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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Hospital Aristides Maltez e o controle do câncer do colo do útero no Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Aristides Maltez Hospital in Salvador (Bahia) was inaugurated in 1952. The hospital was a philanthropic institution of the Bahian League Against Cancer. The Aristides Maltez Hospital specialised in cancer treatment, especially cervical cancer, and became a reference centre for the control of cancer in northeastern Brazil. This article follows the creation and consolidation of the hospital as a treatment, research, and training centre, evaluating its role in discussions and action networks on cervical cancer in the mid-20th century. The institution has been a space of transition in the use of diagnostic tools and the organisation of campaigns to control cancer in municipalities of the hinterland.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[História do câncer]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[políticas em saúde]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>O Hospital Aristides Maltez e o controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Aristides Maltez Hospital and the control of cervical cancer in Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Vanessa Lana</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, Rio de Janeiro. <a href="mailto:vanlana@uol.com.br">vanlana@uol.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(*) Esta pesquisa foi financiada com recursos do Edital Papes/FIOCRUZ - Papes VI (APQ) Processo: 407835/2012-1.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1">    <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO:</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Hospital Aristides Maltez (HAM) foi inaugurado em 1952 na cidade de Salvador (Bahia). O hospital era uma institui&ccedil;&atilde;o filantr&oacute;pica pertencente &agrave; Liga Baiana Contra o C&#226;ncer. Centro especializado no tratamento de variados tipos de c&#226;ncer, o HAM tinha sua aten&ccedil;&atilde;o voltada prioritariamente para os c&#226;nceres femininos, principalmente o c&#226;ncer do colo do &uacute;tero. A institui&ccedil;&atilde;o tornou-se refer&ecirc;ncia nas a&ccedil;&otilde;es de controle da doen&ccedil;a na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil. A proposta deste artigo &eacute; analisar o processo de cria&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do hospital como espa&ccedil;o de tratamento, pesquisa e forma&ccedil;&atilde;o profissional, avaliando seu papel na rede de discuss&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao c&#226;ncer do colo do &uacute;tero formada no pa&iacute;s em meados do s&eacute;culo XX. A institui&ccedil;&atilde;o foi uma das pioneiras no processo de transi&ccedil;&atilde;o na utiliza&ccedil;&atilde;o de ferramentas de diagn&oacute;stico e implementa&ccedil;&atilde;o de campanhas de controle do c&#226;ncer da doen&ccedil;a em munic&iacute;pios interioranos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palabras clave:</b> Hist&oacute;ria do c&#226;ncer, c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, pol&iacute;ticas em sa&uacute;de, colposcopia, citolog&iacute;a.</font></p> <hr size="1">    <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT:</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The Aristides Maltez Hospital in Salvador (Bahia) was inaugurated in 1952. The hospital was a philanthropic institution of the Bahian League Against Cancer. The Aristides Maltez Hospital specialised in cancer treatment, especially cervical cancer, and became a reference centre for the control of cancer in northeastern Brazil. This article follows the creation and consolidation of the hospital as a treatment, research, and training centre, evaluating its role in discussions and action networks on cervical cancer in the mid-20th century. The institution has been a space of transition in the use of diagnostic tools and the organisation of campaigns to control cancer in municipalities of the hinterland.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key Words:</b> History of cancer, cervical cancer, health politics, colposcopy, Pap smear.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o (*)</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A aten&ccedil;&atilde;o ao c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no Brasil ganhou t&ocirc;nus a partir da d&eacute;cada de 1940. A doen&ccedil;a foi incorporada &agrave; agenda m&eacute;dica brasileira a partir do desenvolvimento de ferramentas de diagn&oacute;stico precoce e organiza&ccedil;&atilde;o institucional para o controle da enfermidade. Naquele per&iacute;odo, a detec&ccedil;&atilde;o era uma atividade realizada principalmente em gabinetes ginecol&oacute;gicos de universidades, em institui&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas e em consult&oacute;rios privados. Esse modelo de aten&ccedil;&atilde;o consistia na avalia&ccedil;&atilde;o de pacientes que iam aos consult&oacute;rios por motivos diversos, com ou sem sintomas que indicassem a possibilidade de um quadro de c&#226;ncer. Nestas visitas, as pacientes eram submetidas a exames para detec&ccedil;&atilde;o de les&otilde;es no &oacute;rg&atilde;o. Isto ocorria principalmente porque, no pa&iacute;s, em meados do s&eacute;culo XX, o acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de era limitado a uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o, geralmente &agrave;queles que podiam pagar pelos servi&ccedil;os. O controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero era visto como uma quest&atilde;o de detec&ccedil;&atilde;o precoce e as a&ccedil;&otilde;es preventivas situavam-se no acesso aos consult&oacute;rios ginecol&oacute;gicos<a id="footnote-6339-1-backlink" href="#footnote-6339-1"><sup>1</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Dos espa&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a em meados do s&eacute;culo XX no Brasil, o Hospital Aristides Maltez (HAM), na cidade de Salvador, Bahia, representou um exemplo de modelo de transi&ccedil;&atilde;o na utiliza&ccedil;&atilde;o de ferramentas de diagn&oacute;stico, da colposcopia &agrave; citologia e implementa&ccedil;&atilde;o de campanhas de controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero em munic&iacute;pios interioranos. Fruto de iniciativas filantr&oacute;picas, o Hospital tornou-se refer&ecirc;ncia na regi&atilde;o Nordeste do Brasil. Inaugurado em 1952, o HAM pertencia &agrave; Liga Baiana Contra o C&#226;ncer, institui&ccedil;&atilde;o que tinha como lema propiciar "educa&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o na luta contra o c&#226;ncer". Centro especializado no tratamento de variados tipos de c&#226;ncer, o HAM tinha sua aten&ccedil;&atilde;o voltada prioritariamente para os c&#226;nceres ginecol&oacute;gicos, principalmente o c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, que tinha grande incid&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o local.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A proposta deste artigo &eacute; analisar o processo de cria&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do HAM como espa&ccedil;o de tratamento, pesquisa e forma&ccedil;&atilde;o profissional, avaliando seu papel na rede de discuss&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao c&#226;ncer do colo do &uacute;tero formada no pa&iacute;s a partir da d&eacute;cada de 1950. Esta rede agregava espa&ccedil;os de pesquisa em c&#226;ncer, como o Instituto de Ginecologia no Rio de Janeiro. Esses servi&ccedil;os protagonizaram as a&ccedil;&otilde;es de controle e campanhas contra a doen&ccedil;a no per&iacute;odo, formando uma rede de interc&#226;mbio cient&iacute;fico, com a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es corporativas, divulga&ccedil;&atilde;o de revistas cient&iacute;ficas, teses m&eacute;dicas, e estudos sobre diagn&oacute;stico, tratamento e profilaxia da enfermidade<a id="footnote-6339-2-backlink" href="#footnote-6339-2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o do HAM como espa&ccedil;o de controle do c&#226;ncer pode ser entendida como um processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da cancerologia, tendo em vista a implanta&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o de atividades cient&iacute;ficas num per&iacute;odo espec&iacute;fico. Entendemos institucionaliza&ccedil;&atilde;o como o processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma pr&aacute;tica e discurso cient&iacute;ficos e da organiza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o e de grupos profissionais. Este processo requer um aglomerado de procedimentos para sua implanta&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o em determinados per&iacute;odo e espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos<a id="footnote-6339-3-backlink" href="#footnote-6339-3"><sup>3</sup></a>. Neste sentido, analisaremos o processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o do HAM e sua consolida&ccedil;&atilde;o como hospital de atendimento, forma&ccedil;&atilde;o profissional, implementa&ccedil;&atilde;o de tecnologias e modelos de controle em c&#226;ncer ao longo das d&eacute;cadas de 1950 e 1960.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. A Liga Baiana Contra o C&#226;ncer e o Hospital Aristides Maltez</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Liga Baiana Contra o C&#226;ncer (LBCC) foi fundada em 13 de dezembro de 1936, sob os des&iacute;gnios e em se&ccedil;&atilde;o especial da Sociedade de Ginecologia da Bahia<a id="footnote-6339-4-backlink" href="#footnote-6339-4"><sup>4</sup></a>, com objetivo principal de propiciar "educa&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o" na luta contra o c&#226;ncer. Logo ap&oacute;s a funda&ccedil;&atilde;o, o ent&atilde;o interventor do Estado da Bahia, Landulpho Alves de Almeida<a id="footnote-6339-5-backlink" href="#footnote-6339-5"><sup>5</sup></a> estabeleceu um decreto no qual considerava a Liga como de utilidade p&uacute;blica, por seus ideais e trabalhos no campo da sa&uacute;de p&uacute;blica<a id="footnote-6339-6-backlink" href="#footnote-6339-6"><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As finalidades da LBCC, estabelecidas em seu estatuto, relacionavam-se &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de estruturas para combate ao c&#226;ncer na Bahia. A institui&ccedil;&atilde;o se propunha a propiciar elementos t&eacute;cnicos aos cl&iacute;nicos da capital e do interior para facilitar o diagn&oacute;stico precoce da doen&ccedil;a, prestando assist&ecirc;ncia aos pacientes de forma gratuita, abrangendo tanto cuidados cl&iacute;nicos, quanto sociais e psicol&oacute;gicos. A Liga se dispunha ainda a incentivar a cria&ccedil;&atilde;o nos munic&iacute;pios baianos de espa&ccedil;os de atendimento ao paciente com c&#226;ncer e organizar dados estat&iacute;sticos que permitissem conhecer a situa&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a na regi&atilde;o e os resultados obtidos com as a&ccedil;&otilde;es empreendidas. Para manuten&ccedil;&atilde;o de suas atividades, a LBCC contava com oito categorias de associados, que contribu&iacute;am mensalmente com os custeios das atividades<a id="footnote-6339-7-backlink" href="#footnote-6339-7"><sup>7</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1944, a LBCC foi incorporada &agrave; "Campanha Nacional Contra o C&#226;ncer", atrav&eacute;s de decreto presidencial<a id="footnote-6339-8-backlink" href="#footnote-6339-8"><sup>8</sup></a>. A Campanha foi uma iniciativa do ent&atilde;o rec&eacute;m-criado Servi&ccedil;o Nacional do C&#226;ncer, em 1942. A organiza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os Nacionais de Sa&uacute;de na gest&atilde;o do ministro Gustavo Capanema fazia parte do grupo de estrat&eacute;gias do governo federal para intensificar a interven&ccedil;&atilde;o e normatiza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de em todo o pa&iacute;s. Os Servi&ccedil;os contribu&iacute;ram para o fortalecimento de uma gest&atilde;o mais centralizada na sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira<a id="footnote-6339-9-backlink" href="#footnote-6339-9"><sup>9</sup></a>. O movimento de forma&ccedil;&atilde;o da Campanha Nacional Contra o C&#226;ncer consistiu numa progressiva incorpora&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es relacionadas ao c&#226;ncer j&aacute; em atua&ccedil;&atilde;o em diferentes estados da federa&ccedil;&atilde;o. O principal objetivo da campanha era criar uma rede de controle da doen&ccedil;a no pa&iacute;s, a partir de institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes<a id="footnote-6339-10-backlink" href="#footnote-6339-10"><sup>10</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Num contexto em que as a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de no governo de Get&uacute;lio Vargas estavam voltadas para os servi&ccedil;os nacionais relacionadas &agrave;s doen&ccedil;as de maior incid&ecirc;ncia, como febre amarela e mal&aacute;ria, ao c&#226;ncer a ideia era de propagandas e a&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas nos espa&ccedil;os hospitalares j&aacute; instalados nos estados brasileiros. Assim, a incorpora&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es &agrave; Campanha Nacional Contra o C&#226;ncer, cada uma com a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e regionalizadas, foi um processo importante na constru&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o nacional de controle da doen&ccedil;a. Com a vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; campanha, as institui&ccedil;&otilde;es tinham acesso diferenciado a financiamentos e investimentos que possibilitavam uma amplia&ccedil;&atilde;o em seus raios de a&ccedil;&atilde;o<a id="footnote-6339-11-backlink" href="#footnote-6339-11"><sup>11</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A principal finalidade da LBCC era a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o para atendimento em c&#226;ncer na regi&atilde;o, um "Instituto de C&#226;ncer na Bahia". Em 1943, por ocasi&atilde;o da morte do m&eacute;dico Aristides Maltez<a id="footnote-6339-12-backlink" href="#footnote-6339-12"><sup>12</sup></a> e em sua homenagem, foi aprovada a constru&ccedil;&atilde;o do Instituto, que receberia o seu nome. O HAM foi inaugurado em 1952 como o &oacute;rg&atilde;o t&eacute;cnico da Liga e, dentre outros atendimentos, com aten&ccedil;&atilde;o voltada para os c&#226;nceres que atingiam as mulheres, principalmente o c&#226;ncer do colo do &uacute;tero. O HAM foi o primeiro hospital especializado em c&#226;ncer no norte e nordeste do pa&iacute;s<a id="footnote-6339-13-backlink" href="#footnote-6339-13"><sup>13</sup></a>. Em vota&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral da LBCC, Aristides Pereira Maltez foi nomeado presidente vital&iacute;cio na LBCC, pelos trabalhos do m&eacute;dico com o c&#226;ncer ginecol&oacute;gico<a id="footnote-6339-14-backlink" href="#footnote-6339-14"><sup>14</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O HAM tinha como finalidade principal prestar assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e social gratuita em suas enfermarias e ambulat&oacute;rios ao canceroso "desvalido". Na organiza&ccedil;&atilde;o financeira da institui&ccedil;&atilde;o, 70% dos atendimentos eram reservados para a gratuidade, enquanto os 30% restantes ficariam dispon&iacute;veis para os pensionistas. O n&uacute;mero total de consultas da institui&ccedil;&atilde;o aumentou consideravelmente nos primeiros anos de funcionamento. No ano de inaugura&ccedil;&atilde;o, 1952, foram registrados 582 atendimentos, cerca de dois pacientes atendidos por dia. J&aacute; em 1958, esse n&uacute;mero aumentou para 15.398, representando 42 consultas di&aacute;rias<a id="footnote-6339-15-backlink" href="#footnote-6339-15"><sup>15</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As atividades do HAM eram mantidas, grande parte, atrav&eacute;s de donativos de empresas e fam&iacute;lias ricas da regi&atilde;o. Com o progressivo aumento do interesse do governo baiano nas quest&otilde;es de sa&uacute;de e de reorganiza&ccedil;&atilde;o urbana na capital, nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, novos investimentos foram direcionados para institui&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas, dentre elas a LBCC. Estes investimentos no &#226;mbito da sa&uacute;de p&uacute;blica tinham como objetivo fomentar a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de no estado<a id="footnote-6339-16-backlink" href="#footnote-6339-16"><sup>16</sup></a>. Desta rede, o HAM representava a atua&ccedil;&atilde;o em c&#226;ncer na regi&atilde;o, para atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mais pobre e como centro de refer&ecirc;ncia para controle da doen&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. O c&#226;ncer em Salvador e o atendimento no Hospital Aristides Maltez </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os c&#226;nceres ginecol&oacute;gicos ocupavam as maiores cifras nas estat&iacute;sticas epidemiol&oacute;gicas da cidade da Salvador em meados do s&eacute;culo XX. O c&#226;ncer do colo do &uacute;tero correspondia a mais de 35% dos casos no Estado da Bahia<a id="footnote-6339-17-backlink" href="#footnote-6339-17"><sup>17</sup></a>. Entre os anos de 1957 e 1971, a doen&ccedil;a representou 7,7% do total de mortes ocorridas no Estado. Na d&eacute;cada de 1960, o aumento do n&uacute;mero de mortes pela doen&ccedil;a cresceu mais de 30% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; d&eacute;cada anterior<a id="footnote-6339-18-backlink" href="#footnote-6339-18"><sup>18</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A diretriz adotada pelo HAM desde sua funda&ccedil;&atilde;o girava em torno da ideia do diagn&oacute;stico precoce e aten&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a em est&aacute;gios o quanto antes identificados<a id="footnote-6339-19-backlink" href="#footnote-6339-19"><sup>19</sup></a>. O ponto chave era identificar a presen&ccedil;a de anormalidades antes do aparecimento de quaisquer sintomas e do adoecimento da paciente. O c&#226;ncer incipiente ou assintom&aacute;tico era tomado como par&#226;metro nos objetivos de diagn&oacute;stico. Esta diretriz correspondia &agrave;s a&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas na terap&ecirc;utica do c&#226;ncer em meados do s&eacute;culo XX. Como a possibilidade de cura nos est&aacute;gios mais avan&ccedil;ados do tumor era muito pequena, a organiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de controle tinha no diagn&oacute;stico precoce seu pilar de sustenta&ccedil;&atilde;o, por permitir a estes m&eacute;dicos curar a doen&ccedil;a e evidenciar seu trabalho no meio social.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os ve&iacute;culos de divulga&ccedil;&atilde;o dos trabalhos do HAM, como, por exemplo, as revistas cient&iacute;ficas e jornais para o p&uacute;blico em geral, destacavam a ideia do diagn&oacute;stico precoce para controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero. Uma das principais estrat&eacute;gias do hospital para atrair as pacientes e conscientizar a popula&ccedil;&atilde;o em geral sobre os perigos da doen&ccedil;a era a veicula&ccedil;&atilde;o de breves mensagens nos canais de comunica&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o<a id="footnote-6339-20-backlink" href="#footnote-6339-20"><sup>20</sup></a>. As chamadas, endere&ccedil;adas ao grande p&uacute;blico, enfatizavam a responsabilidade individual na identifica&ccedil;&atilde;o de anormalidades e na busca pelos servi&ccedil;os m&eacute;dicos, mesmo nos casos em que n&atilde;o houvesse suspeitas da doen&ccedil;a:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Bastam duas pessoas para descobrir e vencer o c&#226;ncer... Voc&ecirc; e o m&eacute;dico! - 1) Fa&ccedil;a um exame m&eacute;dico completo por ano... e at&eacute; dois se j&aacute; passou dos quarenta! - 2) Voc&ecirc; &eacute; o primeiro a perceber "um sinal de alarme"! - 3) N&atilde;o perca tempo! Procure um m&eacute;dico urgente! - 4) O melhor "seguro contra o c&#226;ncer" &eacute; estar em dia com o exame m&eacute;dico"<a id="footnote-6339-21-backlink" href="#footnote-6339-21"><sup>21</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">No per&iacute;odo de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhos do HAM, as principais ferramentas das quais dispunha a medicina para o diagn&oacute;stico do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero eram a colposcopia<a id="footnote-6339-22-backlink" href="#footnote-6339-22"><sup>22</sup></a> de Hinselmann, a citologia<a id="footnote-6339-23-backlink" href="#footnote-6339-23"><sup>23</sup></a> de Papanicolaou e a bi&oacute;psia, utilizada para confirma&ccedil;&atilde;o de anormalidades identificadas com os dois primeiros m&eacute;todos. De modo geral, o modelo de interven&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico utilizado no Brasil era conhecido como "modelo triplo". Este modelo, organizado e difundido pelo Instituto de Ginecologia do Rio de Janeiro, consistia na utiliza&ccedil;&atilde;o conjunta das ferramentas de diagn&oacute;stico no exame de todas as pacientes, sob o argumento que o uso combinado aumentaria as certezas na identifica&ccedil;&atilde;o de anormalidades no colo uterino e catalisaria as a&ccedil;&otilde;es de controle da doen&ccedil;a<a id="footnote-6339-24-backlink" href="#footnote-6339-24"><sup>24</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O chamado "modelo triplo" foi o dominante nas a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no Brasil at&eacute; a d&eacute;cada de 1960. A partir deste per&iacute;odo, a forma&ccedil;&atilde;o de campanhas de <em>screening</em> baseadas na utiliza&ccedil;&atilde;o do Papanicolaou tornou-se uma realidade nas institui&ccedil;&otilde;es de controle da doen&ccedil;a no pa&iacute;s. A colposcopia atendia &agrave;s a&ccedil;&otilde;es contra a doen&ccedil;a no &#226;mbito da medicina privada. No momento em que a doen&ccedil;a come&ccedil;ava a ser caracterizada como um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, a&ccedil;&otilde;es de maior alcance se faziam necess&aacute;rias para seu controle. E para estas a&ccedil;&otilde;es, a citologia se mostrava como m&eacute;todo mais adequado para exames em maior escala, num alcance populacional mais amplo<a id="footnote-6339-25-backlink" href="#footnote-6339-25"><sup>25</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tendo em vista que a introdu&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de uma nova tecnologia est&atilde;o diretamente relacionadas &agrave;s prioridades e organiza&ccedil;&atilde;o dos cuidados em sa&uacute;de em uma dada sociedade, as prioridades na organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de a as diretrizes das pol&iacute;ticas em sa&uacute;de s&atilde;o guias na implementa&ccedil;&atilde;o das tecnologias m&eacute;dicas<a id="footnote-6339-26-backlink" href="#footnote-6339-26"><sup>26</sup></a>. Enquanto o controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero esteve pautado em a&ccedil;&otilde;es mais localizadas, de atendimento ambulatorial nas faculdades de medicina, o colposc&oacute;pio, em conjunto com a citologia, supria a demanda de exames e das propostas de interven&ccedil;&atilde;o. A partir do momento de implementa&ccedil;&atilde;o das campanhas de massa, t&eacute;cnicas mais simples, como a citologia, ganharam destaque, cabendo &agrave; colposcopia os casos j&aacute; indicados como suspeitos<a id="footnote-6339-27-backlink" href="#footnote-6339-27"><sup>27</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1955 foram criados no HAM os Servi&ccedil;os de Colposcopia e de Citologia. Quando da organiza&ccedil;&atilde;o destes servi&ccedil;os, os exames era realizados em todas as pacientes que, independente das queixas eram submetidas a uma rotina de exames como forma de preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero. Conforme apontamos, nos anos iniciais do hospital, os exames eram baseados no uso conjunto das ferramentas de diagn&oacute;stico. A a&ccedil;&atilde;o era justificada na ideia de que:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Embora constitua ainda uma interroga&ccedil;&atilde;o e mecanismo &iacute;ntimo da carcinog&ecirc;nese do homem, sabe-se, hoje, que o sucesso no tratamento das les&otilde;es malignas est&aacute; na precocidade de seu diagn&oacute;stico. Da&iacute; o emprego sistem&aacute;tico e rotineiro de duas grandes armas da Medicina na detec&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer do colo uterino: a Colposcopia de Hinselmann e a Citologia de Papanicolaou"<a id="footnote-6339-28-backlink" href="#footnote-6339-28"><sup>28</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">No in&iacute;cio das atividades do HAM a maioria das pacientes foi diagnosticada nos est&aacute;gios mais avan&ccedil;ados de evolu&ccedil;&atilde;o do tumor. Na maioria das vezes eram realizadas apenas a&ccedil;&otilde;es paliativas, para aliviar os sintomas e diminuir a dor. A partir da segunda metade da d&eacute;cada de 1950, com a cria&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de colposcopia e citologia e a instala&ccedil;&atilde;o dos ambulat&oacute;rios preventivos, esses n&uacute;meros come&ccedil;am a sofrer uma consider&aacute;vel altera&ccedil;&atilde;o. Mesmo em menor &iacute;ndice, alguns casos assintom&aacute;ticos foram identificados. Os diagn&oacute;sticos em est&aacute;gios avan&ccedil;ados, mesmo continuando altos, deca&iacute;ram em rela&ccedil;&atilde;o ao quantitativo total de pacientes atendidas. Tal mudan&ccedil;a foi cont&iacute;nua e acentuada ao longo da d&eacute;cada de 1960, caracterizando as a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer no HAM.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As dificuldades para acompanhamento das pacientes ap&oacute;s o diagn&oacute;stico tamb&eacute;m era uma realidade no HAM. Segundo os m&eacute;dicos do hospital, ap&oacute;s a bi&oacute;psia, nem todas as pacientes retornavam ao servi&ccedil;o. Isso era devido ao n&iacute;vel social das mulheres atendidas e ao fato de o c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, nos primeiros est&aacute;gios, n&atilde;o causar grandes desconfortos. Somente quando ocorriam sangramentos e corrimentos mais intensos &eacute; que as pacientes retornavam ao ambulat&oacute;rio para tratamento<a id="footnote-6339-29-backlink" href="#footnote-6339-29"><sup>29</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As refer&ecirc;ncias ao n&iacute;vel social das pacientes s&atilde;o um ponto importante, por indicarem o p&uacute;blico principal de atendimento na institui&ccedil;&atilde;o. Numa sociedade marcada pela desigualdade social, o c&#226;ncer do colo do &uacute;tero tinha um estigma de indicativo da vida sexual relacionada &agrave; promiscuidade e pobreza das mulheres. Tal fator representava um empecilho &agrave; medicina local para intervir e controlar a doen&ccedil;a. Isto porque havia um grande tabu das mulheres em buscar o atendimento, tanto pela estigmatiza&ccedil;&atilde;o quanto pelo medo do diagn&oacute;stico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento para as pacientes diagnosticadas com c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, a cirurgia era vista como o principal m&eacute;todo. No entanto, das pacientes diagnosticadas, apenas uma pequena parcela era submetida ao ato cir&uacute;rgico. Em um estudo realizado no per&iacute;odo de 1958 a 1962, pela equipe do m&eacute;dico Carlos Aristides Maltez, foram analisados dados de 1.187 pacientes identificadas nos est&aacute;gios de evolu&ccedil;&atilde;o do tumor I, II e III. Deste total, apenas 193 ou 16,9% foram submetidas &agrave; cirurgia. Este baixo n&uacute;mero era justificado por v&aacute;rios fatores. Primeiro, o reduzido n&uacute;mero de leitos cir&uacute;rgicos de que dispunha o hospital, devido aos altos custos de instala&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o destes leitos e da estadia hospitalar no p&oacute;s-operat&oacute;rio. Segundo, ao elevado n&uacute;mero de mulheres que eram diagnosticadas em est&aacute;gios muito avan&ccedil;ados, diminuindo a efic&aacute;cia da cirurgia e agravando o risco da interven&ccedil;&atilde;o. E, por fim, pelas facilidades obtidas com a radioterapia, que apresentava menores custos e resultados menos invasivos. Das pacientes operadas, dez faleceram durante o per&iacute;odo de recupera&ccedil;&atilde;o. A sobrevida era baixa, de cerca de cinco anos p&oacute;s-cirurgia. As dificuldades para acompanhamento das pacientes, a maioria proveniente do interior do Estado, eram apontadas como principal fator explicativo<a id="footnote-6339-30-backlink" href="#footnote-6339-30"><sup>30</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s a cirurgia, a t&eacute;cnica mais utilizada para tratamento era a radioterapia. A principal orienta&ccedil;&atilde;o para utiliza&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica era a irradia&ccedil;&atilde;o de toda a extens&atilde;o do canal cervical e de uma por&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o da vagina, de forma a atingir a maior superf&iacute;cie poss&iacute;vel da regi&atilde;o do colo uterino<a id="footnote-6339-31-backlink" href="#footnote-6339-31"><sup>31</sup></a>. A radioterapia era empregada no hospital tanto no sentido curativo quanto como medida paliativa, para atenuar as dores das pacientes, visto os est&aacute;gios avan&ccedil;ados nos quais muitos tumores eram diagnosticados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. A constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento e divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no Hospital Aristides Maltez: educa&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o na luta contra o c&#226;ncer</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para a constru&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o do conhecimento, os membros do HAM organizaram o Centro de Estudos "Professor Aristides Maltez". O espa&ccedil;o debatia estudos referentes &agrave; cancerologia, uma vez por semana, contando com a presen&ccedil;a de todos os profissionais que compunham o corpo cl&iacute;nico da institui&ccedil;&atilde;o. Nas reuni&otilde;es do grupo eram debatidos artigos e trabalhos acad&ecirc;micos sobre cancerologia, organiza&ccedil;&otilde;es em c&#226;ncer nacionais e estrangeiras, os trabalhos efetuados e tecnologias utilizadas pelas cong&ecirc;neres em outras regi&otilde;es do Brasil. A cada encontro eram selecionados novos materiais que embasavam as discuss&otilde;es e demonstram o interesse destes profissionais no di&aacute;logo com os pares. Como exemplo das atividades do Centro, no ano de 1956 foram realizadas trinta e sete sess&otilde;es. Todas tinham um tema pr&eacute;-determinado e leituras de refer&ecirc;ncia. As reuni&otilde;es eram presididas por membros do HAM e abertas a m&eacute;dicos de outras institui&ccedil;&otilde;es<a id="footnote-6339-32-backlink" href="#footnote-6339-32"><sup>32</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Centro de Estudos do HAM lan&ccedil;ou, em 1956, o peri&oacute;dico <em>Arquivos de Oncologia. </em>Em comemora&ccedil;&atilde;o aos 20 anos de funcionamento da LBCC, o objetivo inicial da publica&ccedil;&atilde;o era servir como ve&iacute;culo de divulga&ccedil;&atilde;o dos trabalhos da institui&ccedil;&atilde;o e homenagear os fundadores e perpetuadores das atividades da LBCC. A revista era editada pelo Centro de Estudos, e de propriedade da Liga. Dentre os intuitos destacados por seus idealizadores estavam o fortalecimento do interc&#226;mbio cient&iacute;fico e a divulga&ccedil;&atilde;o de conhecimentos com as cong&ecirc;neres nacionais e internacionais. O peri&oacute;dico &eacute; uma das principais fontes de pesquisa sobre a organiza&ccedil;&atilde;o, rela&ccedil;&otilde;es e atividades do HAM, os servi&ccedil;os em c&#226;ncer na Bahia, e as articula&ccedil;&otilde;es destes profissionais com os pares, na rede de espa&ccedil;os envolvidos na cria&ccedil;&atilde;o de um conjunto de a&ccedil;&otilde;es articuladas em c&#226;ncer no Brasil<a id="footnote-6339-33-backlink" href="#footnote-6339-33"><sup>33</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos trabalhos da LBCC e do HAM, as campanhas educativas eram a principal ferramenta para conscientizar p&uacute;blico e m&eacute;dicos da import&#226;ncia do diagn&oacute;stico precoce. Os <em>Arquivos de Oncologia</em> eram o principal ve&iacute;culo de divulga&ccedil;&atilde;o destas campanhas para o p&uacute;blico m&eacute;dico e sociedade em geral. Em decorr&ecirc;ncia destas campanhas, aumentava-se a demanda de atendimento e tamb&eacute;m a de pessoal qualificado para presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. A organiza&ccedil;&atilde;o das campanhas ia ao encontro dos trabalhos dos cancerologistas brasileiros de modo geral que, principalmente a partir da d&eacute;cada de 1940, utilizaram amplamente artefatos de propaganda como artigos, cartazes, filmes - document&aacute;rios, fotos, entrevistas e programas de r&aacute;dio, com o intuito de informar e sensibilizar o grande p&uacute;blico acerca da problem&aacute;tica do c&#226;ncer. As campanhas faziam parte de uma s&eacute;rie de estrat&eacute;gias que visavam evidenciar a enfermidade para o p&uacute;blico em geral e para as autoridades governamentais e engendrar uma pol&iacute;tica nacional s&oacute;lida e permanente de identifica&ccedil;&atilde;o, controle e tratamento da enfermidade<a id="footnote-6339-34-backlink" href="#footnote-6339-34"><sup>34</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o de campanhas educativas para diagn&oacute;stico precoce do c&#226;ncer foi o carro chefe das a&ccedil;&otilde;es de controle em muitos pa&iacute;ses. Nos EUA, por exemplo, desde in&iacute;cios do s&eacute;culo XX a educa&ccedil;&atilde;o em c&#226;ncer, atrav&eacute;s da veicula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es &agrave;s mulheres, foi uma das estrat&eacute;gias utilizadas para diminuir a mortalidade por c&#226;ncer, agregando institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, filantr&oacute;picas e sociedade civil<a id="footnote-6339-35-backlink" href="#footnote-6339-35"><sup>35</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No boletim <em>O C&#226;ncer</em>, divulgado pela LBCC, era reservada uma breve se&ccedil;&atilde;o para responder aos leitores o porqu&ecirc; de muitos dos casos de c&#226;ncer que poderiam ser tratados e curados e n&atilde;o eram, refletindo num alto n&uacute;mero de mortes. As explica&ccedil;&otilde;es passavam por quatro pontos principais. Primeiro, porque ao inv&eacute;s de buscarem atendimento m&eacute;dico aos primeiros sinais de anormalidade, os pacientes recorriam a vizinhos, pais de santo, charlat&atilde;es, que, na vis&atilde;o da Liga roubavam, enganavam e matavam. Segundo, porque o uso de rem&eacute;dios caseiros, banhos, e etc, ainda era mais recorrente do que os conselhos dados pelo m&eacute;dico, e o uso destes recursos permitia mais tempo para a doen&ccedil;a se expandir no organismo. Em terceiro estava o medo do diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a, enquanto que, para os m&eacute;dicos, o sentimento deveria ser de al&iacute;vio ao saber que, quando identificado a tempo, o c&#226;ncer tinha grandes possibilidades de cura. E por fim, porque se ignorava a ideia de que "(...) um dia perdido no tratamento do c&#226;ncer significava uma amea&ccedil;a &agrave; pr&oacute;pria vida, e um convite &agrave; morte" <a id="footnote-6339-36-backlink" href="#footnote-6339-36"><sup>36</sup></a>. Continuando as instru&ccedil;&otilde;es, a Liga apresentava alguns "ensinamentos" que julgava b&aacute;sicos para o p&uacute;blico leigo, na tentativa de quebrar o estigma da doen&ccedil;a e atrair a popula&ccedil;&atilde;o para o atendimento no Hospital:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"O c&#226;ncer n&atilde;o &eacute; contagioso;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O medo, a ignor&#226;ncia e a neglig&ecirc;ncia s&atilde;o os maiores aliados do c&#226;ncer;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O c&#226;ncer inicial, se n&atilde;o tratado a tempo, estende-se por todo o corpo tornando-se incur&aacute;vel;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No in&iacute;cio, em cinco casos curam-se quatro, no fim, talvez nenhum sobre os cinco"<a id="footnote-6339-37-backlink" href="#footnote-6339-37"><sup>37</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O estigma que repousavam sobre a doen&ccedil;a, de morte anunciada, no caso do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, a identifica&ccedil;&atilde;o com a promiscuidade, e os pr&oacute;prios medos que envolviam a enfermidade eram um dos principais pontos combatidos pelos m&eacute;dicos. Em torno destas ideias, a LBCC divulgou uma s&eacute;rie de chamadas, com instru&ccedil;&otilde;es gerais sobre a doen&ccedil;a, n&atilde;o apenas para acentuar os perigos, mas tamb&eacute;m, e principalmente, para desconstruir as imagens negativas e de repulsa em rela&ccedil;&atilde;o ao doente com c&#226;ncer. O recurso &agrave;s chamadas de impacto constantemente utilizado pela Liga nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico funcionavam como um alerta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em geral e, ao mesmo tempo, como um mecanismo de divulga&ccedil;&atilde;o da import&#226;ncia do atendimento realizado no HAM.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para garantir recursos financeiros para a manuten&ccedil;&atilde;o das atividades da institui&ccedil;&atilde;o, e conscientizar a popula&ccedil;&atilde;o sobre o c&#226;ncer, eram realizadas anualmente pela LBCC em conjunto com o HAM as "Campanhas Contra o C&#226;ncer". As campanhas ocorriam em v&aacute;rios espa&ccedil;os da sociedade civil. Dentre estes espa&ccedil;os, o de maior destaque foi o das escolas, envolvendo alunos, professores e profissionais da educa&ccedil;&atilde;o. Entre 1956 e 1957, o foco foi com os estudantes baianos. Nos col&eacute;gios do Estado foram distribu&iacute;das listas de contribui&ccedil;&atilde;o para arrecada&ccedil;&atilde;o de fundos para a Liga, que seriam utilizados na manuten&ccedil;&atilde;o do HAM. Em 1958 foi lan&ccedil;ado o movimento "O professor luta contra o c&#226;ncer". A convoca&ccedil;&atilde;o envolveu professores da capital e do interior e, como resultado, recebeu contribui&ccedil;&otilde;es de mais de 2000 profissionais. Todos os recursos arrecadados eram divulgados pela Liga nos peri&oacute;dicos acima citados e, em conjunto, eram apresentadas tamb&eacute;m as somas gastas com o atendimento no Hospital, como consultas, exames laboratoriais, colposc&oacute;picos, tratamento, dentre outras<a id="footnote-6339-38-backlink" href="#footnote-6339-38"><sup>38</sup></a>. Como a maior fonte de recursos da Liga e, consequentemente do Hospital, era proveniente de doa&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e dos associados, quanto mais a institui&ccedil;&atilde;o se fizesse vis&iacute;vel e necess&aacute;ria, maior seria a probabilidade de angariar recursos e manter o sistema em funcionamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A LBCC, juntamente com o HAM, investiu no ensino como ferramenta para o controle do c&#226;ncer, forma&ccedil;&atilde;o e especializa&ccedil;&atilde;o profissional. Em 1955 lan&ccedil;ou o primeiro curso de c&#226;ncer da Bahia, que englobou no programa as seguintes especialidades: c&#226;ncer ginecol&oacute;gico; do aparelho digestivo; do aparelho urogenital; do aparelho respirat&oacute;rio; dos ossos e da pele. O curso contou coma presen&ccedil;a de nomes como Jorge de Marsillac<a id="footnote-6339-39-backlink" href="#footnote-6339-39"><sup>39</sup></a>, Jo&atilde;o Paulo Rieper<a id="footnote-6339-40-backlink" href="#footnote-6339-40"><sup>40</sup></a> e Ugo Pinheiro Guimar&atilde;es<a id="footnote-6339-41-backlink" href="#footnote-6339-41"><sup>41</sup></a>. A participa&ccedil;&atilde;o destes profissionais sugere mais uma teia de di&aacute;logo com outras inst&#226;ncias de pesquisa e trabalhos em c&#226;ncer.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O incentivo &agrave; forma&ccedil;&atilde;o profissional estava pautado na justificativa da necessidade de um maior quantitativo de pessoal especializado para prestar atendimentos aos pacientes. A partir do ano de 1955, a Liga promoveu, anualmente, cursos de c&#226;ncer para m&eacute;dicos j&aacute; diplomados<a id="footnote-6339-42-backlink" href="#footnote-6339-42"><sup>42</sup></a>. O objetivo dos cursos era preparar os profissionais n&atilde;o especializados com os conhecimentos mais atuais sobre a doen&ccedil;a e capacit&aacute;-los a prestar atendimento aos pacientes com suspeitas da doen&ccedil;a at&eacute; o encaminhamento ao atendimento especializado. As aulas eram ministradas pelos m&eacute;dicos do HAM, em parceria com profissionais de outras institui&ccedil;&otilde;es, principalmente o Instituto de Ginecologia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As iniciativas em forma&ccedil;&atilde;o e na utiliza&ccedil;&atilde;o dos modernos recursos para controle do c&#226;ncer, principalmente os femininos, levaram &agrave; inaugura&ccedil;&atilde;o, em 1973, da Escola de Citotecnologia, anexa ao HAM. A Escola tinha por finalidade a capacita&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos para identifica&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas cancer&iacute;genas nas l&#226;minas levadas ao microsc&oacute;pio<a id="footnote-6339-43-backlink" href="#footnote-6339-43"><sup>43</sup></a>. A orienta&ccedil;&atilde;o para organiza&ccedil;&atilde;o de campanhas de diagn&oacute;stico do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero em maior escala evidenciou a figura do citot&eacute;cnico como profissional chave neste processo, visto que para a efetiva&ccedil;&atilde;o destas campanhas, o exame de Papanicolaou era utilizado como primeiro m&eacute;todo de detec&ccedil;&atilde;o<a id="footnote-6339-44-backlink" href="#footnote-6339-44"><sup>44</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir da segunda metade dos anos 1960, o controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, sob influ&ecirc;ncia dos programas de pa&iacute;ses como EUA e Inglaterra, passou por um processo de amplia&ccedil;&atilde;o para a ideia de rastreamento citol&oacute;gico, com a realiza&ccedil;&atilde;o de exames em maior escala e a forma&ccedil;&atilde;o de campanhas de preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Assim, a proposta inicialmente verificada na medicina brasileira, de forma geral, de transformar postos de atendimento ginecol&oacute;gico em centros especializados para detec&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, passou por altera&ccedil;&otilde;es que atendiam &agrave; nova configura&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a como foco da sa&uacute;de p&uacute;blica no pa&iacute;s. O HAM foi um dos primeiros espa&ccedil;os no Brasil a organizar campanhas de diagn&oacute;stico a partir destes preceitos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o de curso de forma&ccedil;&atilde;o de citot&eacute;cnicos evidenciava essa mudan&ccedil;a de orienta&ccedil;&atilde;o nos trabalhos do Hospital, que caminhava com a configura&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a dentro da sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira. Inicialmente utilizando o "modelo triplo" como estrat&eacute;gia principal de diagn&oacute;stico, o HAM, a exemplo de espa&ccedil;os de atendimento cong&ecirc;neres, conjugou colposcopia, citologia e bi&oacute;psia no exame sistem&aacute;tico a todas as pacientes que recorriam ao servi&ccedil;o ambulatorial. A partir dos anos 1960, com a forma&ccedil;&atilde;o das campanhas no interior do estado, este modelo come&ccedil;ou a ceder espa&ccedil;o para a utiliza&ccedil;&atilde;o da citologia como primeiro exame, e, nos casos suspeitos, o direcionamento da paciente para centros de maior complexidade, como o pr&oacute;prio HAM, para realiza&ccedil;&atilde;o dos demais exames e diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a<a id="footnote-6339-45-backlink" href="#footnote-6339-45"><sup>45</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>5. O Hospital Aristides Maltez e a preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no interior baiano</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o de centros e cl&iacute;nicas de preven&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico precoce do c&#226;ncer era uma das propostas do HAM para a organiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de controle da doen&ccedil;a. Os m&eacute;dicos da institui&ccedil;&atilde;o defendiam a descentraliza&ccedil;&atilde;o do atendimento, com o objetivo de atender um n&uacute;mero maior de mulheres. Como espa&ccedil;os localizados de atua&ccedil;&atilde;o, os ambulat&oacute;rios deveriam ser supervisionados e estar em permanente contato com hospitais ou centros mais organizados. Estes espa&ccedil;os proporcionariam o aux&iacute;lio e estrutura necess&aacute;rios para acompanhamento dos casos atendidos nos ambulat&oacute;rios e complemento aos trabalhos ambulatoriais. Enquanto o exame colposc&oacute;pico poderia ser realizado nos ambulat&oacute;rios, o material citol&oacute;gico seria coletado e enviado para um centro devidamente montado e com profissionais treinados em an&aacute;lises citol&oacute;gicas. Al&eacute;m de um centro para an&aacute;lises em citologia, os hospitais ou centros de refer&ecirc;ncia, funcionando como apoio aos ambulat&oacute;rios, ainda necessitariam contar com um centro de registros dos casos considerados suspeitos, permitindo o conhecimento mais detalhado de cada caso em particular e tamb&eacute;m o retorno e acompanhamento dos mesmos. Al&eacute;m dos registros, tais espa&ccedil;os deveriam dispor de um servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia social, respons&aacute;vel por buscar as pacientes para retorno e acompanhar o processo de diagn&oacute;stico e tratamento, quando necess&aacute;rio<a id="footnote-6339-46-backlink" href="#footnote-6339-46"><sup>46</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A proposta descrita acima foi o modelo implementado pelo HAM na organiza&ccedil;&atilde;o de postos de atendimento no interior do estado da Bahia. As a&ccedil;&otilde;es do hospital para o controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero n&atilde;o se limitavam ao atendimento ambulatorial na cidade de Salvador. Na organiza&ccedil;&atilde;o de campanhas para diagn&oacute;stico precoce da doen&ccedil;a, um dos focos da institui&ccedil;&atilde;o foi o trabalho de forma&ccedil;&atilde;o profissional e atendimento nos munic&iacute;pios do interior baiano. Esta organiza&ccedil;&atilde;o tinha como base o registro de que mais de 50% dos pacientes diagnosticados com c&#226;ncer no HAM eram provenientes do interior. O artigo 1<sup>o</sup> do regimento da LBCC para a realiza&ccedil;&atilde;o das campanhas no interior do Estado destacava que:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A Liga Baiana Contra o C&#226;ncer, dentro de suas disponibilidades, estabelecer&aacute; e manter&aacute; Campanhas junto aos diversos munic&iacute;pios do Estado da Bahia, visando em princ&iacute;pio a preven&ccedil;&atilde;o e detec&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer genital, com especial &ecirc;nfase ao c&#226;ncer do colo uterino"<a id="footnote-6339-47-backlink" href="#footnote-6339-47"><sup>47</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">As campanhas tiveram in&iacute;cio em 1955 com a funda&ccedil;&atilde;o do primeiro Consult&oacute;rio Preventivo de Combate do C&#226;ncer, na cidade de Alagoinhas. O consult&oacute;rio foi resultado da parceria entre a LBCC, o governo da Bahia e a prefeitura municipal de Alagoinhas. No espa&ccedil;o, eram realizados exames de rotina, como a citologia, sendo as l&#226;minas para an&aacute;lise enviadas para Salvador. Os casos de maior gravidade j&aacute; eram diretamente encaminhados ao HAM. Ap&oacute;s a iniciativa em Alagoinhas, outras cidades receberam n&uacute;cleos de controle da doen&ccedil;a, em parceria com a Liga: Ilh&eacute;us e Itabuna em 1956, Santo Amaro e Feira de Santana em 1957<a id="footnote-6339-48-backlink" href="#footnote-6339-48"><sup>48</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A cria&ccedil;&atilde;o dos consult&oacute;rios seguia o modelo b&aacute;sico proposto pelos profissionais do HAM, de descentraliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os m&eacute;dicos, concedendo maior autonomia aos munic&iacute;pios e ampliando o atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mais carente. Al&eacute;m deste aspecto, estes espa&ccedil;os tamb&eacute;m tinham a fun&ccedil;&atilde;o de "desafogar" os atendimentos no HAM. Como metade dos casos do hospital era de pacientes vindos do interior, a realiza&ccedil;&atilde;o dos primeiros exames e encaminhamento conforme os primeiros resultados catalisariam os trabalhos no HAM e reservaria a institui&ccedil;&atilde;o para a&ccedil;&otilde;es especializadas em c&#226;ncer. O contato dos consult&oacute;rios com o HAM deveria ser constante, tanto no que concerne &agrave; din&#226;mica do atendimento das pacientes, como nos relat&oacute;rios de atendimento e especializa&ccedil;&atilde;o dos profissionais que atuavam no interior. At&eacute; o ano de 1958, nos cinco consult&oacute;rios que haviam sido criados, o quantitativo total de atendimentos passava de 1.000. Neste per&iacute;odo, 247 exames colposc&oacute;picos foram realizados e 23 casos de c&#226;ncer diagnosticados. De todos os atendimentos, 25 foram encaminhados ao HAM em decorr&ecirc;ncia de seu est&aacute;gio de evolu&ccedil;&atilde;o e/ou gravidade<a id="footnote-6339-49-backlink" href="#footnote-6339-49"><sup>49</sup></a>. Percebemos que, com esse atendimento inicial, grande parte dos casos era resolvida no pr&oacute;prio interior. Com isso, o atendimento na capital era reservado aos casos de maior gravidade e os trabalhos eram agilizados em decorr&ecirc;ncia da triagem pr&eacute;via que era realizadas nos postos do interior.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nas campanhas realizadas e ambulat&oacute;rios instalados, o modelo de diagn&oacute;stico j&aacute; seguia os preceitos de exame em maior escala, empregando a citologia como principal ferramenta. Nos casos de l&#226;minas com resultados suspeitos, as mesmas eram encaminhadas ao HAM para novos exames e orienta&ccedil;&otilde;es sobre tratamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1966 foi lan&ccedil;ado um projeto piloto na cidade de Santo Amaro e a a&ccedil;&atilde;o foi estendida para mais 15 munic&iacute;pios do Rec&ocirc;ncavo Baiano entre o fim da d&eacute;cada de 1960 e in&iacute;cio dos anos 1970. O projeto seguia as mesmas diretrizes dos ambulat&oacute;rios e tinha como objetivos ampliar a estrutura de atendimento no interior do estado. A escolha da regi&atilde;o do Rec&ocirc;ncavo Baiano para a execu&ccedil;&atilde;o dos primeiros projetos deveu-se ao fato de que cerca de 62% dos atendimentos do HAM at&eacute; 1970 eram provenientes daquela regi&atilde;o do Estado, que n&atilde;o possu&iacute;a espa&ccedil;os para diagn&oacute;stico e tratamento da doen&ccedil;a<a id="footnote-6339-50-backlink" href="#footnote-6339-50"><sup>50</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os trabalhos nos munic&iacute;pios interioranos tinham algumas diretrizes comuns. O grupo selecionado para as atividades permanecia na regi&atilde;o por 30 dias, hospedado pela comunidade, com financiamento dividido entre a LBCC e os munic&iacute;pios, e mantinha o atendimento ambulatorial durante todos os dias, nos per&iacute;odos da manh&atilde; e da tarde. Dentre as responsabilidades do grupo estavam: o registro das pacientes; o exame citol&oacute;gico e do toque vaginal, seguidos pela colposcopia e bi&oacute;psia dirigida nos casos de evolu&ccedil;&atilde;o tumoral em curso; registro dos atendimentos em fichas pr&oacute;prias; encaminhamento dos casos de maior gravidade cl&iacute;nica para servi&ccedil;os especializados<a id="footnote-6339-51-backlink" href="#footnote-6339-51"><sup>51</sup></a>. Ao final da primeira fase dos trabalhos, de coleta do material de exame e sele&ccedil;&atilde;o das pacientes com diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a, os casos de c&#226;ncer <em>in situ</em> e de les&otilde;es em in&iacute;cio de desenvolvimento eram encaminhados para interna&ccedil;&atilde;o em hospitais locais ou para o pr&oacute;prio HAM. Nos casos de tumores invasivos ou os quadros cl&iacute;nicos mais graves eram diretamente encaminhados ao HAM para tratamento especializado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A maior parte dos recursos tanto para os exames quanto para os tratamentos era proveniente da pr&oacute;pria LBBC. Os m&eacute;dicos participantes do projeto defendiam que o custo do mesmo era reduzido. E quanto maior o n&uacute;mero de pacientes atendidas, menores os gastos com os exames<a id="footnote-6339-52-backlink" href="#footnote-6339-52"><sup>52</sup></a>. Eram computados nos custos do programa despesas com: pessoal, locomo&ccedil;&atilde;o e materiais para exame. Os gastos com laborat&oacute;rio de citologia e anatomia patol&oacute;gica n&atilde;o eram computados por serem estes servi&ccedil;os disponibilizados pelo HAM e componentes da estrutura e or&ccedil;amento do hospital.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O modelo de trabalho configurado pela LBCC, atrav&eacute;s da atua&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos do HAM nos munic&iacute;pios do interior baiano foi denominado pelos m&eacute;dicos do HAM de "Modelo Bahia". Na d&eacute;cada de 1970 foi criada a "equipe de preven&ccedil;&atilde;o da LBCC". Esta equipe era composta por dois grupos de trabalho: o grupo de colheita e sele&ccedil;&atilde;o e o grupo de tratamento. Antes do in&iacute;cio do atendimento m&eacute;dico, era realizada uma visita na cidade a ser atendida para serem analisadas as condi&ccedil;&otilde;es de atendimento, a infraestrutura da cidade em termos de hospitais, postos de sa&uacute;de e as condi&ccedil;&otilde;es de montagem de ambulat&oacute;rios preventivos. Quando o munic&iacute;pio dispunha de hospitais pr&oacute;prios, em geral eram utilizadas as instala&ccedil;&otilde;es e espa&ccedil;os dos mesmos para a montagem dos ambulat&oacute;rios. Para atrair o p&uacute;blico feminino eram distribu&iacute;dos panfletos no com&eacute;rcio local e realizadas visitas aos domic&iacute;lios divulgando e explicando o funcionamento do programa<a id="footnote-6339-53-backlink" href="#footnote-6339-53"><sup>53</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O "Modelo Bahia" oferecia, segundo seus idealizadores, condi&ccedil;&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o em quaisquer partes do pa&iacute;s. No entanto, alguns pontos deveriam ser observados para a implanta&ccedil;&atilde;o e sucesso do programa. No territ&oacute;rio baiano, o modelo ofereceria melhores condi&ccedil;&otilde;es de &ecirc;xito quando fossem seguidas algumas instru&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas. Primeiramente, era necess&aacute;rio manter um grupo permanentemente em atividade e com contato direto com as prefeituras e n&uacute;cleos sociais para que fosse prestada assist&ecirc;ncia aos pacientes em exames. A sele&ccedil;&atilde;o das pacientes se daria pela citologia, sendo seguida pela colposcopia e bi&oacute;psia e, nos casos que necessitassem de tratamento especializado, o controle e acompanhamento deveriam ser constantes. O encaminhamento ao HAM deveria ser feito sempre que os centros locais n&atilde;o oferecessem condi&ccedil;&otilde;es de interna&ccedil;&atilde;o e nos casos mais graves. E por fim, a forma&ccedil;&atilde;o profissional, a qualifica&ccedil;&atilde;o e o incentivo aos grupos de estudos, como ocorria no Centro de Estudos do HAM fazia-se importante por garantir o envolvimento dos profissionais e a qualidade do atendimento<a id="footnote-6339-54-backlink" href="#footnote-6339-54"><sup>54</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O modelo criado e difundido na Bahia pelo HAM foi um dos pioneiros na realiza&ccedil;&atilde;o destas campanhas de maior alcance. Mesmo ocorrendo de forma regional e sem uma proposta de a&ccedil;&atilde;o para outros estados, a iniciativa representava uma mudan&ccedil;a no status da doen&ccedil;a no pa&iacute;s, que saia aos poucos do &#226;mbito exclusivo dos hospitais especializados e gabinetes ginecol&oacute;gicos das faculdades de medicina. A atua&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o baiana foi constru&iacute;da de forma contempor&#226;nea e outras iniciativas no pa&iacute;s, como em Porto Alegre e S&atilde;o Paulo que, mesmo organizadas de forma desconexa e sem uma proposta de di&aacute;logo ilustravam uma mudan&ccedil;a nas diretrizes de controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no Brasil. A iniciativa dos m&eacute;dicos baianos fazia parte das estrat&eacute;gias de afirma&ccedil;&atilde;o da centralidade do HAM nas a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer na regi&atilde;o. Ao descentralizar a realiza&ccedil;&atilde;o dos exames atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de ambulat&oacute;rios de atendimento em munic&iacute;pios do interior, o HAM centralizava na institui&ccedil;&atilde;o a leitura das l&#226;minas coletadas e as medidas profil&aacute;ticas ap&oacute;s o diagn&oacute;stico. Assim, enquanto no in&iacute;cio dos trabalhos a orienta&ccedil;&atilde;o era de exames com a utiliza&ccedil;&atilde;o de citologia e colposcopia nas mulheres que buscassem atendimento, com a organiza&ccedil;&atilde;o do "Modelo Bahia", as a&ccedil;&otilde;es se tornaram descentralizadas e baseadas no uso do teste de Papanicolaou como t&eacute;cnica de diagn&oacute;stico, representando um momento de transi&ccedil;&atilde;o na orienta&ccedil;&atilde;o dos trabalhos na institui&ccedil;&atilde;o e na pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de controle da doen&ccedil;a no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6. Jornada Brasileira de Cancerologia </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O HAM era parte integrante de um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero que se formou no Brasil a partir da d&eacute;cada de 1940, tendo como impulsionador o Instituto de Ginecologia do Rio de Janeiro. Este conjunto era formado por institui&ccedil;&otilde;es, associa&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas, peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos e congressos m&eacute;dicos. Dentre os espa&ccedil;os de circula&ccedil;&atilde;o destes profissionais, os congressos eram o principal l&oacute;cus de intera&ccedil;&atilde;o, afirma&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o dos trabalhos desenvolvidos em cada institui&ccedil;&atilde;o<a id="footnote-6339-55-backlink" href="#footnote-6339-55"><sup>55</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como parte do processo de afirma&ccedil;&atilde;o do HAM no controle do c&#226;ncer no Brasil, entre os dias 12 e 15 de outubro de 1960 a cidade de Salvador sediou a I Jornada Brasileira de Cancerologia. O evento era uma iniciativa do HAM em conjunto com o governo do Estado da Bahia. Durante o evento foram realizadas palestras sobre o c&#226;ncer em geral, estando presentes grandes nomes da cancerologia no Brasil. Os <em>Arquivos de Oncologia</em> publicaram na &iacute;ntegra a cobertura da Jornada e os textos apresentados. Estiveram presentes m&eacute;dicos de v&aacute;rios estados brasileiros como Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo, Rio Grande do Sul, Alagoas, Maranh&atilde;o, Cear&aacute;, Pernambuco, Par&aacute;, Minas Gerais e Rio Grande do Norte<a id="footnote-6339-56-backlink" href="#footnote-6339-56"><sup>56</sup></a>. A jornada representava uma concretiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhos da LBCC e do HAM no controle do c&#226;ncer e a proje&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m do territ&oacute;rio baiano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante a realiza&ccedil;&atilde;o da I Jornada de Cancerologia foi proposta a organiza&ccedil;&atilde;o de um novo peri&oacute;dico, que compilasse os dados das publica&ccedil;&otilde;es sobre c&#226;ncer em todo o pa&iacute;s. Tal peri&oacute;dico ganhou forma como a <em>Bibliografia Brasileira de Oncologia</em>, em 1961. O momento escolhido para apresenta&ccedil;&atilde;o da primeira vers&atilde;o impressa foi a II Jornada Brasileira de Cancerologia, com a previs&atilde;o do lan&ccedil;amento de mais dois n&uacute;meros. A proposta da publica&ccedil;&atilde;o era preencher a lacuna correspondente &agrave; dificuldade de um levantamento bibliogr&aacute;fico sobre o c&#226;ncer na literatura brasileira. O primeiro volume correspondia ao levantamento bibliogr&aacute;fico referente ao per&iacute;odo de 1851 a 1952. O segundo abarcaria os anos de 1953 a 1960, e o terceiro, de 1961 a 1962<a id="footnote-6339-57-backlink" href="#footnote-6339-57"><sup>57</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s a I Jornada, ocorreram outras da mesma natureza. Em 1962 foi organizada a II Jornada de Cancerologia, cujo tema oficial foi a educa&ccedil;&atilde;o profissional m&eacute;dica para a luta contra o c&#226;ncer. As Jornadas podem ser vistas como um momento de di&aacute;logo entre diferentes institui&ccedil;&otilde;es e profissionais e de constru&ccedil;&atilde;o de diretrizes comuns nas a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer no Brasil. Nos discursos sobre o c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, as ideias do diagn&oacute;stico precoce e a utiliza&ccedil;&atilde;o da colposcopia e citologia como principais ferramentas tornaram-se uma diretriz compartilhada pelas institui&ccedil;&otilde;es nacionais em meados do s&eacute;culo XX. A circula&ccedil;&atilde;o dos atores, as discuss&otilde;es, e publica&ccedil;&otilde;es em peri&oacute;dicos evidenciam a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede de a&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a, que colocaram a doen&ccedil;a na agenda de sa&uacute;de nacional e difundiram as tecnologias m&eacute;dicas de diagn&oacute;stico no pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>7. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o do HAM representou a solidifica&ccedil;&atilde;o da LBCC nas a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no nordeste do pa&iacute;s. O hospital concretizou as aspira&ccedil;&otilde;es da Liga na cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o para tratamento e constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre a doen&ccedil;a. Num contexto no qual a doen&ccedil;a era culturalmente relacionada &agrave; pobreza e promiscuidade, a estrat&eacute;gia de controle caminhava no sentido de medicaliza&ccedil;&atilde;o, deslocando o discurso das quest&otilde;es sociais para um cunho biol&oacute;gico e org&#226;nico. Outra dificuldade era o diagn&oacute;stico, uma vez que as pacientes recorriam ao atendimento m&eacute;dico quando os sintomas eram aparentes, o que dificultava a interven&ccedil;&atilde;o e diminu&iacute;a as possibilidades de cura. Neste sentido, a bandeira do diagn&oacute;stico precoce foi o grande lema dos m&eacute;dicos envolvidos neste projeto, baseados no argumento de quanto mais no in&iacute;cio um tumor, ou a possibilidade do acometimento por esse, fosse identificado, melhores as expectativas no progn&oacute;stico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No processo de difus&atilde;o das ferramentas de diagn&oacute;stico do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no Brasil, o HAM foi o respons&aacute;vel pela introdu&ccedil;&atilde;o das tecnologias na regi&atilde;o baiana e da forma&ccedil;&atilde;o de profissionais para utiliza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas. Nos primeiros anos de atividade o modelo de detec&ccedil;&atilde;o adotado consistiu na utiliza&ccedil;&atilde;o conjunta de colposcopia, citologia e bi&oacute;psia, numa perspectiva de atendimento ambulatorial. Inserido no conjunto de mudan&ccedil;as na sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira, a implementa&ccedil;&atilde;o de campanhas de diagn&oacute;stico precoce no interior do estado deslocou a perspectiva para a an&aacute;lise em maior escala, adotando a citologia como principal estrat&eacute;gia de detec&ccedil;&atilde;o, o que atendia &agrave; demanda de ampliar os atendimentos da institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m do atendimento ambulatorial, o processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o do HAM foi marcado pelo incentivo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento e forma&ccedil;&atilde;o profissional. A constru&ccedil;&atilde;o de saberes sobre a doen&ccedil;a, assim como a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es possibilitava maior visibilidade aos trabalhos do hospital e conferia a este um papel de centralidade e complexidade no controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero, que extrapolava as a&ccedil;&otilde;es de diagn&oacute;stico e terap&ecirc;utica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O hospital, assim, destacou-se por seu pioneirismo nas regi&otilde;es norte e nordeste do Brasil, na articula&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es em c&#226;ncer e na implementa&ccedil;&atilde;o de modelos de atua&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a, com atendimento referencial em toda a regi&atilde;o. Atuando numa rede de atores e espa&ccedil;os, o HAM manteve di&aacute;logo e interc&#226;mbios constantes com outras institui&ccedil;&otilde;es de atendimento e pesquisa em c&#226;ncer em meados do s&eacute;culo XX no Brasil e apresentou preocupa&ccedil;&atilde;o e formas de atendimento semelhantes e dialogadas com estes espa&ccedil;os.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Referências</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-1" href="#footnote-6339-1-backlink"> 1</a> . Teixeira, Luiz Ant&ocirc;nio; Löwy, Ilana. Imperfect tools for a difficult job: Colposcopy, colpocytology and screening for cervical cancer in Brazil. Social Studies of Science. 2011; 41 (1): 585-608.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737557&pid=S0211-9536201400010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-2" href="#footnote-6339-2-backlink"> 2</a> . Lana, Vanessa. Ferramentas, pr&aacute;ticas e saberes: a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede institucional para a preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero no Brasil - 1936-1970 (tese de doutorado). Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz / Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737559&pid=S0211-9536201400010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-3" href="#footnote-6339-3-backlink"> 3</a> . Figueir&ocirc;a, Silvia Fernanda de Mendon&ccedil;a. As Ci&ecirc;ncias Geol&oacute;gicas no Brasil: uma hist&oacute;ria social e institucional, 1875-1934. S&atilde;o Paulo: HUCITEC; 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737561&pid=S0211-9536201400010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-4" href="#footnote-6339-4-backlink"> 4</a> . A Sociedade de Ginecologia da Bahia foi fundada em 1932, tendo o m&eacute;dico Aristides Maltez como seu presidente de honra.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-5" href="#footnote-6339-5-backlink"> 5</a> . Durante o primeiro governo do presidente Get&uacute;lio Vargas (1930-1945), os governadores de Estado, denominado interventores, eram designados pelo presidente como forma de manuten&ccedil;&atilde;o de poder e da estrutura de governo. Na Bahia, o agr&ocirc;nomo Landulpho Alves de Almeida ocupou o posto de interventor estadual entre os anos de 1938 e 1942, no per&iacute;odo conhecido pela historiografia como "Estado Novo". O governo de Landulpho foi marcado pela &ecirc;nfase no desenvolvimento agr&iacute;cola dos munic&iacute;pios do interior baiano, na amplia&ccedil;&atilde;o da malha rodovi&aacute;ria e urbaniza&ccedil;&atilde;o da capital.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-6" href="#footnote-6339-6-backlink"> 6</a> . Sampaio, Consuelo Novais. 70 Anos de lutas e conquistas: Liga Bahiana Contra o C&#226;ncer. Salvador: LBCC; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737565&pid=S0211-9536201400010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-7" href="#footnote-6339-7-backlink"> 7</a> . Estatutos da Liga Bahiana Contra o C&#226;ncer. Salvador: Imprensa Oficial; 1955.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737567&pid=S0211-9536201400010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-8" href="#footnote-6339-8-backlink"> 8</a> . Decreto-Lei n.<sup>o</sup> 6525, de 24 de maio de 1944.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-9" href="#footnote-6339-9-backlink"> 9</a> . Fonseca, Cristina M. O. Sa&uacute;de no Governo Vargas (1930-45): Dualidade institucional de um bem p&uacute;blico. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2007;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737570&pid=S0211-9536201400010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Hochman, Gilberto. Cambio pol&iacute;tico y reformas de la salud p&uacute;blica en Brasil. El primer gobierno Vargas (1930-1945). Dynamis. 2005; 25: 199-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737571&pid=S0211-9536201400010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-10" href="#footnote-6339-10-backlink"> 10</a> . Teixeira, Luiz Ant&ocirc;nio; Fonseca, Cristina. De doen&ccedil;a desconhecida a problema de sa&uacute;de p&uacute;blica: o INCA e o controle do c&#226;ncer no Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do C&#226;ncer; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737573&pid=S0211-9536201400010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-11" href="#footnote-6339-11-backlink"> 11</a> . Teixeira; Fonseca, n. 10.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-12" href="#footnote-6339-12-backlink"> 12</a> . Aristides Maltez nasceu na cidade de Cachoeira (BA) em 31 de agosto de 1882 e faleceu em 05 de janeiro de 1943. Formou-se m&eacute;dico em 1908. Especializou-se em ginecologia no Hospital Presbiteriano de Nova York e, no retorno &agrave; Bahia em 1911 ocupou a cadeira de Fisiologia em sua faculdade de forma&ccedil;&atilde;o, assumiu a livre-doc&ecirc;ncia em 1914 e, em 1932, a c&aacute;tedra de Ginecologia na Faculdade de Medicina da Bahia. Como ginecologista, atendia em seu consult&oacute;rio de Partos e Mol&eacute;stias das Senhoras e na enfermaria do Hospital Santa Isabel da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia da Bahia. Sampaio, n. 6.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-13" href="#footnote-6339-13-backlink"> 13</a> . Sampaio, n. 6.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-14" href="#footnote-6339-14-backlink"> 14</a> . Estatutos, n. 7.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-15" href="#footnote-6339-15-backlink"> 15</a> . O C&#226;ncer - Boletim de divulga&ccedil;&atilde;o da Liga Baiana Contra o C&#226;ncer. 1962; 3 (3): 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737579&pid=S0211-9536201400010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-16" href="#footnote-6339-16-backlink"> 16</a> . Mota, Andr&eacute;. Resenha - Hist&oacute;ria da Sa&uacute;de na Bahia: Institui&ccedil;&otilde;es e Patrim&ocirc;nio Arquitet&ocirc;nico (1808-1958). Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2012; 28 (5): 1005-1009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737581&pid=S0211-9536201400010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-17" href="#footnote-6339-17-backlink"> 17</a> . Maltez Filho, Aristides. Organiza&ccedil;&atilde;o de Centros e Cl&iacute;nicas de Diagn&oacute;stico Precoce do c&#226;ncer genital. Arquivos de Oncologia. 1966; 7(1): 62-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737583&pid=S0211-9536201400010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-18" href="#footnote-6339-18-backlink"> 18</a> . Nunes, F&aacute;bio de Carvalho. Aspectos epidemiol&oacute;gicos do c&#226;ncer na cidade de Salvador. Salvador: Instituto de Sa&uacute;de p&uacute;blica; 1950.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737585&pid=S0211-9536201400010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-19" href="#footnote-6339-19-backlink"> 19</a> . Regimento Interno do Hospital Aristides Maltez. Salvador: Liga Baiana Contra o C&#226;ncer; 1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737587&pid=S0211-9536201400010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-20" href="#footnote-6339-20-backlink"> 20</a> . Estes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o mais bem discutidos nas pr&oacute;ximas se&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-21" href="#footnote-6339-21-backlink"> 21</a> . O C&#226;ncer, n. 15.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-22" href="#footnote-6339-22-backlink"> 22</a> . A colposcopia &eacute; uma t&eacute;cnica de exame ginecol&oacute;gico que permite a visualiza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o do trato genital inferior (na mulher: vulva, vagina, colo e corpo uterino), atrav&eacute;s de um aparelho denominado colposc&oacute;pio, que amplia e ilumina a regi&atilde;o a ser examinada. O m&eacute;todo permite a verifica&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis zonas de anormalidade, contribuiu para uma melhor compreens&atilde;o da fisiopatologia da neoplasia cervical e para o diagn&oacute;stico precoce de les&otilde;es do colo. A t&eacute;cnica foi descrita em 1925 por Hans Hinselmann na Alemanha. Ao longo dos anos, a colposcopia evoluiu de um m&eacute;todo de diagn&oacute;stico precoce do c&#226;ncer do colo uterino para um exame mais global de todo o trato genital inferior, permitindo diagnosticar e tratar diversas patologias que atingem essa regi&atilde;o, desde infec&ccedil;&otilde;es virais como o HPV, passando pelas les&otilde;es precursoras e at&eacute; o pr&oacute;prio c&#226;ncer. Salgado, Clovis; Rieper, Jo&atilde;o Paulo. Colposcopia. Rio de Janeiro: FENAME - Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Material Escolar / Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura; 1970.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737591&pid=S0211-9536201400010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-23" href="#footnote-6339-23-backlink"> 23</a> . Em 1917, Papanicolaou, a partir da an&aacute;lise das c&eacute;lulas presentes no esfrega&ccedil;o vaginal, observou a exist&ecirc;ncia de fases r&iacute;tmicas do ciclo sexual. Da continuidade de seus estudos, ao final dos anos 1920, verificou-se a possibilidade do reconhecimento de c&eacute;lulas cancerosas no conte&uacute;do vaginal pela an&aacute;lise microsc&oacute;pica das c&eacute;lulas obtidas por esfrega&ccedil;o. Löwy, Ilana. Preventive strikes: Women, precancer, and prophylactic surgery. Baltimore: The Johns Hopkins University Press; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737593&pid=S0211-9536201400010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-24" href="#footnote-6339-24-backlink"> 24</a> . No Brasil e em outros pa&iacute;ses latino americanos como Chile e Argentina, a utiliza&ccedil;&atilde;o da colposcopia como primeira ferramenta de diagn&oacute;stico do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero ocorreu quase simultaneamente &agrave; difus&atilde;o da tecnologia na Alemanha, num quadro diferente ao verificado na maioria dos pa&iacute;ses europeus e nos EUA. Este quadro foi identificado pela historiografia como "exce&ccedil;&atilde;o latino-americana". Eraso, Yolanda. Migrating techniques, multiplying diagnoses: The contribution of Argentina and Brazil to early "detection policy" in cervical cancer. Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de - Manguinhos. 2010; 17 (supl. 1): 33-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737595&pid=S0211-9536201400010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-25" href="#footnote-6339-25-backlink"> 25</a> . Teixeira; Löwy, n. 1.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-26" href="#footnote-6339-26-backlink"> 26</a> . Brown, Nick; Webster, Andrew. New medical technologies and society: reordering life. Cambridge: Polity Press; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737598&pid=S0211-9536201400010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-27" href="#footnote-6339-27-backlink"> 27</a> . Teixeira, Luiz Antonio; Porto, Marco Antonio Teixeira; Souza, Let&iacute;cia Pumar Alves. A expans&atilde;o do rastreio do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero e a forma&ccedil;&atilde;o de citot&eacute;cnicos no Brasil. Physis: Revista de Sa&uacute;de Coletiva. 2012; 22 (2): 713-731.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737600&pid=S0211-9536201400010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-28" href="#footnote-6339-28-backlink"> 28</a> . Maltez, Carlos Aristides; Lima, Alberto Pereira Dias; Teixeira, Regina Stella Calmon. C&#226;ncer in situ do colo uterino - experi&ecirc;ncia do Hospital Aristides Maltez. Arquivos de Oncologia. 1965; 6 (1): 18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737602&pid=S0211-9536201400010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-29" href="#footnote-6339-29-backlink"> 29</a> . Maltez; Lima; Teixeira, n. 28.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-30" href="#footnote-6339-30-backlink"> 30</a> . Alves, H&eacute;lio Eloy; Maltez, Carlos Aristides (b). C&#226;ncer do colo do &uacute;tero - an&aacute;lise de 158 casos. Arquivos de Oncologia. 1966; 7 (2): 83-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737605&pid=S0211-9536201400010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-31" href="#footnote-6339-31-backlink"> 31</a> . Silveira, Agnaldo da. C&#226;ncer do colo uterino e seu tratamento pelas irradia&ccedil;&otilde;es - primeiros resultados do Hospital Aristides Maltez. Arquivos de Oncologia, 1956; 1 (1): 7-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737607&pid=S0211-9536201400010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-32" href="#footnote-6339-32-backlink"> 32</a> . Pereira Filho, Santos. Relat&oacute;rio das atividades do Centro de Estudos Prof. Aristides Maltez. Arquivos de Oncologia. 1956; 1 (1): 131-132.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737609&pid=S0211-9536201400010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-33" href="#footnote-6339-33-backlink"> 33</a> . Neves, Luiz de Oliveira. Os Arquivos de Oncologia. Arquivos de Oncologia. 1956; 1 (1): 5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737611&pid=S0211-9536201400010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-34" href="#footnote-6339-34-backlink"> 34</a> . Teixeira; Fonseca, n. 10.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-35" href="#footnote-6339-35-backlink"> 35</a> . Gardner, Kirsten E. Early detection: Women, cancer, and awareness campaigns in the twentieth-century United States. Chapel Hill: University of North Carolina Press; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737614&pid=S0211-9536201400010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-36" href="#footnote-6339-36-backlink"> 36</a> . O C&#226;ncer - Boletim de divulga&ccedil;&atilde;o da Liga Baiana Contra o C&#226;ncer. 1959; 2 (2): 2-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737616&pid=S0211-9536201400010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-37" href="#footnote-6339-37-backlink"> 37</a> . O C&#226;ncer, n. 36.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-38" href="#footnote-6339-38-backlink"> 38</a> . O C&#226;ncer, n. 36.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-39" href="#footnote-6339-39-backlink"> 39</a> . Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, Jorge Sampaio de Marsillac Motta nasceu em 30 de abril de 1911, e faleceu em 2001. Foi um dos fundadores do Centro de Cancerologia em 1937 e diretor do Instituto Nacional do C&#226;ncer entre os anos 1967 e 1969.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-40" href="#footnote-6339-40-backlink"> 40</a> . Jo&atilde;o Paulo Rieper era m&eacute;dico do Instituto de Ginecologia do Rio de Janeiro. Foi disc&iacute;pulo direto de Hans Hinselman na Alemanha e respons&aacute;vel por introduzir a colposcopia no Brasil como ferramenta de diagn&oacute;stico do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-41" href="#footnote-6339-41-backlink"> 41</a> . Foi diretor geral do Instituto Nacional do C&#226;ncer nos anos 1970-1972. Nascido em 12 de mar&ccedil;o de 1901, foi diretor do Servi&ccedil;o Nacional do C&#226;ncer, ocasi&atilde;o na qual inaugurou a pedra fundamental do Inca em 1953. Entre os anos de 1959 e 1961 foi presidente da Academia Nacional de Medicina.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-42" href="#footnote-6339-42-backlink"> 42</a> . Sampaio, n. 6, p. 50-62.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-43" href="#footnote-6339-43-backlink"> 43</a> . Neves, Luiz de Oliveira. Relat&oacute;rio do Diretor do Hospital Aristides Maltez, referente ao per&iacute;odo de 1954 a 1957. Apresentado em sess&atilde;o do Conselho T&eacute;cnico da Liga Baiana Contra o C&#226;ncer em 10 de setembro de 1957. Arquivos de Oncologia. 1958; 1 (3): 50-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737624&pid=S0211-9536201400010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-44" href="#footnote-6339-44-backlink"> 44</a> . Teixeira; Porto; Souza, n. 27.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-45" href="#footnote-6339-45-backlink"> 45</a> . Maltez Filho, n. 17.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-46" href="#footnote-6339-46-backlink"> 46</a> . Maltez Filho, n. 17.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-47" href="#footnote-6339-47-backlink"> 47</a> . Estatutos, n. 7.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-48" href="#footnote-6339-48-backlink"> 48</a> . O C&#226;ncer, n. 36.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-49" href="#footnote-6339-49-backlink"> 49</a> . Neves, Luiz de Oliveira. Relat&oacute;rio do Servi&ccedil;o Estadual do C&#226;ncer. Arquivos de Oncologia. 1958; 1 (3): 63-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737631&pid=S0211-9536201400010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-50" href="#footnote-6339-50-backlink"> 50</a> . Maltez, Carlos Aristides. Avalia&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia brasileira na preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer cervico uterino (Em munic&iacute;pios do interior). Arquivos de Oncologia. 1968; 4 (1): 47-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737633&pid=S0211-9536201400010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-51" href="#footnote-6339-51-backlink"> 51</a> . Maltez, n. 50.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-52" href="#footnote-6339-52-backlink"> 52</a> . Maltez, n. 50.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-53" href="#footnote-6339-53-backlink"> 53</a> . Maltez, n. 50.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-54" href="#footnote-6339-54-backlink"> 54</a> . Maltez, n. 50.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-55" href="#footnote-6339-55-backlink"> 55</a> . Lana, n. 2.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-56" href="#footnote-6339-56-backlink"> 56</a> . I Jornada Brasileira de Cancerologia. Arquivos de Oncologia. 1961; 4 (1): 78-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737640&pid=S0211-9536201400010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6339-57" href="#footnote-6339-57-backlink"> 57</a> . Bibliografia Brasileira de Oncologia. 1961; 1 (1): 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1737642&pid=S0211-9536201400010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 23 de agosto de 2012    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 17 de julio de 2013</font></p>      ]]></body><back>
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