares do ensino fundamental e médio. Verificou-se que 41 % dos escolares já fumaram alguma vez, sem diferença entre os sexos.
A-4 Analisar os fatores de risco associados à obesidade e sobre peso em crianças de ambos os sexos. Na amostra 38,2% apresentam-se obesas, os fatores associados foram: falta de atividade física e consumo de refrigerantes.
A-5 Identificar a demanda e possibilidades de atuação da enfermagem de ligação no HC da UFPR. A implantação da enfermeira de ligação é um passo para viabilizar a integração HC/UFPR à rede.
A-6 Conhecer as percepções dos adolescentes sobre o desenvolvimento da sua sexualidade. O novo estabelecimento de relações na escola possibilita maior diálogo facilitando o aprofundamento da temática.
A-7 Discutir a atuação do enfermeiro na prevenção do tabagismo na adolescência. O enfermeiro tem o compromisso de prevenir o tabagismo na adolescência.
A-8 Analisar as dinâmicas sociais implicadas na vida de jovens vítimas de violências por meio da (re) construção das relações cotidianas. Observou-se fragilidade nas redes de relações.
A-9 Investigar hábitos alimentares de adolescentes em escolas. Foi constato consumo inadequado de alimentos necessários para o desenvolvimento.
A-10 Descrever e analisar o uso da pesquisa-ação como ferramenta na qualificação de professores para a educação sexual. A partir da pesquisa-ação evidenciou-se a necessidade de inclusão da sexualidade como tema no projeto político pedagógico da instituição em estudo.
A-11 Detectar o déficit visual nas crianças em fase escolar e promover a saúde visual por meio da atividade lúdica. Das 143 crianças que participaram do estudo 13 apresentaram déficit visual.
A-12 Descobrir as dificuldades/necessidades das famílias que convivem com crianças com deficiência auditiva. A principal queixa da família é a falta de suporte e infraestrutura no município para diagnóstico e reabilitação da deficiência.
A-13 Caracterizar o fenômeno da violência escolar num grupo de jovens e avaliar a implementação do programa antiviolência escolar. Foi constatado que antes da intervenção existia um elevado nível de bullying, assim como, agressões direcionadas a professores e funcionários.
A-14 Sintetizar a contribuição das pesquisas de Enfermagem sobre a obesidade Juvenil. O maior número de publicações ocorreu em um periódico próprio para a população de crianças e adolescentes.
A-15 Descrever as condições de saúde de escolares e relatar a experiência de um trabalho educativo. Foram encontrados diversos problemas, entre eles: higiene precária e problemas bucais.
A-16 Analisar a percepção dos pais sobre ações educativas em saúde realizadas pelos docentes e discentes de enfermagem. Ocorreu uma percepção positiva, resultando na valorização do profissional.
A-17 Percepção de adolescentes sobre saúde e cuidado. Os participantes concebem a saúde como atitude pessoal associada ao exercício físico e boa alimentação.
A-18 Investigar a percepção de professores sobre a inserção da ESF, apontando suas necessidades de informação. Os resultados apontam que a interação entre ESF e escola é fundamental para promoção de saúde dos escolares.
A-19 Analisar as representações sociais da violência escolar na expressão de jovens estudantes. Os achados do estudo revelaram quatro núcleos de sentido.
A-20 Descrever as expectativas dos estudantes do ensino fundamental sobre sua participação em um projeto de pesquisa. Evidenciou-se que a maioria dos estudantes manifestou sentimentos positivos quanto à participação nas dinâmicas.

Entre as categorias anteriormente delineadas a que apresentou maior número publicações foi “Educação em saúde e a problemática da saúde pública na escola”, em que 9 artigos (45%) trouxeram este tema. A categoria “Enfermagem e a educação em saúde na escola” encontram-se em 8 artigos (40%). Os artigos que traziam as “Ações desenvolvidas no ambiente escolar” totalizaram 3 artigos (15%), conforme a Tabela 3.

Tabela 3 Categorias temáticas do estudo. Uruguaiana, 2014. 

Código Categoria Total
A3-A4-A6-A8-A10-A13-A14 A19-A20 Educação em saúde e a problemática da saúde pública na escola 45%
A1-A5-A7-A9-A11-A15-A16-A17 Enfermagem e a educação em saúde na escola 40%
A2-A12-A18 Ações desenvolvidas no ambiente escolar 15%

Educação em saúde e a problemática da saúde pública na escola

A violência é um problema de saúde pública evidenciada nos artigos, a temática abarca problemas como drogas, desequilíbrio nutricional e riscos relacionados à sexualidade8. Destaca-se que a violência é crescente, e pode ser advinda de conflitos familiares, ausência de afeto e da falta de limites, tornando-se um fenômeno social complexo que atinge a população, podendo também repercutir na vida adulta. Quando estes conflitos não são resolvidos ou devidamente acompanhados na infância/adolescência, acabam repercutindo na vida adulta8)(10). As abordagens trabalhadas na escola referem-se principalmente às drogas, tabagismo e alcoolismo, revelando a vulnerabilidade que os jovens estão expostos, tanto a fatores externos como internos11)(12.

Outro fator encontrado nos artigos corresponde aos riscos relacionados à sexualidade e as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) incluindo seus agravos, devido a alarmante incidência de gravidez na adolescência e aumento nos índices de DSTs entre adolescentes escolares13)(14.

Quando o assunto é alimentação há duas vertentes que devem ser avaliadas, uma delas é o hábito alimentar, ou seja, alimentação com valor nutricional alterado e, outra questão, sem dúvida a mais preocupante, é a falta de alimento, sendo estes um problema social. O estado nutricional das crianças e adolescentes escolares variam de acordo com o contexto e faixa etária que estão inseridos, destacando-se a desnutrição e a obesidade15.

A desnutrição é mais evidenciada em crianças, devido baixa oferta de alimentos ou alimentação inadequada, todos os níveis de desnutrição acarretam em danos à saúde até as manifestações mais leves de desnutrição podem limitar o desenvolvimento físico e intelectual da criança, corroborando para a evasão escolar16. Já a obesidade apresenta maior incidência nos adolescentes, seus agravos estão associados à hipertensão arterial, doença cardíaca, osteoartrose, diabetes mellitus tipo II e alguns tipos de câncer, juntamente com a deterioração da qualidade de vida17)-(18.

Enfermagem e a educação em saúde na escola

Torna-se notória a importância de ações, tais como, utilização de formas lúdicas que facilitem o aprendizado de crianças quanto à importância de uma alimentação saudável, buscando uma melhoria no estado nutricional12)(13)(14)(15)(16)(17)(18)(19. Neste sentido, as ações de cuidado em saúde, sejam de prevenção ou promoção de saúde, quando realizadas através de atividades criativas permitem uma maior interação e fortalecimento das relações, possibilitando ações que venham ao encontro das necessidades e dos desejos desta clientela. Obtendo dos pais aceitação positiva diante das ações desenvolvidas para educação em saúde18.

Na descrição das condições de saúde de escolares, apontou-se que em relação às condições de higiene apenas 68% apresentavam situação regular, 51% apresentavam pediculoses, 70% dentição comprometida, 39% vacinas em atraso, 38% estavam em estado de desnutrição grau I e 26% grau II20.

Ações desenvolvidas no ambiente escolar

No que diz respeito às ações em saúde desenvolvidas no ambiente escolar os artigos que às fazem menção mostram uma parceria entre Estratégia de Saúde da Família (ESF) e escola, com foco na atuação do enfermeiro, na perspectiva de prevenção, promoção e atenção à saúde de crianças, adolescentes e jovens do ensino público21. A implementação destas ações preveem a articulação de diversas práticas de saúde nas escolas21)(22. As temáticas são agrupadas de acordo com a natureza de suas ações, avaliação das condições de saúde dos estudantes por meio de testes de audição, visão, motricidade física, estado nutricional e psicológico23.

O desenvolvimento de estratégias surge após o delineamento das prioridades, levando em consideração o contexto onde a escola está inserida, visando à sensibilização e\ou a conscientização sobre ações que possam evitar o surgimento de problemáticas de saúde24)(25.

Nesse sentido, não se pode deixar de lembrar o quanto às ações preventivas são mais vantajosas que as ações curativistas, tanto do ponto de vista econômico, quanto do ponto de vista assistencial. Conforme exposto nos artigos a enfermagem possui papel fundamental na construção e disseminação de saberes que busquem aprimorar conhecimentos no que tange os saberes de saúde26)(27.

CONCLUSÃO

Conclui-se que o ambiente escolar não deve se limitar apenas a um espaço de aperfeiçoamento dos saberes instrumentais, é correto afirmar que estes conhecimentos são fundamentais para a construção das competências e habilidades dos sujeitos, entretanto, são insuficientes e limitados, quando o objetivo é a promoção da saúde integral.

A integralidade na atenção à saúde deve ser desenvolvida em parceria com a enfermagem, a mesma deve desenvolver ações de educação e conscientização em parceria com os professores.

Destaca-se a carência de publicações referente às ações de saúde no ambiente escolar, que remete a vertente em que as produções científicas estão voltadas, em sua maioria, a descrição das problemáticas de saúde pública, deixando evidente os agravos à saúde, ao invés de ampliar o conhecimento sobre a importância da promoção de saúde por meio da educação em saúde com a articulação de saberes.

Por fim, este estudo aponta para a necessidade de produções científicas que exponham a efetividade das práticas de educação em saúde desenvolvidas para os enfermeiros no âmbito escolar. Isso denota a necessidade de uma relação dialógica, comunicação emancipatória, contemplando professores-enfermeiros-alunos e seus familiares a fim de que os saberes sejam consolidados em uma aliança de saberes que deverá refletir em melhores condições de saúde e conscientização dos sujeitos.

REFERENCIAS

1. Neves ET,Silveira A, Neves DT, Padoin SMM, Spanavello CS. Educação em saúde na escola: educando para vida num espaço multidisciplinar: estudo de revisão integrativa. Rev enferm UFPE. 2011; 5(8):2023-30. Disponível em: file:///C:/Users/Microsoft%20User/Desktop/1844-15853-1-PB.pdf [ Links ]

2. Santos SMR, Jesus MCP, Peyroton LS, Linhares FS. Avaliação e classificação do risco familiar em uma escola de educação infantil. Fundan. Care. Online. 2014; 6 (1): 232-40. Disponível em: http://www.seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/view/2659/pdf_1043Links ]

3. Duarte ACS, Barboza RJ. Paulo Freire: O Papel Da Educação Como Forma De Emancipação Do Indivíduo. Revista Científica Eletrônica de Pedagogia. 2007; 1(9):1-7. [ Links ]

4. Gomes LB, Merhy EE. Compreendendo a Educação Popular em Saúde: um estudo na literatura brasileira. Cad. Saúde Pública. 2011; 27(1):7-18. [ Links ]

5. Brasil. Ministério da Educação e da Saúde. Programa Saúde nas Escolas. Decreto nº 6.286 de 5 de dezembro de 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6286.htm. [ Links ]

6. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 11st ed. São Paulo: HUCITEC; 2008. [ Links ]

7. Mendes KDS, Silveira RCCP, Galvão CM. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2008; 17(4):758-64. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/tce/v17n4/18.pdfLinks ]

8. Costa MC, Silva EB, Jahn AC, Dalmolin IS, Santos M, Silva CM. Representações sociais da violência escolar na expressão de jovens estudantes. Rev. Eletr. Enf. 2012; 14(3):514-22. http://www.fen.ufg.br/fen_revista/v14/n3/pdf/v14n3a07.pdfLinks ]

9. Mendes CS. Prevenção da violência escolar: avaliação de um programa de intervenção. Rev Esc Enferm USP. 2011; 45(3):581-8. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v45n3/v45n3a05.pdfLinks ]

10. Giron MPN, Souza DP, Fulco APL. Prevenção do tabagismo na adolescência: um desafio para a enfermagem. Rev. Min. Enferm. 2010; 14(4):587-94. Disponível em: http://www.enf.ufmg.br/site_novo/modules/mastop_publish/files/files_4db582300901f.pdfLinks ]

11. Cocco M, Lopes MJM. Violência entre jovens: Dinâmicas sociais e situações de vulnerabilidade. Rev Gaúcha Enferm. 2010; 31(1):151-9. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/10620/8448Links ]

12. Cordeiro EAK, KupeK E, Martin JG. Prevalência do tabagismo entre escolares de Florianópolis, SC, Brasil e as contribuições da enfermagem. Rev. bras. enferm. 2010; 63 (5): 706-11. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/fen_revista/v11/n1/pdf/v11n1a21.pdfLinks ]

13. Lopes GT, Belchior PC, Felipe ICV, Bernardes MM, Casanova EG, Pinheiro APL. Dinâmicas de criatividade e sensibilidade na abordagem de álcool e fumo com adolescentes. Rev. enferm. UERJ; 20(1):33-8. Disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/3972/2755Links ]

14. Freitas KR, Dias SMZ. Percepção de adolescentes sobre sua sexualidade. Texto Contexto Enferm. 2010; 19(2):351-7. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v19n2/17.pdfLinks ]

15. Souza MM, Munari DB, Souza SMB, Esperidião E, Medeiros M. Qualificação de professores do ensino básico para educação sexual por meio da pesquisa-ação. Cienc Cuid Saude. 2010; 9 (1):91-8. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/10532/5741Links ]

16. Araújo MFM, Almeida LS, Freitas RWF, Marinho NBP, Pereira DCR, Damasceno MMC. Hábitos alimentares de adolescentes de escolas Particulares: implicações para a prática da Enfermagem pediátrica. Rev. Enferm. UERJ. 2010; 18 (3):417-22. Disponível em: http://www.facenf.uerj.br/v18n3/v18n3a14.pdfLinks ]

17. Vasconcelos VC, Martins MC, Valdês MTM, Frota MA. Educação em saúde na escola: estratégia em enfermagem na prevenção da desnutrição infantil. Cienc Cuid Saude. 2008; 7 (3):355-62. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/6508/3862Links ]

18. Lopes PCS, Prado SLA, Colombo P. Fatores de risco associados à obesidade e sobrepeso em crianças em idade escolar. Rev Bras Enferm. 2010; 63(1):73-8. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S003471672010000100012&script=sci_arttextLinks ]

19. Luna IT, Moreira RAN, Silva KL, Caetano JÁ, Pinheiro PNC, Rebouças CBA. Obesidade juvenil com enfoque na promoção da saúde: revisão integrativa. Rev Gaúcha Enferm. 2011 ;32(2):394-401. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v32n2/a25v32n2.pdfLinks ]

20. Araújo LM, Souza ECR, Simpson CA. Condições de saúde de escolares e intervenção de enfermagem: relato de experiência. Rev Rene. 2011; 12(4):841-8. Disponível em: http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista/article/view/313/pdfLinks ]

21. GubertI FA, Santos ACL, Aragão KAI, Pereira DCRIV, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE. Rev. Eletr. Enf. 2009; 11(1):165-72. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [ Links ]

22. Godoi SC, Pol P, Matia G. A inserção da equipe de saúde da família no ambiente escolar público: perspectiva do professor. Cogitare Enferm. 2012; 17(2):232-8. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/cogitare/article/viewFile/22735/18452Links ]

23. Coelho ACO, Marta DC, Dias IMAV, Salvador M, Reis VN, Pacheco ZML. Olho vivo: analisando a acuidade visual das crianças e o emprego do lúdico no cuidado de enfermagem. Esc. Anna Nery. 2010; 14 (2):318-23. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-81452010000200015&script=sci_arttextLinks ]

24. Marques JF, Silva KM, Moreira KAP, Queiroz MVO. Saúde e cuidado na percepção de estudantes adolescentes contribuições para a prática de enfermagem. Cogitare Enferm. 2012;17(1):37-43. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/cogitare/article/view/26372/17565Links ]

25. Alvarenga WAA, Silva MDEC, Silva SS, Barbosa LDCS. Ações de educação em saúde realizadas por enfermeiros na escola percepção de pais. Rev. Min. Enferm. 2012; 16(4):522-27. Disponível em: http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/557Links ]

26. Scarpitta TP, Vieira SS, Dupas G. Identificando necessidades de crianças com deficiência auditiva: uma contribuição para profissionais da saúde e educação. Esc Anna Nery. 2011; 15(4):791-80. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v15n4/a19v15n4.pdfLinks ]

27. BernardinoI E, SeguiII MLH, Lemos MB, Peres AM. Enfermeira de ligação: uma estratégia de integração em rede. Rev Bras Enferm. 2010; 63(3):459-63. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n3/a18v63n3.pdfLinks ]

Recebido: 23 de Agosto de 2015; Aceito: 18 de Dezembro de 2015

Creative Commons License Este es un artículo publicado en acceso abierto bajo una licencia Creative Commons