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Enfermería Global

On-line version ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.17 n.51 Murcia Jul. 2018  Epub July 01, 2018

http://dx.doi.org/10.6018/eglobal.17.3.290251 

Originais

Avaliação nutricional pela Mini avaliação Nutricional: uma ferramenta para o enfermeiro

Josefa Danielma Lopes Ferreira1  , Maria Júlia Guimarães Oliveira Soares2  , Carla Lidiane Jácome de Lima1  , Thalys Maynnard Costa Ferreira3  , Patrícia Simplício de Oliveira1  , Mirian Alves da Silva4 

1 Enfermera. Máster en Enfermería por el Programa de Postgraduación en Enfermería de la Universidad Federal da Paraíba, Paraíba, Brasil. danielma_jp@hotmail.com

² Enfermera. Doctora en Enfermería. Profesora titular de la Universidad Federal da Paraíba, Paraíba, Brasil.

3 Enfermero. Alumno de Máster en Enfermería por el Programa de Postgraduación en Enfermería de la Universidad Federal da Paraíba, Paraíba, Brasil.

4 Enfermeira. Doctora en Enfermería. Profesora adjunto I de la Universidad Federal da Paraíba, Paraíba, Brasil.

RESUMO:

Objetivo:

Caracterizar o estado nutricional de idosos institucionalizados segundo a Miniavaliação Nutricional (MAN®).

Método:

Estudo transversal, de base populacional e abordagem quantitativa, realizado com 321 idosos residentes em instituições de longa permanência para idosos de João Pessoa/PB. Foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CCS/UFPB, CAEE: 02043712.4.0000.5188.

Resultados

A idade média dos participantes foi de 81,09 anos, e a maioria era do sexo feminino (75,7%). Na primeira fase da MAN®, a triagem, 86 (26%) dos idosos avaliados apresentaram estado nutricional adequado e 235 (73,2%) passaram para a avaliação global; desses, sete (3,0%) estavam com estado nutricional adequado. Portanto, concluída a avaliação, 93 (29,0%) idosos estavam com estado nutricional adequado; 127 (39,6%) apresentaram risco de desnutrição, e 101 (31,5%) estavam desnutridos.

Conclusão

É fundamental estabelecer programas de prevenção em instituições de longa permanência que subsidiem as intervenções da equipe multidisciplinar de saúde, a fim de controlar os fatores de risco, incluindo-se os parâmetros nutricionais.

Palavras chave: Enfermagem; Idoso; Estado nutricional

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um processo natural e individual, que ocasiona uma série de mudanças fisiológicas, metabólicas, anatômicas, sociais e psicológicas, que se manifestam em mudanças estruturais e funcionais1.

As mudanças demográficas no panorama mundial têm alertado quanto às peculiaridades e singularidades envolvidas no processo do envelhecimento. Nos países em desenvolvimento, essas questões tornam-se ainda mais essenciais, pela acelerada transição que se associa às dificuldades decorrentes das desigualdades socioeconômicas, que tendem a exigir dos governantes a formulação e adequação de políticas públicas, a fim de minimizar tais disparidades, na busca por um envelhecimento populacional saudável2.

De acordo com o censo demográfico de 2010, o número de idosos no Brasil foi de 20.590.599. As Projeções para 2025 indicam que a população maior de 60 anos será superior a 30 milhões, nesse período o Brasil representará o sexto país do mundo com o maior número de idosos (3)(4.

Com o envelhecimento o idoso apresenta tendência a desenvolver déficits nutricionais devido à incidência de doenças crônicas, às debilidades físicas e alterações fisiológicas, que podem comprometem o apetite, a ingesta e a absorção de nutrientes, levando-os ao risco de desnutrição, principalmente os idosos institucionalizados5.

Os idosos institucionalizados carecem de cuidados especiais, pois há um declínio gradual nas funções cognitivas decorrente do envelhecimento normal. Até 80 anos, o idoso pode manter a capacidade intelectual, porém, as dificuldades de aprendizagem e o esquecimento podem ser incluídos juntamente com algumas alterações que normalmente ocorrem com idosos por volta dos 70 anos6.

Sendo assim, com o ritmo constante de envelhecimento da população, é fundamental planejar e desenvolver ações de saúde que possam contribuir para melhorar a vida dos idosos, entre elas, medidas que promovam hábitos relacionados à alimentação saudável e consequentemente um melhor estado nutricional7.

A Associação Americana de Saúde Pública define o estado nutricional como a “condição de saúde de um indivíduo influenciada pelo consumo e pela utilização de nutrientes e identificada pela correlação de informações obtidas através de estudos físicos, bioquímicos, clínicos e dietéticos”. Portanto, o estado nutricional é detectado a partir de vários parâmetros, que podem ser utilizados e avaliados de forma isolada ou associada8.

Para o idoso, a determinação do seu estado nutricional deve considerar, entre outros, uma complexa rede de fatores, em que é possível destacar o isolamento social, a solidão, as doenças crônicas, as incapacidades e as alterações fisiológicas próprias do processo de envelhecimento como componentes prioritários passíveis de intervenções integrais voltadas à saúde nutricional da população idosa8.

Vários instrumentos foram criados para avaliar o estado nutricional de idosos, entre eles, a Mini Avaliação Nutricional (MAN®), que avalia o risco nutricional e identifica aqueles que possam se beneficiar de intervenções precoces4.

A realização desse estudo nessa população justifica-se sob a ótica de que, mediante as buscas realizadas no cenário da literatura, são escassas as pesquisas que abordam a temática em questão, ou que utilizam instrumentos de avaliação do estado nutricional para subsidiar o planejamento e a implementação do cuidado desenvolvido pelo profissional enfermeiro com o idoso institucionalizado, mesmo sendo grande o número de instrumentos que avaliam o idoso frente a sua necessidade nutricional.

Neste sentido, a investigação do estado nutricional de idosos que vivem em instituições de forma conjunta com os cuidados apresentados no cotidiano, torna-se importante, a fim de garantir a prevenção de doenças e a reabilitação da saúde dos mesmos, contribuindo assim para novas práticas de intervenções nessa área e possibilitando a ampliação da produção científica, consequentemente renovação dos conhecimentos.

Mediante ao exposto, o estudo baseou-se na seguinte questão norteadora: qual é o estado nutricional dos idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência para idosos (ILPIs) na cidade de João Pessoa-PB? Por conseguinte, o objetivo desse estudo foi caracterizar o estado nutricional de idosos institucionalizados segundo a Mini Avaliação Nutricional.

MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal, de base populacional com abordagem quantitativa, que foi desenvolvido em seis ILPIs, registradas no Conselho Nacional de Serviço Social e no Conselho Municipal de Idosos, localizadas no município de João Pessoa/PB, Brasil. Essas instituições têm caráter filantrópico, atendem à população idosa carente e são mantidas por doações da comunidade, além de parte dos benefícios e aposentadoria dos idosos. A população foi constituída por 324 idosos com idade igual ou superior a 60 anos, mas apenas 321 constituíram a amostra final do estudo. Foram incluídos no estudo todos os idosos que residiam nas instituições há mais de 30 dias, os que estavam presentes no momento da coleta de dados e aceitavam participar da pesquisa. Foram excluídos os idosos que estavam hospitalizados e os que faleceram nesse período. A coleta de dados ocorreu de janeiro a dezembro de 2014.

Os dados empíricos que subsidiaram o desenvolvimento deste estudo fazem parte de um banco de dados construído e validado de um projeto maior intitulado: “Úlcera por pressão em idosos institucionalizados: associação da incidência com os fatores de risco, avaliação funcional e nutricional”.

Para avaliar o estado nutricional dos idosos, utilizou-se o instrumento Mini Avaliação Nutricional (MAN®), um método validado e considerado padrão ouro para essa população, por ser prático, não invasivo, de simples mensurações e de questões rápidas aplicadas em cerca de 10 minutos, desde que realizado por profissional bem treinado8. O instrumento também examina o IMC e outros critérios antropométricos amplamente utilizados para avaliar o estado nutricional5.

Primeiramente, eles foram submetidos à avaliação de triagem, constituindo a primeira parte do (MAN®), para verificar se a ingestão de alimentos diminuiu e se o peso e o estresse psicológico foram reduzidos nos últimos três meses, assim como a avaliação da mobilidade, os problemas neuropsicológicos e o índice de massa corporal (IMC) de cada indivíduo.

Caso a pontuação do escore de triagem fosse menor do que 12, realizava-se a avaliação global (segunda parte do instrumento), que consistia em questionar se o idoso, durante o dia, utilizava mais de três medicamentos, se tinha lesões de pele ou escaras, quantas refeições fazia, quais os alimentos consumidos e a frequência, a quantidade de líquidos, o modo de se alimentar (sozinho ou com auxílio) e a autopercepção do estado nutricional e de sua saúde em relação a outras pessoas de mesma idade, e por último, realizado a medição da circunferência do braço e da panturrilha.

Nesse estudo só foram utilizados algumas variáveis sociodemográficas para a caracterização da amostra como: sexo, idade e tempo de institucionalização.

A análise estatística dos dados foi realizada por meio de distribuição de frequências absolutas e percentuais, com auxílio do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 20.0.

Para desenvolver a pesquisa, foram consideradas as observâncias éticas contempladas nas diretrizes e nas normas regulamentadoras para pesquisas que envolvem seres humanos - a Resolução 466/12, do Conselho Nacional de Saúde9, e a Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, sobretudo no que diz respeito ao consentimento livre e esclarecido dos participantes, ao sigilo e à confidencialidade dos dados10. O referido projeto da pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências as Saúde (CCS), da Universidade Federal da Paraíba sob CAAE: 02043712.4.0000.5188.

RESULTADOS

Dos 321 idosos, todos eram residentes em ILPI de caráter filantrópico, 243 (75,7%) pertencem ao sexo feminino, com prevalência de faixa etária acima de 80 anos, representada pela média de 81,09 anos, desvio-padrão de 9,38 e mediana de 82,00 anos. O tempo médio de institucionalização dos idosos foi de 62,21 meses, com desvio-padrão de 66,26, variando de um a 528 meses, mediana de 42,00, conforme mostra a Tabela 1.

Tabela 1 Distribuição da população segundo o sexo, a faixa etária e o tempo de institucionalização - João Pessoa-PB, 2015. 

No que se refere à avalição do estado nutricional, foi utilizada a MAN® que é dividida em duas partes: a Parte I - triagem - e a parte II - avaliação global. Na triagem, faz-se uma avaliação geral do estado nutricional (Tabela 2).

Foi possível identificar no item, ingestão alimentar, que 247 (70,0%) idosos não apresentaram diminuição da ingesta. Quando questionados sobre a perda de peso, 171 (53,3%) responderam que não tiveram perdas e 88 (27,4%) não souberam informar. Sobre a mobilidade, 103 (32,1%) idosos estavam restritos ao leito ou a cadeiras de rodas e 69 (21,5%) deambulavam, mas não tinham condições de sair sozinhos, conforme apresenta a Tabela 2.

Tabela 2 Apresentação da população segundo a triagem da Mini Avaliação Nutricional - João Pessoa-PB, 2015. 

Quando questionados sobre se tinham passado por algum estresse psicológico ou doença aguda, 73 (24,3%) disseram que sim. Já em se tratando de problemas neuropsicológicos, 100 (31,2%) apresentaram demência leve e 78 (24,3%) demência ou depressão graves. A MAN® também aborda o IMC e verificou que 131 (40,8%) idosos tinham o IMC adequado, entretanto 105 (32,7%) estavam em baixo peso.

Dos 321 idosos pesquisados, 86 (26,8%) apresentaram estado nutricional adequado na triagem e 235 (73,2%) necessitaram da avaliação global para identificar melhor o estado nutricional (Tabela 3).

Tabela 3 Apresentação da população segundo a Avaliação Global da Mini Avaliação Nutricional - João Pessoa-PB, 2015. 

*Segundo a National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) a nova nomenclatura é lesão por pressão11. **Centímetros.

Em relação à avaliação global (Tabela 3), vale ressaltar que todos os idosos residiam nas ILPI. Quando investigados sobre o uso de medicação, 146 (62,1%) disseram usar mais de três medicamentos diferentes ao dia; 45 (19,1%) tinham alguma lesão de pele ou lesão por pressão; 160 (68,8%) referiram consumir laticínios, legumes, carne, aves, ovos e verduras, e 130 (44,7%), de duas a três porções diárias de verduras e/ou frutas.

Sobre a ingestão de líquidos, 159 (67,7%) consumiam entre três e cinco copos de algum líquido ao dia, 118 (58,2%) se alimentar sozinhos sem dificuldades, porém 76 (32,3%) não eram capazes de se alimentarem sozinhos. Na autoavaliação sobre o estado nutricional, 155 (66,0%) idosos não sabem informar se têm problemas nutricionais, e 16 (6,8%) acreditam que são desnutridos. Na autoavaliação sobre a própria saúde, 137 (58,3%) dos idosos não souberam informar, e 56 (23,8%) consideram sua saúde boa.

Na avaliação geral do estado nutricional feita pela Mini Avaliação Nutricional (MAN®), observou-se que 93 (29,0%) idosos apresentavam estado nutricional adequado, 127 (39,6%) mostravam-se em risco de desnutrição, e 101 (31,4%) estavam desnutridos.

DISCUSSÃO

O envelhecimento da população é um fenômeno mundial, e o Brasil não é exceção nesse panorama, o que traz importantes repercussões sociais e econômicas e requer o desenvolvimento de políticas específicas para esta parcela da sociedade1.

Definido como um processo sociovital composto de múltiplas faces que é transcorrido e vivenciado durante momentos singulares que compõem a vida, o envelhecimento é encarado como algo progressivo. A expressão “estar velho” não é algo que coaduna com a ideia social limitada a um corpo em depreciação física, mas sim, que abrange um estado de vida e saúde bem-sucedido, pois mesmo diante da inevitável deleção fisiológica e de determinadas capacidades funcionais, pode ser encarado como um momento que proporciona àquele que o vivencia, experiências de bem-estar, prazer e desfrute de um histórico vitalício12.

Simultaneamente a esse processo, ocorrem alterações nas taxas de morbimortalidade, com a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis em decorrência da redução da capacidade funcional, cognitiva e nutricional dos idosos 1.

O predomínio do sexo feminino se destaca no Brasil, cuja proporção de mulheres é superior à de homens, como encontrado nesse estudo e também em outros realizados com idosos4)(13)(14.

A longevidade das mulheres é atribuída a fatores relacionados à menor exposição a riscos no trabalho, assim como a mortalidade por causas externas, como homicídio e acidentes de trânsito, menor prevalência de tabagismo e de uso de álcool, diferença quanto à atitude em relação a doenças, incapacidades e diminuição da mortalidade materna, decorrente da maior cobertura de assistência ginecológica e obstétrica9)(15.

Em se tratando da idade média dos idosos, foi constatada prevalência dos idosos na faixa etária acima de 80 anos de idade, o que está coerente com o aumento da longevidade dos idosos brasileiros estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística3. A idade avançada traz consigo um aumento significativo da incidência de patologias crônicas e múltiplas e o uso de contínuo de vários medicamentos, como foi encontrado os idosos investigados neste estudo, o que demanda um cuidado permanente, inclusive com a alimentação, a qual deve ser adequada para atender as especificidades metabólicas dessa população, a fim de promover a saúde nessa fase da vida16.

Um estudo sobre avaliação nutricional de idosos institucionalizados em São Paulo, Brasil, evidenciou a tendência a uma diminuição na massa muscular maior no grupo feminino decorrente do aumento de idade neste gênero17. Tal fato deve suscitar nos profissionais de saúde estratégias que visem a redução de riscos para a desnutrição, requerendo destes ações de promoção voltadas à transformação dos hábitos de vida que envolvam diretamente os aspectos nutricionais do idoso inserido em seu contexto socioeconômico7.

Em relação ao estado nutricional detectado pela MAN®, o presente estudo mostrou que uma parcela consideravelmente alta dos idosos estavam em risco para desnutrição ou desnutridos, dado esse que corrobora com outro estudo que utilizou a MAN® como uma das formas de avaliar o estado nutricional dos idosos que mostrou que as mulheres apresentaram 31,8% de desnutrição e 50,0% de risco de desnutrição, semelhante aos homens, que apresentaram 27,0% e 40,0%, respectivamente18. Entretanto, no atual estudo a diferenciação não foi feita por sexo, mas pelo quantitativo de idosos. Numa revisão sistemática da literatura sobre Indicadores Antropométricos do Estado Nutricional em Idosos constatou-se que a MAN foi utilizado em nove estudos e demostrou-se um valor de prognóstico para desnutrição de 97,0%19.

Constata-se ainda que quanto maior o tempo de permanência nessas instituições, maiores serão as chances para o surgimento de sentimentos de ansiedade, angústia e aflição, o que pode influenciar negativamente na ingesta de alimentos, e assim, comprometer o estado nutricional dos idosos. A escala MAN® oferta um parâmetro de risco para desnutrição que pode ser estratificado através dos itens inseridos no corpo do instrumento. Logo, o enfermeiro como profissional responsável por atuar de forma veemente frente aos cuidados preventivos voltados ao idoso, torna-se essencial no processo de detecção do risco existente quando ocorre a associação de comorbidades inerentes ao estado de saúde deste, podendo assim ser de extrema importância enquanto potencial modificador da realidade pertinente ao idoso institucionalizado com risco para desnutrição. No entanto, se for para tratar e intervir no estado nutricional, haverá a necessidade da equipe multiprofissional, incluindo o profissional de nutrição para nortear as condutas e estabelecimento destas, tendo em vista que as minuciosidades pertinentes ao quadro alimentar, modificação do consumo e adequação ao quadro terapêutico já estabelecido para os idosos, requer um olhar nutricional mais apurado. Além disso, é recomendado que a instituição desenvolva mecanismos que mantenham a proximidade desses idosos com a família e a sociedade, promovendo um atendimento das necessidades psicossociais de forma integral e resolutiva20.

A avaliação do estado nutricional de idosos abrange uma complexa rede de fatores, sendo eles socioeconômicos (os quais revelam mais heterogeneidade entre os indivíduos), alimentares, isolamento social, as doenças crônicas, as incapacidades, as alterações fisiológicas decorrentes da idade e o estilo de vida, que inclui as práticas ao longo da existência, como fumo, dieta e atividade física21.

O conhecimento sobre o estado nutricional do idoso traz subsídios para o profissional realizar um planejamento de ações quando inserido em uma equipe multiprofissional. No que concerne à atuação do enfermeiro, verifica-se que este, por ser o responsável pela prática do cuidar no dia a dia, torna-se agente indispensável na detecção precoce do déficit nutricional. Dessa forma, uma avaliação nutricional simples e sistematizada, por meio da qual seja possível detectar precocemente e de maneira simples os idosos em risco nutricional para serem submetidos a uma avaliação completa, deveria fazer parte, de forma protocolizada, da assistência ao paciente geriátrico, especialmente aqueles institucionalizados5.

A utilização da MAN® como ferramenta para avaliar o estado nutricional e traçar o perfil nutricional de uma população idosa deve ser criteriosa, pois, mesmo que, na triagem, as respostas tenham resultado adequado, alguns dos idosos estavam com o IMC abaixo da normalidade. O IMC reduzido e a desnutrição trazem consequências sérias para a saúde e, em alguns casos, irreversíveis, por isso devem ser investigados, pois se considera que a detecção precoce da alteração do estado nutricional de uma população é essencial para prevenção e/ou intervenção terapêutica, a fim de evitar o aparecimento de doenças e melhorar a qualidade da vida dessas populações5)(22.

O risco de desnutrição pode se dar por várias razões, entre as quais, ausência de educação nutricional, restrições financeiras, diminuição das capacidades físicas e psicológicas, isolamento social e tratamento de distúrbios múltiplos e doenças concomitantes23)(24.

Outras causas secundárias de desnutrição incluem a incapacidade de se alimentar, anorexia, má absorção por disfunção gastrointestinal e necessidades aumentadas de nutrientes como resultado de lesão ou doença, como por exemplo, disfagia, lesões por pressão, doença de Alzheimer, Parkinson, dificuldade do bom desenvolvimento geriátrico, osteoporose, diabetes Mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e constipação23)(24.

Além disso, a interação entre as drogas utilizadas pelo idoso e os nutrientes é algo que também deve ser considerado quando se trata do cuidado aos aspectos nutricionais, tendo em vista que a polifarmácia é um evento bastante presente na vida dos idosos e que pode trazer maior probabilidade de interações entre os medicamentos e medicamento-alimento. Claramente, esse tipo de interação possui como uma de suas características o comprometimento do processo de absorção dos nutrientes, podendo ser assim considerada como mais um fator que contribui para o déficit nutricional25)(26.

CONCLUSÃO

O estudo demonstrou que, nas instituições pesquisadas, a desnutrição nos idosos se manteve presente. O processo de envelhecimento, que faz com que a absorção dos alimentos seja alterada o que possibilita coexistência de doenças, que por sua vez diminuem o apetite e a absorção alimentar, levando um ciclo que deve ser quebrado.

A prevenção e/ou controle da desnutrição em idosos deve ser uma meta considerada por toda a equipe de saúde envolvida nos serviços de atendimento a essa população. A aplicação de métodos de avaliação nutricional que permitam vigiar o estado nutricional é uma ferramenta essencial no processo de controle dos riscos para desnutrição e dos níveis desta quando já instalada, bem como da progressão do quadro clínico quando já diagnosticado. Além disso, a avaliação deve englobar todos os níveis de controle do processo saúde-doença, sendo primordial o atendimento das necessidades biopsicossociais do atendido.

Ainda é escasso o número de estudos que utilizam o questionário da MAN em idosos, e menor ainda, o conteúdo descrito na literatura com idosos institucionalizados.

Infelizmente, o Brasil ainda não possui um instrumento de referência nacional para determinar o estado nutricional de pessoas idosas. Dessa forma, estudos realizados com idosos no Brasil utilizam padrões internacionais, como aqui foi utilizado o MAN nesta pesquisa, não existindo ainda consenso entre qual o melhor indicador do estado nutricional, bem como, como os profissionais de saúde devem proceder na realização da avaliação nutricional.

É fundamental estabelecer programas de prevenção em instituições de longa permanência que subsidiem as intervenções da equipe multidisciplinar de saúde na perspectiva de controlar os fatores de risco, incluindo-se os parâmetros nutricionais. Através de uma intervenção nutricional individualizada, realizada depois de adequada avaliação do estado nutricional, e, quando necessário, das doenças existentes, será possível reverter, em grande número de casos, um quadro de desnutrição, e consequentemente, proporcionar ao paciente idoso o restabelecimento de suas funções orgânicas.

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Recebido: 01 de Abril de 2017; Aceito: 11 de Junho de 2017

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