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Enfermería Global

On-line version ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.18 n.56 Murcia Oct. 2019  Epub Dec 23, 2019

http://dx.doi.org/10.6018/eglobal.18.4.362881 

Revisões

O conhecimento dos adolescentes escolarizados sobre o papiloma vírus humano: revisão integrativa

Polliana Lúcio Lacerda Pinheiro1  , Matilde Meire Miranda Cadete2 

1Enfermeira, Especialista em Saúde Materno Infantil, Mestranda do Programa de Pós-Graduação, stricto sensu, Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Una de Belo Horizonte-MG. Professora do Centro Universitário de Formiga, UNIFOR-MG. Brasil. pollianallacerda@gmail.com 2

2Enfermeira, Doutora em Enfermagem e Mestre em Enfermagem Pediátrica, Professora do Programa de Pós-Graduação, stricto sensu, Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Una de Belo Horizonte-MG. Brasil.

RESUMO

Objetivo

Analisar as evidências encontradas na literatura científica a respeito do papiloma vírus humano para a vida sexual e reprodutiva do adolescente.

Método

revisão integrativa da literatura por meio da busca de publicações nos periódicos indexados nas bases de dados da SciELO, MEDLINE e LILACS.

Resultados/ Discussão

a amostra final do estudo constituiu-se de 27 artigos com predominância dos estudos que abordavam adolescência e papiloma vírus humano (37%), seguido dos estudos sobre adolescente e sexualidade (33%). A maioria dos estudos foi realizada no continente americano (56%) seguido do continente europeu (22%), evidenciando o nível deficitário de conhecimento dos adolescentes sobre a transmissão, prevenção, rastreamento e oncogenicidade do papiloma vírus humano em diferentes regiões, sendo maior o conhecimento entre meninas, meninos homossexuais e entre a população vacinada, o que revelou a importância da educação.

Conclusão

esta revisão revelou que ações possibilitadoras de mudanças no cenário atual são fundamentais para melhorar a educação, conscientização, reflexão sobre os riscos e a promoção de saúde dos adolescentes, construindo uma rede de novos significados e comportamentos para suas vidas.

Palavras-chave: Adolescente; Sexualidade; Papiloma Vírus Humano; Educação; Desenvolvimento Local

INTRODUÇÃO

O período da adolescência é caracterizado por intensas transformações biológicas, sociais e psíquicas, em que o individuo passa pela transição da fase da infância para a fase adulta, explorando cada vez mais sua sexualidade, o que os torna mais vulneráveis aos agravos de saúde, especialmente as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)1. Nesse contexto, a divulgação de informações que promovam conhecimento sobre cuidados à saúde sexual e reprodutiva associados à conscientização dos adolescentes quanto aos riscos torna-se primordial no cenário escolar, tendo em vista que os adolescentes1 permanecem a maior parte do seu tempo na escola em busca de construção do saber e sociabilização.

Para viabilizar esse conhecimento em prol de medidas protetivas à saúde dos adolescentes, ações educativas e reflexões que promovam mudanças de atitudes são essenciais, pois estudos2,3,4 mencionam que a sexarca e coitarca precoces, a multiplicidade de parceiros e o nível deficitário de conhecimento são fatores de risco para a alta incidência do Papiloma Vírus Humano (HPV), sendo uma das IST2 que mais acometem a população mundial, e sua característica oncogênica. Torna-se necessário que pais, profissionais de saúde e educadores forneçam orientações sobre sexualidade e HPV aos adolescentes como estratégia de promoção da saúde e qualidade de vida, idealizando adultos hígidos5.

Outro fator salutar é a vacina contra o HPV instituída no calendário nacional no ano de 2014, tendo inicialmente o foco em meninas de 11 a 13 anos e, atualmente, conforme novo calendário, a vacina é fornecida para meninas de nove a 14 anos de idade e para meninos entre 11 e 14 anos6.

Além de ser recente a medida protetiva da vacina contra o HPV, é relevante mencionar as incipientes publicações relativas à adesão da vacina pelos meninos instituída no ano de 2017, pois meninos6, vacinados, além de se protegerem contra a oncogenicidade do vírus e verrugas genitais, geram mais proteção às meninas, reduzindo, assim, a incidência do câncer de colo do útero. É pertinente ressaltar que adolescentes do sexo masculino, devido a padrões estabelecidos pela sociedade, se veem, na maioria das vezes, obrigados a terem vida sexual ativa, por questões de virilidade e empoderamento, e que somente um a cada três deles faz uso do preservativo na coitarca7.

A relevância da presente revisão traduz-se na síntese de estudos a respeito do conhecimento dos adolescentes sobre o HPV com vistas à educação, pois estudo8, notifica que há evidências de que o desconhecimento do vírus e da vacina faz parte dos motivos que embasam a não adesão à medida protetiva, o que reforça a necessidade de ações educativas.

Diante do exposto, propõe-se a seguinte questão de pesquisa: o que a literatura preconiza para adolescentes escolarizados a respeito da forma de transmissão, prevenção, rastreamento e oncogenicidade do HPV para sua vida sexual e reprodutiva? Assim, este estudo objetivou analisar as evidências encontradas nas publicações científicas a respeito do HPV para a vida sexual e reprodutiva do adolescente.

MÉTODO

Trata-se de revisão integrativa da literatura que possibilitou a realização de uma síntese sobre o conhecimento pertinente ao HPV encontrado em bases de dados e a unificação dos estudos ou pesquisas relacionados a esse fenômeno. A revisão possibilita ao pesquisador levantar o conhecimento já construído e publicado sobre determinado tema, posicionar-se criticamente, além de poder mostrar tendências e evidências do tema foco de estudo9.

O delineamento do estudo baseou-se em seis etapas distintas: elaboração do problema de pesquisa, busca e definição da amostra a partir dos descritores selecionados, coleta de dados, análise dos componentes relacionados ao tema, análise e interpretação dos dados coletados e divulgação dos dados.

A busca pelos estudos publicados foi realizada em março de 2018, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), por meio do site www.bvsalud.org, que integra o Medical Literature Analysis and Retrieval System (MEDLINE) e o índice bibliográfico da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), bem como da biblioteca da Scientific Eletronic Library Online (SciELO) no site www.scielo.br. Os descritores utilizados foram selecionados a partir da consulta aos Descritores em Ciências da Saúde (DECS) pesquisados na BVS, sendo eles: “adolescent”; “sexuality”; “papillomaviridae”; “education” e “local development”.

Os descritores foram utilizados na busca de estudos que envolvessem no título e no resumo o tema em pauta. Para a combinação, foi utilizado o operador boleano “AND” da seguinte maneira: Adolescent AND Sexuality; Adolescent AND Papillomaviridae; Adolescent AND Sexuality AND Papillomaviridae; Adolescent AND Education AND Papillomaviridae; Adolescent AND Sexuality AND Education; Adolescent AND Sexuality AND Local development.

Foram incluídos os estudos que abordavam a combinação dos descritores mencionados no título, resumo e assunto, sem restrição de idioma, nos últimos cinco anos (2014-2018). Esse período de tempo foi determinado com base no marco da vacina contra HPV no Brasil, instituída pelo Ministério da Saúde, no Calendário Nacional de Vacinação, em 20146. Foram excluídas as pesquisas que não atenderam aos critérios de inclusão, as realizadas com sujeitos, homens ou mulheres somente em idade adulta e com adolescentes que abordassem somente a gravidez indesejada e o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), as que não disponibilizavam resumos para a seleção inicial e, ainda, editoriais, resenhas, relatos de experiências, dissertações, teses, monografias e resumos publicados em anais de eventos.

A síntese dos estudos selecionados buscou ordenar e avaliar o grau de concordância dos pesquisadores com relação ao tema investigado. Para tanto, foi realizada a combinação dos descritores com o intuito de garantir ampla busca sobre a temática. O processo de identificação, seleção e inclusão dos estudos ocorreu em três etapas. Na primeira, foram retirados os artigos duplicados. Assim, dos 1.893 artigos encontrados foram excluídos 15. Na segunda etapa, após leitura do título e resumo, elegeram-se 187 artigos. E na terceira etapa foi feita a leitura na íntegra de cada um destes, sendo selecionados 27 artigos que atenderam ao objetivo proposto, conforme ilustra a Imagem 1 a seguir.

Imagem 1. Síntese dos estudos selecionados 

RESULTADOS

A amostra final, composta por 27 artigos, teve a maior parte dos estudos publicados no ano de 2016 (33%) e 2015 (33%). Os demais estudos foram publicados em 2017 e 2014, respectivamente. O delineamento mais frequente foi o transversal (59%) seguido da revisão de literatura (22%). O principal idioma de divulgação foi o inglês (78%), seguido do português (11%) e espanhol (11%). Quanto ao local onde os estudos foram realizados, constatou-se grande diversidade, sendo a maioria deles realizada no continente americano (56%) seguido do continente europeu (22%). Dos 27 estudos da amostra, 20 foram direcionados para adolescentes entre 10 e 19 anos (74%) e sete (26%) envolveram, além dos adolescentes, adultos jovens.

A Tabela 1 a seguir representa a caracterização dos 27 estudos. Para cada estudo apresentado foram descritos o autor principal, ano de publicação, objetivos, delineamento variável de interesse para promover a organização dos dados e facilitar a visualização, demonstrando, assim, a relevância dos achados.

Tabela 1. Síntese dos estudos 

Autores Objetivos Delineamento Conhecimento dos adolescentes escolarizados sobre a forma de transmissão, prevenção, rastreamento e oncogenicidade do HPV para sua vida sexual e reprodutiva
Genz et al., 20171 Avaliar o conhecimento e comportamento sexual de adolescentes sobre doenças sexualmente transmissíveis. Descritivo/ Observacional/ Quantitativo Houve diferença estatisticamente significativa quanto à escolaridade, tanto para meninas como para meninos, sobre o conhecimento de HPV, significativo para meninas (p=0,04); sobre achar que o HPV tem cura foi significativo para meninas (p=0,006) e para meninos (p=0,04); 61,9% das meninas e 55,2% dos meninos não conheciam as formas de transmissão; e 58,6% das meninas e 48,6% dos meninos não conheciam a forma adequada de prevenção.
Contreras-González et al., 20172 Determinar o nível de conhecimento de um grupo de adolescentes de uma escola de ensino médio da cidade de Querétaro, no estado de Querétaro, México, sobre os aspectos gerais do HPV, sua transmissão e consequências Transversal/ Descritivo O nível geral de conhecimento foi baixo em 80% dos participantes, independentemente do gênero; 64,6% desconheciam o HPV; 50,4% dos adolescentes relataram ser sexualmente ativos, 60,3% sempre usam preservativos, sendo o método mais comumente usado, referido por 91,4%; e apenas 58,7% reconhecem que o início da vida sexual é um fator de risco para a aquisição do HPV, especificamente quando se inicia com idade precoce (57%). Sobre medidas de rastreamento do HPV, 72,3% estavam corretos quanto às funções do exame de Papanicolau e 68,6% não sabiam que doenças o vírus pode gerar.
Friedrich et al., 20163 Avaliar o nível de conhecimento dos adolescentes acerca do papiloma vírus humano e informar sobre prevenção, transmissão e infecção. Transversal/ Descritivo 91,28% dos adolescentes já ouviram sobre HPV, sendo o maior percentual encontrado para meninas (96,81%); 91,54% responderam que é um vírus; 43,08% souberam o significado da sigla; 81,03% citaram as relações sexuais como principal maneira de transmissão; 33,85% responderam que apenas as mulheres poderiam ser infectadas com o HPV. Sobre prevenção, 59,48% se lembraram do uso de preservativo, 12,56% do início tardio da atividade sexual e número reduzido de parceiros, 55,38% da vacinação e 28,20% da educação sexual. Vacinação e preservativos foram lembrados principalmente pelo sexo feminino (p<0,05); 70,00% dos adolescentes sabiam que câncer e lesões de pele e mucosas poderiam ser possíveis manifestações clínicas do HPV.
Villegas-Castaño e Tamayo-Acevedo, 20164 Determinar a prevalência de IST em adolescentes e conhecer os fatores de risco mais frequentes para adquiri-las. Estudo de corte transversal 28,1% das mulheres tinham HPV e os fatores de risco para a contaminação com o vírus foram não ter conhecimentos adequados sobre saúde sexual (39,1%), relações sexuais antes dos 15 anos (59,9%), não utilizar preservativo (58,2%) ou não o ter utilizado na última relação sexual (41,7 %), ter história de três ou mais parceiros sexuais (30,6 %), ter parceiros sexuais 10 anos mais velhos do que eles (20,4 %), ter relação sexual com pessoas diferentes ao casal formal (18,8 %).
Souza et al., 20175 Analisar conhecimentos, vivências e crenças no campo sexual de estudantes do ensino médio, de escolas públicas e privadas, que possam repercutir na vulnerabilidade social desse grupo etário. Transversal/ Descritivo/ Analítico Nas três escolas pesquisadas, menos de 51% dos adolescentes identificaram o HPV como uma IST, além de baixos percentuais de reconhecimento dos possíveis sinais e sintomas associados a elas. Sobre a prevenção, verificou-se que o preservativo masculino foi o método mais conhecido, citado por mais de 80% dos alunos das três escolas, seguido da pílula anticoncepcional.
Albuquerque et al., 20147 Identificar o conhecimento de adolescentes do sexo masculino referente às temáticas de cunho sexual/ reprodutivo e a relação destas com as práticas sexuais adotadas. Transversal/ Descritivo/ Quantitativo Em relação ao início da vida sexual, 75,92% dos adolescentes ainda não haviam tido a primeira relação sexual e 24,07% sim; no momento da primeira relação sexual, 53,84% dos adolescentes afirmaram ter usado preservativo e 46,15% não usaram. Apenas 2,88% dos adolescentes relataram ter conhecimento sobre o HPV e esse conhecimento abrange as formas de prevenção e transmissão da doença.
Zanini et al., 20178 Identificar o nível de conhecimento das adolescentes acerca do vírus e da vacina e descrever os motivos pelos quais elas não se vacinaram. Observacional/Transversal/ Descritivo 86% das adolescentes já ouviram falar sobre HPV, 74% sabem que sua transmissão é sexual, sendo que 60% não acreditam na relação entre a infecção pelo HPV e a idade de iniciação sexual, enquanto quase 75% reconhecem que existe relação entre a infecção e a quantidade de parceiros sexuais; 74% das meninas citaram a relação sexual como meio de transmissão do HPV; 52% desconhecem sua relação com o câncer de colo de útero e 41% desconhecem a relação do HPV com verrugas genitais; 69% acreditam na cura e 88% já ouviram falar da vacina.
Vaidakis et al., 201710 Identificar o comportamento sexual, atitudes, crenças e conhecimentos sobre ISTs, focados principalmente no HPV na população adolescente grega. Pesquisa de campo/ Estudo-piloto 64,5% dos adolescentes já haviam tido relação sexual, idade média 15,5 anos; 42,8% conheciam o HPV (significativo para meninas (P<0,001); 75,5% conheciam o câncer cervical (significativo para meninas (P<0,001); 60,6% não sabiam da relação câncer do colo do útero e HPV, sendo o desconhecimento maior entre os meninos, 33,1% responderam que o HPV é muito comum em mulheres sexualmente ativas; 21,1% desconheciam que o uso de preservativos reduz o risco do HPV e 37% não sabiam que o preservativo reduz o risco de câncer cervical (significativo para meninas (P<0,001); 40,0% sabiam sobre a vacina contra o HPV e a proporção foi menor entre os meninos (34,5%) em relação às meninas (43,9%).
Rodrígues et al., 201611 Implementar um projeto que visa à promoção da saúde sexual como alternativa contra o risco de HPV na adolescência. Pesquisa-ação participativa A grande maioria não conhecia informações básicas sobre o HPV, nem como pode ser transmitido, logo, não adere a medidas preventivas.
Beavis e Levinson, 201612 Analisar as disparidades nas taxas de vacinação contra o HPV em meninas nos Estados Unidos, as influências das atitudes das pacientes, médicos e pais sobre a absorção de vacinas e as possíveis intervenções que podem ajudar os Estados Unidos a alcançar sua meta de cobertura vacinal. Revisão de literatura Mais de 80% das mulheres jovens (entre 15 e 25 anos) tinham ouvido falar da vacina contra o HPV, mas temiam os efeitos adversos e a eficácia. Muitas meninas e mulheres que não pretendiam se vacinar citam o baixo risco percebido para o HPV como sua razão contra a vacinação. Por outro lado, as mulheres jovens que relataram que pretendiam ser vacinadas tinham mais probabilidade de já terem tido relações sexuais, quando o momento da vacinação é menos ideal. Em estudo com 388 meninas elegíveis para a vacina, apenas 37% receberam recomendação de vacina pelo médico ao longo de um ano. Assim, a falta de conhecimento conduz a baixas taxas de iniciação à vacinação.
Gichane et al., 201613 Compreender a conscientização e disposição do HPV para obter a vacinação contra o HPV no Haiti. Pesquisa de Campo 27% dos participantes ouviram falar do HPV, mais entre os entrevistados com IST anterior em comparação àqueles sem IST anterior (OR = 2,38; IC95%: 1,10-5,13); 79% não usaram método algum de contracepção ou desconheciam o método que seu parceiro usava regularmente; e 75% não tinham ouvido falar de verrugas genitais. Os participantes que tinham ouvido falar de verrugas genitais também tinham mais probabilidade de estar cientes do HPV em comparação àqueles que não tinham (OR = 4,37, 95% CI: 2,59-7,38). A maioria dos participantes que já eram pais classificou o HPV como uma séria ameaça à saúde de suas filhas (infecção pelo HPV = 75%, câncer do colo do útero = 92%) e apenas 10% deles já tinham ouvido falar da vacina.
Lara e Abdo, 201514 Avaliar as implicações de uma idade jovem na primeira relação sexual sobre a saúde das adolescentes e identificar fatores que podem proteger contra o início precoce das relações sexuais. Revisão de literatura As adolescentes que tiveram relação sexual precoce (menos de 14 anos) tiveram 3,8 vezes mais chances de terem mais de 10 parceiros sexuais durante a vida e eram mais propensas a ter dois ou mais parceiros sexuais recentes, IST e alteração do colo do útero devido ao HPV. As meninas que iniciam a atividade sexual na idade mais avançada têm mais probabilidade de ter melhor conhecimento sobre as ISTs e a necessidade de proteção do coito, mas o estudo mostrou que, mesmo com melhor conhecimento, quase todas as meninas negavam a possibilidade de adquirir ou transmitir ISTs e estas tinham pouca influência no comportamento sexual.
Mammas et al., 201615 Avaliar a aceitação da vacina contra o HPV entre adolescentes do sexo feminino na Grécia e investigar razões sociodemográficas para o declínio da vacinação contra o HPV. Pesquisa piloto/ Questionário transversal O fator mais comum para a não vacinação contra o HPV incluiu medo dos efeitos colaterais (67,2%) e financeiros (19,2%), seguido de falta de conhecimento (10,6%), vacinação não considerada necessária (0,5%), tabus religiosos (0,5%), medo de exposição a agulhas (0,3%) e contraindicações médicas (0,2%).
Patel et al., 201616 Avaliar o nível de conhecimento sobre a vacina HPV e o HPV que existe entre os adolescentes europeus. Revisão sistemática/ Qualitativa e quantitativa Os adolescentes europeus tinham pouco conhecimento sobre HPV e a vacina contra essa doença. As meninas são mais propensas a ter ouvido falar de HPV (OR 2,73, IC 95% 1,86-3,99) e da vacina HPV (OR 5,64, IC 95% 2,43-13,07). Houve dúvidas em relação ao nível de proteção oferecido pela vacina e à necessidade de rastreamento cervical após a vacinação. Os adolescentes sabiam que o HPV é uma IST.
Prayudi et al., 201617 Determinar o impacto da vacinação contra o HPV no conhecimento, percepção do risco sexual e necessidade do comportamento sexual seguro e continuado entre meninas indonésias. Estudo transversal comparativo 50,7% das meninas haviam recebido a vacina contra o HPV antes do estudo, 76,4% tinham conhecimento sobre o HPV. A vacinação contra o HPV foi um fator preditor para o conhecimento (P <0,001); 89,5% das meninas vacinadas sabiam que o HPV é a causa do câncer cervical e 97,9% das meninas vacinadas tinham conhecimento de que a vacina contra o HPV pode prevenir o câncer do colo uterino; 89,7% sabiam que o HPV pode ser transmitido por contato sexual, mas apenas 23,2% conheciam que o HPV pode acometer homens, 57,8% sabiam que a infecção pelo HPV pode ser assintomática e 61,8% que o preservativo pode prevenir a transmissão do HPV. Entre o grupo não vacinado, 74,7% tinham ouvido falar sobre câncer do colo do útero, 33,2% sobre infecção por HPV e 24,1% sobre HPV.
Yörük et al,, 201618 Investigar conhecimentos, atitudes e comportamentos relativos ao câncer do colo do útero, HPV e a vacina contra HPV de mulheres estudantes de uma universidade em um departamento relacionado à saúde e explorar variáveis ​​que afetam o uso da vacina. Transversal A média do escore total de conhecimento dos estudantes em relação aos riscos, sintomas e métodos de triagem do câncer do colo do útero e das vacinas contra o HPV foi de 14,15 ± 6,7. Apenas 0,9% dos estudantes tomaram a vacina. Um terço dos estudantes que não tomaram a vacina não sabia que ela estava disponível em nosso país. Foi baixo o conhecimento do grupo de pesquisa sobre os fatores de risco do câncer do colo do útero, teste de Papanicolau, sintomas e formas de prevenção do câncer, HPV e vacina contra o HPV.
Viero et al., 201519 Analisar a aquisição de conhecimentos sobre os temas: saúde bucal, prevenção ao uso de drogas e sexualidade entre adolescentes matriculados na rede pública de ensino do sul de Santa Catarina. Pesquisa de campo/ Temporal/ Prospectiva/ Analítica As ações, mesmo que pontuais, apresentaram resultados positivos quanto ao aumento de conhecimento dos adolescentes nas temáticas sobre prevenção de drogas e sexualidade, fato que não se configurou na temática saúde bucal. No estudo, a frequência de acertos foi mais expressiva nas questões sobre: o que é sexualidade, período em que ela se inicia e quais são os principais sintomas do HPV.
Berenson 201520 Identificar barreiras à vacinação contra o HPV em adolescentes nos EUA Revisão de literatura Os adolescentes não estão bem informados sobre o HPV. Em estudo com garotas de 14 a 17 anos muitas não conseguiam definir o câncer do colo do útero, não sabiam o que o causava e quem estava em risco de desenvolvê-lo. Além disso, os adolescentes não vacinados têm baixa consciência em comparação com vacinados. Adolescentes do sexo masculino homossexuais têm mais conhecimento sobre a vacina do que os heterossexuais.
Beshers et al., 201521 Explorar a conscientização sobre o HPV e o uso de vacinas contra o HPV (Gardasil e Cervarix) por estudantes universitários. Transversal Altos níveis de conscientização sobre o HPV, bem como diferenças marcantes entre os sexos relacionadas à conscientização e à aceitação da vacina. Grande parte de ambos os sexos desconhece a vacina Cervarix (bivalente) e as diferenças entre Cervarix e Gardasil (quadrivalente).
Koç 201522 Determinar os conhecimentos e atitudes de estudantes universitários em relação ao câncer do colo do útero, HPV e vacinas contra o HPV na Turquia. Transversal/ Descritivo Meninas têm baixos níveis de conscientização e conhecimento sobre os fatores de risco para câncer cervical, HPV e vacinação contra o HPV. Ao serem questionadas sobre os fatores de risco para câncer do colo do útero, 10,0% citaram o HPV; 90,9% não sabiam da prevenção; 88,7% não conheciam os modos de transmissão do HPV; 90,0% não tinham conhecimento dos sintomas; 99,7% não eram vacinadas contra o HPV; 94,4% não acreditavam que a vacina HPV era uma prevenção para o câncer do colo do útero e apenas 1,1% realizaram exame de Papanicolau.
Onyeabor et al., 201523 Avaliar o nível de consciência sobre o HPV, a vacina contra o HPV e doenças a ele relacionadas ao em adolescentes afro-americanos entre 16 e 18 anos que se identificam como homens que fazem sexo com homens. Bola-de-neve/ Qualitativo 66,7% dos participantes não se consideram mais predispostos ao HPV apenas por serem homens que fazem sexo com homens. Eles expressaram pouco conhecimento da vacina contra o HPV e também não estão cientes das complicações da infecção pelo vírus HPV; 75% dos participantes estavam cientes da vacina contra o HPV para meninas, enquanto 100% deles desconheciam a vacina contra o HPV masculina; 83,3% não tinham conhecimento da história natural da infecção e das complicações do HPV.
Shao et al., 201524 Descrever as atitudes e percepções em relação à aceitabilidade da vacinação contra o HPV entre meninos afro-americanos e seus pais para identificar e discutir os correlatos que podem estar associados a esses fatores. Transversal O uso do preservativo foi associado ao reduzido interesse na vacinação contra o HPV; os que relataram uso consistente de preservativos tiveram 88% de diminuição na probabilidade de se interessarem pela vacinação contra HPV em comparação àqueles que relataram uso inconsistente de preservativos. O interesse em receber a vacina contra o HPV foi significativamente associado ao aumento do número de parceiros sexuais; 27% dos participantes responderam “sim” ao saberem que “a maioria dos cânceres do colo do útero nas mulheres e do câncer retal nos homens foi causada ​​pelo HPV”; e 45,5% ouviram falar da vacina contra o HPV (Gardasil ou Cervarix). Além disso, enquanto apenas 64,4% dos homens sabiam o que era o HPV, esse conhecimento estava significativamente associado ao interesse em receber a vacinação contra o HPV (95%).
Tuhiro et al., 201525 Investigar a influência da vacinação contra o HPV no conhecimento das adolescentes sobre a vacina contra o HPV e HPV, a percepção do risco sexual e as intenções para comportamento sexual. Estudo transversal comparativo A vacinação contra o HPV foi associada ao conhecimento (p=0,000). A vacinação contra o HPV não predispôs à percepção do risco sexual. O conhecimento foi baixo (apenas 22,6% das meninas vacinadas tinham conhecimento), mas com a percepção de alto risco sexual (p=0,008). Concluiu-se que a vacinação contra o HPV, conhecimento do HPV e risco sexual percebido não predizem intenções de comportamento sexual.
Zouheir et al., 201526 Descrever o nível de conhecimento sobre o HPV, a aceitação da vacina contra o HPV e seus fatores associados entre adolescentes e adultos jovens no Marrocos. Pesquisa piloto/ Transversal 86,5% não tinham conhecimento do HPV; 71,3% desconheciam o câncer de colo do útero por HPV e 79,2% os exames de Papanicolau; 66,3% nunca ouviram falar do HPV. Dos participantes que relataram conhecimento sobre o HPV, 62,3% dos adolescentes e 45% dos adultos jovens confirmaram seu conhecimento de que o HPV acomete tanto homens quanto mulheres. Dois terços dos participantes confirmaram seu conhecimento prévio sobre a existência da vacina; 27% dos participantes estavam dispostos a aceitar a vacina contra o HPV. A maior aceitabilidade foi observada entre os adultos jovens em comparação aos adolescentes (46,6% X 16,9%) e entre os homens (62%), para apenas 20,4% das mulheres.
Sepúlveda-Carrillo e Goldenberg, 201427 Realizar revisão sistemática da literatura sobre sexualidade, conhecimentos, práticas preventivas e vulnerabilidade à infecção pelo HPV, tendo como foco privilegiado o segmento de adolescentes e adultos jovens. Revisão sistemática Conhecimento limitado sobre o HPV, não só acerca das formas de transmissão como das consequências da infecção, ressaltados os diferencias de gênero, pois meninas têm mais conhecimento, mas menos da metade delas sabe que é uma IST. Sem identificar o risco pessoal de contrair a infecção, deixam de recorrer à proteção compatível com o exercício do sexo seguro, seja nos casos dos relacionamentos estáveis ou não, seja nas relações hetero ou homossexuais.
Coles et al., 201428 Explorar se os programas de vacinação contra o HPV aumentaram o conhecimento em torno do HPV e da doença associada e se a absorção influenciou o comportamento sexual. Revisão sistemática No geral, o nível de conhecimento em torno do HPV e das verrugas genitais foi baixo. Meninas tinham mais conhecimento do que meninos. E meninas vacinadas (ou aquelas com intenção de vacinação) apresentam níveis mais elevados de conhecimento do que as não vacinadas, o que mostra a importância da educação.
Zou et al., 201429 Investigar o conhecimento e a atitude em relação à vacinação contra HPV e HPV entre homens que fazem sexo com homens recrutados de várias fontes. Transversal A maioria dos participantes respondeu corretamente às perguntas relacionadas ao HPV. Quase todos os participantes estavam cientes de que o HPV pode causar câncer do colo do útero e verrugas genitais. A maior parte estava correta ao acreditar que os preservativos não poderiam garantir 100% de proteção contra o HPV.

Fonte: dados da pesquisa, 2018

DISCUSSÃO

Os resultados desta revisão integrativa revelam a escassa publicação sobre a vacinação em meninos, quanto à recente implantação da vacina no calendário de imunização, e a ausência de estudos que atendam ao objetivo proposto publicados no ano de 2018. Isso sugere a necessidade de mais pesquisas que abordem o conhecimento dos adolescentes escolarizados sobre o HPV, bem como a aceitação da vacina pelos meninos.

Assim, em busca de mais compreensão da análise e discussão, as variáveis foram agrupadas de acordo com os seguintes subtemas: nível de conhecimento e variável de conhecimento; fatores de risco e fatores de prevenção; transmissão e oncogenicidade.

Nível de conhecimento e variável de conhecimento

A maioria dos adolescentes possui nível deficitário de conhecimento sobre o HPV, independentemente do gênero2,7,10,11,12,13,16,17,18,20,22,25,26,27,28. Estudos informam o baixo nível de conhecimento a respeito do vírus em diversas partes do mundo, sendo realizados nacional e internacionalmente, ocorrendo não somente em instituições de ensino, como também na comunidade e clínicas de saúde tais como: em escolas do México2,11, do município de Crato, no Ceará7, do território urbano e rural da Grécia10, de Uganda25, Universidade da Turquia18,22, escolas e universidades de Marrocos26, assim como na população dos Estados Unidos12,20, da Europa16, da Indonésia17 e do Reino Unido28, e clínicas de saúde do Haiti13.

A literatura traz amplo e significativo dado sobre o baixo nível de conhecimento do HPV independentemente da região, evidenciando que diferentes sociedades e culturas caracterizam esse baixo conhecimento entre adolescentes.

Notou-se que entre adolescentes que tinham recebido a vacina contra o HPV17,20,25,28, o conhecimento sobre o vírus era mais profundo do que entre adolescentes não vacinados, o que sugere a importância da educação. Houve relação entre o desconhecimento de que o HPV acomete homens17 quanto a outro achado que mencionou que a maioria dos adolescentes sabia que o vírus pode acometer ambos os sexos26.

É preponderante o alto nível de conhecimento das meninas em relação aos meninos1,3,10,16,21,27,28 e em adolescentes com mais escolaridade1. Alguns estudos revelaram que grande parte dos adolescentes pesquisados tinha conhecimento sobre o HPV3,8,17,19,21,29, com destaque para mais conhecimento entre as meninas3,21 e meninos homossexuais29. Cabe ressaltar que houve proporção semelhante de mais conhecimento tanto em nível nacional quanto internacional, considerando que foram realizados em Santa Catarina3,19, Maringá - Paraná8, Indonésia17, Estados Unidos21 e Austrália29.

No Brasil, uma das estratégias para promover o conhecimento sobre o HPV e mais adesão a medidas protetivas foi associar a vacinação a Unidades Básicas de Saúde e escolas, o que favoreceu o envolvimento de toda a comunidade escolar6. Essa estratégia determinou o sucesso da vacinação na Austrália12,20, Ruanda e Escócia20, pois mesmo que a ciência avance, é necessário haver conscientização de todas as partes interessadas, como adolescentes, pais, profissionais de saúde e educadores, para melhorar a aceitação. Ressalta-se, então, a importância da educação.

Fatores de risco e fatores de prevenção

Considerando que a maioria dos adolescentes possui vida sexualmente ativa2 ou já teve relação sexual10 e não conhece medidas preventivas quanto à aquisição da infecção sexualmente transmissível por HPV1,7,11,13,22,27, em contraposição a uma minoria que sabe sobre a prevenção3, é salutar que ações educativas sejam implantadas, com o intuito de reduzir os riscos à saúde dos adolescentes.

Existem adolescentes que reconhecem a vida sexual precoce como um fator de risco ao HPV2,4,8,14, além de relacionar esse risco ao maior número de parceiros3,8,14,24 e à ausência da educação3. Quando relatam conhecimento sobre o uso do preservativo3,5,10,17,29, pensam que o seu uso diminui o risco de se contaminar3, mas há evidências sobre o não uso do preservativo na primeira relação sexual7. Poucos adolescentes consideram o homossexualismo como fator de risco4,23, sabem que o preservativo não garante total prevenção contra o HPV29, pois só garante 70 a 80% de proteção6, e desconsideram o número de parceiros como risco4.

Outra medida preventiva é a vacina contra o HPV, que tem como finalidade prevenir o câncer cervical, de vulva, vagina, pênis, ânus, boca e orofaringe, diminuindo a morbidade e mortalidade6. A medida protetiva é conhecida pela maioria dos adolescentes de um colégio de Santa Catarina3, na comunidade de Maringá - Paraná8, na população dos Estados Unidos12, em um hospital infantil em Atenas15, na população da Indonésia17 e em escolas e universidades de Marrocos26, mas ao mesmo tempo desconhecida por grande parte dos adolescentes em escolas na Grécia10, clínicas do Haiti13, europeus16, estudantes da Turquia18,22 e afro-americanos23,24.

Os adolescentes homossexuais têm mais conhecimento sobre a vacina20, assim como as meninas3,10,16,21,28. Existe desconhecimento sobre as diferenças das vacinas bivalentes, que protegem contra o HPV tipos 16 e 18 (Cervarix), e a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 (Gardasil)21, e menos interesse pela vacina quando o adolescente usa o preservativo em suas relações sexuais24. O uso do preservativo, mesmo na população vacinada, é de extrema importância, pois há mais de 150 tipos diferentes de HPV, sendo que 40 tipos podem contaminar o trato genital, 12 deles são oncogênicos e os demais tipos provocam condiloma genital6.

Pontua-se que adolescentes que receberam a vacina contra o HPV tem dúvidas sobre fazer ou não o exame de rastreamento conhecido como exame de Papanicolau16, sendo que significativa proporção de adolescentes não conhece esse exame18,22,26.

O Ministério da Saúde6 recomenda que mesmo as meninas vacinadas devem fazer o exame de Papanicolau se estiverem sexualmente ativas ou quando se encontrarem na faixa etária de 25 e 64 anos de idade, pois 30% dos tipos de HPV oncogênicos não estão garantidos na vacina bivalente ou quadrivalente oferecida no Brasil. Já nos Estados Unidos comercializa-se a vacina nonavalente, que garante mais proteção contra o HPV, por proteger contra os tipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58 (Gardasil 9), proporcionando eficácia 95% superior contra o vírus12,20.

Transmissão e oncogenicidade

Considerável parte dos adolescentes não sabe como ocorre a transmissão do HPV1,7,11,22,27 e pequena parcela menciona o HPV como uma infecção sexualmente transmissível5,27, além de meninas que negam a possibilidade de adquirir ou transmitir uma infecção sexualmente transmissível14.

Alguns estudos comprovam que os adolescentes têm conhecimento sobre a transmissão do HPV3,8,16,17 e sabem do seu potencial oncogênico3,13,17,20,29, mas em outros estudos eles consideram que o HPV tem cura1,8 e desconhecem a oncogenicidade do vírus2,5,8,10,12,17,18,22,23,24,26,27.

Quase metade das mulheres que são diagnosticadas com câncer cervical na idade de 35 a 55 anos se contaminou com o vírus do HPV na adolescência ou, no mais tardar, na juventude, em torno dos 20 anos de idade, devido à história natural da infecção6.

Portanto, os artigos analisados nesta revisão revelam o nível deficitário de conhecimento dos adolescentes sobre o HPV, o que justifica a relevância da promoção de medidas educativas sobre a transmissão, prevenção, rastreamento e oncogenicidade do HPV para a vida sexual e reprodutiva dos adolescentes. O objetivo é reduzir riscos por meio da adesão a medidas protetivas como o uso do preservativo nas relações sexuais e a vacina contra o HPV, relacionando a tríade sexualidade, escola e HPV. Isso porque a escola é um cenário favorável ao desenvolvimento de ações educativas em busca de promoção da saúde e redução de vulnerabilidades, tornando os indivíduos mais preparados para viverem em sociedade.

Contudo, a partir das deficiências constatadas, ressalta-se a necessidade de mais intervenção da educação para meninos, haja vista o reduzido conhecimento deles sobre a recente introdução da vacina para meninos de 11 a 14 anos, assim como a implantação de estratégias interdisciplinares que abordem sexualidade, HPV, adesão à vacina e a epidemiologia da doença após a vacinação contra o HPV.

CONCLUSÃO

Esta revisão proporcionou o estudo acerca do conhecimento dos adolescentes sobre o HPV, evidenciando falhas na informação, na adesão a medidas preventivas, além de mais proximidade com a forma como isso ocorre em diferentes regiões, clarificando que não é um problema apenas de amplitude nacional. Medidas educativas são relevantes e necessárias para toda a população mundial.

Destacou-se que a estratégia do governo brasileiro em promover intersetorialidade e interdisciplinaridade entre unidades de saúde, escola e comunidade escolar favorece o desenvolvimento local em prol da saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, de acordo com dados que revelam o sucesso dessa estratégia em países como Austrália, Uganda e Ruanda.

Portanto, ações que possibilitem mudanças no cenário atual são fundamentais para melhorar a conscientização, reflexão sobre os riscos e a promoção de saúde dos adolescentes, construindo uma rede de novos significados e comportamentos.

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Recebido: 14 de Fevereiro de 2019; Aceito: 24 de Março de 2019

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