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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Caridade criando hospitais em Minas Gerais (Brasil) - séculos XVIII-XX]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>A Caridade criando hospitais em Minas Gerais (Brasil) - s&eacute;culos XVIII-XX</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>The creation of hospitals by charities in Minas Gerais (Brazil) from 18th to 20th century</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rita de C&aacute;ssia Marques</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Brasil. <a href="mailto:rcmarques63@yahoo.com.br">rcmarques63@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O artigo &eacute; fruto de uma pesquisa sobre o Patrim&ocirc;nio Cultural da Sa&uacute;de em Minas Gerais (Brasil) e se dedica a compreender a constru&ccedil;&atilde;o de hospitais fomentados pelas a&ccedil;&otilde;es caritativas de cat&oacute;licos, leigos ou religiosos, entre os s&eacute;culos XVIII e XX. O movimento cat&oacute;lico leigo sempre foi forte em Minas Gerais favorecido pelas proibi&ccedil;&otilde;es da Coroa Portuguesa em torno da livre circula&ccedil;&atilde;o de religiosos, considerados suspeitos de contrabandear o ouro das minas. A primeira Santa Casa, a de Vila Rica, surge de uma irmandade. A caridade tamb&eacute;m &eacute; o mote de outro grupo de leigos que teve grande import&acirc;ncia no Brasil, especialmente no s&eacute;culo XX - os vicentinos. Assinala-se ainda a divulga&ccedil;&atilde;o dos ideais de caridade de Frederico Ozanam com base na obra de S&atilde;o Vicente de Paula. Por vicentinos &eacute; preciso entender tanto o movimento leigo abrigado nas confer&ecirc;ncias da Sociedade S&atilde;o Vicente de Paula, como os religiosos: os padres lazaristas e as irm&atilde;s vicentinas. O terceiro grupo estudado &eacute; o dos m&eacute;dicos cat&oacute;licos, fruto do associativismo profissional incentivado pela igreja cat&oacute;lica. As Santas Casas com suas irmandades, os vicentinos e o associativismo cat&oacute;lico integram movimentos reconhecidos no mundo todo. Nesse contexto social de grande participa&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica nas obras de caridade, restava aos m&eacute;dicos integrar o movimento, com o desprendimento dos atendimentos muitas vezes gratuitos e com o esfor&ccedil;o para criar hospitais para a popula&ccedil;&atilde;o carente. No s&eacute;culo XX, a capital de Minas Gerais, embora fruto de decis&atilde;o de republicanos e positivistas portadores dos ide&aacute;rios da modernidade, continuou se valendo da caridade crist&atilde; para tratar dos pobres.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras chave:</b> Hospitais, catolicismo, caridade, medicina.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> Hospitals, catholicism, charity, medicine.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A assist&ecirc;ncia aos desvalidos e em especial aos doentes, por muito tempo, esteve associada &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de caridade da Igreja e de seus seguidores. Em um de seus mais importantes trabalhos, Rosen tra&ccedil;a a sociologia hist&oacute;rica de uma institui&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria - o Hospital. Segundo ele, o hospital que surge no per&iacute;odo medieval era essencialmente um instrumento da sociedade para minorar o sofrimento, diminuir a pobreza, erradicar a mendicidade e ajudar a manter a ordem p&uacute;blica<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>. Porter recua um pouco mais essa hist&oacute;ria e relaciona os primeiros hospitais ao cristianismo que se dissemina no Imp&eacute;rio Romano. O triunfo da f&eacute; crist&atilde; teria trazido &agrave; tona os cuidados de enfermagem e a inven&ccedil;&atilde;o do hospital como uma institui&ccedil;&atilde;o de cuidados &agrave; sa&uacute;de. Afinal "Cristo tinha feito curas milagrosas, dando vis&atilde;o aos cegos e tirando o dem&ocirc;nio dos insanos"<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>. Com o cristianismo, a caridade tornou-se uma virtude suprema e os fi&eacute;is eram estimulados a cuidar dos necessitados. Ap&oacute;s tornar-se religi&atilde;o oficial, gra&ccedil;as &agrave; convers&atilde;o do Imperador Constantino, os hospitais apareceram como funda&ccedil;&otilde;es devotadas e com ordens religiosas dedicadas a servir &agrave;s pessoas<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os hospitais de caridade, tanto o hospital tradicional mencionado por Porter ou o medieval de Rosen, eram controlados por religiosos e, muitas vezes, o termo mais adequado para caracteriz&aacute;-los era o de "albergue", pois, geralmente, funcionavam dentro dos pr&oacute;prios mosteiros, com pouco mais de doze camas e um par de frades encarregados dos cuidados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos pa&iacute;ses cat&oacute;licos, essas institui&ccedil;&otilde;es cresceram, nos s&eacute;culos XVI e XVII, paralelamente ao crescimento da popula&ccedil;&atilde;o. Leigos e religiosos trabalhavam bem juntos nos hospitais, embora algumas vezes aparecessem conflitos entre m&eacute;dicos, com suas prioridades, e a enfermagem, com seus fins piedosos. As doa&ccedil;&otilde;es caridosas aos hospitais participavam da cadeia local de prote&ccedil;&atilde;o, patronagem e poder familiar. Na Fran&ccedil;a, o <i>h&ocirc;pital g&eacute;n&eacute;ral</i> (similar aos abrigos ingleses) emergiu no s&eacute;culo XVII como uma institui&ccedil;&atilde;o destinada a proteger - e n&atilde;o somente confinar - mendigos, &oacute;rf&atilde;os, vagabundos, prostitutas e ladr&otilde;es, ao lado do doente e do louco. O <i>Hotel Dieu</i> em Paris era mais especificamente projetado como uma institui&ccedil;&atilde;o de cura e dirigido por ordens religiosas<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Exemplo bem sucedido do hospital cat&oacute;lico &eacute; a Santa Casa de Miseric&oacute;rdia de Portugal, criada em 1498, com o objetivo expresso de proporcionar aux&iacute;lio espiritual e material aos necessitados. A experi&ecirc;ncia da Santa Casa foi um dos modelos portugueses mais difundidos em suas col&ocirc;nias. A inspira&ccedil;&atilde;o divina para as obras de caridade aparece no <i>Compromisso</i>, c&eacute;lebre documento da nova confraria, transmitido, por comunica&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia manuelina, &agrave;s irmandades que tentavam se edificar nas principais cidades do reino, a partir de 1499. A caridade era o fundamento da Irmandade e a Virgem Maria da Miseric&oacute;rdia o grande auxilio espiritual para as tribula&ccedil;&otilde;es e mis&eacute;rias de que padecem os irm&atilde;os em Cristo que receberam o santo batismo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Segundo Sousa<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>, no cerne da atividade das Miseric&oacute;rdias, estava uma ades&atilde;o importante &agrave; espiritualidade da paix&atilde;o e a medita&ccedil;&atilde;o sobre a dimens&atilde;o protetora de Maria, expressa numa profunda pr&aacute;tica penitencial. No <i>Compromisso</i> firmado pelas Miseric&oacute;rdias, o mais importante era o assistencialismo. Para participar do n&uacute;cleo assistencial, al&eacute;m da postura penitencial, o corpo e o rosto dos confrades deveriam ser cobertos, simbolizando a pr&aacute;tica desinteressada da miseric&oacute;rdia. Os confrades deveriam ser bons, virtuosos, de boa fama e estar a "servi&ccedil;o de Deus e do pr&oacute;ximo". N&atilde;o se tratava de obriga&ccedil;&atilde;o religiosa e moral geral, mas de uma li&ccedil;&atilde;o normativa concreta, que funcionava com efic&aacute;cia para especializar o servi&ccedil;o confraternal<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse modelo assistencial da Santa Casa chegou ao Brasil, como a todas as col&ocirc;nias portuguesas, ainda no s&eacute;culo XVI, mas n&atilde;o se desenvolveu em todo o territ&oacute;rio como pregava o <i>Compromisso</i> do s&eacute;culo XV. As Santas Casas apareceram nas regi&otilde;es litor&acirc;neas, mas tiveram dificuldades em se estabelecer no interior do pa&iacute;s, especialmente em Minas Gerais, o que aconteceu somente  a partir do s&eacute;culo XVIII<a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No per&iacute;odo colonial, n&atilde;o houve incentivo ao crescimento da atua&ccedil;&atilde;o de religiosos em Minas Gerais. A ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o teve in&iacute;cio com os bandeirantes paulistas, no s&eacute;culo XVII. Confirmada a descoberta do ouro, recebeu aten&ccedil;&atilde;o redobrada da Coroa. A preocupa&ccedil;&atilde;o com a tributa&ccedil;&atilde;o era grande, assim como a necessidade de impedir a circula&ccedil;&atilde;o de riquezas por meio do contrabando.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Combater o contrabando era dif&iacute;cil devido ao movimento de pessoas pela regi&atilde;o que ainda estava sendo desbravada. Entre os grupos que mais circulavam estava o dos religiosos. Os padres seculares e regulares estiveram presentes desde o in&iacute;cio do povoamento das Minas, por serem considerados indispens&aacute;veis &agrave; atividade das bandeiras. Proibidos pela Coroa de instalar conventos na regi&atilde;o mineradora, fundaram os hosp&iacute;cios destinados ao abrigo de frades mission&aacute;rios. Ainda na primeira metade do s&eacute;culo XVIII, foram fundados o hosp&iacute;cio de Vila Rica em 1726, os de S&atilde;o Jo&atilde;o Del Rei e de Sabar&aacute; em 1740 e o de Mariana em 1750<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os hosp&iacute;cios tamb&eacute;m foram combatidos. A partir de 1711, a Coroa expediu v&aacute;rias cartas proibindo a instala&ccedil;&atilde;o e a perman&ecirc;ncia de cl&eacute;rigos regulares que se encontrassem sem emprego ou pr&eacute;stimo dos mission&aacute;rios, assim como o afluxo de estrangeiros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse caso, a luta n&atilde;o era contra a Igreja, mas contra os padres ou qualquer um que pudesse circular com ouro irregularmente. Como a Igreja n&atilde;o era respons&aacute;vel pelo pagamento dos religiosos, bastou a Coroa limitar o n&uacute;mero de padres na folha de pagamento para diminuir seu afluxo &agrave; regi&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em Minas Gerais, a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de religiosos provocou o surgimento das irmandades leigas que assumiram n&atilde;o s&oacute; o controle das igrejas como a assist&ecirc;ncia a seus filiados. A falta de religiosos e o dom&iacute;nio dos leigos n&atilde;o eram sinais de que a religiosidade cat&oacute;lica estivesse fora do cotidiano colonial. A Igreja era respons&aacute;vel por todas as ocorr&ecirc;ncias da vida civil e privada dos paroquianos, como nascimentos, casamentos e mortes. O predom&iacute;nio das irmandades sofreu cr&iacute;ticas. Temos, por exemplo, a cr&iacute;tica a sua a&ccedil;&atilde;o em Vila Rica, feita por Auguste de Saint-Hilaire, viajante naturalista franc&ecirc;s que esteve no Brasil entre 1816 e 1822:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Existe em Vila Rica um hospital civil mantido pela irmandade de Miseric&oacute;rdia; mas este estabelecimento apenas atesta a mais deplor&aacute;vel das neglig&ecirc;ncias. N&atilde;o &eacute; para lamentar que na capital de uma regi&atilde;o que se diz crist&atilde;, e onde tantas somas se despedem para construir igrejas in&uacute;teis, n&atilde;o se tenha ainda pensado em oferecer um asilo conveniente &agrave; pobreza sofredora? E se os particulares s&atilde;o t&atilde;o indiferentes ao cumprimento desse dever, n&atilde;o &eacute; para espantar que os governos n&atilde;o tenham tomado a menor disposi&ccedil;&atilde;o para suprir o seu pouco zelo"<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da veracidade das cr&iacute;ticas apresentadas por Saint-Hilaire, a a&ccedil;&atilde;o das irmandades foi vista com bons olhos pela Coroa portuguesa. Para o governo portugu&ecirc;s, eram importantes aliadas e valia a pena lan&ccedil;ar m&atilde;o de v&aacute;rios estratagemas para obter seu apoio, inclusive seu essencial apoio financeiro <a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a>. O dinheiro recolhido pelas irmandades servia n&atilde;o s&oacute; para o assistencialismo, como tamb&eacute;m para conceder empr&eacute;stimos aos confrades e assumir obras que, em v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus, j&aacute; eram assumidas pelo Estado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Mesmo com tantos obst&aacute;culos a sua implanta&ccedil;&atilde;o, as Santas Casas foram as institui&ccedil;&otilde;es assistenciais mais disseminadas em Minas Gerais nos s&eacute;culos XVIII e XIX. Por serem, em muitas regi&otilde;es, o &uacute;nico recurso para uma parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o carente, frequentemente lidavam com dificuldades de caixa e eram for&ccedil;adas a restringir o atendimento, apesar de receberem, &agrave;s vezes, generosas doa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As esmolas e doa&ccedil;&otilde;es aumentavam e diminu&iacute;am de acordo com o est&iacute;mulo dos governantes. Num documento de 1778, Jos&eacute; Joaquim da Rocha descreve a cria&ccedil;&atilde;o, ascens&atilde;o e decl&iacute;nio da Santa Casa de Ouro Preto (1738), a partir da concess&atilde;o ou n&atilde;o de privil&eacute;gios aos grandes doadores.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(... ) presentemente se acha essa Casa muito pobre, por ser pequeno o seu patrim&ocirc;nio; e o que lhe deu sempre os maiores socorros foram os privil&eacute;gios que os governantes concedem a um homem de cada freguesia, para nela pedirem para a Santa Casa, e cada um destes, al&eacute;m de esmolas que lhe davam, concorriam da sua parte com o que podia, s&oacute; a fim de aparecer com avultada esmola, para que lhe sejam conservados os privil&eacute;gios; por&eacute;m, como tem havido alguns governadores que aboliram tais privil&eacute;gios e os que lhe foram sucedendo, se n&atilde;o os lembrarem mais de os conceder em beneficio t&atilde;o pio, &eacute; que entrou a deteriorar a Miseric&oacute;rdia; e se acham em estado mais miser&aacute;vel"<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Sem o comprometimento dos governos coloniais, as institui&ccedil;&otilde;es convivem com a precariedade e sua manuten&ccedil;&atilde;o atrela-se ao est&iacute;mulo &agrave; caridade de religiosos e fi&eacute;is.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. A Renova&ccedil;&atilde;o do discurso da caridade/miseric&oacute;rdia: o caso dos vicentinos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para se compreender a cr&iacute;tica de Saint-Hilaire ao trabalho das irmandades em Minas Gerais, &eacute; preciso que se analise o contexto europeu do final do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cio do XIX. No final do s&eacute;culo XVIII, a Europa assiste aos primeiros movimentos vitoriosos contra o Antigo Regime, com ataques dirigidos &agrave; nobreza e ao clero e graves repercuss&otilde;es na atua&ccedil;&atilde;o da Igreja. A caridade foi substitu&iacute;da pela filantropia. Filantropia &eacute;, na l&iacute;ngua francesa, um neologismo do s&eacute;culo XVIII para designar uma virtude que se considerava natural do ser humano, que &eacute; o amor por seu pr&oacute;ximo, uma laiciza&ccedil;&atilde;o do sentimento da caridade. A caridade &eacute; fruto do amor por Deus que leva ao ato de fazer o bem aos outros; a filantropia diz respeito &agrave; humanidade. Na filantropia, as a&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos em favor da sociedade s&atilde;o consideradas como um sentimento natural, pois a felicidade pessoal s&oacute; pode ser assegurada quando reina a prosperidade social.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A filantropia era um valor aos olhos da elite europeia de fins do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cio do XIX, qualquer que seja sua orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Ela age como um pano de fundo a justificar as ambi&ccedil;&otilde;es nacionais e pessoais, j&aacute; que os interesses privados eram vistos como coletivos. O sentimento filantr&oacute;pico deveria nortear as a&ccedil;&otilde;es do europeu civilizado.<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a> Saint-Hilaire era um bom exemplo do naturalista filantropo do s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O surgimento da filantropia era s&oacute; mais um dos perigos que amea&ccedil;avam a Igreja nos tempos p&oacute;s-Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa. Assiste-se ao abandono dos princ&iacute;pios cat&oacute;licos como a caridade. O novo mundo, surgido ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o, era liberal e industrial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O processo de descristianiza&ccedil;&atilde;o, iniciado com a revolu&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a, ser&aacute; nosso par&acirc;metro para o estudo do caso brasileiro, verificado com a separa&ccedil;&atilde;o entre Estado e Igreja, a partir da Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em 1889. Apesar de, nas duas efem&eacute;rides, 1789 e 1889, o processo de mudan&ccedil;a pol&iacute;tica ter determinado a separa&ccedil;&atilde;o das duas institui&ccedil;&otilde;es, diferen&ccedil;as devem ser destacadas, como a import&acirc;ncia do positivismo, no caso brasileiro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No s&eacute;culo que separa as duas datas, houve sens&iacute;vel mudan&ccedil;a de mentalidade, ligada ao surgimento de um mundo mais democr&aacute;tico e industrializado. A Igreja busca caminhos para acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o do antiliberalismo e de seu posicionamento elitista e conservador, mais tarde solidificado no anticomunismo. O conhecimento desse processo &eacute; fundamental para a compreens&atilde;o da terceira via desenvolvida entre n&oacute;s, a partir da enc&iacute;clica <i>Rerum Novarum</i> de 1891. Nesse per&iacute;odo se destacam pensadores cat&oacute;licos que, em sua maioria, tinham origem na nobreza ou prefer&ecirc;ncia pela monarquia, como Joseph de Maistre, De Bonald e Frederico Ozanam entre outros<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O combate ao mundo moderno era expl&iacute;cito. A Igreja estava entrando em um novo s&eacute;culo com suas estruturas seriamente abaladas, principalmente no plano das ideias. Era premente que se cuidasse da produ&ccedil;&atilde;o intelectual da Igreja, caracterizada por pontos que formassem uma nova doutrina cat&oacute;lica. Essa nova doutrina, desde o in&iacute;cio, demarcou sua posi&ccedil;&atilde;o frente a um novo fen&ocirc;meno revelado pela Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa: o povo. A Igreja devia pronunciar-se no novo contexto social e, em suas primeiras interven&ccedil;&otilde;es, o que se destacou foi o elitismo dos pensadores cat&oacute;licos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Louis Gabriel Ambroise de Bonald (1754-1840) foi um importante representante do laicado franc&ecirc;s durante a Restaura&ccedil;&atilde;o (1814-1830). Monarquista fiel aos Bourbons, buscou a fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do tradicionalismo em sua obra <i>"Reflexions Philosophiques".</i> Em seus escritos, existiam a preocupa&ccedil;&atilde;o com a crescente industrializa&ccedil;&atilde;o e o saudosismo do tempo em que a Igreja cuidava do bem-estar de seus fi&eacute;is<a name="top14"></a><a href="#back14"><sup>14</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O "tempo antigo", antes das revolu&ccedil;&otilde;es, era considerado muito mais humano e o assistencialismo da Igreja era apresentado como panac&eacute;ia para os males. Bonald, enquanto deputado entre 1815 a 1828, proferia discursos onde criticava a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, pregava a volta das corpora&ccedil;&otilde;es e do assistencialismo como solu&ccedil;&atilde;o para a mis&eacute;ria. O passado absolutista e medieval era sempre melhor que a situa&ccedil;&atilde;o gerada pelas revolu&ccedil;&otilde;es do s&eacute;culo XVIII.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No s&eacute;culo XIX, com o avan&ccedil;o do capitalismo industrial, fica claro para os pensadores cat&oacute;licos que a desigualdade social precisava ser combatida.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No campo pr&aacute;tico, Antoine Frederico Ozanam (1813-1855) concentrou seus esfor&ccedil;os em agrupar jovens intelectuais cat&oacute;licos numa certa unidade de pensamento e a&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica, as Confer&ecirc;ncias de S&atilde;o Vicente de Paulo, fundadas em 1833. Era um cat&oacute;lico fervoroso que n&atilde;o estava preso &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es monarquistas, aderiu &agrave;s ideias republicanas e acreditava na possibilidade de unir o cristianismo &agrave; democracia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ozanam alertava que a Revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o eliminou a "pobreza que Deus tanto ama" e, por isso, cabia &agrave; Igreja uma grande responsabilidade para com o problema social. Condenava tanto o capitalismo como o socialismo porque ambos tinham uma base materialista e centrava o seu pensamento social na pessoa humana. O pensamento de Ozanam &eacute; precursor de boa parte dos tratados de Doutrina Social da Igreja como podemos ver abaixo:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Que a Igreja de nossos dias possa tamb&eacute;m arrastar os cat&oacute;licos franceses no caminho que ela lhes abre. Ven&ccedil;amos nossas repugn&acirc;ncias e nosso ressentimento e voltemo-nos para essa democracia, para esse povo que n&atilde;o conhece ainda. Levemos a ele, n&atilde;o apenas nossos serm&otilde;es, mas nossa colabora&ccedil;&atilde;o. Ajudemos o povo, n&atilde;o apenas com esmolas que humilham, mas com nossos esfor&ccedil;os para criar institui&ccedil;&otilde;es capazes de emancip&aacute;-lo e promov&ecirc;-lo"<a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ozanam convocou os jovens cat&oacute;licos a intervirem diretamente na luta social, pois s&oacute; assim eles poderiam regenerar e Fran&ccedil;a e aliviar as dores de alguns de seus pobres. Foi uma constante, em seu pensamento, o apelo para a dedica&ccedil;&atilde;o ao povo num momento em que o socialismo come&ccedil;ava a mobilizar a juventude. Ozanam liga seu pensamento a um santo: S&atilde;o Vicente de Paula (1581-1660). Al&eacute;m de ser considerado o grande inspirador da caridade crist&atilde;, exemplo para os que aspiram praticar a assist&ecirc;ncia aos pobres, o trabalho de S&atilde;o Vicente de Paula tamb&eacute;m se destaca por seu "incontido amor afetivo e efetivo" aos que clamam por ajuda ao "Evangelizador, Libertador e Salvador dos Pobres" <a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse "arauto da miseric&oacute;rdia e da ternura de Deus" considerava os pobres senhores e mestres dos verdadeiros crist&atilde;os, sempre acompanhado da insepar&aacute;vel companheira de caridade, Louise de Marillac (1591-1660) co-fundadora da Companhia das Filhas da Caridade, pregava aos seguidores cinco grandes virtudes: simplicidade, humildade, do&ccedil;ura, mortifica&ccedil;&atilde;o e zelo<a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a>. Essas passariam a ser as metas dos irm&atilde;os leigos da Sociedade de S&atilde;o Vicente de Paula, tanto quanto j&aacute; o eram para os Padres da Miss&atilde;o mais conhecidos como lazaristas - congrega&ccedil;&atilde;o nascida da atua&ccedil;&atilde;o religiosa de S&atilde;o Vicente de Paula<a name="top18"></a><a href="#back18"><sup>18</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O sucesso de sua f&oacute;rmula assistencialista - as Confer&ecirc;ncias da Sociedade S&atilde;o Vicente de Paula - pode ser medido no n&uacute;mero de jovens intelectuais que foram atra&iacute;dos, n&atilde;o s&oacute; na Fran&ccedil;a como em v&aacute;rias partes do mundo inclusive no Brasil, influenciando diversos intelectuais <a name="top19"></a><a href="#back19"><sup>19</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desde o tempo do Brasil-Col&ocirc;nia, com o Padroado (uni&atilde;o do Estado e da Igreja), que a Igreja Cat&oacute;lica detinha a primazia na assist&ecirc;ncia aos desvalidos. Com a Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em 1889, o Estado torna-se laico e &eacute; rompida a alian&ccedil;a com a Igreja gerando a aproxima&ccedil;&atilde;o da Igreja brasileira com a romana, per&iacute;odo conhecido como o da romaniza&ccedil;&atilde;o. Com a romaniza&ccedil;&atilde;o, veio a assimila&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios preceitos seguidos pelo catolicismo mundial, em especial a incorpora&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o dos cat&oacute;licos em um vigoroso movimento que fomentou diversas iniciativas junto aos mais pobres.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse movimento interessa-nos especialmente por seus efeitos sobre a assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de, campo desde o descobrimento dominado pelas Santas Casas criadas basicamente por irmandades leigas que defendiam a assist&ecirc;ncia aos pobres como uma obriga&ccedil;&atilde;o dos cat&oacute;licos exortados a serem caridosos. Nesse cen&aacute;rio, merece destaque a cidade de Belo Horizonte, uma cidade inaugurada em 1897, como sendo um s&iacute;mbolo dos tempos republicanos e dos ideais positivistas, mas ainda fortemente marcada pelo catolicismo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. Cidade salubre n&atilde;o precisa de hospitais?</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, foi a primeira cidade planejada do Brasil. Nasceu no final do s&eacute;culo XIX, s&iacute;mbolo da proposta higi&ecirc;nicosanit&aacute;ria do per&iacute;odo. Consideraram-se, em seu planejamento, o bom clima e as boas &aacute;guas. Projetaram-se ruas largas e casas espa&ccedil;adas. O conjunto dessas condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis fazia com que a nova capital ganhasse o status de "cidade salubre". Certos dessa vantagem, embora constasse de uma &aacute;rea selecionada para tal, os engenheiros positivistas que planejaram Belo Horizonte n&atilde;o viam a constru&ccedil;&atilde;o de um hospital como prioridade. Contudo, sua falta acarretou problemas desde os tempos da constru&ccedil;&atilde;o da cidade. A Santa Casa de Sabar&aacute; era o hospital mais pr&oacute;ximo e onde eram tratados os casos graves. No per&iacute;odo de 1894-1897, foram atendidas 391 pessoas, pelo conv&ecirc;nio entre a Santa Casa e a Comiss&atilde;o Construtora. Apesar do conv&ecirc;nio, a institui&ccedil;&atilde;o atendia com certa dificuldade, visto que sempre enfrentava problemas de caixa e assumia os doentes de outras cidades. O sistema de atendimento gratuito sofria com as crises financeiras e a op&ccedil;&atilde;o por priorizar os pensionistas da institui&ccedil;&atilde;o, geralmente membros da comunidade de Sabar&aacute;, dificultava o tratamento dos belorizontinos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na Santa Casa de Sabar&aacute;, as restri&ccedil;&otilde;es de atendimento atingiam especialmente a popula&ccedil;&atilde;o mais carente, que sofria com as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de vida e sa&uacute;de observadas no per&iacute;odo da constru&ccedil;&atilde;o. A nova capital - Belo Horizonte - planejada para sediar o governo estadual, abrigando essencialmente funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, estava despreparada para alojar as centenas de trabalhadores encarregados de sua edifica&ccedil;&atilde;o, muitos deles acompanhados das fam&iacute;lias. Como o projeto n&atilde;o definisse local de moradia para essa popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora, houve uma ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada da cidade, com barrac&otilde;es feitos dos mais estranhos materiais, detritos de toda ordem<a name="top20"></a><a href="#back20"><sup>20</sup></a>. Em relat&oacute;rio preparado em 1896, o pr&oacute;prio engenheiro-chefe Francisco Bicalho reconhece os s&eacute;rios problemas sanit&aacute;rios da nova capital, atribuindo-os n&atilde;o a uma falha de planejamento, mas aos maus h&aacute;bitos da popula&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o primava pelo amor &agrave; higiene. Segundo ele, as habita&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias comprometiam gravemente a salubridade p&uacute;blica<a name="top21"></a><a href="#back21"><sup>21</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m das prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de alojamento da popula&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria oriunda de diversos pontos assolados por doen&ccedil;as epid&ecirc;micas, o servi&ccedil;o de terraplenagem, fundamental &agrave; abertura de ruas e avenidas da nova capital, era tamb&eacute;m considerado, pelas autoridades da &eacute;poca, um fator de insalubridade. Conforme se acreditava, no processo de revolvimento das terras, mat&eacute;rias org&acirc;nicas h&aacute; muito acumuladas eram expostas, favorecendo o desenvolvimento de toda sorte de germes patog&ecirc;nicos. Estavam, assim, criadas as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ao desenvolvimento de epidemias, trazendo "o terror &agrave;s classes oper&aacute;rias, o atraso para as obras encetadas e o descr&eacute;dito para o local escolhido para a nova cidade", como descreve Ab&iacute;lio Barreto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Belo Horizonte, mesmo depois de inaugurada, ainda mantinha o aspecto de um imenso canteiro de obras e fazia por merecer alcunhas como "Poeir&oacute;polis" e "Formig&oacute;polis"<a name="top22"></a><a href="#back22"><sup>22</sup></a>. Apesar disso, a nova capital, desde seu in&iacute;cio, recebeu novos habitantes atra&iacute;dos por seu clima. De todas as vantagens que a cidade apresentava em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras candidatas, o clima foi certamente o mais importante para a escolha e o desenvolvimento da sa&uacute;de na nova capital. A tuberculose, um dos principais flagelos dos fins do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, n&atilde;o tinha cura medicamentosa e a transfer&ecirc;ncia dos t&iacute;sicos para cidades como Belo Horizonte tornou-se corriqueira. O clima seco e frio deu &agrave; capital o t&iacute;tulo de cidade-sanat&oacute;rio, atribu&iacute;do &agrave;s localidades que abrigavam grande n&uacute;mero de tuberculosos e com isso, come&ccedil;ou a receber v&aacute;rios m&eacute;dicos, principalmente da quente e &uacute;mida capital brasileira da &eacute;poca, o Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro m&eacute;dico a chegar a Belo Horizonte, atra&iacute;do pelo clima e visando a cura da tuberculose, foi C&iacute;cero Ribeiro Ferreira Rodrigues (1861-1920). Com cartas de apresenta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos mineiros influentes, conseguiu um emprego burocr&aacute;tico na Comiss&atilde;o Construtora, mas, em pouco tempo, j&aacute; ocupava um cargo numa reparti&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; &aacute;rea m&eacute;dica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">C&iacute;cero Ferreira esteve ligado &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o da medicina em Minas, especialmente em Belo Horizonte. Participou da funda&ccedil;&atilde;o do Hospital de Isolamento (1911), da Faculdade de Medicina (1911), do Hospital S&atilde;o Vicente (1920) e, principalmente, da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia de Belo Horizonte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">C&iacute;cero Ferreira integrava o grupo da elite da cidade, que se reuniu em 21 de maio de 1899, com o objetivo de construir uma "Casa de Caridade". Sob o nome de Sociedade Humanit&aacute;ria da Cidade de Minas (primeira denomina&ccedil;&atilde;o da nova capital) foi criado provisoriamente o servi&ccedil;o hospitalar, com algumas enfermarias improvisadas em barracas e barrac&otilde;es, recebendo auxilio dos governos estadual e municipal. O nome Santa Casa n&atilde;o foi pensado no primeiro momento, tampouco foi criada uma irmandade para esse fim. Possivelmente, o que estava sendo planejado era algo semelhante ao hospital humanit&aacute;rio, como existia na Inglaterra desde o s&eacute;culo XVIII.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por ser desprovida de hospitais, ordens religiosas e orfanatos, a moderna Inglaterra estava em desvantagem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; assist&ecirc;ncia aos pobres, se comparada aos padr&otilde;es europeus, especialmente dos pa&iacute;ses cat&oacute;licos. Com o advento do Iluminismo, assistiu ao florescimento da filantropia, secular e religiosa e ao in&iacute;cio de muitas institui&ccedil;&otilde;es. Os novos hospitais fundados na Inglaterra eram dirigidos aos necessitados das par&oacute;quias, que seriam tratados pela <i>Lei dos Pobres.</i> Garantir assist&ecirc;ncia gratuita para o pobre doente, respeit&aacute;vel e merecedor, era algo esperado, confirmando os la&ccedil;os sociais de paternalismo<a name="top23"></a><a href="#back23"><sup>23</sup></a>, defer&ecirc;ncia e gratid&atilde;o<a name="top24"></a><a href="#back24"><sup>24</sup></a>. As par&oacute;quias tinham de assumir responsabilidades e, para isso, precisaram apelar para o levantamento de fundos e a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es caritativas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso de Belo Horizonte, a elite pressionada pelo n&uacute;mero surpreendente de pessoas carentes, tomou a iniciativa de criar a "casa de caridade" que, apesar de contar com a participa&ccedil;&atilde;o do prefeito Bernardo Monteiro, n&atilde;o era do Estado. Al&eacute;m do prefeito, destacaram-se, na empreitada, empres&aacute;rios e o vig&aacute;rio da matriz da Igreja de Boa Viagem. Os recursos foram levantados junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, especialmente em eventos patrocinados pelas "damas da caridade". C&iacute;cero Ferreira foi o &uacute;nico m&eacute;dico na comiss&atilde;o que redigiu os estatutos da "Casa", aprovados pelos s&oacute;cios fundadores da "Sociedade Humanit&aacute;ria da Cidade de Minas", no dia 25 de junho de 1899, em sess&atilde;o realizada no Sal&atilde;o do Congresso Estadual.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As primeiras enfermarias do hospital foram instaladas provisoriamente em barracas de lona doadas pelo governo do estado e o lote foi doado pela prefeitura de Belo Horizonte, permitindo, assim, que os atendimentos tivessem in&iacute;cio em 7 de setembro de 1899. O atendimento nas barracas de lonas, aos poucos, e gra&ccedil;as &agrave;s frequentes campanhas de arrecada&ccedil;&atilde;o de fundos promovidas pelas senhoras da sociedade, foi transferido para as constru&ccedil;&otilde;es de alvenaria.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos estatutos, a arrecada&ccedil;&atilde;o regular prevista era a contribui&ccedil;&atilde;o mensal dos s&oacute;cios, al&eacute;m de j&oacute;ias, mas isso nunca conseguiu, efetivamente, cobrir as despesas do hospital. Outras formas n&atilde;o convencionais de recursos eram usadas, tais como: as loterias que premiavam com objetos de valores diferentes, renda de espet&aacute;culos circenses, corridas de bicicleta no Parque Municipal, doa&ccedil;&otilde;es de roupas e alimentos, e quermesses patrocinadas pelas "zeladoras", mais tarde reunidas na "Associa&ccedil;&atilde;o das Damas de Caridade", respons&aacute;veis pelas maiores campanhas de arrecada&ccedil;&atilde;o<a name="top25"></a><a href="#back25"><sup>25</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O est&iacute;mulo &agrave; caridade para com os pobres no campo da medicina teve como uma de suas consequ&ecirc;ncias a expans&atilde;o das Santas Casas e de outros hospitais e maternidades financiados pela crescente atividade filantr&oacute;pica, que conquistava a burguesia, principalmente as mulheres. Assim aqueles que n&atilde;o tinham nenhum recurso para se tratar, al&eacute;m dos da medicina popular, passaram a ter acesso aos hospitais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pedra fundamental foi lan&ccedil;ada em 16 de agosto de 1899, dia da Padroeira da cidade. No ano seguinte, a mudan&ccedil;a de nome para <i>Santa Casa de Miseric&oacute;rdia</i> parece ter sido o primeiro passo para a constru&ccedil;&atilde;o de um bom relacionamento entre m&eacute;dicos e Igreja em Belo Horizonte. Mais do que isso, o nome Santa Casa funcionaria como chamariz para atrair o p&uacute;blico. A Santa Casa, apesar da precariedade dos atendimentos, era uma institui&ccedil;&atilde;o tradicional e confi&aacute;vel na presta&ccedil;&atilde;o de assist&ecirc;ncia aos pobres. A troca do primeiro nome, de prov&aacute;vel inspira&ccedil;&atilde;o ma&ccedil;&ocirc;nica, ajudou a firmar a vincula&ccedil;&atilde;o com a religi&atilde;o cat&oacute;lica e favoreceu o discurso da caridade, necess&aacute;rio para obter, principalmente, o envolvimento das mulheres.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A cria&ccedil;&atilde;o de um hospital para os pobres, contudo, n&atilde;o foi suficiente para conter os &iacute;ndices de mortalidade por falta de socorros m&eacute;dicos, pois a Santa Casa nasceu vinculada &agrave; clientela pobre e, como a cidade n&atilde;o tinha outro hospital, foi dif&iacute;cil romper com a ideia de que ali tamb&eacute;m era lugar para as "pessoas de bem" da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quando o m&eacute;dico Hugo Furquim Werneck chegou &agrave; Belo Horizonte em 1906, era o &uacute;nico e o primeiro ginecologista da cidade, logo se integrando ao quadro cl&iacute;nico da Santa Casa. De fam&iacute;lia tradicional do Rio de Janeiro, escolheu essa especialidade por influ&ecirc;ncia do pai, um dos primeiros e mais conceituados ginecologistas do pa&iacute;s. Com passagens pelo exterior, onde fora se tratar da tuberculose, trazia conceitos e t&eacute;cnicas modernas, para o atendimento &agrave;s mulheres. Certo de que a principal causa da mortalidade materna estava ligada &agrave; falta de socorros obst&eacute;tricos, come&ccedil;a sua luta pela cria&ccedil;&atilde;o de uma maternidade em Belo Horizonte e pela extens&atilde;o dessa assist&ecirc;ncia a todas as mulheres. Afinado com o movimento mundial de substitui&ccedil;&atilde;o das parteiras pelos m&eacute;dicos, pregava a cria&ccedil;&atilde;o do hospital como sendo o espa&ccedil;o privilegiado para o atendimento &agrave;s mulheres<a name="top26"></a><a href="#back26"><sup>26</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1909, objetivando mais qualidade ao atendimento e a organiza&ccedil;&atilde;o do hospital, Werneck, diretor cl&iacute;nico, convidou freiras alem&atilde;s, para trabalharem na Santa Casa que se tornou o primeiro estabelecimento de sa&uacute;de no Brasil a que as religiosas da Congrega&ccedil;&atilde;o das Irm&atilde;s Servas do Esp&iacute;rito Santo, fundada pelo Padre Arnaldo Jansen se vincularam. O contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os foi assinando com o Provedor Emigdio Germano, pela institui&ccedil;&atilde;o hospital, e a Irm&atilde; Warburgis, Elizabeth Schmitz, Supervisora-Provincial da Congrega&ccedil;&atilde;o. As irm&atilde;s tornaram-se assim respons&aacute;veis pela &aacute;rea administrativa, enfermagem, farm&aacute;cia e cozinha da Santa Casa<a name="top27"></a><a href="#back27"><sup>27</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Inegavelmente a presen&ccedil;a de freiras cat&oacute;licas foi um forte ingrediente para a aceita&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o hospitalar na cidade, pois sua rigidez e efici&ecirc;ncia deram respeitabilidade &agrave; institui&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de refor&ccedil;ar, junto a popula&ccedil;&atilde;o, que a Santa Casa era uma institui&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com a presen&ccedil;a das freiras, Hugo Werneck impulsiona seu projeto de amplia&ccedil;&atilde;o da Santa Casa. Sua primeira conquista foi a inaugura&ccedil;&atilde;o do "Pavilh&atilde;o Hugo Werneck", em 1910. O pr&eacute;dio possu&iacute;a dois pavimentos, sendo o primeiro dedicado &agrave; cl&iacute;nica cir&uacute;rgica de mulheres e outro &agrave; Maternidade. Esse importante passo da institucionaliza&ccedil;&atilde;o da medicina, contudo, n&atilde;o foi suficiente para convencer a popula&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios do atendimento hospitalar e, por isso, para a constru&ccedil;&atilde;o da maternidade Hilda Brand&atilde;o foi preciso apelar novamente &agrave; caridade. Se, por um lado, a caridade ajudava na constru&ccedil;&atilde;o e na manuten&ccedil;&atilde;o dos hospitais, a sensibiliza&ccedil;&atilde;o da elite para a caridade encontrava algumas dificuldades nos preceitos morais vigentes. A constru&ccedil;&atilde;o da primeira maternidade de Belo Horizonte exemplifica essa dificuldade. As mulheres da elite tinham seus filhos em casa, assistidas por uma parteira e, se o parto se complicasse, o m&eacute;dico era chamado a intervir. A ideia de uma maternidade s&oacute; poderia, no entender da elite, favorecer &agrave;quelas mulheres que tinham seus filhos longe de um lar estabelecido, como, por exemplo, as m&atilde;es solteiras e prostitutas<a name="top28"></a><a href="#back28"><sup>28</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No mundo inteiro, os primeiros hospitais e maternidades foram destinados aos pobres. As motiva&ccedil;&otilde;es do m&eacute;dico para intervir cirurgicamente, ap&oacute;s um trabalho de parto demorado, eram diversas: m&eacute;dicas (frente a um grave estreitamento da bacia); &eacute;ticas (a recusa em matar a crian&ccedil;a), religiosas (a vontade de assegurar, ao menos, a sa&uacute;de eterna da crian&ccedil;a); ligadas ao controle moral (no caso de gravidez ileg&iacute;tima) e &agrave; grande import&acirc;ncia social que a maternidade passa a ter nos discursos m&eacute;dicos da &eacute;poca moderna. Em Belo Horizonte, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, essas tamb&eacute;m s&atilde;o as motiva&ccedil;&otilde;es de Hugo Werneck para construir a primeira maternidade, conforme podemos observar no discurso de inaugura&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"De fato a maternidade n&atilde;o se destina apenas a socorrer a mulher que vai ser m&atilde;e; dar-lhe um asilo onde possa por alguns dias abrigar sua mis&eacute;ria; abrir-lhe um ref&uacute;gio onde venha esconder as m&aacute;goas e o arrependimento de uma falta de que, no momento, ela &eacute; a &uacute;nica a trazer os sinais inequ&iacute;vocos da responsabilidade; prevenir e combater pela caridade os desfalecimentos morais e as funestas resolu&ccedil;&otilde;es do desespero; cercar o ber&ccedil;o do rec&eacute;m nascido pobre de cuidados que mais tarde n&atilde;o se poderia ter, o seu programa &eacute; mais vasto"<a name="top29"></a><a href="#back29"><sup>29</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Cat&oacute;lico praticante e pai de uma fam&iacute;lia numerosa, Werneck soube com o seu discurso apelar para a caridade dos belorizontinos que apoiaram as obras da maternidade, assim como a sua atua&ccedil;&atilde;o em prol da sa&uacute;de da mulher. O discurso cat&oacute;lico e o incentivo &agrave; caridade na assist&ecirc;ncia aos mais pobres foram fundamentais para o nascimento e o funcionamento de outros hospitais em Belo Horizonte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um dos hospitais que nasceu marcado pelo discurso da caridade e pela forte presen&ccedil;a das irm&atilde;s de caridade foi o Hospital S&atilde;o Vicente, atualmente o pr&eacute;dio principal do Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A capital planejada para centro administrativo do Estado de Minas Gerais, n&atilde;o contava em seu planejamento com a perman&ecirc;ncia dos pobres oper&aacute;rios que constru&iacute;ram a cidade. Sem &aacute;rea especifica para constru&iacute;rem suas casas, acabaram ocupando &aacute;reas irregulares do sub&uacute;rbio e muitos de seus filhos perambulavam pela ruas. A inf&acirc;ncia desamparada tornou-se assim, um dos grandes problemas de Belo Horizonte. A preocupa&ccedil;&atilde;o com essa situa&ccedil;&atilde;o ficou evidente no I Congresso Cat&oacute;lico Mineiro, realizado em Mariana, no ano de 1910. As principais decis&otilde;es do Congresso foram registradas no <i>Boletim do Centro da Uni&atilde;o Popular</i> e <i>Comiss&atilde;o Permanente dos Congressos Cat&oacute;licos de Minas Gerais</i>, reproduzidos por Souza (2004) define a caridade como "uma virtude essencialmente crist&atilde; e que as obras de caridade s&atilde;o o efluxo necess&aacute;rio da vida devota".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O Primeiro Congresso Cat&oacute;lico procurava explicar como deveria funcionar as institui&ccedil;&otilde;es de caridade, salientando sempre as rela&ccedil;&otilde;es com o clero e a Igreja. O Congresso pregava que todas as institui&ccedil;&otilde;es de benefic&ecirc;ncia tivesse car&aacute;ter de associa&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica e entre outras coisas:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"5) Que enquanto for poss&iacute;vel a assist&ecirc;ncia &agrave;s necessidades comuns do pobre, conservem seu carater privado, s&oacute; se utilizando a assist&ecirc;ncia coletiva quando as circunstancias locais permitirem (... ) 7) Que entre as obras de caridade a fundar-se sejam consideradas tr&ecirc;s classes de pessoas: os enfermos, a inf&acirc;ncia desvalida e as infelizes arrepentidas"<a name="top30"></a><a href="#back30"><sup>30</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim orientados os cat&oacute;licos promoveram e participaram ativamente de diversas atividades para recolher fundos e ajudar na constru&ccedil;&atilde;o dos pr&eacute;dios da Santa Casa, da Maternidade Hilda Brand&atilde;o e do amparo a inf&acirc;ncia. Em 1919, entre outras iniciativas que tentavam resolver o problema da inf&acirc;ncia desvalida em Belo Horizonte, surge incentivado por Moncorvo Filho, o Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia e Associa&ccedil;&atilde;o das Damas de Assist&ecirc;ncia de Belo Horizonte<a name="top31"></a><a href="#back31"><sup>31</sup></a>. Inaugurado em 15 de maio de 1921, o Hospital S&atilde;o Vicente foi o resultado dos esfor&ccedil;os do Instituto de Assist&ecirc;ncia e Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Inf&acirc;ncia, com a Faculdade de Medicina, recebendo dela um aux&iacute;lio de 20 contos em troca da cess&atilde;o do hospital para o funcionamento das cl&iacute;nicas pedi&aacute;tricas (m&eacute;dica e cir&uacute;rgica). Apesar das imensas dificuldades financeiras, o Hospital continuou crescendo com o apoio da caridade e, em 1929, foi instalado um servi&ccedil;o de radiologia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A liga&ccedil;&atilde;o com a Faculdade de Medicina estreita-se em 1931 quando a Funda&ccedil;&atilde;o  S&atilde;o Vicente de Paulo, sucessora do Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Inf&acirc;ncia e na &eacute;poca constitu&iacute;da por m&eacute;dicos cat&oacute;licos, fez doa&ccedil;&otilde;es de patrim&ocirc;nio &agrave; Faculdade, com o intuito de facilitar a edifica&ccedil;&atilde;o do Hospital das Clinicas. Apesar dessa contribui&ccedil;&atilde;o fundamental, a constru&ccedil;&atilde;o do Hospital das Clinicas s&oacute; aconteceu em 1949, com a federaliza&ccedil;&atilde;o da Universidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Iniciativas isoladas como a de m&eacute;dicos cat&oacute;licos sempre aconteceram, mas se fortaleceram com a cria&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o no s&eacute;culo XX.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. Associa&ccedil;&atilde;o de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um importante movimento leigo que surgiu no contexto da igreja cat&oacute;lica e que atuou na implanta&ccedil;&atilde;o de hospitais em Belo Horizonte foi o dos M&eacute;dicos Cat&oacute;licos. S&atilde;o Lucas, o evangelista m&eacute;dico, &eacute; o santo padroeiro da medicina e sob seu nome se reuniram, no mundo inteiro, m&eacute;dicos cat&oacute;licos. Em 27 de setembro de 1871, foi fundada, na Fran&ccedil;a, uma sociedade S&atilde;o Lucas, sob os ausp&iacute;cios do Papa Le&atilde;o XIII. Esse papa, mais tarde, revolucionou a doutrina social da Igreja ao propor maior aten&ccedil;&atilde;o dos cat&oacute;licos com os problemas dos trabalhadores, sendo sua obra mais importante a Enc&iacute;clica <i>Rerum Novarum</i>, de 1891. Essa enc&iacute;clica surge numa &eacute;poca em que se encontrava acirrada a luta entre socialismo e capitalismo, e a Igreja prop&otilde;e a Terceira Via, que pregava a harmonia entre as classes sociais. O instrumento institucional para viabilizar a Terceira Via seria a corpora&ccedil;&atilde;o, sua prega&ccedil;&atilde;o incentivou a organiza&ccedil;&atilde;o dos cat&oacute;licos, em grupos espec&iacute;ficos. Assim surgiram as associa&ccedil;&otilde;es de oper&aacute;rios, estudantes, mulheres, engenheiros e m&eacute;dicos cat&oacute;licos entre outros<a name="top32"></a><a href="#back32"><sup>32</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O modelo de associa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos cat&oacute;licos expandiu-se. A primeira associa&ccedil;&atilde;o do Brasil foi a Sociedade S&atilde;o Lucas do Rio de Janeiro, fundada em 1904 por Dr. Ara&uacute;jo Penna. Nos anos 1920 e 1930, incentivadas pela pr&oacute;pria c&uacute;pula da Igreja, as associa&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dicos cat&oacute;licos se multiplicaram. O Papa Pio XI foi um grande incentivador da A&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica e estimulou especialmente os m&eacute;dicos, como pode ser percebido em uma fala proferida ao receber, em 8 de setembro de 1924, uma peregrina&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos cat&oacute;licos da Argentina:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Na experi&ecirc;ncia do nosso minist&eacute;rio temos em verdade verificado quanto o m&eacute;dico das almas possa facilitar a obra do m&eacute;dico de corpos; e quanto vice-versa possa o m&eacute;dico dos corpos ser outrossim m&eacute;dico das almas; n&atilde;o indiretamente pelo exerc&iacute;cio honesto de sua profiss&atilde;o, mas ainda diretamente. Lembramos-nos, com profunda gratid&atilde;o, de tais m&eacute;dicos encontrados ao p&eacute; do leito dos enfermos que foram verdadeiros precursores do sacerdote na cura das almas. E compreende-se como um m&eacute;dico que queira curar o "homem", e n&atilde;o s&oacute; o "corpo humano", deva ocupar-se em seus estudos tamb&eacute;m dos problemas espirituais; pois que s&atilde;o freq&uuml;entes no campo m&eacute;dico homens de cultura perfeita, tamb&eacute;m no terreno dos fen&ocirc;menos espirituais"<a name="top33"></a><a href="#back33"><sup>33</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Em Belo Horizonte, o incentivo papal para que o m&eacute;dico fosse de corpo e de alma, aliado a influ&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia do Rio de Janeiro foram decisivos para se pensar em criar uma sociedade de m&eacute;dicos cat&oacute;licos, conforme o editorial d'O <i>Horizonte</i>, intitulado "Intellectuaes catholicos":</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Foi no Rio que se fundou a primeira do Brasil, reunindo alli o que a medicina tem de mais representativo, um desmentido formal a esta corrente afirma&ccedil;&atilde;o de que a medicina tende a fazer de seus cultores outros tantos materialistas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este ano foi S. Paulo que fundou a sua, com festas dignas da significa&ccedil;&atilde;o do acontecimento em que mais uma vez se marca o avan&ccedil;o que a Igreja vai fazendo nos esp&iacute;ritos s&eacute;rios e ponderados. (...) A ata da inaugura&ccedil;&atilde;o foi assinada por cinquenta m&eacute;dicos cat&oacute;licos (...) Renovamos agora os nossos votos: queremos ver em breve os nossos m&eacute;dicos cat&oacute;licos - e gra&ccedil;as a Deus os temos reunidos numa Associa&ccedil;&atilde;o S&atilde;o Lucas, porque &eacute; nestas organiza&ccedil;&otilde;es que repousa uma grande for&ccedil;a de a&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica"<a name="top34"></a><a href="#back34"><sup>34</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O apelo aos jovens para se engajar na milit&acirc;ncia cat&oacute;lica rendeu muitos frutos em Minas Gerais. A primeira associa&ccedil;&atilde;o foi a "Uni&atilde;o dos Mo&ccedil;os Cat&oacute;licos" que deu origem, em Belo Horizonte, a Sociedade M&eacute;dica S&atilde;o Lucas, instalada em 4 de abril de 1929, sob a presid&ecirc;ncia de honra do Arcebispo Dom Antonio dos Santos Cabral e com discursos dos m&eacute;dicos cat&oacute;licos Ara&uacute;jo Penna e Roberto Almeida Cunha.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O secret&aacute;rio geral que assina o convite, Olinto Orsini, era professor de dermatologia e sifilografia da Faculdade de Medicina, presidia o Conselho Superior da "Uni&atilde;o dos Mo&ccedil;os Cat&oacute;licos", dirigia o peri&oacute;dico <i>Uni&atilde;o dos Mo&ccedil;os</i> e, em 1929, come&ccedil;ou a dirigir, tamb&eacute;m, o jornal cat&oacute;lico <i>O Horizonte</i>, ou seja, era uma das maiores lideran&ccedil;as do movimento leigo em Minas Gerais<a name="top35"></a><a href="#back35"><sup>35</sup></a>. Gra&ccedil;as ao empenho de homens como Orsini, e com o apoio decisivo da C&uacute;ria de Belo Horizonte, a Sociedade Medica S&atilde;o Lucas foi formalmente instalada com a seguinte composi&ccedil;&atilde;o: Presidente honor&aacute;rio, Dom. Antonio dos Santos Cabral; Presidente. Dr. Borges da Costa; Vice-Presidente, Prof. Almeida Cunha; Secret&aacute;rio Geral Dr. Olyntho Orsini; Secret&aacute;rio Dr. Alberto Cavalcanti e Thesoureiro Dr. Magalh&atilde;es Gomes <a name="top36"></a><a href="#back36"><sup>36</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com exce&ccedil;&atilde;o do Dr. Alberto Cavalcanti, todos os demais m&eacute;dicos eram professores da Faculdade de Medicina, desde a primeira turma formada. O cargo de presidente honor&aacute;rio para o arcebispo da cidade, Dom Cabral, refor&ccedil;a que antes de ser uma associa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos, era uma associa&ccedil;&atilde;o de cat&oacute;licos. Enquanto na Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dico-Cirurgica de Minas Gerais, Olyntho Orsini apresentava, no dia 18 de novembro de 1928, uma observa&ccedil;&atilde;o sobre tratamento dos "processos elefant&iacute;acos da perna pela opera&ccedil;&atilde;o de Moreschi-Marianni", na Sociedade S&atilde;o Lucas os temas prediletos eram educa&ccedil;&atilde;o sexual, aulas de religi&atilde;o nas escolas p&uacute;blicas, moral e pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O incentivo ao desenvolvimento do movimento leigo fez crescer o prest&iacute;gio de lideran&ccedil;as como Roberto Almeida Cunha, professor da Faculdade de Medicina, que discursou na instala&ccedil;&atilde;o da Sociedade M&eacute;dica S&atilde;o Lucas e, mais tarde, tornou-se Presidente da Junta Arquidiocesana da A&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica<a name="top37"></a><a href="#back37"><sup>37</sup></a>. Em seu discurso, Almeida Cunha ataca o racionalismo e reafirma a import&acirc;ncia de uma associa&ccedil;&atilde;o exclusiva de m&eacute;dicos cat&oacute;licos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Hoje que a peste terr&iacute;vel do racionalismo, indumentada em aurea roupagem de liberalismo e superioridade intelectual se apodera dos meios dirigentes da sociedade humana, o nosso papel &eacute; delicado, &eacute; dif&iacute;cil, &eacute; sublime! Surgem a cada instante institui&ccedil;&otilde;es liberais que se jactam de seu respeito &agrave;s Confiss&otilde;es religiosas, paradoxalmente exigindo que cada um as deponha no vesti&aacute;rio ao penetrar no ambiente das delibera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Sociedade S&atilde;o Lucas &eacute; particularmente preciosa porque espatifa a hypocrisia d'essa pseudo-superioridade. Associados de S&atilde;o Lucas s&atilde;o os catholicos praticantes, m&eacute;dicos e basta"<a name="top38"></a><a href="#back38"><sup>38</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Seguindo o exemplo de outras associa&ccedil;&otilde;es de classe que surgiram sob a influ&ecirc;ncia do corporativismo, os m&eacute;dicos tamb&eacute;m formaram uma Corpora&ccedil;&atilde;o de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos, na d&eacute;cada de 1930. Os assuntos discutidos na Corpora&ccedil;&atilde;o de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos eram variados, mas os temas m&eacute;dicos sempre eram entremeados pela religi&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Paralelamente &agrave;s discuss&otilde;es de temas m&eacute;dicos e religiosos, a Corpora&ccedil;&atilde;o se dedicava &agrave; assist&ecirc;ncia aos desvalidos e uma de suas maiores realiza&ccedil;&otilde;es foi a cria&ccedil;&atilde;o do Hospital S&atilde;o Francisco de Assis prestando servi&ccedil;os &aacute; popula&ccedil;&atilde;o mais carente. A corpora&ccedil;&atilde;o era filiada ao Conselho Metropolitano de Belo Horizonte, da Sociedade S&atilde;o Vicente de Paulo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O corporativismo m&eacute;dico de Belo Horizonte personificado na Corpora&ccedil;&atilde;o de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos, tinha como destaque o m&eacute;dico Joaquim Pedro de Menezes Furtado, mais conhecido nos meios vicentinos como Dr. Furtado de Menezes. Sua trajet&oacute;ria na milit&acirc;ncia cat&oacute;lica come&ccedil;ou com seu ingresso na Sociedade S&atilde;o Vicente de Paulo, de Ouro Preto, em 1895. Em 1935, com uma lideran&ccedil;a inconteste junto aos cat&oacute;licos de Minas Gerais, participa da funda&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias corpora&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas como a dos m&eacute;dicos, dos engenheiros, dos viajantes, dos advogados e dos contabilistas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o foram encontrados os registros completos da Corpora&ccedil;&atilde;o de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos. Sabe-se que os m&eacute;dicos eram muito atuantes e estavam dispersos em diversas associa&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o se desmobilizaram. A efemeridade de alguns nomes de associa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o significava desarticula&ccedil;&atilde;o. O livro de atas de uma dessas associa&ccedil;&otilde;es, a da Sociedade M&eacute;dica da Creche do Menino Jesus, &eacute; bem ilustrativo dessa varia&ccedil;&atilde;o de nomes para uma mesma agremia&ccedil;&atilde;o. A primeira ata &eacute; de 31 de mar&ccedil;o de 1935, quando se deu a funda&ccedil;&atilde;o da Sociedade. No mesmo livro, em 24 de agosto do mesmo ano, a ata j&aacute; se refere &agrave; oitava sess&atilde;o da Sociedade M&eacute;dica S&atilde;o Vicente. Um ano depois de fundada em 3 de mar&ccedil;o de 1936, na 13<sup>a</sup> sess&atilde;o, o nome da associa&ccedil;&atilde;o &eacute; <i>Academia S&atilde;o Lucas</i>, denomina&ccedil;&atilde;o que permanece at&eacute; 21 de julho de 1944, data da &uacute;ltima ata de reuni&atilde;o encontrada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m da variedade de nomes de uma mesma agremia&ccedil;&atilde;o, os m&eacute;dicos cat&oacute;licos agrupavam-se nos hospitais em que trabalhavam. Foram encontradas refer&ecirc;ncias a pelo menos tr&ecirc;s dessas associa&ccedil;&otilde;es: a do hospital S&atilde;o Francisco, do Hospital Militar e da creche Menino Jesus. Um exemplo &eacute; a Sociedade Cir&uacute;rgica do Hospital Militar, que era conduzida pelo Professor de Cl&iacute;nica M&eacute;dica da Faculdade de Medicina, Braz Pellegrino. Em 1936, no II Congresso Eucar&iacute;stico, ocorrido em Belo Horizonte, Pellegrino esteve encarregado do servi&ccedil;o de sa&uacute;de<a name="top39"></a><a href="#back39"><sup>39</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na biblioteca da C&uacute;ria Metropolitana de Belo Horizonte existem documentos sobre a&ccedil;&atilde;o do grupo de m&eacute;dicos que criou o Hospital S&atilde;o Francisco, ligado aos vicentinos, e a funda&ccedil;&atilde;o do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em 1948, na cidade de Nova Lima, vizinha &agrave; Belo Horizonte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O grande edif&iacute;cio destinado ao hospital S&atilde;o Francisco foi feito para comportar inicialmente 80 leitos e aproveitou o velho barrac&atilde;o de uma creche. Sua dire&ccedil;&atilde;o interna foi entregue &agrave;s Irm&atilde;s Carmelitas da Divina Providencia, mantendo servi&ccedil;os de policl&iacute;nica (11 leitos), laborat&oacute;rio, raios-X, Farm&aacute;cia, Maternidade e Lact&aacute;rio. Um ano depois de criado, em 1937, sua policl&iacute;nica atendeu 10.089 doentes, e, em diet&eacute;tica, a 14.627 crian&ccedil;as que receberam 59.080 mamadeiras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Nos &uacute;ltimos anos da d&eacute;cada de 1930, em Belo Horizonte, os m&eacute;dicos cat&oacute;licos organizados manifestavam-se por v&aacute;rios canais de comunica&ccedil;&atilde;o. O avan&ccedil;o de novos grupos de m&eacute;dicos ligados a outros interesses que n&atilde;o os cat&oacute;licos, como os influenciados pela medicina americana, financiados pela Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller, exigia dos cat&oacute;licos mais do que simplesmente parecerem cat&oacute;licos. Aos m&eacute;dicos cat&oacute;licos n&atilde;o bastava frequentar missas e mostrarem-se piedosos. Os contempor&acirc;neos da A&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica precisaram militar, pertencer &agrave; <i>Corpora&ccedil;&atilde;o dos M&eacute;dicos Cat&oacute;licos.</i> O apoio do Arcebispo era irrestrito a esses profissionais e ainda era grande a influ&ecirc;ncia da Igreja Cat&oacute;lica na cidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O movimento dos m&eacute;dicos cat&oacute;licos cresceu em todo o pa&iacute;s e, em 1946, aconteceu o Primeiro Congresso Brasileiro de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos, em Fortaleza/CE. Esse Congresso contou com a ades&atilde;o de m&eacute;dicos e institui&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas de v&aacute;rios estados, como Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e S&atilde;o Paulo, al&eacute;m de contar com a ades&atilde;o do episcopado de todo o pa&iacute;s. Nas sess&otilde;es, tanto de estudo quanto as solenes, foram discutidos assuntos de interesse cient&iacute;fico-religioso e o problema da concep&ccedil;&atilde;o espiritual da vida, &agrave; luz da medicina e da religi&atilde;o cat&oacute;lica<a name="top40"></a><a href="#back40"><sup>40</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O &uacute;nico hospital criado por uma corpora&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos cat&oacute;licos foi o Hospital S&atilde;o Francisco, mas cat&oacute;licos atuantes ou mesmo ateus que n&atilde;o desprezavam o valor crist&atilde;o da caridade, t&atilde;o acalentado pelos cat&oacute;licos de Belo Horizonte, estiveram a frente das seguintes institui&ccedil;&otilde;es da cria&ccedil;&atilde;o da capital at&eacute; os anos de 1940.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/dyn/v31n1/06t01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar do predom&iacute;nio dos cat&oacute;licos, outros grupos de m&eacute;dicos tamb&eacute;m crescem ao longo da primeira metade do s&eacute;culo XX e, em alguns momentos, foram inevit&aacute;veis os choques entre seus seguidores, numa disputa de espa&ccedil;o nas institui&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas e na sociedade em geral. Era o embate de m&eacute;dicos cat&oacute;licos militantes e os "ateus". Nas d&eacute;cadas de 1940 e 1950, entram em a&ccedil;&atilde;o m&eacute;dicos de outras cren&ccedil;as que se unem para criar hospitais que respeitavam seus princ&iacute;pios como o Hospital Evang&eacute;lico (1957) e o Hospital Esp&iacute;rita Andr&eacute; Luiz (1949), mas esse &eacute; assunto para outro artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Agradecimientos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Agradecimentos &agrave; Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional do Projeto REDE BRASIL, especialmente Gisele Sanglard pela aten&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o. Aos pesquisadores e bolsistas do projeto Anny J. T. Silveira, Bet&acirc;nia G. Figueiredo, Cecilia Luttembarck de O. L. Rattes, Evandro Guilhon, Claudia Marun M. Martins, Huener Gon&ccedil;alves Silva e Junnia Alvarenga de Oliveira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Referência</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>. Rosen, George. Da pol&iacute;cia m&eacute;dica &agrave; medicina social: ensaios sobre a hist&oacute;ria da assist&ecirc;ncia m&eacute;dica. Rio de Janeiro: Graal; 1980, p. 354.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721616&pid=S0211-9536201100010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back2"></a><a href="#top2">2</a>. Porter, Roy. Hospitais e cirurgia. In: Cambridge - Hist&oacute;ria Ilustrada da Medicina. Rio de Janeiro: Revinter; 2001, p. 208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721618&pid=S0211-9536201100010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back3"></a><a href="#top3">3</a>. Pereira, Nuno Moniz. A assist&ecirc;ncia em Portugal na Idade M&eacute;dia. Porto, CTT Correios de Portugal; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721620&pid=S0211-9536201100010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back4"></a><a href="#top4">4</a>. Porter, n. 3, p. 209.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back5"></a><a href="#top5">5</a>. Sousa, Ivo Carneiro. Da funda&ccedil;&atilde;o e da originalidade das Miseric&oacute;rdias Portuguesas (1498-1500). Revista Oceanos. Miseric&oacute;rdias: cinco s&eacute;culos. 1998; 35: 24-39 (24).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721623&pid=S0211-9536201100010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back6"></a><a href="#top6">6</a>. Sousa, n. 5, p. 36.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back7"></a><a href="#top7">7</a>. Russel-Wood, Anthony J. R. Fidalgos e filantropos: a Santa Casa da Miseric&oacute;rdia da Bahia, 15501755. Bras&iacute;lia: UnB; 1981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721626&pid=S0211-9536201100010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Boschi, Caio C&eacute;sar. Os leigos e o poder: irmandades leigas e pol&iacute;tica colonizadora em Minas Gerais. S&atilde;o Paulo: Atica; 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721627&pid=S0211-9536201100010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back8"></a><a href="#top8">8</a>. Figueiredo, Cec&iacute;lia M. Fortes. Religi&atilde;o e religiosidade em Mariana no s&eacute;culo XVIII. In: Termo de Mariana: hist&oacute;ria e documenta&ccedil;&atilde;o. Mariana: Imprensa Universit&aacute;ria; 1998, p. 100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721629&pid=S0211-9536201100010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back9"></a><a href="#top9">9</a>. Saint-Hilaire, Auguste de. Viagens pelas prov&iacute;ncias do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Belo Horizonte/ S&atilde;o Paulo: Itatiaia/ EDUSP; 1975, p. 72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721631&pid=S0211-9536201100010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back10"></a><a href="#top10">10</a>. Boschi, n. 7, p. 106.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back11"></a><a href="#top11">11</a>. Rocha, Jos&eacute; Joaquim da. Geografia hist&oacute;rica da Capitania de Minas Gerais. Descri&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, topogr&aacute;fica, hist&oacute;rica e pol&iacute;tica da Capitania de Minas Gerais. Mem&oacute;ria hist&oacute;rica da Capitania de Minas Gerais - 1778. Belo Horizonte: Funda&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Pinheiro; 1995, p. 103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721634&pid=S0211-9536201100010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back12"></a><a href="#top12">12</a>. Kury, Lorelai. Auguste de Saint-Hilaire, viajante exemplar. Intell&egrave;ctus. 2003; 2 (2): 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721636&pid=S0211-9536201100010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back13"></a><a href="#top13">13</a>. Marques, Rita de C&aacute;ssia. Da Romaniza&ccedil;&atilde;o a Terceira Via: a Igreja no Brasil de 1889 a 1945. Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais; 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721638&pid=S0211-9536201100010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back14"></a><a href="#top14">14</a>. Bonaldi, Louis G. A. de. A Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e a mis&eacute;ria. In: &Aacute;vila, Fernando Bastos, org. O Pensamento social crist&atilde;o antes de Marx. Rio de Janeiro: Loyola; 1972, p. 39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721640&pid=S0211-9536201100010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back15"></a><a href="#top15">15</a>. &Aacute;vila, n. 14, p. 236.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back16"></a><a href="#top16">16</a>. Campos, C. M. Padre Jos&eacute; Isabel da Silva. Espiritualidade de S&atilde;o Vicente de Paulo. Grande Sinal - Revista de Espiritualidade. 1981; 7: 517.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721643&pid=S0211-9536201100010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back17"></a><a href="#top17">17</a>. Campos, n. 16, p. 526.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back18"></a><a href="#top18">18</a>. Souza, Marco Ant&ocirc;nio de. Caridade e Educa&ccedil;&atilde;o: A Pedagogia do Assistencialismo e a Moraliza&ccedil;&atilde;o dos Pobres em Belo Horizonte, 1930-1990. Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721646&pid=S0211-9536201100010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back19"></a><a href="#top19">19</a>. At&eacute; insuspeitos modernistas como M&aacute;rio de Andrade, tiveram passagem por essas Confer&ecirc;ncias: "Simpatizante das massas oprimidas, M&aacute;rio jamais chegaria ao radicalismo anti-religioso, tipo "&oacute;pio do povo" como tamb&eacute;m n&atilde;o se refugiaria nas torres de marfim da burguesia, digamos progressista. Sua breve milit&acirc;ncia cat&oacute;lica foi voltada aos pobres, pertencendo como pertenceu &agrave; escola de Frederico Ozanam". Damante, H&eacute;lio. M&aacute;rio de Andrade, cat&oacute;lico e vicentino. D. O. Leitura. 1993; 12 (137): 16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721648&pid=S0211-9536201100010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back20"></a><a href="#top20">20</a>. Essa ocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o grande, que, em 1902, o prefeito Bernardo Monteiro transforma, pelo decreto 1.516, a 8<sup>a</sup> se&ccedil;&atilde;o urbana (Barro Preto) em regi&atilde;o suburbana para abrigar cerca de dois mil oper&aacute;rios retirados de 600 cafuas no Leit&atilde;o e 300 no local denominado Favella. Le Ven, Michel Marie. As classes sociais e o poder pol&iacute;tico na forma&ccedil;&atilde;o espacial de Belo Horizonte (1893-1914). Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais; 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721650&pid=S0211-9536201100010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back21"></a><a href="#top21">21</a>. Barreto, Abilio. Belo Horizonte: mem&oacute;ria hist&oacute;rica e descritiva - hist&oacute;ria antiga e hist&oacute;ria m&eacute;dia. Belo Horizonte: Funda&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Pinheiro/Centro de Estudos Hist&oacute;ricos e Culturais; 1995; p. 589.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721652&pid=S0211-9536201100010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="back22"></a><a href="#top22">22</a>. Barreto, n. 21, p. 416.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back23"></a><a href="#top23">23</a>. O paternalismo pode ser entendido como uma concentra&ccedil;&atilde;o de autoridade econ&ocirc;mica e cultural. Geremek acredita que o car&aacute;ter paternalista &eacute; um fator que de certa forma desacredita o movimento filantr&oacute;pico, j&aacute; que muitas vezes o discurso de socorrer os pobres n&atilde;o passa de mera ret&oacute;rica. Geremek, Bronislaw. A piedade e a forca: a hist&oacute;ria da mis&eacute;ria e da caridade na Europa. Lisboa: Terramar; 1995, p. 280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721655&pid=S0211-9536201100010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back24"></a><a href="#top24">24</a>. Porter, n. 2, p. 213.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back25"></a><a href="#top25">25</a>. Souza, n. 18.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back26"></a><a href="#top26">26</a>. Marques, Rita de C&aacute;ssia. A Imagem social do M&eacute;dico de senhoras no s&eacute;culo XX. Belo Horizonte: COOPMED; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721659&pid=S0211-9536201100010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back27"></a><a href="#top27">27</a>. Santa Casa Not&iacute;cias. Entre-guerras e revolu&ccedil;&otilde;es, sempre a servi&ccedil;o do bem. Belo Horizonte; EDITORIAL; 2002, p. 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721661&pid=S0211-9536201100010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back28"></a><a href="#top28">28</a>. Marques, n. 26.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back29"></a><a href="#top29">29</a>. Werneck, Hugo. Discurso do Professor Werneck por occasi&atilde;o da inaugura&ccedil;&atilde;o da Maternidade. Archivos Mineiros de Medicina. 1916; 1 (2).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721664&pid=S0211-9536201100010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back30"></a><a href="#top30">30</a>. Souza, n. 18.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back31"></a><a href="#top31">31</a>. O Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o a Inf&acirc;ncia integraria uma grande estrutura de aten&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;a, gerando benef&iacute;cios e oferecendo assist&ecirc;ncia a muitas fam&iacute;lias pobres, inspirado em modelos da B&eacute;lgica, Argentina e Estados Unidos. O Instituto agiria conjuntamente &agrave;s Damas de Caridade que ficariam encarregadas de fun&ccedil;&otilde;es femininas como confeccionar roupas, organizar festas e arrecadar donativos. Wadsworth, James E. Moncorvo Filho e o problema da inf&acirc;ncia: modelos institucionais e ideol&oacute;gicos da assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia no Brasil. Revista Brasileira de Historia. 1999; 19 (37): 103-124.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721667&pid=S0211-9536201100010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back32"></a><a href="#top32">32</a>. Marques, n. 13.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back33"></a><a href="#top33">33</a>. Pio XI e L'Azione Cat&oacute;lica - Roma, 1929:508, citado por Cunha, Roberto Almeida. O papel do m&eacute;dico na A&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica. In: Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos. Fortaleza: EDITORIAL; 1946, p. 136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721670&pid=S0211-9536201100010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back34"></a><a href="#top34">34</a>. O Horizonte; 24 Nov 1928, p. 1.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back35"></a><a href="#top35">35</a>. O Horizonte; 8 Abr 1929, p. 1.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="back36"></a><a href="#top36">36</a>. O Horizonte; 8 Abr 1929, n. 35.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back37"></a><a href="#top37">37</a>. O Di&aacute;rio; 14 Mar 1937.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back38"></a><a href="#top38">38</a>. O Horizonte; 11 May 1929, p. 2.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back39"></a><a href="#top39">39</a>. O Di&aacute;rio; 2 Jun 1936, p. 8.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back40"></a><a href="#top40">40</a>. Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de M&eacute;dicos Cat&oacute;licos, Fortaleza: s. e.; 1946, p. 136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1721678&pid=S0211-9536201100010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 2 de febrero de 2010    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 18 de diciembre de 2010</font></p>     ]]></body>
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