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Enfermería Global

versión On-line ISSN 1695-6141

Enferm. glob. vol.19 no.58 Murcia abr. 2020  Epub 18-Mayo-2020

http://dx.doi.org/eglobal.382061 

Originais

Práticas sexuais e o comportamento de jovens universitários frente à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis

Thelma Spindola1  , Agatha Soares de Barros de Araújo2  , Erica de Jesus Brochado3  , Débora Fernanda Sousa Marinho2  , Elizabeth Rose Costa Martins4  , Thaissa da Silva Pereira5 

1Doutora em Enfermagem. Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro – RJ. Brasil.

2Mestranda em Enfermagem do Programa de Pós Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista CAPES. Rio de Janeiro – RJ. Brasil.

3Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro – RJ. Brasil.

4Doutora em Enfermagem. Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro – RJ. Brasil.

5Estudante de graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista FAPERJ. Río de Janeiro – RJ. Brasil.

RESUMO

Objetivo

Analisar as práticas sexuais e o comportamento de universitários de uma instituição privada frente às Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Metodologia

trata-se de um estudo descritivo, transversal, em abordagem quantitativa realizado em uma universidade privada no Rio de Janeiro. Participaram 768 estudantes, com idades entre 18 - 29 anos, regularmente matriculados.

Resultados

Os universitários são solteiros (58,72%), heterossexuais (85,80%) e sexualmente ativos (85,16%); iniciaram atividades sexuais na faixa etária de 12-17 anos (76,9%); 77,83% relatou ter parceria fixa e desses 54,62% não utilizam preservativo; 50,31% informaram multiplicidade de parcerias sexuais, e 62,84% não usa o preservativo em todas as relações sexuais. Os estudantes informaram fazer uso de álcool (66,41%), sendo uso esporádico (50,39%), contudo, acrescentam que não utilizaram antes da última relação sexual (69,42%). Quanto aos cuidados com a saúde, 57,81% buscou atendimento nos últimos 12 meses, sendo informada por 4,82% jovens a ocorrência de infecções sexualmente transmissíveis.

Conclusão

A assunção do comportamento de risco pelos jovens torna-os vulneráveis às IST. Ações de educação em saúde e estímulo para o autocuidado do grupo são relevantes para reduzir agravos à saúde sexual desse contingente populacional.

Palavras-chave: Sexualidade; Doenças Sexualmente Transmissíveis; Adulto Jovem; Sexo sem proteção

INTRODUÇÃO

Mais de um milhão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são adquiridas diariamente no mundo. Calcula-se que a cada ano 357 milhões de pessoas adoecem devido às IST curáveis, tais como: Chlamydia trachomatis (clamídia), Neisseria gonorrhoeae (gonorreia), Treponema pallidum (sífilis) e Trichomonas vaginalis (tricomoníase) 1 2 3.

Dentre as IST existentes, serão abordadas neste estudo as de maior incidência na população jovem, a saber: infecção por clamídia, gonorreia, herpes genital, papiloma vírus humano (HPV), hepatite B (HBV, no inglês hepatites B vírus), sífilis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). O Ministério da Saúde brasileiro, recentemente, sinalizou o aumento da resistência e diminuição da sensibilidade dos agentes patogênicos aos antimicrobianos, o que tem acarretado a redução das opções de tratamento para algumas infecções, principalmente para a gonorreia 4.

Jovens na faixa etária de 18 a 24 anos tem maior concentração de matrículas nas universidades brasileiras. 5O ingresso na universidade implica a mudança de comportamentos dos jovens que se deparam com outra realidade, algumas vezes, bem distinta de seu cotidiano e dos seus relacionamentos. O comportamento sexual dos jovens estudantes acaba sendo influenciado pela entrada na universidade, considerando que expande o conhecimento sobre si mesmo ao entrar em contato com um número maior de pessoas, o que acaba por interferir no seu modo de pensar, agir e, também, pode provocar mudanças no seu comportamento sexual. A mudança no padrão de conduta dos jovens após o ingresso nas universidades é decorrente de diversos fatores, como: novas amizades, convívio com pessoas com hábitos de vida distintos dos seus e, o ambiente universitário que favorece a realização de atividades diferenciadas. 2 6

Esta investigação tem o objetivo de “Analisar as práticas sexuais e o comportamento de universitários de uma instituição privada frente às Infecções Sexualmente Transmissíveis”.

MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo transversal com abordagem quantitativa, realizado em uma instituição de ensino superior privada do município do Rio de Janeiro.

Os participantes do estudo foram estudantes de ambos os sexos, na faixa etária de 18 a 29 anos e com matrícula ativa nos cursos ofertados pelo Campus universitário. O tamanho da amostra foi determinado por um processo de amostragem estratificada uniforme por sexo, com intervalo de confiança de 95% e erro amostral de 5% pontos percentuais (p.p.). Neste processo obteve-se uma amostra de 768 estudantes universitários, sendo 384 do sexo masculino e 384 do feminino.

Os dados foram coletados pela aplicação de um questionário estruturado com 60 questões. Para este estudo foram selecionadas 17 variáveis do instrumento de coleta de dados que abordavam os aspectos sociais (sexo, idade, estado conjugal/marital, ter filhos, religião, cor, orientação sexual), práticas sexuais (idade da primeira relação sexual, uso do preservativo na primeira relação sexual, uso do preservativo em todas as relações sexuais, uso do preservativo com parceiro(a) fixo(a) ou estável, uso do preservativo com parceiros(as) casuais, relação sexual com pessoa do mesmo sexo, relação sexual com múltiplos parceiros, negociação do preservativo com o parceiro e uso de álcool ou outras drogas antes da última relação sexual).

A coleta de dados ocorreu em junho e julho de 2016, no campus da universidade sede da pesquisa. Os questionários foram transcritos para uma planilha, utilizando recursos do software Excel 2003, formando um banco de dados. Os dados foram analisados com emprego da estatística descritiva e inferencial com auxílio do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Para verificar a associação entre variáveis, foi aplicado o teste qui-quadrado de Pearson para as variáveis dicotômicas, com nível de significância de 95%.

Todos os procedimentos éticos envolvendo pesquisa com seres humanos foram respeitados. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sede com Parecer nº 1.577.311 e CAAE 56763316.1.0000.5291.

RESULTADOS

Foram aplicados 768 questionários entre os estudantes de graduação da universidade, sendo 384 (50%) do sexo masculino e 384 (50%) do sexo feminino. A maioria dos jovens tinham idades entre 18 e 23 anos (85,63%), mais da metade são solteiros (58,72%), cor da pele branca (56,25%), conforme apresenta a Tabela 1.

Tabela 1. Caracterização social dos universitários. Rio de Janeiro (RJ), 2018. (n=768). 

Dentre os participantes do estudo, 654 (85,16) eram sexualmente ativos. Desse total, 318 (48,62%) eram mulheres e 336 (51,38%) homens. Em relação à orientação sexual 659 (85,80%) se declararam heterossexuais; 47 (6,11%) homossexuais; 08 (1,04%) outro, e 05 (0,06%) não informaram. Entre os que informaram outro tipo de orientação sexual seis eram pansexuais, um assexuado e declarou-se como indefinido.

Tabela 2. Práticas sexuais e cuidados com a saúde de jovens universitários. Rio de Janeiro (RJ), 2018. (n= 654). 

A maioria dos participantes (99,2%) informou que a primeira relação sexual ocorreu com idades entre 12 e 23 anos. A faixa etária que apresentou a maior representatividade foi de 12 a 17 anos. Ressalta-se, ainda, que metade dos entrevistados informou ter tido relação sexual com mais de um parceiro no mesmo período (50,31%). Desses, 66,57% (219) são homens e 33,74% (111) mulheres.

Quanto à utilização do preservativo na primeira relação sexual a maioria informou que utilizou, sendo 49,17% (237) do sexo masculino e 50,83% (245) do feminino. No tocante ao uso do preservativo em todos os intercursos sexuais houve maior prevalência entre os que informaram não fazer uso. Em relação à negociação do preservativo nota-se que a maioria não negocia ou negocia em parte.

Em relação ao consumo de álcool, 66,41% (510) universitários informaram fazer uso de bebida alcoólica e, desses, 50,39% fazem uso esporádico. Ao verificar o uso de bebida alcoólica antes da última relação sexual, 30,28% (198) confirmaram a ingestão e desse total, mais da metade eram homens (113/57,07%).

Questionados se costumam fazer uso dos serviços de saúde, apenas 17,58% (135) participantes informou esta prática. Ao serem questionados sobre a busca de atendimento de saúde, nos últimos 12 meses, observa-se que 57,81% universitários tiveram essa prática e, desses 72,40% pertencem ao sexo feminino.

Tabela 3. Atendimento de saúde nos últimos 12 meses e o sexo dos universitários. Rio de Janeiro (RJ), 2018. (n=768). 

Os dados sinalizam, também, que mais da metade das universitárias (56,77%/ 218) informou a realização do exame de Papanicolau. Assim, ter feito o exame depende da faixa etária, considerando que ao relacionar a realização do exame com a idade das jovens, (x2(1) = 20,324; df=2; p = 0,000), temos p-valor menor do que 0,05.

A ocorrência de IST segundo o sexo dos estudantes universitários, Tabela 04, demonstra que a maioria dos participantes de ambos os sexos (89,14%) nega esse tipo de manifestação. A ocorrência de IST foi informada por apenas 5,35% (37) jovens. Pode-se notar que ter tido ou não IST independe do sexo dos estudantes. Dentre as IST registradas pelos jovens (37) foram elencadas: candidíase (oito), herpes (oito), Papiloma Vírus Humano (HPV) (oito), clamídia (dois), gonorreia (dois), condiloma (um), gardnerella (um), hepatite (um), HPV e gonorreia (um), sífilis (um), e não informaram o tipo de infecção (quatro).

Tabela 4. A ocorrência de Infecções Sexualmente Transmissíveis e o sexo dos jovens universitários. Rio de Janeiro (RJ), 2016. (n=654) 

O quantitativo de jovens que informou a ocorrência de IST foi comparado com o uso de preservativos em todas as relações sexuais. (x2(1) = 9,771; df=2; p = 0,008), assim, rejeita-se a hipótese nula. Ou seja, ter tido ou não IST depende do uso de preservativo em todas as relações.

DISCUSSÃO

No Brasil, a idade mais frequente de matriculados em universidade é de jovens com idades entre 18 e 24 anos. Em relação à idade de ingresso, a média é de 18 anos e a idade concluinte de 23 anos, sendo a idade modal dos estudantes regularmente matriculados de 21 anos de idade, desses estudantes, as mulheres são os universitários mais presentes no ensino superior.5

Quanto ao estado conjugal, mais da metade dos estudantes (58,72%) informaram ser solteiros, e 37,24% têm companheiro fixo. Ao analisar a idade dos jovens e a situação conjugal, constatou-se que os estudantes até 24 anos, em sua maioria, são solteiros e/ou não possuem companheiros fixos, ao contrário dos jovens maiores de 25 anos. Existe na população geral do Brasil 55,3% de solteiros e a idade média para se casar é de 24,4 anos.7

47,7% da população brasileira se declarou branca, 43,1% pardos e 7,6% pretos. Avaliando o acesso da população aos níveis de ensino observa-se que entre as pessoas que frequentavam o nível superior com idade inferior a 24 anos, 31,1% se declararam brancos, apenas 12,8% eram pretos e 13,4% pardos.7No conjunto amostral investigado houve predominância de estudantes que se declararam brancos (56,72%).

Os dados sociais dessa pesquisa estão em consonância com outros estudos realizados com estudantes universitários, que demonstraram predominância da população feminina nos estudantes matriculados nas instituições de ensino superior, que os jovens eram solteiros, declaravam-se predominantemente como brancos ou pardos, praticantes da religião católica, e que a média de idade variou entre 19 e 22 anos.2 8 9 10

Em relação à orientação sexual declarada pelos participantes, pode-se observar que a maioria dos jovens se declarou heterossexual (85,80%) e 47 (6,11%) homossexuais. A relação sexual com pessoas do mesmo sexo foi informada por 21,25%, o que está em consonância com outros estudos. Pesquisa constatou que no grupo de 1.070 jovens com vida sexual ativa, 4,4% (59) se declararam bissexuais e 4% (54) eram homossexuais,8outra investigação verificou que 9% dos estudantes universitários se declararam bissexuais.11

No grupo investigado, seis jovens se declararam pansexuais. Esses são indivíduos que apreciam e se sentem atraídos por todos os gêneros sexuais, incluindo as pessoas que se declaram transgênero (nascem com um sexo, mas se identificam com o oposto) ou os intersexuais (que se identificam com os dois gêneros). Os assexuados, citado por um jovem, é aquele que não possui desejo ou vida sexual. Os jovens costumam diferenciar os relacionamentos em função do compromisso e envolvimento amoroso com o outro, assim constroem um jogo que varia entre a sensação e a superficialidade, o sentimento e a profundidade. Os relacionamentos atuais dos jovens se baseiam na liberdade, igualdade de gêneros, superficialidade, individualidade e descartabilidade. 12

Quanto ao início das atividades sexuais, os maiores registros foram na faixa etária entre 12 e 17 anos (76,45%). Esses achados estão em consonância com outros estudos, que referem o início da vida sexual de adolescentes e jovens com idade inferior a 18 anos. 9 11A realização de relações sexuais em idades precoces é um avanço da liberdade, e traz uma concepção do sexo e da vida sexual mais desinibida e com mais liberalidade.13Em consonância com esses achados, pesquisas identificam que cada vez é mais precoce o início da vida sexual. 14 15

A multiplicidade de parceiros foi observada, também, em outros estudos. Investigações constataram que mais de 20% dos entrevistados haviam tido relações sexuais com mais de um parceiro no período de um ano.9 16É possível verificar, então, que a multiplicidade de parceiros sexuais é um dos fatores que favorecem a vulnerabilidade dos jovens às Infecções Sexualmente Transmissíveis.

A prática sexual com parceiro fixo foi declarada por mais da metade das jovens participantes dessa investigação. Resultado semelhante foi encontrado em outros estudos que sinalizam a presença de parceiros estáveis nos relacionamentos afetivos dos jovens, sendo mais frequente entre as mulheres.8 17

O uso de preservativo teve uma maior representatividade no grupo masculino, semelhante a outras pesquisas, sendo possível notar que essa prática está diretamente relacionada com o sexo dos participantes.16A negociação do uso do preservativo é mais presente em relacionamentos casuais. Nos relacionamentos fixos, acredita-se que é mais improvável de a mulher negociar o uso do preservativo. As mulheres costumam assumir um papel passivo nos relacionamentos afetivos e sexuais, e não ter poder decisório nas negociações com os parceiros, especialmente quanto à natureza e qualidade das relações sexuais. O uso do preservativo está muito atrelado à prevenção de uma gestação não planejada e, não necessariamente, às IST, desta forma, muitos jovens ao atingirem outros níveis de intimidade no namoro, costumam substituir o preservativo pelo anticoncepcional hormonal oral (pílula), em função da confiança que se estabelece entre os parceiros. 15

A ocorrência de IST foi associada ao uso de preservativos pelos participantes da pesquisa, sendo constatado que ter tido ou não IST depende diretamente do uso de preservativo em todas as relações sexuais. As chances de contrair uma IST, portanto, está diretamente relacionada ao uso de preservativo nos intercursos sexuais. Pesquisa realizada na Suécia investigou as experiências e atitudes entre adultos jovens que viajam para o exterior em relação à prevenção de IST e vírus da imunodeficiência humana (HIV). Pessoas jovens apresentam maior risco para IST/HIV porque, em geral, praticam sexo com múltiplos parceiros e, além disso, usam de modo descontinuado ou não usam o preservativo. Esforços devem ser envidados no sentido de conscientizar os jovens acerca do comportamento de risco e atitudes para a prevenção de IST.18

Estudo realizado com 291 estudantes de enfermagem da universidade de Sevilha, na Espanha, observou alta prevalência de consumo de álcool, e uma forte associação com a não utilização de medidas de proteção nas práticas sexuais, ou seja, com o uso de preservativos.19Investigação desenvolvida com jovens americanos sobre os padrões de consumo de bebida alcoólica, em 2012, constatou que, embora os jovens tenham uma menor frequência que os adultos no consumo de bebida alcoólica, a quantidade de bebida ingerida é consideravelmente maior, e os níveis médios de consumo são elevados, especialmente em ocasiões festivas. Sabe-se, que o álcool está diretamente relacionado aos comportamentos de risco, como a prática do sexo desprotegido.20A associação entre o álcool e outras drogas, antes da relação sexual, favorece a prática do sexo desprotegido. Estudo, realizado em Bogotá, verificou que o uso do álcool pode ocasionar inúmeros prejuízos, dentre eles a queda no desempenho acadêmico e exposição a comportamentos de risco, entre outros.21

No que tange à busca de atendimento de saúde pelos universitários, nos últimos 12 meses, foi verificado que mais da metade (57,81%) dos estudantes teve essa prática sendo 72,40% do sexo feminino. Sabe-se que a mulher costuma cuidar melhor de sua saúde em comparação com os homens. Resultados semelhantes foram apresentados em estudo onde a maioria das participantes realizou consulta médica e exame ginecológico nos últimos dois anos.14Corroboram com estes achados, também, pesquisa realizada na cidade de São Paulo, região Sudeste do Brasil, demonstrando que pessoas do sexo masculino não têm o hábito de buscar esses serviços, ao contrário das mulheres. Para os autores alguns fatores podem ser associados a esse comportamento e pode interferir de modo significativo na busca de atendimento, como o horário de trabalho dos usuários, o horário de funcionamento dos serviços de saúde e a pessoa acreditar que está saudável.22

Alguns aspectos podem favorecer a adesão de mulheres ao exame de Papanicolau, como: receber informações sobre o exame antes de sua realização; os trabalhos educativos e o bom atendimento realizado por profissionais de saúde associado à relação empática e o serviço de saúde se encontrar próximo à residência das mulheres.6 23

Embora nesse estudo os dados sinalizem uma taxa reduzida de ocorrência de IST entre os universitários, é oportuno acrescentar que, esse assunto é envolto em preconceitos e, muitas vezes, as informações podem ser omitidas. A juventude é um grupo populacional vulnerável às IST devido ao comportamento de risco, como início precoce da vida sexual, a não utilização do preservativo de modo contínuo, a multiplicidade de parceiros (as) e o uso de álcool e outras drogas, especialmente antes dos intercursos sexuais.24 25

CONCLUSÃO

As práticas sexuais desprotegidas tornam os jovens vulneráveis às IST. Os resultados dessa investigação, semelhantes a outros estudos, sinalizam a importância de sensibilizar os jovens universitários sobre a importância da prevenção de IST, e a repensarem suas práticas sexuais, muitas vezes, desprotegidas. A população jovem deve ser estimulada ao autocuidado e a ser responsável pelas ações de atenção para com a sua saúde.

A procura por atendimento de saúde no Brasil, por razões culturais, é mais frequente na população feminina. Nesse contexto, devem ser adotadas estratégias dialógicas nas quais o jovem tenha uma participação ativa no processo, e se sinta responsável pelo autocuidado da sua saúde.

Considerando que algumas IST têm tratamento disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, que outras não têm cura, e podem acarretar repercussões significativas na vida da pessoa, ações para a conscientização desse grupo são oportunas para que sejam adotadas medidas educativas, e possam ocorrer, de fato, mudanças em seu comportamento sexual para prevenir a exposição às IST.

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Recebido: 01 de Junho de 2019; Aceito: 18 de Setembro de 2019

Agatha Soares de Barros de Araújo: enf.agatha_barros@yahoo.com.br

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