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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A gripe espanhola na Bahia de Todos os Santos: entre os ritos da ciência e os da fé]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>A gripe espanhola na Bahia de Todos os Santos: entre os ritos da ci&ecirc;ncia e os da f&eacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Christiane Maria Cruz de Souza (*)</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(*) Professora do Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia da Bahia - IFBA. Investigadora do N&uacute;cleo de Tecnologia em Sa&uacute;de do IFBA. Salvador, Bahia, Brasil. <a href="mailto:christianecruz@hotmail.com">christianecruz@hotmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Esse artigo tem como objetivo analisar as respostas da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; epidemia de gripe que afetou Salvador, capital do estado da Bahia, Brasil, em princ&iacute;pios de setembro de 1918. Dentro dessa perspectiva, pretendemos discutir as medidas adotadas pelas autoridades sanit&aacute;rias, as a&ccedil;&otilde;es defensivas das pessoas comuns e as pr&aacute;ticas fundamentadas na religi&atilde;o, para enfrentar uma enfermidade at&eacute; ent&atilde;o considerada benigna e sazonal, que irrompeu com virul&ecirc;ncia surpreendente, em uma &eacute;poca inusitada do ano. Para tanto, utilizamos como fonte privilegiada os peri&oacute;dicos em circula&ccedil;&atilde;o em Salvador no per&iacute;odo da erup&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras chaves:</b> Epidemia, gripe, medicina tradicional, religiosidade, Bahia, Brasil.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> Epidemic, flu, traditional medicine, religion, Bahia, Brazil.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse artigo tem como objetivo analisar as respostas da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; epidemia de gripe espanhola <a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a> que atingiu a cidade de Salvador, capital da Bahia, Brasil, a partir da segunda quinzena de setembro de 1918. Escolhemos como campo privilegiado de reflex&atilde;o a cidade do Salvador, tendo em vista n&atilde;o s&oacute; a sua condi&ccedil;&atilde;o de primeira capital do Brasil, mas tamb&eacute;m porque a cidade era, naquele per&iacute;odo, importante o p&oacute;lo cultural, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico estadual e regional, al&eacute;m de sua tradi&ccedil;&atilde;o nos estudos da medicina <a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Interessa-nos discutir, neste texto, os mecanismos de defesa adotados pela sociedade baiana durante a passagem da gripe por Salvador: as medidas adotadas pelas autoridades sanit&aacute;rias, as a&ccedil;&otilde;es defensivas das pessoas comuns e as pr&aacute;ticas fundamentadas na religi&atilde;o, para enfrentar uma enfermidade at&eacute; ent&atilde;o considerada benigna e sazonal, que irrompeu com virul&ecirc;ncia surpreendente, em inusitada &eacute;poca do ano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para compormos o quadro da cidade sob o flagelo da epidemia de gripe de 1918, utilizamos como fonte privilegiada os jornais editados no munic&iacute;pio, durante o per&iacute;odo estudado. Os peri&oacute;dicos mostraramse fontes valiosas, ao nos revelar o cotidiano da cidade sob o dom&iacute;nio da gripe: os rituais religiosos, coletivos e individuais, engendrados pelo medo; os conflitos e o uso pol&iacute;tico da epidemia pelas fac&ccedil;&otilde;es que disputavam o poder; a profilaxia e a terap&ecirc;utica adotadas pela medicina acad&ecirc;mica; as pr&aacute;ticas de cura informadas pela religi&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao utilizarmos os jornais como fontes, aceitamos o fato de que estes jamais s&atilde;o neutros, mesmo que propalem a sua imparcialidade. Ademais, na Bahia das primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, os peri&oacute;dicos n&atilde;o omitiam suas vincula&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas e pol&iacute;tico-partid&aacute;rias. A neutralidade era mal vista pela imprensa, pois estava, ent&atilde;o, associada &agrave; in&eacute;rcia, &agrave; falta de iniciativa e &agrave; indiferen&ccedil;a. Os jornalistas consideravam que o meio de comunica&ccedil;&atilde;o que assumisse tal posi&ccedil;&atilde;o perderia as fun&ccedil;&otilde;es capitais de instruir, fiscalizar e conscientizar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os peri&oacute;dicos que consultamos eram ve&iacute;culos das posi&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas das elites, especialmente, das elites urbanas, que, naquele per&iacute;odo, desejavam transformar Salvador em um centro moderno, civilizado, progressista, como a Paris de Haussmann e o Rio de Janeiro de Pereira Passos <a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>. Eram tamb&eacute;m os mais representativos das fac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que disputavam o poder na Bahia naquela d&eacute;cada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>O Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, O Imparcial, o Di&aacute;rio da Bahia</i> e <i>A Tarde</i> pertenciam ou estavam ligados a l&iacute;deres pol&iacute;ticos contr&aacute;rios ao grupo liderado por Jos&eacute; Joaquim Seabra <a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>, que naquele dec&ecirc;nio comandava a Bahia. J&aacute; <i>O Democrata</i> era o porta-voz do governo. O &uacute;nico que conservava alguma imparcialidade era <i>O Jornal de Not&iacute;cias</i>, ainda que, vez por outra, demonstrasse simpatia ao governo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cientes dos limites e possibilidades de tais fontes, tivemos o cuidado de confrontar as informa&ccedil;&otilde;es colhidas nos jornais com as obtidas em outras fontes prim&aacute;rias e secund&aacute;rias. O cruzamento desses dados nos permitiu revelar os valores sociais e culturais, assim como as estruturas de autoridade da sociedade baiana sob o impacto da epidemia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. A epidemia aporta em Salvador: as medidas adotadas pelas autoridades sanit&aacute;rias</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o se sabe ao certo quando a gripe atingiu Salvador, cidade cujo porto possu&iacute;a conex&otilde;es transcontinentais desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, em 1549 <a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>. O mais prov&aacute;vel &eacute; que tenha chegado com o paquete ingl&ecirc;s <i>Demerara</i>, que aportou na cidade no dia 11 de setembro de 1918, trazendo a bordo passageiros infectados com a doen&ccedil;a <a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>. Dias depois, a imprensa registrou dois &oacute;bitos entre os passageiros desembarcados e a doen&ccedil;a come&ccedil;ou a se espalhar sem que a Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia tomasse conhecimento do caso <a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/dyn/v30/02f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">At&eacute; aquele momento, a epidemia que grassava na Europa era vista como uma amea&ccedil;a remota, mesmo tendo atingido os integrantes das miss&otilde;es m&eacute;dico-militares brasileiras Frontin e Nabuco Gouveia, envolvidas nas opera&ccedil;&otilde;es da Primeira Guerra Mundial. Talvez por isso o fato n&atilde;o provocasse imediato alerta entre as autoridades.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ademais, os soteropolitanos <a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a> estavam familiarizados com a gripe, uma enfermidade at&eacute; ent&atilde;o considerada benigna e sazonal. Ainda que estivesse sempre presente nas estat&iacute;sticas nosol&oacute;gicas de Salvador, desde a &uacute;ltima epidemia, em 1895, os &oacute;bitos decorrentes da doen&ccedil;a eram em n&uacute;mero insignificante. A sazonalidade e benignidade da gripe a tornava menos extraordin&aacute;ria e surpreendente entre os soteropolitanos, fazendo com que sua gravidade fosse inicialmente ignorada ou minimizada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Todavia, o posicionamento das autoridades baianas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a n&atilde;o se deveu apenas a esse fato. O contexto pol&iacute;tico e socioecon&ocirc;mico n&atilde;o permitia que tal evento se convertesse de imediato em assunto p&uacute;blico e pol&iacute;tico. A epidemia irrompeu em per&iacute;odo de intensa disputa pol&iacute;tica, devido ao processo de elei&ccedil;&atilde;o presidencial em curso naquele ano de 1918. O governador Antonio Ferr&atilde;o Moniz de Arag&atilde;o, representante da nova gera&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos liderados por Jos&eacute; Joaquim Seabra, enfrentava a oposi&ccedil;&atilde;o dos l&iacute;deres das oligarquias tradicionais da Bahia, que se uniram para lutar por uma fatia do poder no novo governo federal <a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>. Tal conjuntura revelava-se prop&iacute;cia para que a gripe se tornasse instrumento pol&iacute;tico dos grupos que disputavam o controle do poder no estado, como acontecia, comumente, em per&iacute;odos epidemia <a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m das disputas pol&iacute;ticas, consideravam-se os riscos e implica&ccedil;&otilde;es de uma epidemia sobre as atividades econ&ocirc;micas do estado, voltadas para o com&eacute;rcio de exporta&ccedil;&atilde;o de produtos como o caf&eacute;, o tabaco, o cacau, o a&ccedil;&uacute;car e o algod&atilde;o. Caso o surto fosse confirmado, o porto de Salvador poderia ser considerado "sujo" e o com&eacute;rcio com outros estados do Brasil e pa&iacute;ses do mundo poderia ser interrompido.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As restri&ccedil;&otilde;es ao com&eacute;rcio do Brasil com a &Aacute;ustria e com a Alemanha, impostas pela Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, j&aacute; havia diminu&iacute;do a freq&uuml;&ecirc;ncia de navios mercantes no porto de Salvador <a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a>. Entre 1915 e 1916, navios brasileiros com carregamentos supostamente destinados &agrave; Alemanha foram apreendidos pela Marinha brit&acirc;nica, prejudicando diretamente o com&eacute;rcio de exporta&ccedil;&atilde;o da Bahia <a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a>. Ainda que recorresse aos altos escal&otilde;es da Rep&uacute;blica, o governo do estado n&atilde;o conseguiu resolver a quest&atilde;o. Esse fato, aliado &agrave; coaliz&atilde;o das for&ccedil;as de oposi&ccedil;&atilde;o, fez com que Moniz de Arag&atilde;o, enfrentasse crescente oposi&ccedil;&atilde;o dos setores ligados ao com&eacute;rcio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Era preciso, portanto, preservar a cidade, local das transa&ccedil;&otilde;es comerciais, garantindo um porto "limpo" aos negociantes, principalmente, aos estrangeiros. Qualquer amea&ccedil;a de epidemia repercutiria, negativamente, nos setores dominantes daquela sociedade, aumentando a press&atilde;o sobre o governo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todavia, contrariando os interesses das autoridades p&uacute;blicas e dos setores ligados ao com&eacute;rcio de exporta&ccedil;&atilde;o, ao final daquele m&ecirc;s de setembro, a gripe j&aacute; grassava cada vez mais violentamente, impressionando pelo n&uacute;mero extraordin&aacute;rio de casos <a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>. Diante do ineg&aacute;vel avan&ccedil;o da gripe sobre a cidade, as autoridades n&atilde;o tiveram mais como negar o fato, nem como se eximir das suas obriga&ccedil;&otilde;es. Um artigo publicado no <i>Diario da Bahia</i> informava que a popula&ccedil;&atilde;o se mostrava apreensiva com o "car&aacute;ter indiscutivelmente epid&ecirc;mico" do mal cuja "&iacute;ndole cl&iacute;nica" era desconhecida at&eacute; aquele momento <a name="top14"></a><a href="#back14"><sup>14</sup></a>. Para o articulista, a doen&ccedil;a que naquele momento prostrava 50%, ou mais da popula&ccedil;&atilde;o diferia completamente da doen&ccedil;a que os antigos denominavam <i>peitorr&eacute;ia ou febre catarral</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pressionada pela imprensa, a Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia (DGSPB) nomeou uma comiss&atilde;o de m&eacute;dicos para estudar a epidemia em curso. Os profissionais escolhidos -Frederico Koch, Dyonisio Pereira e Aristides Novis- eram representantes da elite m&eacute;dica estadual, com grande credibilidade entre seus pares e na sociedade baiana. Al&eacute;m de integrarem a Inspetoria Sanit&aacute;ria, reparti&ccedil;&atilde;o subordinada &agrave; Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia, clinicavam e eram professores da Faculdade de Medicina local <a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A provid&ecirc;ncia de nomear uma comiss&atilde;o para estudar o caso era justificada porque, nesse per&iacute;odo, os jornais locais reproduziram mat&eacute;rias em circula&ccedil;&atilde;o na imprensa internacional, nas quais os mais respeitados m&eacute;dicos europeus emitiam explica&ccedil;&otilde;es diversas sobre a etiologia doen&ccedil;a <a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a>. A variabilidade e gravidade dos sintomas apresentados pelos enfermos, bem como a situa&ccedil;&atilde;o de calamidade que se configurou quase simultaneamente em v&aacute;rios quadrantes do mundo, confundiram a comunidade m&eacute;dica internacional e a ci&ecirc;ncia m&eacute;dica passou a suspeitar que o quadro apresentado pelos acometidos pudesse ser o de uma doen&ccedil;a nova <a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Artigo publicado no <i>British Medical Journal</i> e reproduzido pelo <i>Diario da Bahia</i> qualificava aquela epidemia de "misteriosa", provocada por "doen&ccedil;a nova estranha" <a name="top18"></a><a href="#back18"><sup>18</sup></a>. J&aacute; o m&eacute;dico italiano Ferdinando de Napoli suspeitava que aquela doen&ccedil;a possu&iacute;sse identidade com as <i>febres estivais</i> e com as <i>febres das trincheiras<a name="top19"></a><a href="#back19"><sup>19</sup></a></i>. Uma nota publicada no <i>Diario de Noticias</i> informava que os m&eacute;dicos portugueses Pires de Lima e Carlos Fran&ccedil;a tentavam demonstrar que a enfermidade em curso na Europa era a <i>febre dos tr&ecirc;s dias</i>, provocada por um agente invis&iacute;vel e filtr&aacute;vel, transmitido pelo <i>Phlebotomus  papatassi<a name="top20"></a><a href="#back20"><sup>20</sup></a></i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todavia, outros m&eacute;dicos defendiam o diagn&oacute;stico de influenza. Para Ricardo Jorge, Diretor da Sa&uacute;de P&uacute;blica de Portugal, a doen&ccedil;a em curso era a gripe que, naquele per&iacute;odo, se apresentara de forma grave e mortal <a name="top21"></a><a href="#back21"><sup>21</sup></a>. Na Espanha, Pittaluga descartou a possibilidade de tratar-se da <i>febre dos tr&ecirc;s dias</i>, por n&atilde;o ter sido encontrado em Madri nenhum exemplar do mosquito vetor da doen&ccedil;a <a name="top22"></a><a href="#back22"><sup>22</sup></a>. O anatomopatologista franc&ecirc;s, Arnold Netter, tamb&eacute;m contestou aquela hip&oacute;tese com argumenta&ccedil;&atilde;o semelhante: n&atilde;o se podia constatar a presen&ccedil;a do fleb&oacute;tomo em abril, per&iacute;odo em que irrompeu a epidemia <a name="top23"></a><a href="#back23"><sup>23</sup></a>. Para Netter, aquela epidemia estava sob a depend&ecirc;ncia do bacilo de Pfeiffer tanto quanto a de 1889-1890 <a name="top24"></a><a href="#back24"><sup>24</sup></a>. O m&eacute;dico italiano R. Ciauri, ap&oacute;s pesquisa realizada no hospital militar de Contoe, concluiu que a doen&ccedil;a era provocada por outro tipo de bact&eacute;ria <a name="top25"></a><a href="#back25"><sup>25</sup></a>. Na Academia de Medicina de Paris, o m&eacute;dico Jules Renault recha&ccedil;ou as hip&oacute;teses de difteria br&ocirc;nquica, de tifo exantem&aacute;tico, de c&oacute;lera e de peste, em circula&ccedil;&atilde;o na Europa, no per&iacute;odo, defendendo a de gripe epid&ecirc;mica <a name="top26"></a><a href="#back26"><sup>26</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto a comiss&atilde;o incumbida de estudar a epidemia n&atilde;o oferecia o parecer oficial, a imprensa local buscou esclarecimento entre m&eacute;dicos de renome na Bahia, tais como Pac&iacute;fico Pereira e Prado Valladares. As concep&ccedil;&otilde;es desses m&eacute;dicos eram representativas das quest&otilde;es que agitavam os centros acad&ecirc;micos e cient&iacute;ficos, nacionais e internacionais. Para Pac&iacute;fico Pereira, a observa&ccedil;&atilde;o do quadro cl&iacute;nico da doen&ccedil;a confirmava a suspeita de que se tratava da gripe, doen&ccedil;a infectocontagiosa que periodicamente propagava-se pelo mundo, cujo agente etiol&oacute;gico era o <i>Haemophilus influenzae</i>, bacilo isolado por Pfeiffer em 1892. Prado Valladares, discordava de tal pressuposto, considerando a hip&oacute;tese de que o agente causal fosse um v&iacute;rus filtr&aacute;vel de veicula&ccedil;&atilde;o culicidiana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No Rio de Janeiro, Henrique Beauperaire de Arag&atilde;o, um dos mais competentes protozoologistas de seu tempo, se opunha &agrave; hip&oacute;tese da veicula&ccedil;&atilde;o culicidiana. <a name="top27"></a><a href="#back27"><sup>27</sup></a> Apesar de concordar que tanto a gripe pand&ecirc;mica quanto o resfriado comum eram causados por um v&iacute;rus filtr&aacute;vel, ressaltava que o agente causal de tais doen&ccedil;as n&atilde;o precisava de hospedeiros intermedi&aacute;rios para a sua transmiss&atilde;o <a name="top28"></a><a href="#back28"><sup>28</sup></a>. Assim como Arag&atilde;o, cientistas brasileiros como Artur Moses e a equipe formada por Aristides Marques da Cunha, Olympio da Fonseca Filho e Octavio de Magalh&atilde;es conduziram pesquisas com o objetivo de comprovar que o agente etiol&oacute;gico da gripe era um era um v&iacute;rus filtr&aacute;vel <a name="top29"></a><a href="#back29"><sup>29</sup></a>. Essa tamb&eacute;m foi a meta de pesquisadores como o franc&ecirc;s Henri Violle; assim como de Charles Nicolle e Charles Lebailly, do Instituto Pasteur de T&uacute;nis; de H. Selter, na Alemanha; de T. Yamanouchi, S. Iwashima e K. Sakakami, no Jap&atilde;o <a name="top30"></a><a href="#back30"><sup>30</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto para os bacteriologistas o problema da etiologia da doen&ccedil;a n&atilde;o estava absolutamente resolvido, a comiss&atilde;o de m&eacute;dicos da Bahia considerou que os estudos at&eacute; ent&atilde;o realizados nos grandes e prestigiados centros de pesquisa cient&iacute;fica do mundo davam conta de quest&otilde;es-chave, como a etiologia, a patogenia, a sintomatologia, etc. Amparados no discurso da autoridade, partiram do pressuposto que o pat&oacute;geno com o qual estavam lidando era o Haemophilus influenzae, descoberto por Pfeiffer desde 1892 e, segundo eles, reiteradas vezes, confirmado, por renomados m&eacute;dicos <a name="top31"></a><a href="#back31"><sup>31</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A comiss&atilde;o tinha consci&ecirc;ncia da complexidade que envolvia o processo de determina&ccedil;&atilde;o do agente espec&iacute;fico da doen&ccedil;a. Uma pesquisa desse porte exigia do pesquisador o cumprimento de uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias e procedimentos que demandavam tempo e a comiss&atilde;o precisava oferecer imediata resposta &agrave; sociedade alarmada com o r&aacute;pido avan&ccedil;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com o objetivo de averiguar a natureza, difus&atilde;o e gravidade da doen&ccedil;a e apresentar um parecer, com a brevidade que as circunst&acirc;ncias exigiam, os m&eacute;dicos optaram pela investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e epidemiol&oacute;gica, elegendo por campo de pesquisa diversas corpora&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas de Salvador <a name="top32"></a><a href="#back32"><sup>32</sup></a>. Examinaram um n&uacute;mero superior a 500 pessoas em locais que propiciavam a aglomera&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os confinados: quart&eacute;is, penitenci&aacute;ria, f&aacute;bricas, escolas, orfanatos, conventos, etc..</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s a observa&ccedil;&atilde;o dos sintomas e sinais manifestados pelos infectados, a comiss&atilde;o concluiu que se tratava de gripe ou influenza, que, na Bahia, se manifestara na sua forma cl&iacute;nica mais comum -a respirat&oacute;ria- revelando, algumas vezes, ligeiros dist&uacute;rbios gastrintestinais. Al&eacute;m de tra&ccedil;ar o painel sintom&aacute;tico da doen&ccedil;a, os m&eacute;dicos tamb&eacute;m lan&ccedil;aram m&atilde;o dos crit&eacute;rios epidemiol&oacute;gicos - observaram a distribui&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a na popula&ccedil;&atilde;o, comparando o n&uacute;mero de casos novos com a preval&ecirc;ncia em per&iacute;odos do ano como aquele. Conclu&iacute;ram, ent&atilde;o, que se tratava de uma epidemia e que sua r&aacute;pida dissemina&ccedil;&atilde;o pela cidade se devia &agrave; extrema contagiosidade e capacidade de difus&atilde;o da gripe.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para os m&eacute;dicos, as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de moradia das camadas mais pobres de Salvador, espremidas em por&otilde;es, sobrelojas, casas de c&ocirc;modo, corti&ccedil;os, etc., tamb&eacute;m contribu&iacute;am para que a doen&ccedil;a se espalhasse de forma mais r&aacute;pida e em raio de a&ccedil;&atilde;o mais abrangente que a observada em outras ocasi&otilde;es. Apesar disso, acreditavam que a a&ccedil;&atilde;o da gripe na Bahia n&atilde;o seria t&atilde;o nefasta quanto nos lugares de clima frio, visto que o pat&oacute;geno perdia for&ccedil;a nos tr&oacute;picos <a name="top33"></a><a href="#back33"><sup>33</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A comiss&atilde;o aconselhava que os &oacute;rg&atilde;os competentes promovessem a desinfec&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica dos ambientes onde houvesse maior aglomera&ccedil;&atilde;o de pessoas e intensificassem a limpeza das ruas e logradouros p&uacute;blicos. Al&eacute;m da profilaxia de car&aacute;ter geral, recomendava que as pessoas cuidassem da sua higiene pessoal: evitassem os locais que favorecessem as aglomera&ccedil;&otilde;es, assim como os espa&ccedil;os confinados e, por precau&ccedil;&atilde;o, usassem antiss&eacute;pticos para desinfetar as vias respirat&oacute;rias superiores - vaselina mentolada ou gomenolada aplicada nas narinas e gargarejos com <i>fenosalil</i> ou com &aacute;gua oxigenada <a name="top34"></a><a href="#back34"><sup>34</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de fazerem tais recomenda&ccedil;&otilde;es os m&eacute;dicos reconheciam a fragilidade das a&ccedil;&otilde;es preconizadas. Segundo eles, medidas defensivas e restritivas s&oacute; funcionariam se fossem proibidas todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais e comerciais, interdi&ccedil;&atilde;o praticamente imposs&iacute;vel numa cidade portu&aacute;ria, cuja economia girava em torno do com&eacute;rcio de exporta&ccedil;&atilde;o e importa&ccedil;&atilde;o. Ao defenderam a ado&ccedil;&atilde;o de medidas de profilaxia geral e de higiene pessoal, esperavam restringir o desenvolvimento da epidemia no interior da cidade e proteger o indiv&iacute;duo da invas&atilde;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De posse do parecer dos m&eacute;dicos, a Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia partiu para a a&ccedil;&atilde;o. Os pobres tornaram-se o p&uacute;blico alvo das medidas adotadas, em virtude da percep&ccedil;&atilde;o de que seriam mais facilmente atingidos pela gripe, devido &agrave;s prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es materiais de vida a que estavam submetidos <a name="top35"></a><a href="#back35"><sup>35</sup></a>. Para os m&eacute;dicos, a exaust&atilde;o provocada pelo excesso de trabalho, a dieta pobre, os h&aacute;bitos de higiene inadequados, o alcoolismo, a insalubridade das habita&ccedil;&otilde;es, a exposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s intemp&eacute;ries e a a&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as preexistentes contribu&iacute;am para enfraquecer o organismo, predispondo aqueles indiv&iacute;duos a contrair a doen&ccedil;a e ir a &oacute;bito. As elites tinham a percep&ccedil;&atilde;o que esses indiv&iacute;duos representavam grande risco para a sa&uacute;de da coletividade, pois um doente poderia constituir-se em foco de infec&ccedil;&atilde;o para os s&atilde;os.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As medidas empreendidas pelas autoridades sanit&aacute;rias consideraram tamb&eacute;m as formas de cont&aacute;gio e propaga&ccedil;&atilde;o da gripe. Era do conhecimento da medicina que, ao falar, tossir ou espirrar, um indiv&iacute;duo infectado lan&ccedil;ava no ambiente secre&ccedil;&otilde;es ou perdigotos contaminados com o g&eacute;rmen, o qual poderia ser inalado pelos que se encontravam na circunvizinhan&ccedil;a <a name="top36"></a><a href="#back36"><sup>36</sup></a>. Assim, os ambientes de trabalho e de confinamento, os locais de divers&atilde;o ou de culto religioso e, sobretudo, as habita&ccedil;&otilde;es coletivas, em grande prolifera&ccedil;&atilde;o na capital do estado, naquele dec&ecirc;nio, tornaram-se alvo da a&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica e sanit&aacute;ria. Nesses ambientes, onde o conv&iacute;vio pr&oacute;ximo ou a promiscuidade eram inevit&aacute;veis, foram promovidas sistem&aacute;ticas desinfec&ccedil;&otilde;es preventivas, com o objetivo de abreviar o tempo de vida do pat&oacute;geno e limitar a sua dissemina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As visitas aos navios foram interditadas, mesmo aos fornecedores. As embarca&ccedil;&otilde;es que traziam gripados a bordo eram desinfetadas, os doentes eram medicados e os casos graves transferidos para o Hospital de Isolamento ou para o hospital da Santa Casa <a name="top37"></a><a href="#back37"><sup>37</sup></a>. Durante o expurgo, a tripula&ccedil;&atilde;o ficava proibida de desembarcar no cais do Porto, sendo utilizado para tal o Forte de S&atilde;o Marcelo, constru&iacute;do num banco de areia em plena Ba&iacute;a de Todos os Santos. A Inspetoria da Sa&uacute;de do Porto cuidava de registrar o endere&ccedil;o da resid&ecirc;ncia ou do lugar de hospedagem dos passageiros provenientes de navios infectados, cujo destino final fosse Salvador, para que ficassem sob vigil&acirc;ncia m&eacute;dica <a name="top38"></a><a href="#back38"><sup>38</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Sa&uacute;de P&uacute;blica proibiu tamb&eacute;m a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o em ritos f&uacute;nebres e celebra&ccedil;&otilde;es do Dia de Finados, em festas religiosas, assim como nos desfiles c&iacute;vicos e militares em comemora&ccedil;&atilde;o &agrave; Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, visto que tais eventos que favoreciam a aglomera&ccedil;&atilde;o e a conseq&uuml;ente propaga&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/dyn/v30/02f02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A cidade foi dividida em seis zonas sanit&aacute;rias e para cada uma delas foi designado um m&eacute;dico para assistir os despossu&iacute;dos em domic&iacute;lio; as receitas prescritas seriam aviadas em farm&aacute;cias cadastradas pelo governo <a name="top39"></a><a href="#back39"><sup>39</sup></a>. Os m&eacute;dicos deveriam enviar &agrave; Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia mapas com informa&ccedil;&otilde;es detalhadas sobre os casos encontrados em cada zona sanit&aacute;ria: nome da pessoa examinada, sexo, idade, profiss&atilde;o, estado civil, cor, nacionalidade, diagn&oacute;stico, local do socorro e endere&ccedil;o do enfermo <a name="top40"></a><a href="#back40"><sup>40</sup></a>. Tais informa&ccedil;&otilde;es ofereciam &agrave;s autoridades sanit&aacute;rias um panorama da epidemia, funcionando como um mecanismo interno destinado a regular o trabalho m&eacute;dico e avaliar o resultado das medidas implantadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da estrat&eacute;gia montada pela Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia, nem sempre o servi&ccedil;o da Inspetoria de Sa&uacute;de era levado a termo de forma satisfat&oacute;ria. O penoso deslocamento at&eacute; os populosos distritos fabris e do dif&iacute;cil acesso aos becos e vielas, onde elevado n&uacute;mero de moradores se concentravam, eram apontados pelos m&eacute;dicos como fatores que impediam a a&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria <a name="top41"></a><a href="#back41"><sup>41</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ademais, muitos soteropolitanos n&atilde;o procuraram logo o m&eacute;dico, por acreditar, a princ&iacute;pio, ser aquela a mesma doen&ccedil;a benigna, facilmente cur&aacute;vel com repouso e mezinhas caseiras <a name="top42"></a><a href="#back42"><sup>42</sup></a>. Outros, embrutecidos pela mis&eacute;ria absoluta, n&atilde;o sabiam a quem recorrer e nem recebiam nenhum tipo de assist&ecirc;ncia, morrendo &agrave; m&iacute;ngua, sem o conhecimento das autoridades.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, enquanto as autoridades tentavam provar que tinham a epidemia sob controle, a gripe espalhava-se pela cidade, e muitas eram as pessoas que morriam sem que o servi&ccedil;o p&uacute;blico tomasse conhecimento ou mesmo lhes prestasse algum tipo de assist&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>3. A gripe espalha-se pela cidade: as a&ccedil;&otilde;es defensivas e pr&aacute;ticas de cura das pessoas comuns</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No in&iacute;cio de outubro, manchete estampada na primeira p&aacute;gina de <i>O Imparcial</i> chamava a aten&ccedil;&atilde;o para o aumento da mortalidade em Salvador <a name="top43"></a><a href="#back43"><sup>43</sup></a>. Entre 27 de outubro e 2 de novembro, 225 pessoas acometidas pela gripe recorreram ao servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de. <a name="top44"></a><a href="#back44"><sup>44</sup></a> Esse era um n&uacute;mero alto, se considerarmos o curto per&iacute;odo de uma semana e atentarmos para o fato de que foram contabilizados apenas os doentes pobres, que recorreram ao servi&ccedil;o gratuito oferecido pelo estado. As pessoas das camadas mais favorecidas da popula&ccedil;&atilde;o recorriam ao m&eacute;dico de fam&iacute;lia ou se dirigiam aos consult&oacute;rios particulares para serem examinadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A doen&ccedil;a invadiu estabelecimentos p&uacute;blicos e privados, interferindo na rotina e transtornando o cotidiano das pessoas. Em algumas unidades produtivas o trabalho foi completamente paralisado, tendo em vista que, se n&atilde;o todos, pelo menos a maioria dos trabalhadores havia sido acometida pela doen&ccedil;a, cujos sintomas levavam tr&ecirc;s, quatro ou mais dias para desaparecer, quando n&atilde;o resultavam em &oacute;bito.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os bairros de maior densidade populacional, cujos moradores viviam em prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de vida, aglomerados em casas de c&ocirc;modo, corti&ccedil;os, por&otilde;es, etc., apareciam nas estat&iacute;sticas como os mais atingidos pelo mal epid&ecirc;mico. Entretanto, os jornais faziam quest&atilde;o de enfatizar que n&atilde;o havia uma &uacute;nica casa em Salvador, onde o mal n&atilde;o houvesse penetrado com maior ou menor viol&ecirc;ncia <a name="top45"></a><a href="#back45"><sup>45</sup></a>. As farm&aacute;cias n&atilde;o davam vaz&atilde;o a tantas f&oacute;rmulas e os m&eacute;dicos dedicavam grande parte do seu tempo a atender aos in&uacute;meros chamados dos infectados pela doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A morte subtra&iacute;a pessoas da fam&iacute;lia, da rua, do bairro e da cidade. Diante de tal quadro, o medo se espalhou pela cidade - "n&atilde;o houve (... ) quem n&atilde;o tivesse os seus temores, as suas apreens&otilde;es, ante a assustadora cifra de v&iacute;timas e de atacados pela devastadora pandemia" <a name="top46"></a><a href="#back46"><sup>46</sup></a>. A intensifica&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias de morte engendrava um medo pr&oacute;prio da necessidade natural de autopreserva&ccedil;&atilde;o <a name="top47"></a><a href="#back47"><sup>47</sup></a>. O sentimento de impot&ecirc;ncia diante da adversidade, a inquietude e a ang&uacute;stia suscitadas pelo ass&eacute;dio da morte exacerbavam a religiosidade. Com o esp&iacute;rito combalido e o corpo f&iacute;sico amea&ccedil;ado, s&oacute; restava aos baianos apelar para os intercessores celestes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Arcebispo Primaz do Brasil, D. Jer&ocirc;nimo Thom&eacute; da Silva, ordenou que em todas as igrejas da Bahia fosse rezada a ora&ccedil;&atilde;o <i>Pro vitanda mortalitate vel tempore pestilentiae</i>, espec&iacute;fica para tempos de peste e mortalidade, semelhantes aos vividos pelos soteropolitanos nesse per&iacute;odo <a name="top48"></a><a href="#back48"><sup>48</sup></a>. Al&eacute;m disso, os sacerdotes deveriam refor&ccedil;ar as ora&ccedil;&otilde;es com um tr&iacute;duo de preces p&uacute;blicas, do qual constaria a recita&ccedil;&atilde;o do ter&ccedil;o, a ladainha a Nossa Senhora, o <i>Tantum ergo</i> <a name="top49"></a><a href="#back49"><sup>49</sup></a> e a ben&ccedil;&atilde;o do Sant&iacute;ssimo Sacramento, entoando-se ao final o c&acirc;ntico "Senhor Deus miseric&oacute;rdia" <a name="top50"></a><a href="#back50"><sup>50</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/dyn/v30/02f03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia n&atilde;o proibiu os ritos cat&oacute;licos realizadas com o objetivo de suplicar a miseric&oacute;rdia divina, ainda que contrariassem as medidas profil&aacute;ticas recomendadas pela medicina <a name="top51"></a><a href="#back51"><sup>51</sup></a>. Assim, as costumeiras romarias &agrave; Igreja do Senhor do Bonfim continuaram a ser realizadas nas sextas-feiras, atraindo um n&uacute;mero maior de devotos nesse per&iacute;odo. <a name="top52"></a><a href="#back52"><sup>52</sup></a> Desde 1745, ano em que a imagem chegou &agrave; Bahia pelas m&atilde;os do capit&atilde;o portugu&ecirc;s Theodozio Rodrigues, que os soteropolitanos recorrem ao Senhor do Bonfim para que Ele aplaque os horrores da fome, da seca e da peste <a name="top53"></a><a href="#back53"><sup>53</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O baiano possu&iacute;a uma religiosidade sincr&eacute;tica, de conte&uacute;do m&aacute;gico, impregnada de paganismo e sensualismo, materializados em manifesta&ccedil;&otilde;es externas da f&eacute;: venera&ccedil;&atilde;o quase fetichista das imagens; a teatralidade das missas, prociss&otilde;es e romarias, etc. A devo&ccedil;&atilde;o aos santos cat&oacute;licos era um elemento constitutivo dessa religiosidade. Por sua posi&ccedil;&atilde;o na esfera celeste, os santos eram considerados intercessores poderosos, atuando como elemento de liga&ccedil;&atilde;o entre Deus e o devoto. Vistos como aliados celestes do homem, os santos advogados eram invocados para mitigar as dores da alma, resolver problemas pr&aacute;ticos da vida, curar os males do corpo e do esp&iacute;rito e eram freq&uuml;entes as promessas para recuperar a sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em tempos de epidemia, quando todas as preces n&atilde;o pareciam ser suficientes e a gravidade do momento exigia um contato mais pr&oacute;ximo com o sagrado, as imagens dos intercessores celestes desciam dos altares e eram colocadas no corpo das igrejas, aproximando-se mais da adora&ccedil;&atilde;o e das s&uacute;plicas dos fi&eacute;is. Entre os devotos, a sensa&ccedil;&atilde;o de proximidade f&iacute;sica com os elementos do sagrado aumentava a garantia de prote&ccedil;&atilde;o divina contra as doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante a epidemia de gripe espanhola, a imagem do Senhor do Bonfim foi transladada do altar-mor para o centro do templo para ficar ao alcance dos devotos que se prostravam aos Seus p&eacute;s, suplicando Sua miraculosa interven&ccedil;&atilde;o <a name="top54"></a><a href="#back54"><sup>54</sup></a>. O extraordin&aacute;rio n&uacute;mero de pessoas que acorria ao templo para o "beija-p&eacute;" da imagem sagrada denotava que os fi&eacute;is estavam t&atilde;o seguros da prote&ccedil;&atilde;o divina, que n&atilde;o temiam o risco de contamina&ccedil;&atilde;o. Nesse per&iacute;odo, a imagem de S&atilde;o Roque, "advogado contra a peste" <a name="top55"></a><a href="#back55"><sup>55</sup></a>, tamb&eacute;m desceu para o corpo da nave da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, tornando-se alvo das s&uacute;plicas dos fi&eacute;is <a name="top56"></a><a href="#back56"><sup>56</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A identifica&ccedil;&atilde;o desses santos cat&oacute;licos com os orix&aacute;s do Candombl&eacute; pode ter contribu&iacute;do para refor&ccedil;ar o apelo a esses santos <a name="top57"></a><a href="#back57"><sup>57</sup></a>. Na Bahia, o Senhor do Bonfim &eacute; associado a Oxal&aacute;, considerado o pai de todos os orix&aacute;s e dos seres humanos, aquele regula o fim da vida <a name="top58"></a><a href="#back58"><sup>58</sup></a>. J&aacute; S&atilde;o Roque &eacute; associado &agrave; Obaluaiy&ecirc;, denominado tamb&eacute;m de Omolu, Omonulu, Xapan&atilde; e Sakpat&aacute; <a name="top59"></a><a href="#back59"><sup>59</sup></a>. Em tempos de epidemia, era comum encontrar nas encruzilhadas das ruas de Salvador oferendas para esse orix&aacute;, capaz de espalhar e de curar as febres, as doen&ccedil;as contagiosas e as epidemias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Impressionado com o grande n&uacute;mero de gripados que acorria &agrave;s farm&aacute;cias e aos m&eacute;dicos em busca de al&iacute;vio para os seus padecimentos, um rep&oacute;rter do jornal <i>O Imparcial</i> resolveu investigar o tipo de lenitivo ou prote&ccedil;&atilde;o que os "feiticeiros e charlat&atilde;es" estavam oferecendo ao povo <a name="top60"></a><a href="#back60"><sup>60</sup></a>. Para tanto, dirigiu-se a um Terreiro de Candombl&eacute; dirigido por um pai-de-santo conhecido como Pai Nic&aacute;cio, que o rep&oacute;rter descreveu como "um criolo mo&ccedil;o ainda, fisionomia reveladora de ignor&acirc;ncia e despreocupa&ccedil;&atilde;o" <a name="top61"></a><a href="#back61"><sup>61</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sem se identificar, portando-se como um crente que buscava ajuda, o jornalista pediu ao pai-de-santo que o livrasse da influenza. O pai-de-santo cuidou de explicar a origem e a causa da doen&ccedil;a. Em sua opini&atilde;o, os m&eacute;dicos n&atilde;o sabiam identificar nem a natureza nem as causas da epidemia em curso. Para ele, a epidemia era "castigo de Pai Grande" e todo aquele malef&iacute;cio advinha do final da guerra, piorando depois que um homem fora enterrado vivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/dyn/v30/02f04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s oferecer uma explica&ccedil;&atilde;o para a doen&ccedil;a, o pai-de-santo deu in&iacute;cio ao ritual de prote&ccedil;&atilde;o solicitado, colocando uma "torcida de algod&atilde;o" no pesco&ccedil;o do rep&oacute;rter, com a recomenda&ccedil;&atilde;o de que devia ser usada por sete dias e depois lan&ccedil;ada na mar&eacute; de vazante. Depois, Pai Nic&aacute;cio pronunciou as palavras sagradas do ritual e prescreveu um procedimento para "fechar o corpo" contra todos os malef&iacute;cios <a name="top62"></a><a href="#back62"><sup>62</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Conclu&iacute;do o ritual, o jornalista prosseguiu em sua investiga&ccedil;&atilde;o, dirigindo-se &agrave; casa de uma curandeira conhecida como Gertrudes. A indica&ccedil;&atilde;o partira de uma mo&ccedil;a que alegava ter sido curada da gripe por ela. Ao chegar ao local, o rep&oacute;rter alegou ter sido acometido pela doen&ccedil;a e a curandeira recomendou-lhe a mesma torcida de algod&atilde;o ao pesco&ccedil;o, indicada antes por Pai Nic&aacute;cio, entregando-lhe, em seguida, um feixe de ervas para fazer um <i>lambedor</i> <a name="top63"></a><a href="#back63"><sup>63</sup></a> e o gargarejo: capim-santo, folha-da-costa, musgo, folhas e flores de vinde-c&aacute;, semente de capim-santo, fumo bravo e costa-branca. O consulente deveria fazer um gargarejo na hora de dormir, com a infus&atilde;o do velame branco, fumo branco, capim-santo e vinde-c&aacute;. Segundo Gertrudes, esse rem&eacute;dio fazia milagres e havia "livrado muita gente da morte" <a name="top64"></a><a href="#back64"><sup>64</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O tratamento recomendado pela curandeira combinava elementos naturais e simb&oacute;licos. Acredita-se que os fios de algod&atilde;o, quando torcidos em determinados dias, adquirem poderes m&aacute;gicos, protegendo o portador <a name="top65"></a><a href="#back65"><sup>65</sup></a>. As ervas possu&iacute;am propriedades terap&ecirc;uticas que contribu&iacute;am para aliviar os sintomas da doen&ccedil;a: o vindec&aacute; <i>(Panicum trichanthum)</i> possui propriedades diur&eacute;ticas; o velame <i>(Macrosiphonia longiflora)</i> al&eacute;m de diur&eacute;tico &eacute;, tamb&eacute;m, depurativo, antiinflamat&oacute;rio e excitante; ao capim-santo <i>(Cymbopogon citratus)</i>, atribui-se propriedades antipir&eacute;ticas, analg&eacute;sicas, calmantes e expectorantes; o musgo <i>(Cetraria islandica)</i> tamb&eacute;m &eacute; expectorante, al&eacute;m de ser antiss&eacute;ptico, bactericida, antituss&iacute;geno; a costabranca <i>(Chaptalia integ&eacute;rrima)</i>, al&eacute;m de expectorante, alivia a cefalalgia; a folha-da-costa <i>(Kalanchoe pinnata)</i> possui capacidade antiss&eacute;ptica, antipir&eacute;tica e expectorante; e o fumo bravo <i>(Elephantopus scaber)</i>, al&eacute;m das propriedades antipir&eacute;ticas e expectorantes, funciona como t&ocirc;nico <a name="top66"></a><a href="#back66"><sup>66</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A terap&ecirc;utica adotada pela medicina acad&ecirc;mica n&atilde;o diferia muito da medicina tradicional. Os m&eacute;dicos se queixavam, na &eacute;poca, que o desconhecimento do agente etiol&oacute;gico restringia a terapia alop&aacute;tica ao al&iacute;vio dos sintomas <a name="top67"></a><a href="#back67"><sup>67</sup></a>. Al&eacute;m do repouso absoluto e dieta regulada, os m&eacute;dicos prescreviam rem&eacute;dios como a aspirina, o piramido, o salofeno, para aliviar a dor e a hipertermia; tonificantes &agrave; base de &aacute;lcool, cola, canela e quina, para restaurar as for&ccedil;as dos enfermos; estimulantes como estriquinina, adrenalina, cafe&iacute;na e &oacute;leo canforado, para regularizar as fun&ccedil;&otilde;es do cora&ccedil;&atilde;o e combater a astenia; purgativos, como o calomelanos, o salol, o benzanofitol, etc., para as complica&ccedil;&otilde;es gastrointestinais <a name="top68"></a><a href="#back68"><sup>68</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao realizar a reportagem publicada em <i>O Imparcial</i>, o jornalista pretendia desmistificar e desqualificar as pr&aacute;ticas de cura populares, principalmente, as de cunho m&aacute;gico-religioso. Considerava absurda a explica&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a oferecida pelo pai-de-santo e acreditava que o ritual do qual participara, bem como a terap&ecirc;utica prescrita pela curandeira, n&atilde;o passavam de "velhacarias" de indiv&iacute;duos que se utilizavam das cren&ccedil;as m&iacute;sticas de ing&ecirc;nuos e iletrados em benef&iacute;cio pr&oacute;prio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todavia, nesse universo, as enfermidades eram sempre provocadas por for&ccedil;as sobrenaturais que atuavam sobre o esp&iacute;rito/corpo do indiv&iacute;duo: feiti&ccedil;os; a ira dos orix&aacute;s por descumprimento de preceitos religiosos, da parte do crente; ou a interfer&ecirc;ncia dos mortos na vida dos vivos. Sendo assim, o processo de estabelecimento da causalidade e da cura passava pela realiza&ccedil;&atilde;o de rituais m&aacute;gico-religiosos, onde n&atilde;o havia distin&ccedil;&atilde;o no emprego de subst&acirc;ncias naturais e simb&oacute;licas. Atrav&eacute;s da pr&aacute;tica do sacrif&iacute;cio ritual e das oferendas aos deuses e aos antepassados, o crente restitu&iacute;a a energia recebida do mundo sobrenatural. A const&acirc;ncia de tais pr&aacute;ticas garantia a perman&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo na vida terrena, assim como a circula&ccedil;&atilde;o e o equil&iacute;brio da energia vital entre o plano terreno e o espiritual, afastando os males que resultam da interrup&ccedil;&atilde;o desse circuito: seca, fome, pobreza, doen&ccedil;a e morte <a name="top69"></a><a href="#back69"><sup>69</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As respostas a um evento epid&ecirc;mico s&atilde;o ecl&eacute;ticas e representam importante papel em meio &agrave; crise, visto que se constituem em ato concreto de autodefesa. Tais mecanismos de defesa cont&ecirc;m elementos cognitivos e emocionais, e podem ser informados tanto por concep&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, quanto religiosas. A an&aacute;lise desses ritos permite a percep&ccedil;&atilde;o dos valores sociais da &eacute;poca e, da mesma forma, os conflitos que os separam evidenciam as cren&ccedil;as e as estruturas de autoridade dentro de uma sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante o evento epid&ecirc;mico, a atua&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos esteve condicionada n&atilde;o s&oacute; &agrave; percep&ccedil;&atilde;o de que o tempo dispon&iacute;vel para investigar a epidemia era escasso, mas tamb&eacute;m ao contexto profissional, sociocultural e pol&iacute;tico em que estes se achavam inseridos. A comiss&atilde;o estava ciente do destaque que a imprensa dava ao evento, especialmente os jornais que faziam oposi&ccedil;&atilde;o ao governo. Em meio &agrave;s disputas pol&iacute;ticas e &agrave;s disson&acirc;ncias dominantes no meio acad&ecirc;mico e cient&iacute;fico internacional, os profissionais que integravam a comiss&atilde;o precisavam demonstrar seguran&ccedil;a, compet&ecirc;ncia e agilidade diante da popula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; estabelecendo o diagn&oacute;stico, como recomendando uma profilaxia e uma terap&ecirc;utica acertada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cientes da extrema difusibilidade e contagiosidade da doen&ccedil;a, os m&eacute;dicos consideraram a gripe como um problema sanit&aacute;rio, defendendo a ado&ccedil;&atilde;o de medidas de sa&uacute;de p&uacute;blica para conter o mal que se disseminava com inesperada virul&ecirc;ncia na Bahia, contribuindo para o agravamento das suas mazelas. O corpo das a&ccedil;&otilde;es efetivadas pela Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia remontava &agrave;s grandes epidemias do passado: levantamento regular do n&uacute;mero de infectados e de v&iacute;timas da doen&ccedil;a; interdi&ccedil;&atilde;o ou limita&ccedil;&atilde;o de acesso a lugares onde havia aglomera&ccedil;&atilde;o e contato pr&oacute;ximo entre as pessoas; vigil&acirc;ncia dos que chegavam &agrave; cidade e dos que tiveram contato com infectados; isolamento dos casos suspeitos; expurgo da casa e desinfec&ccedil;&atilde;o dos objetos do enfermo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tais medidas foram adotadas em diversos lugares do mundo, ainda que as autoridades p&uacute;blicas e sanit&aacute;rias reconhecessem as suas limita&ccedil;&otilde;es. Na Bahia, as a&ccedil;&otilde;es implantadas n&atilde;o conseguiram evitar a r&aacute;pida propaga&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, embora a epidemia n&atilde;o tenha assumido as propor&ccedil;&otilde;es de calamidade p&uacute;blica semelhantes ao que ocorreu em outras capitais brasileiras, como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. Contudo, a doen&ccedil;a interferiu no cotidiano da cidade, visto que em pouco mais que tr&ecirc;s meses atingiu mais de 40% da popula&ccedil;&atilde;o da capital, n&atilde;o respeitando sexo, idade, cor ou condi&ccedil;&atilde;o social.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A tens&atilde;o ri&ecirc;ncias de morte provocou a exacerba&ccedil;&atilde;o da religiosidade. A popula&ccedil;&atilde;o buscou al&iacute;vio para suas penas aproximando-se do mundo espiritual atrav&eacute;s de rituais individuais e coletivos. Esses ritos refor&ccedil;avam o sentimento de a&ccedil;&atilde;o efetiva, mesmo quando representavam uma pr&aacute;tica contradit&oacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas profil&aacute;ticas recomendadas em tempos de epidemias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na Bahia, os arautos da nova ordem republicana consideravam as manifesta&ccedil;&otilde;es exteriores da f&eacute; como um fator de "atraso". Todavia, toleravam as pr&aacute;ticas religiosas relacionadas &agrave; f&eacute; cat&oacute;lica, por ser esta identificada com a cultura europ&eacute;ia, tida como superior. Por outro lado, buscavam coibir ou desqualificar as pr&aacute;ticas religiosas fundadas em rituais m&aacute;gicos ou na incorpora&ccedil;&atilde;o de entidades, especialmente as de matriz africana, visto que n&atilde;o condiziam com a cientificidade pr&oacute;pria da sociedade civilizada, moderna e progressista que almejavam implantar na Bahia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vistos como charlat&atilde;es e feiticeiros, os curadores ligados a essas express&otilde;es religiosas eram acusados de exercer ilegalmente a medicina por pretenderem realizar curas milagrosas, locupletando-se com a explora&ccedil;&atilde;o da credulidade alheia. Entretanto, nem a campanha desfavor&aacute;vel posta em pr&aacute;tica pela imprensa, nem a proibi&ccedil;&atilde;o imposta pelas autoridades p&uacute;blicas impediram que tais espa&ccedil;os continuassem a resistir &agrave; persegui&ccedil;&atilde;o e atra&iacute;ssem pessoas de diversas camadas da sociedade. Gra&ccedil;as &agrave; circularidade cultural, as pr&aacute;ticas da tradi&ccedil;&atilde;o popular alcan&ccedil;avam as elites e a classe m&eacute;dia, que tamb&eacute;m buscavam o aux&iacute;lio das for&ccedil;as sobrenaturais e recorriam a rituais religiosos e pr&aacute;ticas de cura sincr&eacute;ticas, principalmente, &eacute;pocas de extrema dificuldade como as de epidemia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na Bahia, a recorr&ecirc;ncia a tais pr&aacute;ticas n&atilde;o representava um fen&ocirc;meno constru&iacute;do para preencher os espa&ccedil;os deixados pela medicina acad&ecirc;mica ou mesmo em oposi&ccedil;&atilde;o a esta. Conforme vimos, no per&iacute;odo de erup&ccedil;&atilde;o da gripe espanhola, os m&eacute;dicos j&aacute; desfrutavam de prest&iacute;gio naquela sociedade e era grande o n&uacute;mero de pessoas que recorria aos servi&ccedil;os m&eacute;dicos, inclusive os despossu&iacute;dos. A popula&ccedil;&atilde;o buscava amparo na f&eacute;, recorria ao curandeirismo ou &agrave; medicina dom&eacute;stica n&atilde;o pela falta de m&eacute;dicos ou porque n&atilde;o acreditassem na medicina, mas porque essas pr&aacute;ticas representavam um conjunto de saberes criados pela experi&ecirc;ncia e preservados pela tradi&ccedil;&atilde;o, muito anterior aos conhecimentos da medicina acad&ecirc;mica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Bibliograf&iacute;a</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>. Denomina&ccedil;&atilde;o pela qual ficou conhecida a doen&ccedil;a, talvez porque a Espanha tenha sido o primeiro pa&iacute;s a admitir a exist&ecirc;ncia da epidemia. Contudo, sua origem &eacute; controvertida; os primeiros registros apareceram nos Estados Unidos. Veja: Beveridge, W. I. B. Influenza: The last great plague: An unfinished story of discovery. New York: Prodist; 1977;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725353&pid=S0211-9536201000010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Crosby, Alfred W. America's forgotten pandemic: The influenza of 1918. New York: Cambridge University Press; 2003;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725354&pid=S0211-9536201000010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Porras Gallo, Maria Isabel. Un reto para la sociedad madrilena: La epidemia de gripe de 1918-19. Madrid: Editorial Complutense; 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725355&pid=S0211-9536201000010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back2"></a><a href="#top2">2</a>. Salvador, capital da Bahia, Brasil, foi constru&iacute;da em 1549 para ser a sede pol&iacute;tica e administrativa da col&ocirc;nia portuguesa nas Am&eacute;ricas. A cidade abriga uma das mais antigas faculdades de medicina do pa&iacute;s (a outra &eacute; a do Rio de Janeiro), fundada em 1808, como Escola de Cirurgia, por solicita&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Corr&ecirc;a Pican&ccedil;o, professor jubilado da Universidade de Coimbra e cirurgi&atilde;o da Real C&acirc;mara. Veja: Escola de Cirurgia da Bahia. Dicion&aacute;rio Hist&oacute;rico-Biogr&aacute;fico das Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de no Brasil (1832-1930), Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. &#91;citado 10 Mar 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br" target="_blank">http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725357&pid=S0211-9536201000010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back3"></a><a href="#top3">3</a>. Veja: Pinheiro, Elo&iacute;sa Petti. Europa, Fran&ccedil;a e Bahia: difus&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o de modelos urbanos (Paris, Rio e Salvador). Salvador: EDUFBA; 2002;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725358&pid=S0211-9536201000010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Benchimol, Jaime Larry. Pereira Passos: Um Haussmann tropical: A renova&ccedil;&atilde;o urbana do Rio de Janeiro no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes-Departamento Geral de Documenta&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o Cultural; 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725359&pid=S0211-9536201000010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a>. Jos&eacute; Joaquim Seabra (1855-1942) assumiu o papel de lideran&ccedil;a pol&iacute;tica da Bahia por doze anos - de 1912 a 1924, per&iacute;odo em que lutou para submeter as oligarquias tradicionais ao poder central. Em 1910, fundou o Partido Republicano Democrata na Bahia, partido afinado com os anseios de modernidade e cidadania das camadas m&eacute;dias urbanas. Elegeu-se governador da Bahia para o quatri&ecirc;nio de 1912 a 1916; foi Deputado Federal pela Bahia no per&iacute;odo de 1916 a 1920; e entre 1920 e 1924, voltou ao cargo de governador do estado. Pol&iacute;tico influente, tamb&eacute;m na esfera federal, foi Ministro da Justi&ccedil;a e Neg&oacute;cios Interiores, no governo de Rodrigues Alves (1902-1906) e Ministro da Via&ccedil;&atilde;o e Obras P&uacute;blicas, no governo Hermes da Fonseca (1910-1914). Para saber mais sobre a pol&iacute;tica na Bahia nesse per&iacute;odo, veja: Pang, Eul-Soo. Coronelismo e oligarquias (1889-1934): a Bahia na Rep&uacute;blica Brasileira. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira; 1979;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725361&pid=S0211-9536201000010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Sampaio, Consuelo Novais. Os partidos pol&iacute;ticos da Bahia na Primeira Rep&uacute;blica - uma pol&iacute;tica de acomoda&ccedil;&atilde;o. Salvador: EDUFBA; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725362&pid=S0211-9536201000010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a>. Importante ponto de escala e entreposto comercial, Salvador atra&iacute;a para o seu porto pessoas e mercadorias de origens diversas, recebendo, durante muitos s&eacute;culos, grande parte dos africanos escravizados que vieram para o Brasil. O conv&iacute;vio ass&iacute;duo de povos distintos -ind&iacute;genas (nativos), europeus e africanos- contribuiu para a forma&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mesti&ccedil;a, apesar das desigualdades entre os grupos que a constitu&iacute;am.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back6"></a><a href="#top6">6</a>. A influenza hespanhola espalha-se em nossos navios. Imparcial. 24 Set. 1918: 1;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725365&pid=S0211-9536201000010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Uma nova epidemia est&aacute; assolando a capital. Influenza? Gripe Espanhola? A Tarde. 25 Set. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725366&pid=S0211-9536201000010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back7"></a><a href="#top7">7</a>. Dos influenzados do "Demera", dois vieram a fallecer j&aacute; nesta capital. Diario de Not&iacute;cias. 2 Out. 1918:1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725368&pid=S0211-9536201000010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back8"></a><a href="#top8">8</a>. Natural ou habitante da cidade de Salvador, Bahia, Brasil.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back9"></a><a href="#top9">9</a>. Quatro fac&ccedil;&otilde;es faziam oposi&ccedil;&atilde;o ao grupo liderado por Seabra: os partid&aacute;rios do ex-governador Jos&eacute; Marcelino e os partid&aacute;rios do ex-governador Severino Vieira, ambos origin&aacute;rios das alas tradicionais do Partido Republicano da Bahia; os pol&iacute;ticos liderados pelo ex-governador Luiz Vianna, procedentes do antigo Partido Conservador da Bahia; al&eacute;m dos seguidores de Rui Barbosa, dissidentes do Partido Republicano Democrata.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back10"></a><a href="#top10">10</a>. Para saber mais sobre o assunto veja: Souza, Christiane Maria Cruz de. A gripe espanhola na Bahia: sa&uacute;de, pol&iacute;tica e medicina em tempos de epidemia. Salvador-Rio de Janeiro: EDUF-BA/FIOCRUZ; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725372&pid=S0211-9536201000010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back11"></a><a href="#top11">11</a>. Portugal tamb&eacute;m esteve envolvido neste processo.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back12"></a><a href="#top12">12</a>. Pang, n. 4, p. 129.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back13"></a><a href="#top13">13</a>. A grippe impressiona pelo extraordin&aacute;rio n&uacute;mero de casos. O Imparcial. 30 Set. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725376&pid=S0211-9536201000010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back14"></a><a href="#top14">14</a>. Grippe. Diario da Bahia, 3 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725378&pid=S0211-9536201000010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back15"></a><a href="#top15">15</a>. Inspetor sanit&aacute;rio do 15<sup>o</sup> distrito, Frederico Koch ocupou a cadeira de farmacologia e arte de formular no per&iacute;odo de 1917 a 1919; Aristides Novis lecionava na mesma institui&ccedil;&atilde;o; em 1919 assumiu a cadeira de fisiologia, atuando tamb&eacute;m como inspetor sanit&aacute;rio do 7<sup>o</sup> distrito. Dyonisio Pereira tinha sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o o 4<sup>o</sup> distrito.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back16"></a><a href="#top16">16</a>. Toda cautela era justificada nesse per&iacute;odo. Adriana Goulart se refere ao processo de ascens&atilde;o e queda de atores sociais e pol&iacute;ticos, decorrente, segundo a autora, da devasta&ccedil;&atilde;o provocada pela epidemia no Rio de Janeiro e do insucesso das pesquisas no sentido de determinar o agente etiol&oacute;gico da gripe. Renata Brauner Ferreira destaca que a emerg&ecirc;ncia da epidemia na cidade Pelotas colocou em cheque a posi&ccedil;&atilde;o de prest&iacute;gio ocupada por essa cidade no cen&aacute;rio estadual, evidenciando as tens&otilde;es pol&iacute;ticas que agitavam o Estado do Rio Grande do Sul, nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. Veja: Ferreira, Renata Brauner. Epidemia e drama: a Gripe Espanhola em Pelotas - 1918. Rio Grande: Funda&ccedil;&atilde;o Universidade Federal do Rio Grande; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725381&pid=S0211-9536201000010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Goulart, Adriana da Costa. Revisitando a espanhola: A gripe pand&ecirc;mica de 1918 no Rio de Janeiro. Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de - Manguinhos &#91;artigo em intenelt&#93; 2005 &#91;citado 20 Mar 2010&#93;; 12 (1): 71-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725382&pid=S0211-9536201000010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back17"></a><a href="#top17">17</a>. Discutimos largamente esse assunto em artigo anterior a esse. Veja: Souza, Christiane M. Cruz de. The Spanish flu epidemic: a challenge to Bahian medicine. Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Saude-Manguinhos. 2008; 15 (4): 945-972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725384&pid=S0211-9536201000010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Anny Silveira tamb&eacute;m estuda o que ela denomina de "o refinamento do discurso sobre a doen&ccedil;a". Veja: Silveira, Anny J. Torres. A influenza espanhola e a cidade planejada: Belo Horizonte, 1918. Belo Horizonte: Argvmentvm-FAPEMIG-CAPES; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725385&pid=S0211-9536201000010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Outros autores tamb&eacute;m enfocam esse processo. Podemos citar como exemplo: Bertucci, Liane Maria. Influenza, a medicina enferma: Ci&ecirc;ncia e pr&aacute;ticas de cura na &eacute;poca da gripe espanhola em S&atilde;o Paulo. Campinas: Ed. da UNICAMP; 2004;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725386&pid=S0211-9536201000010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Phillips, Howard; Killingray, David, ed. The Spanish influenza pandemic of 1918-19: New perspectives. London-New York: Routledge; 2003;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725387&pid=S0211-9536201000010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Porras, n. 1; Tognotti, Eugenia. Scientific triumphalism and learning from facts: Bacteriology and the "Spanish Flu" challenge of 1918. Social History of Medicine. 2003; 16 (1): 97-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725388&pid=S0211-9536201000010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back18"></a><a href="#top18">18</a>. A Influenza espanhola &eacute; "febre dos tres dias" (mal dos papatases). Diario da Bahia. 26 Set. 1918: 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725390&pid=S0211-9536201000010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back19"></a><a href="#top19">19</a>. A influenza. Diario da Bahia. 23 Out. 1918: 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725392&pid=S0211-9536201000010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back20"></a><a href="#top20">20</a>. Grippe, n. 14, p. 1; O que diz o dr. Carlos Seidl sobre a epidemia. Diario de Not&iacute;cias. 1 Nov. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725394&pid=S0211-9536201000010000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back21"></a><a href="#top21">21</a>. O regresso do presidente da Republica. A epidemia em Portugal. Diario de Not&iacute;cias. 27 Set. 1918: 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725396&pid=S0211-9536201000010000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back22"></a><a href="#top22">22</a>. Grippe, n. 14, p. 1.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back23"></a><a href="#top23">23</a>. Netter, Arnold. L'&eacute;pidemie d'influenza de 1918. Revue D'Hygi&egrave;ne et de Police Sanitaire/Bulletins de la Soc. M&eacute;d. des H&ocirc;p. de Paris. 1918, 17: 550.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725399&pid=S0211-9536201000010000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back24"></a><a href="#top24">24</a>. Netter havia conseguido isolar o bacilo nos produtos da expectora&ccedil;&atilde;o, no conte&uacute;do dos br&ocirc;nquios, em aut&oacute;psias; no suco pulmonar retirado ainda durante a vida do paciente; em hemoculturas; e no l&iacute;quido purulento extravasado pela pleura. O m&eacute;dico afirmava que a aus&ecirc;ncia do bacilo de Pfeiffer estaria relacionada a aut&oacute;psias feitas na seq&uuml;&ecirc;ncia de mortes devidas a infec&ccedil;&otilde;es secund&aacute;rias. Veja: Netter, n. 23, p. 548.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back25"></a><a href="#top25">25</a>. Veja: A nota scient&iacute;fica. O professor Ciauri descobre o micr&oacute;bio da "influenza hespanhola"? As contradi&ccedil;&otilde;es dessa descoberta. O Imparcial. 22 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725402&pid=S0211-9536201000010000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back26"></a><a href="#top26">26</a>. A gripe hespanhola o que ella &eacute; - como agir. Diario de Not&iacute;cias. 5 Out. 1918: 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725404&pid=S0211-9536201000010000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back27"></a><a href="#top27">27</a>. Relativo aos culic&iacute;dios; insetos conhecidos, vulgarmente, como mosquitos, alguns dos quais atuam como vetores de diversas doen&ccedil;as.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back28"></a><a href="#top28">28</a>. Veja: Arag&atilde;o, Henrique de B. A proposito da grippe. Brazil-Medico. 1918; 45: 355;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725407&pid=S0211-9536201000010000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Fontenelle, J. P. A epidemia de influenza maligna. Saude. Bimens&aacute;rio de hygiene e de assuntos economicos e sociaes. Org&atilde;o da Liga Pro-Saneamento do Brazil. 1919, 2: 48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725408&pid=S0211-9536201000010000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back29"></a><a href="#top29">29</a>. Veja: Arag&atilde;o, n. 28, p. 353-356; Cunha, Aristides et al. Estudos experimentais sobre a influenza pand&ecirc;mica. Brazil-Medico. 1918; 32 (48): 377-378;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725410&pid=S0211-9536201000010000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Fonseca Filho, Olympio da. A Escola de Manguinhos: contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo do desenvolvimento da medicina experimental no Brasil. Tomo II: Oswaldo Cruz monumenta hist&oacute;rica. S&atilde;o Paulo: &#91;s.n.&#93;, 1974, p. 59-60;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725411&pid=S0211-9536201000010000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Fontenelle, n. 28, p. 46-63; Moses, Arthur. Exposi&ccedil;&atilde;o dos resultados de estudos sobre a etiologia da gripe. Boletim da Academia de Medicina. Sess&atilde;o de 21 de Novembro de 1918. 1918; p. 681-687.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725412&pid=S0211-9536201000010000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back30"></a><a href="#top30">30</a>. Apesar do esfor&ccedil;o empreendido por bacteriologistas de v&aacute;rios centros de pesquisa do mundo, o seu objetivo -determinar o agente etiol&oacute;gico e desenvolver uma vacina- n&atilde;o foi alcan&ccedil;ado. Veja: Fontenelle, n. 28, p. 46-63; Fonseca Filho, n. 29; Tognotti, n. 17.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back31"></a><a href="#top31">31</a>. Koch, Frederico; Pereira, Dion&iacute;sio; Novis, Aristides. A epidemia de gripe. Parecer da comiss&atilde;o nomeada pelo Diretor da sa&uacute;de Publica da Bahia. Gazeta Medica da Bahia. 1918; 50: 151-153.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725415&pid=S0211-9536201000010000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Veja tamb&eacute;m: Netter, n. 23; Moses, n. 29.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back32"></a><a href="#top32">32</a>. Segundo Porras Gallo, os crit&eacute;rios cl&iacute;nicos e epidemiol&oacute;gicos presidiam o diagn&oacute;stico da gripe desde o s&eacute;culo XVIII, quando adquiriu exist&ecirc;ncia como esp&eacute;cie morbosa. A autora destaca as bases do diagn&oacute;stico citadas por Codina durante a erup&ccedil;&atilde;o da pandemia de 1918-19 em Madri: "etiologia general, forma de comenzar el proceso, difusibilidad de la enfermedad, caracteres cl&iacute;nicos, localizaci&oacute;n, curso seguido y terminaci&oacute;n que ha tenido". Veja: Porras Gallo, Maria Isabel. Una ciudad en crisis: La epidemia de gripe de 1918-1919 en Madrid. Madrid: Universidad Complutense; 1994, p. 297-332.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725417&pid=S0211-9536201000010000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back33"></a><a href="#top33">33</a>. Koch; Pereira; Novis, n. 31, p. 152.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back34"></a><a href="#top34">34</a>. Koch; Pereira; Novis, n. 31, p. 153.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back35"></a><a href="#top35">35</a>. No Brasil, as classes pobres passaram a ser consideradas como classes perigosas pelas elites a partir do final dos Oitocentos. Os pobres eram vistos como fontes de problemas, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da ordem p&uacute;blica, como tamb&eacute;m porque ofereciam perigo de cont&aacute;gio. Veja: Chalhoub, Sidney. Cidade febril: Corti&ccedil;os e epidemias na corte imperial. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras; 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725421&pid=S0211-9536201000010000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back36"></a><a href="#top36">36</a>. A epidemia reinante. Diario da Bahia. 29 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725423&pid=S0211-9536201000010000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back37"></a><a href="#top37">37</a>. A grippe nesta capital. Continua a devasta&ccedil;&atilde;o! Diario de Not&iacute;cias. 16 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725425&pid=S0211-9536201000010000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Desinfec&ccedil;&atilde;o do coura&ccedil;ado Deodoro. Diario de Not&iacute;cias. 8 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725426&pid=S0211-9536201000010000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> A grippe na Bahia. As providencias do governo. O Democrata. 24 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725427&pid=S0211-9536201000010000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back38"></a><a href="#top38">38</a>. Ainda a "influenza". Diario de Not&iacute;cias. 25 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725429&pid=S0211-9536201000010000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back39"></a><a href="#top39">39</a>. Directoria Geral da Saude Publica da Bahia. O Democrata. 25 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725431&pid=S0211-9536201000010000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back40"></a><a href="#top40">40</a>. Directoria Geral da Saude Publica da Bahia. O Democrata. 26 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725433&pid=S0211-9536201000010000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back41"></a><a href="#top41">41</a>. Ferreira, Am&eacute;rico D. Relat&oacute;rio apresentado pelo Dr. Am&eacute;rico D. Ferreira sobre o servi&ccedil;o sanit&aacute;rio da Inspetoria do 17<sup>o</sup> distrito durante o anno de 1920. Localizado em: Arquivo do Estado da Bahia; Se&ccedil;&atilde;o Republicana; Diretoria Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica da Bahia; caixa 3696; ma&ccedil;o 1028, 1921.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back42"></a><a href="#top42">42</a>. A automedica&ccedil;&atilde;o era muito comum em casos de gripe. Veja: Loeb, Lori. Beating the Flu: Orthodox and commercial esponses to influenza in Britain, 1889-1919. Social History of Medicine. 2005; 2 (18): 203-224.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725436&pid=S0211-9536201000010000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back43"></a><a href="#top43">43</a>. Cresce a mortandade! Cifras eloq&uuml;entes sobre o estado sanit&aacute;rio da cidade. E, na classe m&eacute;dia as cifras s&atilde;o alarmantes! O Imparcial. 11 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725438&pid=S0211-9536201000010000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back44"></a><a href="#top44">44</a>. Directoria Geral da Saude Publica da Bahia. Servi&ccedil;o de Estatistica Demographo-sanitario. Mortalidade da grippe na Cidade do Salvador em Setembro e Outubro de 1918. O Democrata. 10 Nov. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725440&pid=S0211-9536201000010000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back45"></a><a href="#top45">45</a>. A grippe prossegue na sua derrocada. Mais casos fataes. Entraram, hotem, nesse porto, 9 vapores, 7 conduzindo pestosos. O Imparcial. 16 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725442&pid=S0211-9536201000010000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back46"></a><a href="#top46">46</a>. A influenza nos candombl&eacute;s. A exquisita terap&eacute;utica dos feiticeiros e charlat&atilde;es. "O Imparcial" desvendando mysterios. O Imparcial. 25 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725444&pid=S0211-9536201000010000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back47"></a><a href="#top47">47</a>. Delumeau (1989), ao estudar as sociedades atingidas por epidemias percebeu que essas geraram uma est&eacute;tica pr&oacute;pria e uma sensibilidade especial -"o medo das pestes"-, resultantes da "ruptura inhumana" da sociabilidade, e da subvers&atilde;o dos ritos que envolvem a morte. No Brasil, alguns autores enfocam o assunto. Veja: Abr&atilde;o, Janete Silveira. Banaliza&ccedil;&atilde;o da morte na cidade calada: a hespanhola em Porto Alegre, 1918. Porto Alegre: EDIPCRS; 1998;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725446&pid=S0211-9536201000010000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Brito, Nara Azevedo de. La dansarina: a gripe espanhola e o cotidiano na cidade do Rio de Janeiro. Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de - Manguinhos. Rio de Janeiro, 1997; 4 (1): 11-30;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725447&pid=S0211-9536201000010000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Teixeira, Luiz Ant&ocirc;nio. Medo e morte: sobre a epidemia de gripe espanhola de 1918. Rio de Janeiro: UERJ/IMS; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725448&pid=S0211-9536201000010000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back48"></a><a href="#top48">48</a>. "Livrai-nos da morte e de mais pestil&ecirc;ncia" seria uma tradu&ccedil;&atilde;o livre e aproximada da frase que d&aacute; t&iacute;tulo &agrave; ora&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s dessa ora&ccedil;&atilde;o implorava-se a Deus o final da epidemia. Liane Bertucci informa que esta ora&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi recomendada pelo arcebispo metropolitano de S&atilde;o Paulo. Veja: Nova ora&ccedil;&atilde;o imperada. Revista Ecclesiastica da Archidiocese da Bahia. 1918; 10: 270;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725450&pid=S0211-9536201000010000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Bertucci, n. 17, p. 244.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back49"></a><a href="#top49">49</a>. C&acirc;ntico que precede a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do Sant&iacute;ssimo Sacramento, no rito cat&oacute;lico.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back50"></a><a href="#top50">50</a>. A "grippe" na Bahia. Mais providencias. Notas diversas. A epidemia no porto. Outras minucias. Diario de Noticias. 29 Out. 1918: 1</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725453&pid=S0211-9536201000010000200053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2"> <a name="back51"></a><a href="#top51">51</a>. As manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute;, intensificadas no per&iacute;odo da epidemia de gripe espanhola, n&atilde;o foram exclusividade dos baianos. Veja: Abr&atilde;o, n. 47, p. 115; Bertucci, nota 17, p. 244-245.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back52"></a><a href="#top52">52</a>. Veja: Senhor do Bonfim n&atilde;o vae descer. Do alto Elle velar&aacute; por n&oacute;s. Jornal de Noticias. 6 Out. 1918: 3;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725455&pid=S0211-9536201000010000200054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> A "grippe" na Bahia, n. 50: 1.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back53"></a><a href="#top53">53</a>. Veja: Verger, Pierre. Os Orix&aacute;s. Salvador: Editora Corrupio; 2002;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725457&pid=S0211-9536201000010000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Cascudo, Lu&iacute;s da C&acirc;mara. Dicion&aacute;rio do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Tecnoprint S.A.; 1972, p. 178-179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725458&pid=S0211-9536201000010000200056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back54"></a><a href="#top54">54</a>. A f&eacute; n&atilde;o morre. O Senhor do Bonfim j&aacute; desceu. Jornal de Noticias. 29 Out. 1918: 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725460&pid=S0211-9536201000010000200057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back55"></a><a href="#top55">55</a>. Santo muito popular na Bahia, S&atilde;o Roque &eacute; representado por um homem jovem com as pernas recobertas por chagas, tendo a seus p&eacute;s um cachorro que lhe lambe as feridas. Conta-se que o santo viveu na Europa no per&iacute;odo em que ali grassara a Peste Negra e ao cuidar dos atingidos pela epidemia, foi contaminado, sendo salvo por um c&atilde;o, que lhe lambeu as feridas e ofereceu-lhe alimento. Veja: Cascudo, n. 53, p. 791.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back56"></a><a href="#top56">56</a>. Verdadeira affronta. E o povo cruza os bra&ccedil;os? Diario de Noticias. 4 Nov. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725463&pid=S0211-9536201000010000200058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back57"></a><a href="#top57">57</a>. Durante a coloniza&ccedil;&atilde;o, quando as manifesta&ccedil;&otilde;es religiosas dos escravos eram proibidas, eles camuflavam sua cren&ccedil;a cultuando santos cat&oacute;licos cujas imagens e hagiografias continham elementos de correspond&ecirc;ncia com os orix&aacute;s (cores das vestes, marcas no corpo, atributos, etc.).</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="back58"></a><a href="#top58">58</a>. Cascudo, n. 53, p. 178-179.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back59"></a><a href="#top59">59</a>. Al&eacute;m de S&atilde;o Roque, os cat&oacute;licos apelavam tamb&eacute;m para S&atilde;o L&aacute;zaro, S&atilde;o Bento e S&atilde;o Sebasti&atilde;o, para que os protegessem contra a peste e a morte s&uacute;bita por doen&ccedil;as graves e contagiosas. No paralelismo religioso, S&atilde;o Roque e S&atilde;o Sebasti&atilde;o s&atilde;o associados &agrave; Obaluaiy&ecirc;, mo&ccedil;o e forte, e S&atilde;o L&aacute;zaro e S&atilde;o Bento a Omolu, pai velho, retorcido de dores. Ambos s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es de um mesmo orix&aacute;. Veja: Carneiro, Edison. Candombl&eacute;s da Bahia. S&atilde;o Paulo: Editora WMF Martins Fontes; 2008, n. 66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725467&pid=S0211-9536201000010000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back60"></a><a href="#top60">60</a>. A influenza nos candombl&eacute;s. A exquisita terap&eacute;utica dos feiticeiros e charlat&atilde;es. "O Imparcial" desvendando mysterios. O Imparcial. 25 Out. 1918: 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725469&pid=S0211-9536201000010000200060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back61"></a><a href="#top61">61</a>. A descri&ccedil;&atilde;o dos tra&ccedil;os fision&ocirc;micos do pai-de-santo revela a ades&atilde;o do jornalista a uma ideologia cientificista vigente, que considerava os negros biologicamente inferiores, baseada nos estudos m&eacute;dico-legais, etnogr&aacute;ficos e psicossociais desenvolvidos por Nina Rodrigues. Para saber mais, consulte: Corr&ecirc;a, Mariza. As Ilus&otilde;es da Liberdade: A Escola de Nina Rodrigues e a Antropologia no Brasil. 2<sup>a</sup>. ed. S&atilde;o Paulo: EUSF; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725471&pid=S0211-9536201000010000200061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back62"></a><a href="#top62">62</a>. No sistema jeje-nag&ocirc;, a palavra, est&aacute; impregnada da hist&oacute;ria pessoal e do poder de quem a profere e &eacute; capaz de transmitir ax&eacute;, o poder, a for&ccedil;a e a energia vital. Sobre essa quest&atilde;o, consultar: Ris&eacute;rio, Ant&ocirc;nio. Uma hist&oacute;ria da cidade da Bahia. Rio de Janeiro: Versal; 2004, p. 284.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725473&pid=S0211-9536201000010000200062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back63"></a><a href="#top63">63</a>. Mistura mais consistente que o xarope, quase em ponto de pasta, resultante do cozimento de ervas com rapadura (pequeno bloco feito a partir do caldo da cana-de-a&ccedil;&uacute;car cozido, moldado em formas de madeira retangulares).</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="back64"></a><a href="#top64">64</a>. A influenza, n. 60, p. 1.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back65"></a><a href="#top65">65</a>. Veja: Magalh&atilde;es, Josa. Amuletos das crian&ccedil;as prolet&aacute;rias de Fortaleza. Revista do Instituto do Cear&aacute; &#91;artigo em Internet&#93;. 1972 &#91;citado Jul 2009&#93;; p. 33-40. Disponible en: <a target="_blank" href="http://www.institutodoceara.org.br/Rev-apresentacao/RevPorAno/1972/1972-AmuletosCriancasProleta-riasFortaleza.pdf">http://www.institutodoceara.org.br/Rev-apresentacao/RevPorAno/1972/1972-AmuletosCriancasProletariasFortaleza.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725477&pid=S0211-9536201000010000200063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back66"></a><a href="#top66">66</a>. Veja: Liber Herbarum Minor (Portugu&ecirc;s (Brasil)) &#91;publica&ccedil;&atilde;o em Internet&#93;. &#91;revisado 10 Mart 2009; citado Jul 2009&#93;. Disponible en: <a href="http://www.liberherbarum.com/Minor/BZ/PnIndex22_070.htm"target="_blank">http://www.liberherbarum.com/Minor/BZ/PnIndex22_070.htm</a>;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725478&pid=S0211-9536201000010000200064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Houaiss, Ant&ocirc;nio. Dicion&aacute;rio eletr&ocirc;nico Houaiss da l&iacute;ngua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Vers&atilde;o 1.0</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725479&pid=S0211-9536201000010000200065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back67"></a><a href="#top67">67</a>. Veja: Pires, Accacio. A gripe e a therapeutica. Sa&uacute;de: org&atilde;o da Liga Pro-Saneamento do Brazil: Mens&aacute;rio de hygiene e de assumptos soceaes e econ&ocirc;micos. 1919; 2: 2-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725480&pid=S0211-9536201000010000200066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back68"></a><a href="#top68">68</a>. Veja: Accacio, n. 66, p. 2-6. Para saber mais consulte: Abr&atilde;o, n. 47, p. 73-94; Bertolli Filho, Cl&aacute;udio. A gripe espanhola em S&atilde;o Paulo, 1918: Epidemia e sociedade. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra; 2003;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725482&pid=S0211-9536201000010000200067&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Bertucci, n. 17, p. 173-283; Loeb, n. 42, p. 203-224.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back69"></a><a href="#top69">69</a>. Para saber mais, veja: L&eacute;pine, Claude. Nossos antepassados eram deuses &#91;publica&ccedil;&atilde;o em Internet&#93; 2001 &#91;citado Jul. 2009&#93;; p. 1-24. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.antropologia.com.br" target="_blank">www.antropologia.com.br</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1725484&pid=S0211-9536201000010000200068&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 14 de agosto de 2009    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 2 de febrero de 2010</font></p>      ]]></body><back>
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