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Enfermería Global

On-line version ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.18 n.53 Murcia Jan. 2019  Epub Oct 14, 2019

http://dx.doi.org/10.6018/eglobal.18.1.328331 

Articles

Adoecimento mental em gestantes

Fernanda Jorge Guimarães1  , Francyelle Juliany Da Silva Santos2  , Antônio Flaudiano Bem Leite3  , Viviane Rolim De Holanda1  , Girliani Silva De Sousa4  , Jaqueline Galdino Albuquerque Perrelli4 

1Doutora em Enfermagem, Núcleo de Enfermagem, Centro Acadêmico de Vitória, Universidade Federal de Pernambuco. Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Brasil.

2Acadêmica de Enfermagem, Centro Acadêmico de Vitória, Universidade Federal de Pernambuco, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Brasil.

3Mestre em Ciências, Secretaria de Saúde, Prefeitura Municipal de Saúde, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Brasil.

4Doutora em Neuropsiquiatria e Ciência do Comportamento, Núcleo de Enfermagem, Centro Acadêmico de Vitória, Universidade Federal de Pernambuco, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Brasil.

RESUMO:

Introdução:

A gestação é um período na vida da mulher que a expõe a diversas alterações físicas e psíquicas. É neste momento de sua vida que a mulher esta mais susceptível a desenvolver transtornos mentais, os quais podem estar relacionados a baixo nível de escolaridade e/ou socioeconômico, ser do sexo feminino, estar solteiro ou separado, não ter emprego, ser tabagista, etilista e ter história familiar de doença mental.

Objetivo:

Analisar a ocorrência de adoecimento mental em gestantes e os fatores associados ao mesmo.

Método:

Estudo transversal, com abordagem quantitativa. A população do estudo foi constituída por gestantes cadastradas em Unidades de Saúde da Família. Para a coleta dos dados foi utilizado questionário com dados de identificação das participantes e o questionárioSelf-Reporting Questionnaire(SRQ-20). Para análise dos dados, utilizou-se frequência absoluta e relativa, como também o teste de qui-quadrado sem correção, teste de qui-quadrado de tendência com extensão de Mantel-Haenzel e o teste de qui-quadrado com correção de yates para analisar a associação entre o adoecimento mental e as variáveis sócio-demográficas, gestacionais e de saúde. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (CAAE 64945317.1.0000.5208).

Resultados:

A proporção de sugestão de adoecimento mental em gestantes foi de 31,9% e esteve associada com estar solteira, ter estudado até o ensino fundamental, não ter planejado a gravidez e possuir doença crônica.

Conclusões:

Portanto, o adoecimento mental identificado nas gestantes participantes do estudo pode estar associado a variáveis estado civil, escolaridade, planejamento da gravidez e possuir doença crônica.

Palavras- chaves: gestantes; transtornos mentais; saúde mental

INTRODUÇÃO

O período gestacional é uma das fases da vida da mulher que a expõe a muitas alterações físicas e psíquicas, e encontra-se associado a uma maior fragilidade de sua saúde mental1. Nesse momento, há mudanças no seu organismo e no seu bem-estar, as quais alteram seu psiquismo e seu papel sociofamiliar. Pode-se observar, também, o aumento de sintomatologias características de sofrimento emocional, ou até mesmo o aparecimento de transtorno psiquiátrico2.

Nesta conjuntura, a ciência evidencia que a mulher em relação aos homens está mais propensa a desenvolver transtornos mentais, principalmente transtorno de humor, ansiedade, somatoformes e comorbidades psiquiátricas. Dentre os transtornos mentais, observou-se que o Transtorno Depressivo Maior (21,6%) e Transtorno de Ansiedade Generalizada ocorrem com maior frequência (19,8%)3.

O apoio da família e a sociedade são cruciais em todas as fases da vida, e é importante para os momentos estressantes que acontecem no dia-a-dia, principalmente naquelas épocas em que ocorrem algumas alterações psicossociais e fisiológicas, como é o caso da gestação. É neste período, o estágio de maior periodicidade dos transtornos mentais comuns da mulher, especialmente no primeiro e no terceiro trimestres da gestação e nos primeiros 30 dias do pós-parto4.

O Transtorno Mental Comum (TMC) pode se definido como transtorno que pode causar sofrimento psíquico, comprometimento funcional e interferência na qualidade de vida do individuo que o possui. Se houver identificação de TMC, não quer dizer a certificação de nenhum diagnóstico, e sim sondagens de prováveis propensões e condições de risco para o adoecimento mental1.

Os Transtornos Mentais Comuns (TMC) são compostos por sintomas depressivos não psicóticos, ansiedade e queixas somáticas que influenciam o desempenho das atividades diárias. Os sintomas que caracterizam esta esfera são: problemas de atenção e memória, tristeza, vigília, faina, neurastenia, o pressentimento de inutilidade, queixas somáticas, entre outros1)(2)(5.

No geral, 22,7% da população apresenta TMC (17,9% entre os homens e 26,5% entre as mulheres)6. Por outro lado, em estudos com gestantes, identificou-se uma prevalência um pouco maior, como no Paraguai, em que 33,6% das participantes apresentaram TMC e em Recife (Brasil) a taxa encontrada foi de 43,1%em Recife7)(8.

As causas ligadas aos TMC podem estar relacionadas a baixo nível de escolaridade, maior faixa etária, ser do sexo feminino, estar solteiro ou separado, não ter emprego/ocupação e/ou renda, ser tabagista, etilista, sedentário e desgostoso com sua imagem corporal.

Por sua vez, no período gestacional, os fatores de risco para a depressão podem estar relacionados à gestação na adolescência, gravidez não planejada, ter sentimentos negativos sobre a gestação, ser mãe solteira, ter outros filhos, ter conflitos com seu parceiro, não ter apoio social, ter baixa renda e baixo nível de escolaridade1)(2.

Não existem pesquisas suficientes no Brasil sobre a depressão durante a gravidez, em que a maioria existente foi desenvolvida em ambiente hospitalar e com grávidas adolescentes, o que demonstra predisposição na avaliação de gestantes de risco, sendo elas mais propensas a depressão gestacional4. Cabe ainda ressaltar que a maioria dos estudos não utilizou instrumentos validados para avaliar os fatores de risco.

Estudo realizado com gestantes atendidas no serviço público na cidade de Pelotas identificou prevalência de 41,4% de TMC associado com menor autoestima2. Além deste, na região sul do Brasil identificou-se elevadas taxas de TMC em gestantes e 41,7% da amostra apresentaram transtorno psiquiátrico3.

No município da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, estimou-se a prevalência de depressão durante a gestação e sua associação com o apoio social e outros fatores de risco por mulheres atendidas no serviço de pré-natal em unidade básica de saúde, em que a depressão foi diagnosticada em cerca de um quinto destas mulheres. A prevalência de depressão durante a gestação foi de 18%4.

Face o exposto, este estudo é importante, pois permite reconhecer o adoecimento mental durante a gravidez, como também orientar as gestantes e profissionais sobre esta problemática. Assim, enriquecerá o conhecimento a respeito do tema, ao incrementar estudos neste campo, especialmente na atenção primária à saúde.

Portanto, o estudo teve como objetivos analisar a ocorrência de adoecimento mental em gestantes e identificar os fatores associados ao mesmo.

MÉTODO

Trata-se de estudo transversal, com abordagem quantitativa. Optou-se por esta abordagem, por entender que melhor atende os objetivos propostos.

O estudo foi realizado em Unidades de Saúde da Família (USF) da zona urbana do município da Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Brasil. O município dispõe de 15 unidades de saúde na zona urbana. Dessa forma, selecionaram-se, por conveniência, 11 unidades de saúde.

A população do estudo foi constituída por gestantes cadastradas nas USF. Adotou-se como critério de inclusão, possuir idade igual ou superior a 18 anos. Foram excluídas da pesquisa, as gestantes que apresentaram dificuldades para responder a entrevista. De acordo com dados obtidos no Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB), em 2015, havia no município 516 gestantes9. Para o cálculo amostral, utilizou-se a fórmula para população finita, com os seguintes parâmetros: nível de confiança de 95%, erro de 7%, e estimativa de prevalência do fenômeno de 41,4%2. Portanto, a amostra foi estimada em 141 participantes. As participantes foram selecionadas por processo de amostragem não probabilístico, do tipo consecutivo e não houve perdas.

As gestantes foram abordadas na USF antes da consulta de pré-natal e a entrevista foi realizada em sala privativa na própria unidade, com duração de, aproximadamente, 10 minutos.

Para a coleta dos dados foi utilizado questionário com dados de identificação das participantes e um instrumento para rastreio de TMC, denominado “Self-Reporting Questionnaire” (SRQ-20). O questionário de identificação possui questões sobre: idade, estado civil, escolaridade, renda familiar, ocupação, religião, número de habitantes na residência. Também foram coletados dados sobre a gestação e o seu planejamento, seus hábitos durante a gravidez, presença de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, consumo de álcool e tabaco e história familiar de transtorno mental.

O SRQ-20 é um instrumento proposto pela Organização Mundial da Saúde para estudos com a população na atenção primária à saúde. Possui vinte questões referentes ao mês que antecede à entrevista. Este instrumento foi validado no Brasil e permite identificar sintomas dos últimos trinta dias. Apresenta boa confiabilidade, com alpha de Cronbach 0,8612. Possibilita, também, a avaliação do(s) risco(s) de adoecimento mental para a depressão e a ansiedade10)(12. O questionário permite respostas afirmativas ou negativas. A resposta afirmativa pontua com o valor 1 e a negativa zero. O somatório das pontuações das respostas compõe o escore final. Considera-se escore final de 8 ou mais como caso suspeito de transtorno do humor, de ansiedade e somatização e de 7 ou menos como um caso não suspeito11)(12. No estudo, adotou-se ponto de corte 8.

Os dados coletados foram inseridos em planilha de Excel e analisados com auxílio do software estatístico. Utilizou-se frequência absoluta e relativa, como também o teste de qui-quadrado sem correção, teste de qui-quadrado de tendência com extensão de Mantel-Haenzel e o teste de qui-quadrado com correção de yates para analisar a associação entre o adoecimento mental e as variáveis sócio-demográficas, gestacionais e de saúde. Adotou-sepvalor < 0.05.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (CAAE 64945317.1.0000.5208).

RESULTADOS

Participaram do estudo 141 gestantes, em que a maioria pertence à faixa etária menor do que 30 anos de idade (82,98%), são casadas (88,65%), estudou até o ensino médio (61,7%), possui renda familiar de até um salário mínimo (70,92%), não exerce atividade remunerada (34,04%), católica (54,61%) e com grupo familiar constituído por 3 a 5 pessoas (55,32%).

Observou-se, também, que a maior parte das gestantes do estudo vivenciava a primeira gestação (42,55%), não haviam planejado engravidar (71,63%), estava no 2º trimestre gestacional (44,68%) e relataram receber o apoio da família (95,74%), como pode ser observado naTabela 1.

Tabela 1: Caracterização sócio demográfica e gestacional das participantes. Vitória de Santo Antão/PE, 2017 

Nota:*I.C.95% - Intervalo de confiança ao nível de significância de 95%

Fonte: Elaborado pelos autores

Quanto às condições de saúde, pode-se perceber que a maioria das participantes não possuía doença crônica (90,07%). Dentre as que possuíam doença crônica, a maioria relatou ser portadora de hipertensão (9,93%). Em relação ao uso de drogas, a maioria não faz uso destas substâncias (89,36%), e do total de usuárias, o tabaco foi citado como a substância mais consumida (5,67%). Ademais, a maioria não referiu história familiar de transtorno mental (69,5%). Dentre as participantes que referiram ter história familiar de transtorno mental, a depressão foi o mais citado (16,31%).

Sobre a saúde mental da gestante, verificou-se que 31,9% (24,3-40,3) das participantes apresentaram quadro sugestivo de adoecimento mental, enquanto que 68,1% (59,7-75,7) não apresentaram indicação de tal adoecimento.

NasTabela 2e3, verificam-se as variáveis sócio demográficas, gestacionais e de saúde associadas ao adoecimento mental nas participantes.

Tabela 2 - Fatores sócio-demográficos associados a adoecimento mental em gestantes. Vitória de Santo Antão/PE, 2017 

Nota:*Teste de qui-quadrado sem correção

**Teste de qui-quadrado de tendência com extensão de Mantel-Haenszel

***Teste de qui-quadrado com correção de Yates

Nota:α-ρ-valor significativo (<0.05)

Fonte: Elaborado pelos autores

Tabela 3 - Fatores gestacionais e de saúde associados a adoecimento mental em gestantes. Vitória de Santo Antão/PE, 2017 

Nota:*Teste de qui-quadrado sem correção,**Teste de qui-quadrado de tendência com extensão de Mantel-Haenszel,***Teste de qui-quadrado com correção de Yates

Nota:α-ρ-valor significativo (<0.05)

Fonte: Elaborado pelos autores

A partir dos dados apresentados nasTabelas 2e3, identificou-se que estar solteira, ter estudado até o ensino fundamental, não ter planejado a gravidez e possuir doença crônica estão associados ao adoecimento mental em gestantes.

DISCUSSÃO

Identificou-se que 31,9% das mulheres apresentaram quadro sugestivo de adoecimento mental, o que diverge de outros estudos, como o realizado na cidade de Pelotas, que apontou que 41,4% das participantes apresentaram transtorno mental2, e outro realizado no Sul do Brasil, o qual descreveu uma ocorrência de 41,7%3, e ainda realizado na cidade do Recife, que apresentou uma taxa de 43,1%8. Ademais, diverge de resultado de pesquisa realizada no Rio de Janeiro, a qual identificou transtorno mental em 18% das participantes4. Os resultados corroboram com o estudo realizado no Paraguai, que descreveu que 33,6% das participantes apresentaram transtorno mental7. Recentemente, outro estudo realizado na Região Central do Brasil encontrou prevalência de TMC na gestação de 57,1%13, o que é superior ao resultado apresentado neste estudo. As diferenças nos resultados podem estar relacionadas às características regionais dos locais de pesquisa, como também ao ponto de corte adotado pelos pesquisadores.

Ao analisar os fatores sócio-demográficos, identificou-se que as variáveis estado civil e escolaridade apresentaram associação com o adoecimento mental. Quanto ao estado civil, observou-se em duas pesquisas que declarar estado civil solteira foi associado à sugestão de TMC no estado gravídico,2)(13)o que corrobora com este estudo, em que mulheres vivendo sem o companheiro apresentaram mais chances de ocorrência de transtorno mental quando comparadas às mulheres casadas. Por outro lado, mulheres casadas apresentaram maiores ocorrências de TMC14.

No tocante a escolaridade, foi verificado em outra pesquisa que baixo nível de escolaridade, menor classificação socioeconômica e pouco apoio familiar estão associadas à maior probabilidade da gestante apresentar TMC2.

Não foi identificada associação estatisticamente significante entre adoecimento mental e as variáveis faixa etária, renda, ocupação, religião e grupo familiar, no entanto verificou-se que outros estudos identificaram associação entre estas variáveis e TMC, como estudo realizado com adolescentes que identificou associação com a faixa etária1. Outro estudo apontou associação entre baixa autoestima e maior prevalência de TMC2. Ainda, não trabalhar nem estudar; não morar com o companheiro; e ter dois ou mais filhos apresentaram significância com um provável transtorno mental3. Além destes, pesquisa realizada em unidade básica de saúde identificou associação com estar solteira, desempregada, e tabagismo4. Em serviço de atenção à saúde da mulher, identificou-se que as variáveis estado civil, idade gestacional e sangramento apresentaram associação a transtorno mental comum13. Por fim, suporte familiar, quantidade de cigarros fumados por dia, consumo de álcool, uso de medicamentos diários, história de transtorno mental, presença de eventos marcantes nos últimos 12 meses e história de violência doméstica apresentaram associação com depressão durante a gestação15.

No tocante às variáveis gestacionais, observou-se que número de gestações, idade gestacional e possuir apoio da família não apresentaram associação estatisticamente significante com o adoecimento mental, o que corrobora com pesquisa que evidenciou que a idade gestacional não apresentou relação com adoecimento mental na gravidez, e identificou maior risco de ocorrência de transtorno mental entre primigestas15.

Identificou-se associação estatisticamente significativa no que diz respeito ao planejamento para engravidar. O mesmo achado foi evidenciado em outro estudo realizado em um serviço de saúde especializado no atendimento ginecológico e obstétrico, localizado na região Central do Brasil em um município de médio porte e de relevância econômica regional13.

Com relação as variáveis de saúde, verificou-se que possuir doença crônica está associada à sugestão de adoecimento mental, e ocorre 3,2 vezes mais do que em gestantes que não tem doença crônica. A doença crônica que foi estatisticamente significativa foi a hipertensão arterial (HAS). Revisão de literatura, que objetivou conhecer a relação entre a hipertensão arterial e os fatores emocionais, identificou como fatores para a HAS: estresse, raiva, ansiedade e depressão. Descreveu, também, que o estresse colabora para o aparecimento de muitas enfermidades, tanto de ordem psíquica como orgânica17.

As demais variáveis relacionadas às condições de saúde, como uso de drogas e história familiar de transtorno mental, não apresentaram associação com o adoecimento mental nas participantes desse estudo. Outra pesquisa, também, não identificou associação entre adoecimento mental e antecedentes familiares psiquiátricos13. No entanto, associação entre uso de álcool e depressão na gestação foi identificada em outro estudo4.

O estudo teve como limitações, a sua realização em município de pequeno porte, viés de memória e o processo de amostragem por conveniência, que retrata um determinado local, o que pode limitar as generalizações dos resultados. Sugere-se, dessa forma, que estudos possam ser realizados em municípios com diferentes tamanhos populacionais e de forma aleatória.

CONCLUSÃO

O estudo identificou que 31,9% das gestantes apresentaram sugestão de adoecimento mental, o qual se encontra associado a estar solteira, baixo nível de escolaridade, não ter planejado a gestação e possuir hipertensão arterial sistêmica.

Estes resultados despertam a atenção às questões de saúde mental no momento do acolhimento e da consulta de enfermagem durante o pré-natal. Olhar para a gestante e detectar os fatores que aumentam suas chances para o adoecimento mental ampliará a capacidade do profissional para o cuidado de enfermagem e, em consequência, devem tornar mais assertivas as demais fases do processo de assistência de enfermagem.

Não obstante, o resultado desta pesquisa foi semelhante à de outras e evidenciou que o instrumentoSelf-Reporting Questionnaire 20é de fácil utilização para o rastreamento de quadros sugestivos de adoecimento mental em gestantes, o que sugere sua utilização na atenção primária à saúde.

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Recebido: 18 de Abril de 2018; Aceito: 25 de Setembro de 2018

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