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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Plano de Educação Higiênica de Belisário Penna: 1900-1930]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Hygiene Education Project of Belisário Penna: 1900-1930]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to present and analyze the hygiene education project of Belisario Penna (1868-1939). This physician took part in the public health movement that sought, through reforms in public health policy and education, to change the conditions that made Brazil a country of the poor, sick and illiterate. We describe the main ideas expressed by Penna in the period between 1900 and 1930. For this purpose, we use his archive as a privileged source of this physician, one of the leading intellectuals of the time.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>O Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica de Belis&aacute;rio Penna. 1900-1930</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>The Hygiene Education Project of Belis&aacute;rio Penna. 1900-1930</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ricardo Augusto Dos Santos (*)</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(*) Casa de Oswaldo Cruz/Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Brasil    <br><a href="mailto:ricardo.augusto@pq.cnpq.br">ricardo.augusto@pq.cnpq.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este texto tem como objetivo apresentar e analisar o projeto de educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica de Belis&aacute;rio Penna (1868-1939). Este m&eacute;dico participou do Movimento Sanitarista que pretendia, atrav&eacute;s de reformas nas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de p&uacute;blica e educa&ccedil;&atilde;o, modificar as condi&ccedil;&otilde;es que tornavam o Brasil um pa&iacute;s de pobres, doentes e analfabetos. Descrevemos as principais id&eacute;ias formuladas por Penna no per&iacute;odo entre 1900 e 1930. Para tanto, utilizamos como fonte privilegiada o Fundo Pessoal do sanitarista, um dos principais intelectuais da &eacute;poca.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Eugenia, educa&ccedil;&atilde;o, movimento sanitarista, higiene, intelectuais.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This paper aims to present and analyze the hygiene education project of Belisario Penna (1868-1939). This physician took part in the public health movement that sought, through reforms in public health policy and education, to change the conditions that made Brazil a country of the poor, sick and illiterate. We describe the main ideas expressed by Penna in the period between 1900 and 1930. For this purpose, we use his archive as a privileged source of this physician, one of the leading intellectuals of the time.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> Eugenics, education, sanitarian movement, hygiene, intellectuals.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pesquisas sobre a eugenia permanecem restritas a determinados pa&iacute;ses. Freq&uuml;entemente,  ela &eacute; associada ao nazismo, ignorando-se a exist&ecirc;ncia das id&eacute;ias  e pr&aacute;ticas eugenistas que ultrapassaram fronteiras. O exemplo norte-americano  est&aacute; sendo mais estudado, assim como o eugenismo na Am&eacute;rica Latina  vem merecendo mais aten&ccedil;&atilde;o. Contudo, permanece uma produ&ccedil;&atilde;o  que trata de maneira superficial as influ&ecirc;ncias que o eugenismo brasileiro  provocou. No Brasil, foram realizados bons trabalhos acad&ecirc;micos sobre  a eugenia. Essa literatura aborda os textos dos intelectuais eugenistas, por&eacute;m  n&atilde;o demonstra a particularidade dos agentes sociais. Com alguma freq&uuml;&ecirc;ncia,  analisam os livros, mas n&atilde;o ampliam a an&aacute;lise e, tampouco, destacam  as nuances do pensamento dos intelectuais que compartilharam das id&eacute;ias  eugenistas<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Cumpre indagar: o pensamento eug&ecirc;nico brasileiro foi diferente do anglo-sax&atilde;o?  O desenvolvimento da Eugenia no Brasil teve caracter&iacute;sticas distintas  de pa&iacute;ses como EUA e Alemanha. Todavia, alguns cr&iacute;ticos concluem,  equivocadamente, que a eugenia germ&acirc;nica ou norte-americana foi a verdadeira,  enquanto a latina foi branda ou falsa. Portanto, n&atilde;o cabe negar a validade  das investiga&ccedil;&otilde;es realizadas, mas &eacute; necess&aacute;rio fazer  algumas perguntas: a eugenia latina foi menos eugenista do que as outras? Foi  um conjunto equivocado de id&eacute;ias? Remando contra essas interpreta&ccedil;&otilde;es,  constatamos que, no Brasil, entre o in&iacute;cio do s&eacute;culo e a d&eacute;cada  de 1940 existiu um movimento eug&ecirc;nico que permitia a associa&ccedil;&atilde;o  entre esteriliza&ccedil;&atilde;o, saneamento e educa&ccedil;&atilde;o. Quase  todos os intelectuais eugenistas n&atilde;o escaparam dessa hibridiza&ccedil;&atilde;o  de estrat&eacute;gias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O presente texto tem como t&iacute;tulo O Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica de Belis&aacute;rio Penna. 1900-1930. Portanto, resta evidente que este m&eacute;dico &eacute; a  figura central para a an&aacute;lise. Mas, n&atilde;o o deixaremos sozinho.  Um intelectual relaciona-se com outros atores. Penna foi um dos principais agentes  do campo eug&ecirc;nico brasileiro. Desde as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo  XX at&eacute; a sua morte ele esteve envolvido com o debate sobre a pertin&ecirc;ncia  da eugenia para a sociedade. Participou da funda&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es  que promoviam a divulga&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias sobre a regenera&ccedil;&atilde;o  do pa&iacute;s. Mas, muitos intelectuais  acompanhavam-no. O movimento eugenista foi exuberante em intelectuais, institui&ccedil;&otilde;es  e publica&ccedil;&otilde;es<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como dissemos, n&atilde;o discordamos totalmente das interpreta&ccedil;&otilde;es realizadas por pesquisadores sobre a eugenia brasileira. Chamamos aten&ccedil;&atilde;o, inclusive, para o bom n&iacute;vel dos projetos. Mas, propomos alguns questionamentos e fazemos considera&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar, afirmamos que a forma&ccedil;&atilde;o do campo eug&ecirc;nico relaciona-se com a estrutura de classes de cada pa&iacute;s. A Eugenia chegou ao Brasil por interm&eacute;dio dos livros produzidos na Europa. Em terras tropicais, encontrou solo f&eacute;rtil. Casou-se bem com um conjunto variado de id&eacute;ias. Algumas delas existiam, pelo menos desde a metade do s&eacute;culo XIX e tentavam explicar a experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica em torno das popula&ccedil;&otilde;es escravas. Outras, espetacularmente desenvolvidas ap&oacute;s 1870, almejavam construir um mundo moderno, colocando o pa&iacute;s nos trilhos do progresso. Certamente, um dos motivos importantes para o desenvolvimento do eugenismo nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX estava na preocupa&ccedil;&atilde;o com o controle da popula&ccedil;&atilde;o de ex-escravos que estavam em processo de proletariza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; bastante evidente a inquieta&ccedil;&atilde;o dos intelectuais com os fatores identificados pelo eugenismo nacional como disg&ecirc;nicos, ou seja, contr&aacute;rios forma&ccedil;&atilde;o do povo bonito, forte e saud&aacute;vel. Que condi&ccedil;&otilde;es adversas eram essas que impediam a forma&ccedil;&atilde;o de um Brasil novo? Entre v&aacute;rias, o crescimento desordenado das cidades; a proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, que tamb&eacute;m n&atilde;o havia resolvido os problemas que os intelectuais apontavam como cruciais; a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o e conseq&uuml;ente processo imigrat&oacute;rio para as cidades, compondo um contingente de pessoas procurando moradia e trabalho em cidades como Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse &eacute; um ponto importante para compreendermos esse emaranhado de id&eacute;ias: a ambig&uuml;idade das propostas eugenistas. R&oacute;tulos parte, o cen&aacute;rio &eacute; complexo. Freq&uuml;entemente, v&aacute;rios representantes do pensamento eugenista s&atilde;o ignorados como exemplos para estudar a repercuss&atilde;o dessas  id&eacute;ias. H&aacute; duas raz&otilde;es. Em primeiro lugar, os pesquisadores  contempor&acirc;neos trabalham com os conceitos formulados pelos intelectuais  estudados. Em segundo, o paradigma eug&ecirc;nico anglo-sax&atilde;o influencia  as an&aacute;lises operadas pela historiografia da eugenia. Por meio de uma  leitura tradicional, qualquer proposta fora do modelo paradigm&aacute;tico n&atilde;o  ser&aacute; considerada eug&ecirc;nica. Da&iacute; a identifica&ccedil;&atilde;o  direta entre nazismo e eugenia, o que constitui flagrante equ&iacute;voco. Como  explicar as experi&ecirc;ncias eugenistas acontecidas na Su&eacute;cia, que  at&eacute; meados do s&eacute;culo XX praticou a esteriliza&ccedil;&atilde;o  compuls&oacute;ria? Ou nos EUA, que em 1906 j&aacute; realizava a esteriliza&ccedil;&atilde;o  compuls&oacute;ria e consagrava a eugenia nas suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas?</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Julgamos que nossa  contribui&ccedil;&atilde;o ao debate historiogr&aacute;fico sobre a Eugenia  Brasileira est&aacute; em demonstrar a articula&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o  higi&ecirc;nica, das a&ccedil;&otilde;es de esteriliza&ccedil;&atilde;o e do  combate s doen&ccedil;as para a forma&ccedil;&atilde;o de um povo educado e  higi&ecirc;nico. Mesmo Renato Kehl (1889-1974), m&eacute;dico reconhecido como  um eugenista radical, favor&aacute;vel s t&eacute;cnicas de esteriliza&ccedil;&atilde;o  de incapazes mentais e criminosos, foi tamb&eacute;m defensor do saneamento  e da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica como fatores que propiciariam a  regenera&ccedil;&atilde;o dos brasileiros, identificados como pobres, doentes  e feios. Na d&eacute;cada de 1920, Kehl j&aacute; declarava a import&acirc;ncia  e o valor dos ensinamentos da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica. Ao longo  do texto, ainda que de maneira superficial, exploraremos a a&ccedil;&atilde;o  intervencionista da educa&ccedil;&atilde;o no projeto eug&ecirc;nico brasileiro.  Isto nos ajuda a entender mais sobre a especificidade da eugenia. Quase todos  os intelectuais eugenistas possu&iacute;am uma vis&atilde;o particular das fun&ccedil;&otilde;es  que a educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica desempenharia na constru&ccedil;&atilde;o  do povo<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&ccedil;&atilde;o  das id&eacute;ias eugenistas na trajet&oacute;ria dos intelectuais deve ser  apurada com crit&eacute;rio rigoroso. A concep&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o  preconizada por Penna apresentava-se integrada transforma&ccedil;&atilde;o da  sociedade. Assim, podemos resumir que os intelectuais mantinham propostas de  interven&ccedil;&atilde;o eug&ecirc;nica do seguinte tipo: para as classes cacog&ecirc;nicas  e disg&ecirc;nicas da sociedade, a&ccedil;&otilde;es eugenistas, defendendo  a esteriliza&ccedil;&atilde;o para conter a prolifera&ccedil;&atilde;o dos seres  degenerados, mesti&ccedil;os e doentes; para todos que pretendiam casar-se,  o exame pr&eacute;-nupcial, terminando na proibi&ccedil;&atilde;o do casamento  ou gera&ccedil;&atilde;o de filhos entre os que demonstrassem ser degenerados  ou perigosos para a sociedade; e, para os membros da classe aristog&ecirc;nica,  educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica e sexual para garantir uma descend&ecirc;ncia  sadia<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Podemos definir  que os planos de eugenistas e sanitaristas consistiam em eugenia preventiva  (controle dos fatores disg&ecirc;nicos pelo saneamento), em eugenia positiva  (educa&ccedil;&atilde;o, incentivo e regula&ccedil;&atilde;o da procria&ccedil;&atilde;o  dos capazes) e na eugenia negativa (evitar a procria&ccedil;&atilde;o dos incapazes).  O objetivo era modernizar o pa&iacute;s e apagar os s&iacute;mbolos da degenera&ccedil;&atilde;o.  Dos sanitaristas, que negavam as teses da inata indol&ecirc;ncia tropical, vieram  os rem&eacute;dios para um futuro promissor: a educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica  e as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas sanit&aacute;rias. As condi&ccedil;&otilde;es  sanit&aacute;rias teriam de modificar-se para que, transformando os indiv&iacute;duos,  os seus descendentes fossem beneficiados. Eugenistas e sanitaristas entendiam  que as reformas das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de aprimorariam  a capacidade heredit&aacute;ria. Em suma, coexistiam teorias que adotavam uma  sele&ccedil;&atilde;o racial capaz de embranquecer a popula&ccedil;&atilde;o,  produzindo um tipo nacional, com teses de que o futuro eug&ecirc;nico seria  resultado do saneamento das &aacute;reas rurais e urbanas, al&eacute;m da educa&ccedil;&atilde;o  higi&ecirc;nica que propiciaria a cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o  da nova ordem. Essa amplitude de t&eacute;cnicas eug&ecirc;nicas n&atilde;o  consistia em interpreta&ccedil;&atilde;o err&ocirc;nea de teorias cient&iacute;ficas  originais, nem mesmo uma c&oacute;pia importada sem crit&eacute;rio, mas sim  na constru&ccedil;&atilde;o de um pensamento eug&ecirc;nico brasileiro<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Eugenistas e sanitaristas,  como tantos grupos do campo intelectual da &eacute;poca, n&atilde;o formavam  conjuntos homog&ecirc;neos. Por exemplo, uma parcela de eugenistas negava a  influ&ecirc;ncia do meio. Ou, pelo menos, alinhava-se em torno de uma leitura  que afirmava a impossibilidade de transmiss&atilde;o heredit&aacute;ria de caracter&iacute;sticas  adquiridas. Podemos dividir os intelectuais em dois conjuntos. Um grupo aceitava  a transforma&ccedil;&atilde;o das gera&ccedil;&otilde;es futuras por meio da  altera&ccedil;&atilde;o do meio, via combate dos fatores disg&ecirc;nicos, isto  &eacute;, degenerativos, como as doen&ccedil;as ven&eacute;reas e o alcoolismo;  e o outro negava, ou argumentava que essas causas ocupavam um espa&ccedil;o  secund&aacute;rio. No entanto, tal divis&atilde;o, se em algum momento ficava  evidente, em outros, no seio da disputa por espa&ccedil;os pol&iacute;ticos  e culturais, transformava-se numa fronteira bastante male&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>2. Belis&aacute;rio Penna</b></font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Imp&otilde;e-se, portanto a primazia da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica e eug&ecirc;nica  na escola e no lar, como medida fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o  de uma mentalidade coletiva equilibrada, e de uma consci&ecirc;ncia sanit&aacute;ria,  isto &eacute;, de um esp&iacute;rito nacional absolutamente compenetrado do  valor inestim&aacute;vel da pr&aacute;tica dos preceitos da higiene e da eugenia,  como indispens&aacute;veis prosperidade individual, da fam&iacute;lia, da  sociedade e da esp&eacute;cie"<a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O discurso apresentado pelos intelectuais sobre as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de p&uacute;blica apresentava-se articulado determinado conjunto de conhecimentos e pr&aacute;ticas sociais pol&iacute;ticas. Seu objetivo era obter dos indiv&iacute;duos uma conduta correta, segundo as regras ditadas pelas disciplinas que estavam transformando o mundo. As descobertas no campo da microbiologia desvendaram os processos infecciosos provocados por organismos que causavam doen&ccedil;as como C&oacute;lera, Var&iacute;ola e Febre Amarela. No entanto, as estrat&eacute;gias adotadas para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es m&eacute;dico-sanit&aacute;rias exigiram que o campo de a&ccedil;&atilde;o ultrapassasse a transmiss&atilde;o dos conhecimentos cient&iacute;ficos, provocando sens&iacute;veis modifica&ccedil;&otilde;es sobre os modos de vida das popula&ccedil;&otilde;es atingidas. As normas de educa&ccedil;&atilde;o preconizadas pretendiam controlar os h&aacute;bitos dos indiv&iacute;duos, prevendo-se que a altera&ccedil;&atilde;o dos comportamentos evitaria o cont&aacute;gio das doen&ccedil;as<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todavia, as a&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas invadiram o &acirc;mbito da vida privada. Evidentemente, as mudan&ccedil;as realizadas melhoraram as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias das cidades. Por&eacute;m, n&atilde;o devemos ignorar que as regras higi&ecirc;nicas confundiram-se com as normas sociais relacionadas ao controle das classes com o intuito de evitar os conflitos sociais, como podemos averiguar lendo os textos do sanitarista Belis&aacute;rio Penna. Em in&uacute;meros artigos e panfletos, este m&eacute;dico manifestou o desejo de modificar o pa&iacute;s a partir de uma consci&ecirc;ncia sanit&aacute;ria:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Somente com essa educa&ccedil;&atilde;o, as medidas sanit&aacute;rias compendiadas em leis e regulamentos ter&atilde;o o indispens&aacute;vel assentimento volunt&aacute;rio e convencido do povo"<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Mas, quem foi Belis&aacute;rio Penna? Trata-se de um dos intelectuais mais importantes para estudarmos o per&iacute;odo. Belis&aacute;rio Penna &eacute; personagem central para a hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica, mas sua biografia ainda &eacute; desconhecida. &Eacute; bastante comum encontrarmos dados equivocados sobre a vida do sanitarista. Achamos, com frequ&ecirc;ncia, em livros e artigos, a seguinte frase: Belis&aacute;rio Penna, cientista do IOC. Penna n&atilde;o era cientista e tampouco foi membro do Instituto Oswaldo Cruz.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Belis&aacute;rio  Augusto de Oliveira Penna nasceu em Barbacena (MG), em  29 de novembro de 1868, filho do Bar&atilde;o de Caranda&iacute; e de Lina Lage  Penna. Ingressou, em 1886, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se  no &uacute;ltimo ano para Salvador, na Bahia, onde terminou o curso em novembro  de 1890. Retornando Minas Gerais, clinicou em Barbacena e Juiz de Fora. Nessa  &uacute;ltima, em 1903, foi eleito vereador. No ano seguinte, transferiu-se  para o Rio de Janeiro e prestou concurso para inspetor sanit&aacute;rio da Diretoria  Geral de Sa&uacute;de P&uacute;blica, &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel  pelas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de p&uacute;blica. Aprovado, foi designado  para exercer as suas fun&ccedil;&otilde;es numa &aacute;rea da cidade habitada  por imigrantes portugueses, italianos, judeus e negros. Quase todos pobres.  Nesse momento, come&ccedil;ou o envolvimento de Penna com as pol&iacute;ticas  de sa&uacute;de<a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mas, sua trajet&oacute;ria  n&atilde;o ficou restringida a capital da Rep&uacute;blica brasileira. Alguns  anos depois, designado pelo m&eacute;dico Oswaldo Cruz, juntamente com o cientista  Arthur Neiva do Instituto Oswaldo Cruz, percorreu grande parte do Brasil. Conheceu  o norte da Bahia, sudeste de Pernambuco, sul do Piau&iacute; e nordeste de Goi&aacute;s,  com o fim de estudar as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias destes estados.  As experi&ecirc;ncias dessa viagem foram decisivas para a sua vis&atilde;o do  pa&iacute;s. As condi&ccedil;&otilde;es miser&aacute;veis da popula&ccedil;&atilde;o  marcaram-no fortemente. Transformou-se num incans&aacute;vel pregador da educa&ccedil;&atilde;o  higi&ecirc;nica como caminho necess&aacute;rio para a supera&ccedil;&atilde;o  dos problemas sociais da doen&ccedil;a e mis&eacute;ria que tanto afligiam o  Brasil<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em 1913, Belis&aacute;rio  Penna solicitou uma licen&ccedil;a de seis meses e, por conta  pr&oacute;pria, percorreu os estados do Paran&aacute;, Santa Catarina e Rio  Grande do Sul, para estud&aacute;-los, como fizera em rela&ccedil;&atilde;o  aos do Norte. Retornando ao Rio de Janeiro, reassumiu o cargo de Inspetor Sanit&aacute;rio,  passando a trabalhar em bairros distantes do centro da cidade. Em Vig&aacute;rio  Geral, instalou, em mar&ccedil;o de 1916, o primeiro posto de profilaxia rural  do Brasil, que mais tarde seria transferido para as localidades de Parada de  Lucas e Penha. Em 1916, iniciou pelo jornal <i>O Correio da Manh&atilde;</i>,  uma campanha pelo Saneamento do Brasil, escrevendo os artigos que constituiriam  o livro publicado com este nome. Em maio de 1918, durante a presid&ecirc;ncia  de Wenceslau Br&aacute;s, Penna seria nomeado para o rec&eacute;m-criado Servi&ccedil;o  de Profilaxia Rural. Durante a sua dire&ccedil;&atilde;o, dez postos sanit&aacute;rios  foram instalados nos sub&uacute;rbios e zonas rurais do Distrito Federal. Na  mesma &eacute;poca, ele seria o principal dirigente de importante associa&ccedil;&atilde;o  reunindo pol&iacute;ticos, escritores e m&eacute;dicos, a Liga Pr&oacute;-Saneamento  do Brasil. Esse grupo reivindicava reformas nas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em virtude da autonomia  administrativa obtida junto ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a  e Neg&oacute;cios Interiores, os recursos financeiros do Servi&ccedil;o de Profilaxia  Rural foram aumentados e a assist&ecirc;ncia m&eacute;dica foi ampliada para  as &aacute;reas do Estado do Rio de Janeiro lim&iacute;trofes com o Distrito  Federal. Em 1920, com a cria&ccedil;&atilde;o do Departamento Nacional de Sa&uacute;de  P&uacute;blica (DNSP), uma antiga  demanda dos intelectuais sanitaristas, um &oacute;rg&atilde;o nacional que fosse  respons&aacute;vel pelas a&ccedil;&otilde;es para a &aacute;rea da sa&uacute;de,  Penna foi nomeado Diretor do Departamento de Saneamento e Profilaxia Rural,  um setor subordinado ao DNSP. Foram instalados servi&ccedil;os de profilaxia  em 15 estados durante a sua gest&atilde;o. Penna tamb&eacute;m teve uma forte  atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Em carta aberta aos filhos, publicada  nos jornais, apoiou a Revolta Tenentista de 5 de julho de 1924. Preso, ficou  detido por seis meses<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1927, ainda  suspenso de suas fun&ccedil;&otilde;es, foi reintegrado ao servi&ccedil;o p&uacute;blico  como Chefe do Servi&ccedil;o de Propaganda e Educa&ccedil;&atilde;o Sanit&aacute;ria.  Neste cargo, percorreu os estados de Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco, Para&iacute;ba  e Rio Grande do Norte at&eacute; ser requisitado em 1928 pelo governo do Rio  Grande do Sul para organizar um centro de educa&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria.  Transferindo-se para o Sul, iniciou um per&iacute;odo de intenso trabalho. Merece  destaque seu engajamento na Revolu&ccedil;&atilde;o de 1930. Ap&oacute;s a vit&oacute;ria  do movimento, foi nomeado Diretor do Departamento Nacional de Sa&uacute;de.  Em setembro de 1931, Penna assumiu interinamente o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o  e Sa&uacute;de, criado depois do levante que levou Get&uacute;lio Vargas ao  poder. Filiou-se, em 1932, A&ccedil;&atilde;o Integralista Brasileira (AIB),  fundada por Pl&iacute;nio Salgado, tornando-se membro da C&acirc;mara dos 40.  Belis&aacute;rio Penna faleceu em 4 de novembro de 1939<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os registros documentais  assinalam que Belis&aacute;rio Penna, a partir de 1904,  quando se envolveu com as interven&ccedil;&otilde;es governamentais nas a&ccedil;&otilde;es  sanit&aacute;rias p&uacute;blicas, teve um papel decisivo para marcar a import&acirc;ncia  dessas atividades, desde a sua emerg&ecirc;ncia como responsabilidade estatal.  Daquele ano at&eacute; a d&eacute;cada de 1930, Penna esteve sempre ligado dire&ccedil;&atilde;o  dos &oacute;rg&atilde;os governamentais, intervindo na sociedade com a cria&ccedil;&atilde;o  de entidades pol&iacute;ticas. Participou da constru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o  s&oacute; de um setor p&uacute;blico voltado para controlar as a&ccedil;&otilde;es  coletivas da sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m na forma&ccedil;&atilde;o de um  grupo t&eacute;cnico com pr&aacute;ticas pr&oacute;prias, ou seja, os educadores  e sanitaristas, que deram capacidade intelectual e executiva aos projetos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os documentos que comp&otilde;em seu arquivo pessoal est&atilde;o sob a cust&oacute;dia do Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o da Casa de Oswaldo Cruz. S&atilde;o 7.000 documentos produzidos e acumulados pelo sanitarista, entre relat&oacute;rios, cartas e fotos, que revelam aspectos in&eacute;ditos sobre a hist&oacute;ria do Brasil. Esse intelectual foi colaborador incessante da imprensa, autor de livros e membro da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os. Entre os documentos de seu arquivo encontramos textos que fornecem dados imprescind&iacute;veis para uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre o car&aacute;ter das a&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de. Dentre essas fontes, apresentaremos coment&aacute;rios a respeito de alguns documentos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um texto de 1905 &eacute; essencial para a nossa an&aacute;lise. Trata-se do relat&oacute;rio apresentado ao dirigente da Diretoria Geral de Sa&uacute;de P&uacute;blica, o m&eacute;dico Oswaldo Cruz. Veremos que a leitura desse documento permite identificar a exist&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas educativas e/ou coercitivas que os inspetores utilizavam  para obter os objetivos. Penna afirmava que nenhum regulamento sanit&aacute;rio  teria execu&ccedil;&atilde;o eficiente se n&atilde;o fosse precedido de inteligente  propaganda para esclarecer o povo sobre as vantagens<a name="top14"></a><a href="#back14"><sup>14</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse relato dos  trabalhos efetuados durante o ano de 1904, pelo inspetor sanit&aacute;rio Belis&aacute;rio  Penna, achamos preciosos exemplos a respeito do modo persuasivo que Penna utilizava  para cumprir as rigorosas regulamenta&ccedil;&otilde;es do c&oacute;digo sanit&aacute;rio  da &eacute;poca. Documento do maior interesse, pois traz a descri&ccedil;&atilde;o  das tarefas de um inspetor de higiene no mesmo momento e em torno das mesmas  quest&otilde;es que transformaram a cidade num caos. O documento fala de sua  bem sucedida atua&ccedil;&atilde;o em zona pr&oacute;xima s ruas tumultuadas  pelo movimento popular que provocou transtornos na capital da Rep&uacute;blica:  A Revolta da Vacina. Um dos movimentos populares mais estudados pela historiografia  brasileira. Acontecida entre 10 e 16 de novembro de 1904, a Revolta foi um movimento  de oposi&ccedil;&atilde;o vacina&ccedil;&atilde;o contra a var&iacute;ola. Os  revoltosos resistiam viol&ecirc;ncia dos agentes sanit&aacute;rios e ao rigor  das normas sanit&aacute;rias, mas tamb&eacute;m questionavam o m&eacute;todo  empregado. Articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, tanto por parte de fra&ccedil;&otilde;es  monarquistas quanto de republicanos insatisfeitos com a Proclama&ccedil;&atilde;o  da Rep&uacute;blica em 1889, colaboraram para a eclos&atilde;o do acontecimento. O  pretexto para o conflito foi a publica&ccedil;&atilde;o do decreto de obrigatoriedade  da vacina, o que gerou um movimento popular contra a lei que tornava a vacina&ccedil;&atilde;o  antivari&oacute;lica compuls&oacute;ria. No entanto, apesar  do per&iacute;odo do relat&oacute;rio ter coincidido com o estado de s&iacute;tio  instalado pelo governo da Uni&atilde;o diante das manifesta&ccedil;&otilde;es  populares, n&atilde;o h&aacute; nenhum coment&aacute;rio espec&iacute;fico de  Penna a respeito dos fatos. Embora sejam feitas observa&ccedil;&otilde;es sobre  as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o e sobre o projeto  de obrigatoriedade da vacina<a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nomeado inspetor  sanit&aacute;rio a 05 de maio de 1904, Penna iniciara sua atividade  numa &aacute;rea que compreendia as ruas Marqu&ecirc;s de Sapuca&iacute;, Santana,  General Pedra, Senador Eus&eacute;bio, Visconde de Ita&uacute;na, S&atilde;o  Leopoldo, Alc&acirc;ntara e Marqu&ecirc;s de Pombal, zona de pequeno com&eacute;rcio  e in&uacute;meros corti&ccedil;os. O relat&oacute;rio foi apresentado em 08  de janeiro de 1905 e narra os servi&ccedil;os realizados entre 17 de maio e  31 de dezembro de 1904. Dedicando-se vigil&acirc;ncia m&eacute;dica e vacina&ccedil;&atilde;o,  Penna encontrou relut&acirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o, mas logo essa resist&ecirc;ncia  foi vencida<a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a>. Como foram superados os obst&aacute;culos para convencer  os habitantes a seguir as regras? Os bons resultados devem ser creditados s  amea&ccedil;as que Penna fazia. Como por exemplo, a de recolher os habitantes  aos hospitais, conseguindo assim vacin&aacute;-los. Devido ao medo de entrar  nos recintos de um local associado morte, parece que os habitantes daquele peda&ccedil;o  da cidade concordavam com a vacina&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m da coer&ccedil;&atilde;o  expl&iacute;cita aos comerciantes propriet&aacute;rios de pequenos a&ccedil;ougues  e mercearias, havia o convencimento atrav&eacute;s de amea&ccedil;as e prele&ccedil;&atilde;o  pedag&oacute;gica do inspetor. Demonstrando as vantagens de uma vida sadia,  Penna amea&ccedil;ava com multas aos que n&atilde;o cumprissem a necess&aacute;ria  profilaxia higi&ecirc;nica dos pr&eacute;dios e produtos colocados venda:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"T&aacute;tica e habilidade para educar e convencer esse povo obliterado de abus&otilde;es  e princ&iacute;pios falsos, alheio inteiramente aos mais comezinhos preceitos  de higiene, que, parece-me n&atilde;o tinha sido at&eacute; ent&atilde;o aplicado  com seriedade e com &acirc;nimo firme de ver realizado e cumprido os seus  regulamentos"<a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Portanto, o trabalho do inspetor era de vacina&ccedil;&atilde;o, vigil&acirc;ncia m&eacute;dica e  pol&iacute;cia m&eacute;dica, inclusive, multando os comerciantes, donos de  armaz&eacute;ns e estalagens imundas, repletas de doen&ccedil;as e animais,  que se negavam a cumprir as recomenda&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias. Belis&aacute;rio  Penna descreve a fun&ccedil;&atilde;o educativa e coercitiva dos inspetores:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"O inspetor &eacute; quem est&aacute; em contato direto e imediato com a popula&ccedil;&atilde;o;  quem executa o regulamento; quem aplica penas; quem atende em primeiro lugar  as reclama&ccedil;&otilde;es, cabe a maior responsabilidade na execu&ccedil;&atilde;o  da lei, que &eacute; ben&eacute;fica em seus efeitos, mas dura na aplica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O povo, em geral, tem avers&atilde;o remo&ccedil;&atilde;o para hospitais de isolamento, e esse  sentimento, ali&aacute;s injustific&aacute;vel e filho apenas da sua ignor&acirc;ncia  absoluta em mat&eacute;ria de higiene, foi um elemento por mim aproveitado  para conseguir vacina&ccedil;&otilde;es (...) O povo, em geral, &eacute; obediente  e submisso, aceitando os conselhos e determina&ccedil;&otilde;es da autoridade  sanit&aacute;ria, que vai cumprindo sem grande dificuldade o regulamento sanit&aacute;rio,  notando eu com grande satisfa&ccedil;&atilde;o que as condi&ccedil;&otilde;es  sanit&aacute;rias melhoraram sensivelmente"<a name="top18"></a><a href="#back18"><sup>18</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo, as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de p&uacute;blica pautavam-se preponderantemente por atividades campanhistas, ou seja, suas estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o atendiam ao controle das doen&ccedil;as infecto-contagiosas: Var&iacute;ola, Febre Amarela e Peste Bub&ocirc;nica. Durante o decorrer dos anos, apareceram experi&ecirc;ncias sanit&aacute;rias que apontaram para outras estrat&eacute;gias de assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de. Assim, d&aacute;-se n&atilde;o s&oacute; o surgimento das expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas com o objetivo de estudar as condi&ccedil;&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia das doen&ccedil;as, como a cria&ccedil;&atilde;o de postos sanit&aacute;rios permanentes, que para Penna deveriam ser escolas de ensinamentos higi&ecirc;nicos. Uma das linhas do nosso trabalho &eacute; demonstrar que os membros do Movimento Sanitarista, especialmente Belis&aacute;rio Penna, adotaram estrat&eacute;gias educativas e/ou coercitivas conjugadas s a&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias tradicionais que se propunham a eliminar as doen&ccedil;as da ignor&acirc;ncia<a name="top19"></a><a href="#back19"><sup>19</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Penna esteve frente de uma das expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas que excursionaram pelas &aacute;reas mais in&oacute;spitas do pa&iacute;s. Essas viagens patrocinadas pelo Instituto Oswaldo Cruz influenciaram as an&aacute;lises de v&aacute;rios intelectuais. Penna participou,  ao lado de Arthur Neiva, da expedi&ccedil;&atilde;o que percorreu v&aacute;rios  estados. O diagn&oacute;stico duro da realidade infernal dos sert&otilde;es  fez com que  considerasse de forma especial a sua vis&atilde;o. Afinal, ele conhecera a realidade  nacional. O sanitarista retornaria a este ponto, criticando, com relativa freq&uuml;&ecirc;ncia,  os que pensavam o Brasil a partir das luxuosas avenidas constru&iacute;das beira-mar.  Formulando seu Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica como meio de  chegar s boas condi&ccedil;&otilde;es higi&ecirc;nicas e a integra&ccedil;&atilde;o  nacional, criticava os intelectuais indiferentes ao pa&iacute;s real.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mas, que Plano  era este? Penna chegou a formular um projeto de educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica  com o intuito de transformar a na&ccedil;&atilde;o. Em v&aacute;rios momentos  de sua vida, Penna tentaria implantar seu projeto educativo-sanitarista-eug&ecirc;nico.  Vejamos outro documento do seu arquivo pessoal. No texto Educa&ccedil;&atilde;o  Higi&ecirc;nica e Eug&ecirc;nica - Imp&otilde;e-se a Primazia da Educa&ccedil;&atilde;o  Hygienica Escolar, apresentado na 1<sup>a</sup> Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o  da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, ele propunha  uma interven&ccedil;&atilde;o na sociedade, capaz de homogeneizar as atitudes.  Para ele, a consci&ecirc;ncia sanit&aacute;ria s&oacute; teria condi&ccedil;&otilde;es  de se firmar nos pa&iacute;ses nos quais predominasse a sa&uacute;de, base para  o trabalho produtivo. Este n&atilde;o era o caso, onde a mis&eacute;ria e a  doen&ccedil;a eram consequ&ecirc;ncias inevit&aacute;veis da ignor&acirc;ncia.  Por isto, tornava-se indispens&aacute;vel criar a consci&ecirc;ncia coletiva  pela educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica, como meio de difundir os valores  morais da normalidade resultante da sa&uacute;de. At&eacute; a sa&iacute;da  da vida p&uacute;blica em 1933, Penna ir&aacute; insistir nessas palavras. In&uacute;meros  textos chamando aten&ccedil;&atilde;o para a salva&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s  atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o fazem parte de seu arquivo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sem d&uacute;vida, por meio desta argumenta&ccedil;&atilde;o, caberia educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica gerar uma nova sociedade, adequada aos ideais de racionalidade e produtividade capitalistas. Com base nela, formularam-se normas sobre o lazer, trabalho, educa&ccedil;&atilde;o e fam&iacute;lia. Visando um Brasil moderno e pac&iacute;fico, os intelectuais sanitaristas expressavam um ide&aacute;rio que buscava civilizar o cidad&atilde;o, seus espa&ccedil;os e rela&ccedil;&otilde;es. Tornava-se absolutamente necess&aacute;rio obter controle sobre os problemas que atuavam sobre a sa&uacute;de da sociedade, entre os quais se inclu&iacute;am os h&aacute;bitos dos indiv&iacute;duos. Assim, para levar adiante o projeto higi&ecirc;nico, seria vital a coopera&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o. Desse quadro emergia a convic&ccedil;&atilde;o de que o pa&iacute;s entraria no caminho da civiliza&ccedil;&atilde;o, identificada esta com a pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica, a partir do momento em que princ&iacute;pios profil&aacute;ticos b&aacute;sicos fossem seguidos.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A Educa&ccedil;&atilde;o  Higi&ecirc;nica, que ser&aacute; a sua incorpora&ccedil;&atilde;o real civiliza&ccedil;&atilde;o,  s&oacute; se far&aacute;, n&atilde;o apenas quando ele souber ler e escrever,  mas quando se convencer de que deve construir a sua habita&ccedil;&atilde;o  de acordo com os preceitos da higiene, quando aprender a alimentar-se, a beber  &aacute;gua limpa, a defender-se de insetos e parasitas transmissores e causadores  de doen&ccedil;as, quando se dispuser pr&aacute;tica das virtudes higi&ecirc;nicas  do asseio e da sobriedade"<a name="top20"></a><a href="#back20"><sup>20</sup></a>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O Movimento Sanitarista foi um movimento pol&iacute;tico de m&eacute;dicos, educadores, pol&iacute;ticos, escritores e advogados. Para os participantes, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o eram elementos cruciais para a constru&ccedil;&atilde;o da identidade nacional. Os intelectuais sanitaristas consideravam a Rep&uacute;blica federativa, ou seja, com a relativa autonomia dos estados, dominados pelas oligarquias regionais, um obst&aacute;culo para a reforma das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de visando o combate s doen&ccedil;as. Penna defenderia o saneamento e a educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica para todo o pa&iacute;s, tendo como objetivo a integra&ccedil;&atilde;o nacional e a erradica&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as. Este foi o grande s&iacute;mbolo da reforma sanit&aacute;ria postulada pelo movimento sanitarista: o papel do m&eacute;dico n&atilde;o era somente cuidar de indiv&iacute;duos, mas curar a pr&oacute;pria sociedade. Observamos que, aliado estrat&eacute;gia de cria&ccedil;&atilde;o dos postos sanit&aacute;rios permanentes, Penna elaboraria novos projetos para a interven&ccedil;&atilde;o governamental no campo das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de p&uacute;blica. Considerava que o m&eacute;dico deveria atuar de diversas formas, isto &eacute;, colaborando no Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica, inserido no planejamento de sa&uacute;de, por&eacute;m sem abandonar as a&ccedil;&otilde;es campanhistas de combate s epidemias.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A propaganda,  feita inteligentemente nas escolas, col&eacute;gios, f&aacute;bricas, quart&eacute;is  e fazendas, em linguagem simples, clara e convincente, acompanhada de proje&ccedil;&otilde;es  elucidativas de fatos e coisas reais; seguida de folhetos e cartazes ilustrados;  o ensino individual e familiar nos postos sanit&aacute;rios e nos domic&iacute;lios,  pelos m&eacute;dicos, guardas sanit&aacute;rios, educadores de sa&uacute;de,  t&ecirc;m capital import&acirc;ncia e facilitam sobremaneira a tarefa dos  higienistas na aplica&ccedil;&atilde;o das medidas regulamentares, que passam  a ser cumpridas pelo povo, com boa vontade, por convic&ccedil;&atilde;o da  sua utilidade, e n&atilde;o apenas pelo temor das penalidades legais"<a name="top21"></a><a href="#back21"><sup>21</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Estas foram algumas  das estrat&eacute;gias adotadas para o Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica.  Atrav&eacute;s delas, ultrapassavam-se os modelos exclusivamente baseados no  combate aos problemas por meio da vigil&acirc;ncia m&eacute;dica e campanhas  sanit&aacute;rias. Belis&aacute;rio Penna superou, portanto, tamb&eacute;m os  que, como ele, afirmavam que a mis&eacute;ria das &aacute;reas rurais era um  problema. Valorizou as experi&ecirc;ncias dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de  p&uacute;blica do come&ccedil;o do s&eacute;culo; por&eacute;m, ao associar  pr&aacute;ticas t&iacute;picas da pol&iacute;cia sanit&aacute;ria, n&atilde;o  desprezaria o servi&ccedil;o dos postos sanit&aacute;rios. Os recursos educativos  e coercitivos deveriam integrar o projeto. O uso da for&ccedil;a cedia espa&ccedil;o  para que a educa&ccedil;&atilde;o e a higiene n&atilde;o se impusessem repressivamente,  mas por meio de pr&aacute;ticas de convencimento. Portanto, uma concep&ccedil;&atilde;o  nova invadiu o espa&ccedil;o da vigil&acirc;ncia m&eacute;dica. Um deslocamento  do policiamento para a educa&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria. Na pr&aacute;tica,  a tarefa de vigiar a cidade, as habita&ccedil;&otilde;es e os indiv&iacute;duos,  ganhava um poderoso aliado, a persuas&atilde;o. As a&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas  no plano das rela&ccedil;&otilde;es sociais objetivavam preservar os v&iacute;nculos  a que pertenciam os indiv&iacute;duos (fam&iacute;lia, trabalho, Estado) e assim  contribuir para a reprodu&ccedil;&atilde;o da ordem social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. Um pa&iacute;s de homens doentes</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um imenso pa&iacute;s, de vastas terras; uma natureza exuberante, onde tesouros estavam espera do homem. Um para&iacute;so terrestre. Esse pa&iacute;s fant&aacute;stico n&atilde;o pertencia apenas ao imagin&aacute;rio de poetas. Assim, pensava boa parte dos intelectuais brasileiros. Mas esse para&iacute;so tinha problemas. Al&eacute;m da mis&eacute;ria escandalosa, havia as doen&ccedil;as. As grandes avenidas, os caf&eacute;s, os teatros luxuosos confundiam-se com os espa&ccedil;os ocupados pelos pobres, analfabetos e doentes. Para uma corrente do pensamento social, a constru&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o estaria radicada na adapta&ccedil;&atilde;o aos padr&otilde;es culturais europeus, de onde se originava um discurso que condenava a miscigena&ccedil;&atilde;o racial e os h&aacute;bitos. Outra corrente defendia que a implanta&ccedil;&atilde;o da nacionalidade verde-amarela dependeria da rejei&ccedil;&atilde;o dos modelos estrangeiros importados<a name="top22"></a><a href="#back22"><sup>22</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quando Penna e  Arthur Neiva embarcaram rumo as regi&otilde;es distantes das grandes cidades  talvez tivessem algumas id&eacute;ias sobre o que iriam encontrar. Depois, certamente,  as experi&ecirc;ncias vividas deram queles homens os tons da realidade com que  se depararam: as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s. Mas,  o que eles viram possibilitou a certeza de que para reverter a terr&iacute;vel  realidade era necess&aacute;rio conhecer os problemas. V&aacute;rias expedi&ccedil;&otilde;es  percorreram o territ&oacute;rio naqueles anos. Viajar pelas imensas regi&otilde;es  do pa&iacute;s representava um ato fundamental para a compreens&atilde;o da  identidade nacional. Era preciso ver o Brasil, conhecer as doen&ccedil;as, modos  e condi&ccedil;&otilde;es de vida. Com essas preocupa&ccedil;&otilde;es, Penna  e Neiva registraram o Brasil real no di&aacute;rio de viagem da expedi&ccedil;&atilde;o.  A constru&ccedil;&atilde;o da identidade nacional dava-se atrav&eacute;s da  vis&atilde;o e diagn&oacute;stico do pa&iacute;s. Ele estava doente, improdutivo  para os padr&otilde;es modernos de racionalidade econ&ocirc;mica capitalista.  Urgia uma transforma&ccedil;&atilde;o. Era preciso construir a na&ccedil;&atilde;o.  O relat&oacute;rio de Penna e Neiva descreveu uma vis&atilde;o mais realista  das condi&ccedil;&otilde;es sociais do pa&iacute;s. Em 1916, o texto foi publicado,  registrando a mis&eacute;ria, as doen&ccedil;as e o isolamento das popula&ccedil;&otilde;es,  narrando os problemas sociais como se os expedicion&aacute;rios estivessem procura  de doen&ccedil;as num organismo social, observando sintomas e diagnosticando<a name="top23"></a><a href="#back23"><sup>23</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mas, qual o nexo deste momento com o Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica de Penna? O projeto higienista projetava mais que regras escolares, pois pretendia controlar h&aacute;bitos sociais e transformar o pa&iacute;s. A educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica orientaria a constitui&ccedil;&atilde;o de uma ordem social, a qual presidiria a higiene das escolas, lares e cidades. Esta proposta de interven&ccedil;&atilde;o social traduziu-se na valoriza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es morais, como a erradica&ccedil;&atilde;o de maus h&aacute;bitos, tendo como ideal um modo de vida, aonde o trabalho e a fam&iacute;lia seriam modelados. Penna apresentaria v&aacute;rias propostas de educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica para o pa&iacute;s com o desejo de modific&aacute;-lo. No trabalho apresentado na Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o da ABE, encontra-se um projeto para a constru&ccedil;&atilde;o do mundo do trabalho, da escola e do lar. Segundo jornais da &eacute;poca, a sua leitura foi muito aplaudida, suscitando entrevistas e mat&eacute;rias em v&aacute;rios peri&oacute;dicos. O texto registra propostas de controle social atrav&eacute;s das normas sanit&aacute;rias. O universo da higiene, segundo Penna, compreendia rigoroso controle sobre os problemas que atuavam sobre a sa&uacute;de do indiv&iacute;duo, entre os quais se inclu&iacute;am as atitudes. Penna dava destaque a esta participa&ccedil;&atilde;o na Confer&ecirc;ncia. Em carta a Monteiro Lobato, onde realiza uma reconstitui&ccedil;&atilde;o m&iacute;tica de sua trajet&oacute;ria profissional, ele descrevia a sua import&acirc;ncia:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">"Sigo agora, chamado pelo governo do Rio Grande do Sul, onde vou, com ampla autonomia, organizar o servi&ccedil;o de higiene do estado e criar a escola de propaganda e educa&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria na escola e no lar - segundo o plano que apresentei primeira Confer&ecirc;ncia de Educa&ccedil;&atilde;o Nacional, reunida em dezembro do ano passado"<a name="top24"></a><a href="#back24"><sup>24</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Penna ressaltava a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica e eug&ecirc;nica, come&ccedil;ada desde a escola prim&aacute;ria, a fim de, por esse ensino, construir a consci&ecirc;ncia sanit&aacute;ria nacional. A partir da&iacute;, a educa&ccedil;&atilde;o seria o melhor instrumento para alcan&ccedil;ar a desejada adapta&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo ao meio social. Prepara&ccedil;&atilde;o do corpo pela educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica; da mente pela educa&ccedil;&atilde;o moral; do intelecto pela educa&ccedil;&atilde;o formal e para o trabalho pela educa&ccedil;&atilde;o profissional. Assim, os pressupostos da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica e eug&ecirc;nica seriam obedecidos. A educa&ccedil;&atilde;o atingiria os costumes, tendo por objetivo formar indiv&iacute;duos produtivos e saud&aacute;veis. V&aacute;rias t&eacute;cnicas surgiram visando enquadrar as atitudes infantis, planejando educar higienicamente para toda a exist&ecirc;ncia.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Para isso  torna-se indispens&aacute;vel criar a consci&ecirc;ncia sanit&aacute;ria,  pela educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica na escola, no lar, nas f&aacute;bricas  e nas casernas, a fim de gravar no esp&iacute;rito de toda a gente o valor  inestim&aacute;vel - econ&ocirc;mico, &eacute;tnico, moral e social - da normalidade  biol&oacute;gica resultante da sa&uacute;de, conquistada pela obedi&ecirc;ncia  s leis inflex&iacute;veis da biologia, com a execu&ccedil;&atilde;o de medidas  de saneamento; pela pr&aacute;tica das virtudes higi&ecirc;nicas do asseio,  da sobriedade, da castidade"<a name="top25"></a><a href="#back25"><sup>25</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Para solucionar os problemas relativos sa&uacute;de p&uacute;blica seria necess&aacute;rio, portanto, educar a popula&ccedil;&atilde;o com conhecimentos higi&ecirc;nicos e eug&ecirc;nicos para que adquirissem modos de vida sadios. Contribuindo para refor&ccedil;ar as atividades de educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica destinadas forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos, a crian&ccedil;a, a m&atilde;e e a professora seriam alvos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. A crian&ccedil;a passou a ser um indiv&iacute;duo capaz de absorver conhecimentos, portanto, um cidad&atilde;o que poderia ser moldado de acordo com as normas propostas. A preocupa&ccedil;&atilde;o em educar a crian&ccedil;a levou, por extens&atilde;o, fam&iacute;lia, particularmente m&atilde;e, ressaltando-se a import&acirc;ncia do ensino da puericultura s mo&ccedil;as que seriam as futuras genitoras, como tamb&eacute;m o preparo educativo daquelas que eram m&atilde;es. Al&eacute;m do surgimento dos especialistas em cuidar da vida das gestantes e crian&ccedil;as, pediatras, ginecologistas e obstetras, era crescente o mercado de latic&iacute;nios e produtos farmac&ecirc;uticos dirigidos s m&atilde;es e crian&ccedil;as<a name="top26"></a><a href="#back26"><sup>26</sup></a>.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A mulher encontrar&aacute; a verdadeira esfera de a&ccedil;&atilde;o, adequada ao sexo e aos seus deveres, no desempenho das fun&ccedil;&otilde;es do lar, da fam&iacute;lia, da escola e de tudo quanto tenha rela&ccedil;&atilde;o com esses fundamentos das sociedades moralizadas e sadias"<a name="top27"></a><a href="#back27"><sup>27</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Evidentemente, a tentativa de controle social total sonhada pelos intelectuais eugenistas e sanitaristas foi completa de falhas. Todavia, foi suficientemente eficaz. Neste ponto, devemos alertar e deixar claro que estamos analisando as id&eacute;ias contidas nos discursos de Penna. O projeto m&eacute;dico dos intelectuais para controlar seus habitantes n&atilde;o foi totalmente efetivado. Entretanto, n&atilde;o foi um sonho delirante. Obteve resultados. Modificou a vida das pessoas e costumes foram alterados. Se n&atilde;o houve uma tutela total, isto n&atilde;o significa que inexistiu um aumento da vigil&acirc;ncia sobre as pessoas. E houve um melhoramento geral das condi&ccedil;&otilde;es de higiene. Embora, os pobres das cidades brasileiras n&atilde;o possuem-at&eacute; hoje-condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de higiene e saneamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para concretizar o Plano de Educa&ccedil;&atilde;o Higi&ecirc;nica, Penna lan&ccedil;aria m&atilde;o de m&uacute;ltiplos recursos educativos, palestras, cartazes, folhetos e novas tecnologias como o r&aacute;dio e o cinema. No entanto, preservava aspectos coercitivos e/ou persuasivos. Muitos esfor&ccedil;os foram dedicados assist&ecirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o de gestantes, crian&ccedil;as e m&atilde;es, com a finalidade de combater as doen&ccedil;as e construir padr&otilde;es de comportamento. Os agentes envolvidos na higieniza&ccedil;&atilde;o da sociedade, tendo em vista sua reformula&ccedil;&atilde;o, compreenderam a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o feminina, em virtude do seu papel na fam&iacute;lia. Contudo, n&atilde;o foi esquecida a importante fun&ccedil;&atilde;o que as enfermeiras desempenhariam, pois tinham contato direto com as fam&iacute;lias no seu cotidiano, podendo atuar na consolida&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos. Penna ressaltou a import&acirc;ncia dessas profissionais para a higiene. Identificada a aus&ecirc;ncia de educa&ccedil;&atilde;o como uma das causas da pobreza, do analfabetismo e, principalmente, da propaga&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meras doen&ccedil;as, uma das propostas seria a difus&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica. Os conhecimentos cient&iacute;ficos repassados s fam&iacute;lias lhes permitiriam cuidar adequadamente dos filhos, de modo a lhes garantir uma boa sa&uacute;de. A mulher (m&atilde;e, professora e profissional de sa&uacute;de), um dos alvos da estrat&eacute;gia m&eacute;dico-pedag&oacute;gica, receberia uma especial aten&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio da gesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">"Para o  bem da sociedade e da p&aacute;tria haver&aacute;, depois do lar e da fam&iacute;lia,  fun&ccedil;&atilde;o de maiores responsabilidades e mais dignificantes do  que a de educador? E a quem cabe essa fun&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o m&atilde;e  de fam&iacute;lia no lar e educadora na escola?"<a name="top28"></a><a href="#back28"><sup>28</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">&Agrave; escola  caberia formar os corpos, modelando-os, treinando-os para a obedi&ecirc;ncia  por meio de regras. Essa vis&atilde;o de escola e educa&ccedil;&atilde;o, que  n&atilde;o s&oacute; aperfei&ccedil;oava o esp&iacute;rito como tamb&eacute;m  o corpo, tornava indispens&aacute;vel a presen&ccedil;a de novos conhecimentos  e pr&aacute;ticas a compor o universo pedag&oacute;gico. O controle sobre os  indiv&iacute;duos deveria ocorrer em todas as esferas da vida social. Poder-se-ia  fazer da escola, portanto, o centro irradiador do homem novo. E regenerar a  ra&ccedil;a nacional pela educa&ccedil;&atilde;o da higiene passou a ser o fundamento  do discurso educativo-eug&ecirc;nico dos anos 1920, que entendia ser necess&aacute;rio  instruir o povo, pois somente a educa&ccedil;&atilde;o conduziria um pa&iacute;s  civilizado. Instrumento poderoso para a forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos  sadios seria o exemplo do professor. Caberia ao mestre das classes de alfabetiza&ccedil;&atilde;o  enorme responsabilidade na forma&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter nacional.  Afinal, eles recebiam em primeira m&atilde;o c&eacute;rebros infantis e model&aacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Criando uma rede  de vigil&acirc;ncia que abrangia o universo privado dos cidad&atilde;os,  tornava-se indispens&aacute;vel controlar a popula&ccedil;&atilde;o para formar  um povo perfeito do ponto de vista eug&ecirc;nico. E, se essas quest&otilde;es  pertenciam ao universo pol&iacute;tico e social, isto &eacute;, da al&ccedil;ada  do poder p&uacute;blico, deveriam ser responsabilidade dos dirigentes da sociedade.  Para o pensamento eug&ecirc;nico, alguns dos problemas m&eacute;dicos, derivavam  da aus&ecirc;ncia de cuidados com o matrim&ocirc;nio. Dessa maneira, o casamento  era um ato que garantiria o bom funcionamento da sociedade, se os pais tivessem  uma sa&uacute;de eug&ecirc;nica. Era indispens&aacute;vel que a mulher ao ligar  o seu destino ao de um homem, pelo casamento, tivesse n&iacute;tida compreens&atilde;o  da responsabilidade que estava assumindo perante a sociedade de constituir uma  fam&iacute;lia para o progresso da coletividade, para o aperfei&ccedil;oamento  f&iacute;sico e moral da esp&eacute;cie, com a preocupa&ccedil;&atilde;o primordial  de gerar filhos eug&ecirc;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Chamamos aten&ccedil;&atilde;o  sobre os equ&iacute;vocos cometidos pelos autores de textos  publicados no final dos anos 1970, que estudaram a hist&oacute;ria da sa&uacute;de  p&uacute;blica e da medicina no Brasil sob uma orienta&ccedil;&atilde;o <i>foucaultiana</i>.  Vamos retornar a esse ponto. Ele &eacute; muito importante. Transparece nestes  trabalhos, uma falsa id&eacute;ia de que o poder da medicina e dos m&eacute;dicos  era total. Depois de tr&ecirc;s d&eacute;cadas da edi&ccedil;&atilde;o desses  livros, fica claro o alto grau de generaliza&ccedil;&atilde;o presente nestas  pesquisas, al&eacute;m da heterogeneidade te&oacute;rica e metodol&oacute;gica.  Embora, estes pontos assinalados n&atilde;o invalidam a pioneira contribui&ccedil;&atilde;o  dessas obras. Por exemplo, os livros Dana&ccedil;&atilde;o da Normae Ordem M&eacute;dica<a name="top29"></a><a href="#back29"><sup>29</sup></a>  abriram um campo de investiga&ccedil;&atilde;o. Contudo, concordamos com a an&aacute;lise  cr&iacute;tica que afirma que Foucault teria causado uma influ&ecirc;ncia nefasta  nos estudos sobre sa&uacute;de e medicina<a name="top30"></a><a href="#back30"><sup>30</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; ineg&aacute;vel  a aus&ecirc;ncia de pesquisa emp&iacute;rica, em boa parte, dos estudos sobre  hist&oacute;ria da sa&uacute;de, supostamente produzidos, a partir da matriz  <i>foucaultiana</i>. Mas, isto n&atilde;o significa que toda an&aacute;lise  realizada sobre o tema que tenha utilizado conceitos oriundos de Foucault seja  necessariamente equivocada. Certamente, os sanitaristas ou eugenistas ansiaram  por controlar v&aacute;rios aspectos da vida, como Renato Kehl sonhou no trecho  transcrito a seguir, mas devemos perguntar como as pessoas reagiram a essas  id&eacute;ias. Elas n&atilde;o eram rob&ocirc;s sem consci&ecirc;ncia<a name="top31"></a><a href="#back31"><sup>31</sup></a>.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Um indiv&iacute;duo  para casar-se ter&aacute; de sujeitar-se a uma minuciosa an&aacute;lise do  seu registro e da sua pr&oacute;pria pessoa; s&oacute; depois da folha corrida,  fornecida pela reparti&ccedil;&atilde;o geneal&oacute;gica e do atestado de  sanidade, ter&aacute; o honroso direito ao casamento prol&iacute;fico. Sim,  prol&iacute;fico, porque os indiv&iacute;duos considerados inaptos procria&ccedil;&atilde;o  ter&atilde;o apenas direito aos prazeres do <i>hymeneu</i>, quando previamente  submetidos a esteriliza&ccedil;&atilde;o"<a name="top32"></a><a href="#back32"><sup>32</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, n&atilde;o devemos nos impressionar com a id&eacute;ia de uma hist&oacute;ria despojada de sua temporalidade, forjando um esquema evolutivo no qual a medicina, o sanitarismo, ou mesmo o eugenismo, estariam evoluindo de um est&aacute;gio a outro. As narrativas dos intelectuais m&eacute;dicos muitas vezes nos fazem crer em aut&ecirc;nticas revolu&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o que os movimentos nos quais os atores atuaram tenham sido obras de fic&ccedil;&atilde;o, inven&ccedil;&otilde;es de memorialistas ou de pesquisadores. Trata-se de suspeitar que, muitas vezes, avaliamos como total o poder ideol&oacute;gico dos m&eacute;dicos. Os her&oacute;is dessas jornadas descreveram com romantismo os seus atos. Mas, n&atilde;o s&atilde;o totalmente verdadeiras as descri&ccedil;&otilde;es dos acontecimentos que teriam acabado com os corti&ccedil;os sujos, criando uma cidade maravilhosa e limpa, ou a repercuss&atilde;o da palestra do famoso m&eacute;dico na Academia Nacional de Medicina, provocando uma reviravolta nos estudos m&eacute;dicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o estamos  negando as diferen&ccedil;as existentes, nem entre as propostas, e muito  menos ignorando os perfis dos agentes sociais. A presen&ccedil;a das teorias  racistas e/ou eugenistas, nessa &eacute;poca em que, a rigor, poucos escapavam  do determinismo biol&oacute;gico, imprimiram caracter&iacute;sticas ao campo.  No entanto, ocorre que nem todo intelectual, sanitarista ou eugenista, comungava  das mesmas posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ou crit&eacute;rios racistas.  Poucos nomes sustentavam as medidas eug&ecirc;nicas radicais. Se ignorarmos  essa minoria, para os demais era poss&iacute;vel a supera&ccedil;&atilde;o das  defici&ecirc;ncias raciais. Mesmo entre os membros da Sociedade Eug&ecirc;nica  de S&atilde;o Paulo, ou entre os militantes da Liga Brasileira de Higiene Mental,  havia dissens&otilde;es. Por exemplo, Renato Kehl olhava com extremo pessimismo  o Brasil. Para ele, o pa&iacute;s era uma mistura de ra&ccedil;as incompat&iacute;veis.  Para Roquette-Pinto, no entanto, o Brasil n&atilde;o era degenerado biologicamente.  O que n&atilde;o devemos fazer &eacute; concluir, apressadamente, que a partir  das nuances abria-se grandes clar&otilde;es no campo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Concluindo, o discurso da educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica tornou-se um dos pontos b&aacute;sicos da quest&atilde;o nacional. Foi legitimando-se a interven&ccedil;&atilde;o no indiv&iacute;duo, introduzindo-se conhecimentos e pr&aacute;ticas, que iriam prevenir a doen&ccedil;a. As grandes transforma&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas foram justificadas como imprescind&iacute;veis boa sa&uacute;de dos habitantes das cidades. Da mesma maneira, as transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais eram apresentadas como urgentes para o funcionamento do corpo da na&ccedil;&atilde;o. A partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, os dispositivos da ordem higi&ecirc;nica ofertaram os argumentos para o projeto de moderniza&ccedil;&atilde;o da sociedade, representado por um ideal de educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. O discurso m&eacute;dico-pedag&oacute;gico procurava responder ao problema de controlar uma popula&ccedil;&atilde;o hostil s normas sanit&aacute;rias, cuja racionalidade representava uma necessidade vital. A oposi&ccedil;&atilde;o popular s iniciativas saneadoras do Rio de Janeiro foi interpretada como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de desordeiros e ignorantes, sobre a qual era dever do Estado impor a ordem. Desenvolveu-se, assim, o argumento de que era necess&aacute;rio, para o funcionamento da sociedade, a disciplina dos h&aacute;bitos irracionais, para evitar os conflitos que ocorriam por mau funcionamento dos &oacute;rg&atilde;os da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os intelectuais  eugenistas pretendiam melhorar a ra&ccedil;a nacional. Alguns desses  atores sociais eugenistas tendiam a concordar com os sanitaristas. Os membros  do Movimento Sanitarista, ao contr&aacute;rio dos intelectuais fortemente influenciados  pelo racismo cient&iacute;fico do s&eacute;culo XIX, viam os problemas sociais  da doen&ccedil;a e mis&eacute;ria do Brasil como poss&iacute;veis de serem erradicados  atrav&eacute;s de um programa de pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o  e sa&uacute;de. Gobineau e os demais intelectuais do racismo cient&iacute;fico  consideravam que a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil devia-se a miscigena&ccedil;&atilde;o.  A mistura de ra&ccedil;as causava degenera&ccedil;&atilde;o nos descendentes.  Os sanitaristas n&atilde;o concordavam completamente com esse diagn&oacute;stico.  Os eugenistas tendiam a aceitar a possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o  do povo brasileiro. No entanto, muitos acrescentavam seus pr&oacute;prios rem&eacute;dios.  Entre as propostas estava, por exemplo,  a esteriliza&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria nos casos extremos de degenera&ccedil;&atilde;o,  os loucos e os criminosos<a name="top33"></a><a href="#back33"><sup>33</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Penna tinha consci&ecirc;ncia  de que as a&ccedil;&otilde;es planejadas para a reforma das  pol&iacute;ticas de sa&uacute;de representavam um ideal que s&oacute; poderia  alcan&ccedil;ar sua realiza&ccedil;&atilde;o quando fosse compreendida por parcelas  consider&aacute;veis da sociedade. Em v&aacute;rios textos ele alerta que as  normas eram boas. No entanto, se por um aspecto, os c&oacute;digos sanit&aacute;rios  n&atilde;o eram compreendidos e obedecidos pelos homens das classes populares,  por outro, as medidas tornavam-se uma amea&ccedil;a ao poder pol&iacute;tico  das classes mais privilegiadas. N&atilde;o foram raras as cr&iacute;ticas dos  intelectuais eugenistas e sanitaristas ao controle exercido pelas autoridades  locais em seus dom&iacute;nios territoriais nos distantes sert&otilde;es. Certamente,  os chefes pol&iacute;ticos rurais n&atilde;o viam com bons olhos a vigil&acirc;ncia  pretendida pelo governo central sobre as condi&ccedil;&otilde;es higi&ecirc;nicas  das fazendas. Esta tentativa de controle foi alimentada por intelectuais sanitaristas  exercendo cargos p&uacute;blicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante da sociedade  diagnosticada, os intelectuais sonharam com uma cidade organizada, cuja constru&ccedil;&atilde;o  exigiria o planejamento dos espa&ccedil;os e das rela&ccedil;&otilde;es sociais.  Nesta sociedade ut&oacute;pica, o discurso cient&iacute;fico assumiria o <i>status</i>  de organiza&ccedil;&atilde;o total da forma&ccedil;&atilde;o social. Este discurso  m&eacute;dico representou um importante papel na cria&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio  de um Brasil moderno. Nesse ideal de uma sociedade brasileira organizada em  fun&ccedil;&atilde;o dos procedimentos cient&iacute;ficos, o discurso cientificista  procurou apreender todos os aspectos da realidade social. Assim, a figura do  homem pobre, doente e analfabeto representaria o s&iacute;mbolo privilegiado  das estrat&eacute;gias disciplinares. A afirma&ccedil;&atilde;o destes modelos  justificaria o investimento de poder na realiza&ccedil;&atilde;o do sonho de  uma sociedade formada por indiv&iacute;duos racionais e saud&aacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sem d&uacute;vida,  no Brasil, o discurso m&eacute;dico elaborou desde o s&eacute;culo XIX uma  estrat&eacute;gia de controle social, entendendo que a desorganiza&ccedil;&atilde;o  e o mau funcionamento da sociedade eram as causas das doen&ccedil;as, mis&eacute;ria  e analfabetismo. Cabia aos intelectuais, atuar sobre os &oacute;rg&atilde;os  doentes, fossem naturais ou institucionais, visando neutralizar todo o perigo  poss&iacute;vel. Os objetivos desenvolvidos pela educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica  nesse per&iacute;odo foram conseq&uuml;&ecirc;ncias  do esfor&ccedil;o para a cria&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas visando normatizar  a vida cotidiana. Ela pretendeu dominar um universo de medidas destinadas a  assegurar a sa&uacute;de, contribuindo para h&aacute;bitos de uma vida sadia  e organizada por um corpo de especialistas. Tentava-se, assim, o enquadramento  das atitudes, almejando, em decorr&ecirc;ncia, educar, segundo o ponto de vista  da higiene, todo o povo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Bibliografía</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>. Para saber mais sobre o assunto, podemos mencionar algumas investiga&ccedil;&otilde;es. Em rela&ccedil;&atilde;o aos EUA, consultar Black, Edwin. A guerra contra os Fracos. A eugenia e a campanha norte-americana para criar uma ra&ccedil;a superior. S&atilde;o Paulo: Girafa; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726605&pid=S0211-9536201200010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m o trabalho de Stern, Alexandra Minna. Eugenic nation: Faults and frontier of better breeding in modern America. Berkeley: University of California Press; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726606&pid=S0211-9536201200010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Sobre a Am&eacute;rica Latina, consultar Palma, H&eacute;ctor, Gobernar es seleccionar. Buenos Aires: Jorge Baudino; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726607&pid=S0211-9536201200010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m Miranda, Marisa; Vallejo, Gustavo, eds. Darwinismo social y eugenesia en el mundo latino. Buenos Aires: Siglo XXI; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726608&pid=S0211-9536201200010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Para uma abordagem mais geral, sugiro o livro de Nancy Stepan, a primeira pesquisadora a oferecer uma interpreta&ccedil;&atilde;o sobre a Eugenia na Am&eacute;rica Latina e que n&atilde;o ignorou a especificidade da Eugenia Latina. Ver Stepan, Nancy. A Hora da Eugenia: Ra&ccedil;a, G&ecirc;nero e Na&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726609&pid=S0211-9536201200010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Consultar tamb&eacute;m &Aacute;lvarez Pel&aacute;ez, Raquel; Garc&iacute;a Gonz&aacute;lez, Armando. En busca de la raza perfecta. Eugenesia e higiene en Cuba (1898-1958). Madrid: CSIC; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726610&pid=S0211-9536201200010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Tamb&eacute;m indico &Aacute;lvarez Pel&aacute;ez, Raquel; Garc&iacute;a Gonz&aacute;lez, Armando. Las trampas del poder. Sanidad, eugenesia y migracion. Cuba y Estados Unidos (1900-1940). Madrid: CSIC; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726611&pid=S0211-9536201200010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Para o caso brasileiro, ver Dos Santos, Ricardo Augusto. Estado e eugenismo no Brasil. In: Mendon&ccedil;a, Sonia Regina de. Estado e historiografia no Brasil. Niter&oacute;i: EdUff; 2006, p. 311-322.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726612&pid=S0211-9536201200010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Consultar tamb&eacute;m D&aacute;vila, Jerry. Diploma de brancura. Pol&iacute;tica social e racial no Brasil.1917-1945. S&atilde;o Paulo: UNESP; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726613&pid=S0211-9536201200010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back2"></a><a href="#top2">2</a>. Sobre intelectuais, institui&ccedil;&otilde;es e publica&ccedil;&otilde;es eugenistas do campo intelectual brasileiro, consultar Dos Santos, Ricardo Augusto. Pau que nasce torto, nunca se endireita! E quem &eacute; bom, j&aacute; nasce feito? Esteriliza&ccedil;&atilde;o, saneamento e educa&ccedil;&atilde;o: Uma leitura do eugenismo em Renato Kehl (1917-1937). Niter&oacute;i: Tese de Doutorado em Hist&oacute;ria Social/Universidade Federal Fluminense; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726615&pid=S0211-9536201200010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m Koifman, F&aacute;bio. Porteiros do Brasil: O servi&ccedil;o de visto do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e Neg&oacute;cios Interiores (1941-1945). Rio de Janeiro: Tese de Doutorado em Hist&oacute;ria Social - IFCS/UFRJ; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726616&pid=S0211-9536201200010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back3"></a><a href="#top3">3</a>. Sobre os projetos pol&iacute;ticos dos eugenistas e sanitaristas, consultar Boarini, Maria Lucia. Higiene e ra&ccedil;a como projetos. Higienismo e eugenismo no Brasil. Maring&aacute;: UEM; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726618&pid=S0211-9536201200010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back4"></a><a href="#top4">4</a>. Renato Kehl foi um dos principais nomes da Eugenia da Am&eacute;rica Latina. Dentre sua volumosa obra indicamos para consulta os livros mais importantes. Kehl, Renato. Aparas eug&ecirc;nicas. Sexo e civiliza&ccedil;&atilde;o. Novas diretrizes. Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1933.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726620&pid=S0211-9536201200010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Kehl, Renato. A Cura da Fealdade. Eugenia e medicina social. S&atilde;o Paulo: Monteiro Lobato; 1923.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726621&pid=S0211-9536201200010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Kehl, Renato. Li&ccedil;&otilde;es de eugenia. Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1929.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726622&pid=S0211-9536201200010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back5"></a><a href="#top5">5</a>. A aristogenia representava os seres eugenicamente superiores. Os tipos inferiores constitu&iacute;am a classe cacog&ecirc;nica. Esses poderiam assumir uma forma bastante degradada, ou seja, a disg&ecirc;nica.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back6"></a><a href="#top6">6</a>. Embora discordando das suas interpreta&ccedil;&otilde;es sobre a Eugenia no Brasil, indico esta disserta&ccedil;&atilde;o para melhor conhecimento do tema. Para esse autor, houve cortes e at&eacute; uma evolu&ccedil;&atilde;o na trajet&oacute;ria da Eugenia. Diferentemente, em meu trabalho, considero que as diferen&ccedil;as entre as propostas e autores eugenistas e sanitaristas representavam tens&otilde;es e conflitos inerentes ao campo intelectual. Souza, Vanderlei Sebasti&atilde;o de. A pol&iacute;tica biol&oacute;gica como projeto: A eugenia negativa e a constru&ccedil;&atilde;o da nacionalidade na trajet&oacute;ria de Renato Kehl (1917-1932). Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726625&pid=S0211-9536201200010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back7"></a><a href="#top7">7</a>. Penna, Belis&aacute;rio. Educa&ccedil;&atilde;o higi&ecirc;nica e eug&ecirc;nica - Imp&otilde;e-se a Primazia da Educa&ccedil;&atilde;o Hygienica Escolar. 1927.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726627&pid=S0211-9536201200010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. Datilografado. BP/PI/TP/19271226, p. 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726628&pid=S0211-9536201200010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back8"></a><a href="#top8">8</a>. Antes de o paradigma bacteriol&oacute;gico tornar-se dominante, as explica&ccedil;&otilde;es mais comuns para as doen&ccedil;as infecto-contagiosas eram os miasmas ou os castigos divinos. Sobre o assunto, consultar Rosen, George. Uma hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica. S&atilde;o Paulo: Hucitec; 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726630&pid=S0211-9536201200010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Sobre este tema no Brasil, ver Hochman, Gilberto. A era do saneamento: as bases da pol&iacute;tica de sa&uacute;de p&uacute;blica no Brasil. S&atilde;o Paulo: Hucitec/Anpocs; 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726631&pid=S0211-9536201200010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back9"></a><a href="#top9">9</a>. Penna, Belis&aacute;rio. Sa&uacute;de, Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o. 1920. Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. Datilografado. 3 folhas. BP/PI/TP/19202040-1, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726633&pid=S0211-9536201200010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back10"></a><a href="#top10">10</a>. Sobre Penna, consultar Thielen, Eduardo Vilela; Dos Santos, Ricardo Augusto. Belis&aacute;rio Penna: notas fotobiogr&aacute;ficas. Manguinhos. Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias e Sa&uacute;de. 2002; 9 (2): 387-404.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726635&pid=S0211-9536201200010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back11"></a><a href="#top11">11</a>. As origens do Instituto Oswaldo Cruz remontam a funda&ccedil;&atilde;o do Instituto Soroter&aacute;pico Federal, cujo objetivo inicial foi a fabrica&ccedil;&atilde;o de soros e vacinas contra a peste bub&ocirc;nica. Em 1907, passou a denominar-se Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos, mas em homenagem a Oswaldo Cruz, recebeu o nome de Instituto Oswaldo Cruz. Sobre o IOC, consultar Benchimol, Jaime. Manguinhos do sonho vida: a ci&ecirc;ncia na Belle Epoque. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz; 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726637&pid=S0211-9536201200010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back12"></a><a href="#top12">12</a>. Tenentismo foi um movimento pol&iacute;tico de jovens oficiais de baixa patente do ex&eacute;rcito brasileiro. Descontentes com a Rep&uacute;blica proclamada em 1889, esses militares propunham reformas na estrutura de poder do pa&iacute;s.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back13"></a><a href="#top13">13</a>. C&acirc;mara dos 40 era um &oacute;rg&atilde;o consultivo constitu&iacute;do por intelectuais dirigentes da A&ccedil;&atilde;o Integralista Brasileira (AIB). O Integralismo foi um movimento pol&iacute;tico que teve grande vigor no Brasil nos anos 1930. Contr&aacute;rio ao liberalismo pol&iacute;tico e as ideias socialistas, conquistou grande parte das classes m&eacute;dias, tendo entre seus 500.000 filiados, v&aacute;rios profissionais m&eacute;dicos e advogados.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back14"></a><a href="#top14">14</a>. Penna, Belis&aacute;rio. Relat&oacute;rio anual do inspetor sanit&aacute;rio Doutor Belis&aacute;rio Penna. 1905. Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. Datilografado. 23 folhas. BP/PI/TP/19050118.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726641&pid=S0211-9536201200010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back15"></a><a href="#top15">15</a>. Sobre o assunto, consultar Sevcenko, Nicolau. A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. S&atilde;o Paulo: Scipione; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726643&pid=S0211-9536201200010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m Carvalho, Jose Murilo de. Bestializados: o Rio de Janeiro e a Rep&uacute;blica que n&atilde;o foi. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras; 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726644&pid=S0211-9536201200010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back16"></a><a href="#top16">16</a>. Corti&ccedil;o &eacute; uma habita&ccedil;&atilde;o coletiva de pequenas casas ou quartos para a popula&ccedil;&atilde;o pobre.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="back17"></a><a href="#top17">17</a>. Penna, n. 14, p. 8.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back18"></a><a href="#top18">18</a>. Penna, n. 14, p. 7.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back19"></a><a href="#top19">19</a>. Conv&eacute;m salientar a complexidade dos modelos de aten&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o existiu um afastamento das correntes de pol&iacute;ticas das a&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas. Houve um encaminhamento da pol&iacute;cia m&eacute;dica para a preven&ccedil;&atilde;o, em que a quest&atilde;o educativa foi sendo enfatizada. Sobre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de e seus modelos, Consultar Merhy, Emerson Elias. A Sa&uacute;de P&uacute;blica como Pol&iacute;tica. Um estudo de formuladores de pol&iacute;ticas. S&atilde;o Paulo: Hucitec; 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726649&pid=S0211-9536201200010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back20"></a><a href="#top20">20</a>. Penna, Belis&aacute;rio. Propaganda Sanit&aacute;ria. S. D. Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. 4 folhas. BP/PI/TP/90002040-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726651&pid=S0211-9536201200010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back21"></a><a href="#top21">21</a>. Penna, n. 20.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back22"></a><a href="#top22">22</a>. Sobre a Quest&atilde;o racial no pensamento social Brasileiro, consultar Dos Santos, Ricardo Augusto. Lobato, os Jecas e a Quest&atilde;o racial no pensamento Social Brasileiro. Revista Achegas. 2003; n&uacute;mero 7. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.achegas.net" target="_blank">www.achegas.net</a> &#091;citada 5 Abr 2011&#093;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726654&pid=S0211-9536201200010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back23"></a><a href="#top23">23</a>. Arthur Neiva nasceu em 22 de mar&ccedil;o de 1880. Em 1912, com Penna, chefiou a expedi&ccedil;&atilde;o que percorreu diferentes estados do pa&iacute;s. Quatro anos depois, Penna e Neiva publicaram o relat&oacute;rio da viagem denunciando as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Esse estudo foi importante por apresentar considera&ccedil;&otilde;es diferentes das caracteriza&ccedil;&otilde;es id&iacute;licas dominantes. Neiva integrou o movimento sanitarista que congregou intelectuais em prol do saneamento. Em 1916, assumiu a dire&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o Sanit&aacute;rio do Estado de S&atilde;o Paulo, onde promoveu uma reforma dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Neiva faleceu no Rio de Janeiro em 6 de junho de 1943. Consultar Casa de Oswaldo Cruz. A Ci&ecirc;ncia a Caminho da Ro&ccedil;a: Imagens das Expedi&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas do Instituto Oswaldo Cruz ao Interior do Brasil, entre 1911 e 1913. Rio de Janeiro: COC/FIOCRUZ; 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726656&pid=S0211-9536201200010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back24"></a><a href="#top24">24</a>. Penna, Belis&aacute;rio. Correspond&ecirc;ncia com Monteiro Lobato. 1928. Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. BP/ COR/19151126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726658&pid=S0211-9536201200010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Sobre Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, Consultar Carvalho, Marta Maria Chagas. Molde nacional e forma c&iacute;vica: Higiene, moral e trabalho no projeto da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o. 1924-1931. Bragan&ccedil;a Paulista: EDUSF; 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726659&pid=S0211-9536201200010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back25"></a><a href="#top25">25</a>. Penna, n. 7, p. 3.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back26"></a><a href="#top26">26</a>. Consultar Turack, Cynthia Fevereiro. Mulher-M&atilde;e: representa&ccedil;&otilde;es femininas no peri&oacute;dico A M&atilde;e de Fam&iacute;lia (1879-1888). Rio de Janeiro: UNIRIO; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726662&pid=S0211-9536201200010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Essa autora demonstra as articula&ccedil;&otilde;es dos m&eacute;dicos com a pequena e embrion&aacute;ria ind&uacute;stria m&eacute;dica/farmac&ecirc;utica. O profissional publicava um artigo recomendando determinado produto. Contudo, no mesmo ve&iacute;culo impresso, an&uacute;ncios do seu servi&ccedil;o eram ofertados para a poss&iacute;vel clientela. Ser&aacute; que, nos poucos consult&oacute;rios existentes, esse m&eacute;dico indicava o produto aos pacientes?</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back27"></a><a href="#top27">27</a>. Penna, Belis&aacute;rio. A mulher, a escola e o lar. S.D. Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. Manuscrito. 13 folhas. BP/PI/TP/90002040-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726664&pid=S0211-9536201200010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back28"></a><a href="#top28">28</a>. Penna, Belis&aacute;rio. Fundamento da sociedade. O lar pr&oacute;prio. S. D. Departamento de Arquivo e Documenta&ccedil;&atilde;o/Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. Fundo Pessoal Belis&aacute;rio Penna. 3 folhas. BP/PI/TP/90002040-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726666&pid=S0211-9536201200010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back29"></a><a href="#top29">29</a>. Costa, Jurandir Freire. Ordem m&eacute;dica e norma familiar. Rio de Janeiro: Graal; 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726668&pid=S0211-9536201200010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Machado, Roberto et al. Dana&ccedil;&atilde;o da norma. Rio de Janeiro: Graal; 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726669&pid=S0211-9536201200010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back30"></a><a href="#top30">30</a>. Coelho, Edmundo Campos. As profiss&otilde;es imperiais. Medicina, engenharia e advocacia no Rio de Janeiro. 1822-1930. Rio de Janeiro: Record; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726671&pid=S0211-9536201200010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back31"></a><a href="#top31">31</a>. Sobre esse assunto consultar Sampaio, Gabriela dos Reis. Nas trincheiras da cura. As diferentes medicinas no Rio de Janeiro imperial. Campinas: UNICAMP; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726673&pid=S0211-9536201200010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="back32"></a><a href="#top32">32</a>. Kehl, 1929, n. 4, p. 21.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a name="back33"></a><a href="#top33">33</a>. Sobre os intelectuais racistas, sanitaristas e eugenistas, consultar Dos Santos, Ricardo Augusto. La eugenesia y el nuevo para&iacute;so. In: Vallejo, Gustavo; Miranda, Marisa, eds. Derivas de Darwin. Cultura y pol&iacute;tica en clave biol&oacute;gica. Buenos Aires: Siglo XXI Editora Iberoamericana; 2010, p. 49-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1726676&pid=S0211-9536201200010000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 18 de julio de 2011    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 14 de noviembre de 2011</font></p>      ]]></body><back>
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