<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0211-9536</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Dynamis]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Dynamis]]></abbrev-journal-title>
<issn>0211-9536</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidad de Granada]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0211-95362014000100004</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.4321/S0211-95362014000100004</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tecnologia e campos disciplinares: os citotécnicos e a implementação do teste de Papanicolaou no Brasil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Technology and disciplinary fields: cytotechnicians and implementation of the Pap test in Brazil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz Antonio]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pumar]]></surname>
<given-names><![CDATA[Leticia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Fiocruz Casa de Oswaldo Cruz ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>34</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>49</fpage>
<lpage>72</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0211-95362014000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0211-95362014000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0211-95362014000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A apropriação e utilização do teste de Papanicolaou como tecnologia fundamental para o controle do câncer de colo do útero no Brasil foi fruto de escolhas, acordos e embates entre determinados grupos profissionais (médicos de diferentes especialidades, farmacêuticos, biólogos, biomédicos e citotécnicos). Na primeira parte do trabalho apresentamos o processo de formulação das primeiras campanhas de rastreamento populacional com uso do teste Papanicolaou no país e, consequentemente, o surgimento da profissão de citotécnicos (profissionais dedicados a leitura das lâminas de Papanicolaou). Num segundo momento, partimos de algumas questões levantadas pela historiografia internacional no campo da história das ciências e das técnicas para discutimos as peculiaridades do processo de apropriação do teste Papanicolaou no contexto brasileiro. Priorizamos as questões relativas aos debates entre diferentes grupos profissionais envolvidos com a lógica desse exame e às relações entre os setores públicos e privados de saúde. Demonstramos que as visões distintas sobre essa tecnologia no campo de diferentes disciplinas e a relação destas com a dinâmica do mercado de trabalho moldam a trajetória da profissão de citotécnico e a forma como o teste de Papanicolaou foi (e está sendo) apropriado como tecnologia central para o rastreio do câncer de colo do útero no Brasil.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The implementation of the Pap test as a primary technology in the control of cervical cancer in Brazil was the result of choices, agreements and disputes among certain professional groups, including physicians from various specialisations, pharmacists, biologists, biomedical scientists and cytotechnologists. The first part of the paper describes the process of formulating Brazil’s first screening campaigns using the Pap smear, and the subsequent emergence of the profession of cytotechnology, whose practitioners interpret this test. Second, based on questions raised by international historiography in the field of science and technology, we explore in detail how the adoption of the Pap smear transpired within the Brazilian context, focussing on the debates among the various professional groups with an interest in the suitability of the test and on the relationships between the public and private healthcare sectors. We show that the professional career of cytotechnologists and the way in which the Pap smear has been implemented as a central technology for cervical cancer screening in Brazil have been shaped by the conflicting views of this technology held by different disciplines as well as by the relationship between these disciplines and labour market dynamics.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[história do controle do câncer de colo do útero]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[história das ciências e das técnicas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[teste de Papanicolaou]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[citotécnicos]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[history of cervical cancer control]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[history of sciences and technologies]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Pap smear]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[cytotechnicians/cytotechnologist]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Tecnologia e campos disciplinares: os citot&eacute;cnicos e a implementa&ccedil;&atilde;o do teste de Papanicolaou no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Technology and disciplinary fields: cytotechnicians and implementation of the Pap test in Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Luiz Antonio Teixeira (*) y Leticia Pumar (**) </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(*) Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, Rio de Janeiro.  <a href="mailto:teixeira@fiocruz.br">teixeira@fiocruz.br</a>    <br>(**) Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, Rio de Janeiro. <a href="mailto:leticiapumar@gmail.com">leticiapumar@gmail.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Contamos com recursos do Programa Estratégico de Apoio à Pesquisa em Saúde (Papes/Fiocruz) e da Fundação Câncer.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">    <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A apropria&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o do teste de Papanicolaou como tecnologia fundamental para o controle do c&#226;ncer de colo do &uacute;tero no Brasil foi fruto de escolhas, acordos e embates entre determinados grupos profissionais (m&eacute;dicos de diferentes especialidades, farmac&ecirc;uticos, bi&oacute;logos, biom&eacute;dicos e citot&eacute;cnicos). Na primeira parte do trabalho apresentamos o processo de formula&ccedil;&atilde;o das primeiras campanhas de rastreamento populacional com uso do teste Papanicolaou no pa&iacute;s e, consequentemente, o surgimento da profiss&atilde;o de citot&eacute;cnicos (profissionais dedicados a leitura das l&#226;minas de Papanicolaou). Num segundo momento, partimos de algumas quest&otilde;es levantadas pela historiografia internacional no campo da hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias e das t&eacute;cnicas para discutimos as peculiaridades do processo de apropria&ccedil;&atilde;o do teste Papanicolaou no contexto brasileiro. Priorizamos as quest&otilde;es relativas aos debates entre diferentes grupos profissionais envolvidos com a l&oacute;gica desse exame e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre os setores p&uacute;blicos e privados de sa&uacute;de. Demonstramos que as vis&otilde;es distintas sobre essa tecnologia no campo de diferentes disciplinas e a rela&ccedil;&atilde;o destas com a din&#226;mica do mercado de trabalho moldam a trajet&oacute;ria da profiss&atilde;o de citot&eacute;cnico e a forma como o teste de Papanicolaou foi (e est&aacute; sendo) apropriado como tecnologia central para o rastreio do c&#226;ncer de colo do &uacute;tero no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palabras clave:</b> hist&oacute;ria do controle do c&#226;ncer de colo do &uacute;tero, hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias e das t&eacute;cnicas, teste de Papanicolaou, citot&eacute;cnicos.</font></p> <hr size="1">    <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT:</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The implementation of the Pap test as a primary technology in the control of cervical cancer in Brazil was the result of choices, agreements and disputes among certain professional groups, including physicians from various specialisations, pharmacists, biologists, biomedical scientists and cytotechnologists. The first part of the paper describes the process of formulating Brazil’s first screening campaigns using the Pap smear, and the subsequent emergence of the profession of cytotechnology, whose practitioners interpret this test. Second, based on questions raised by international historiography in the field of science and technology, we explore in detail how the adoption of the Pap smear transpired within the Brazilian context, focussing on the debates among the various professional groups with an interest in the suitability of the test and on the relationships between the public and private healthcare sectors. We show that the professional career of cytotechnologists and the way in which the Pap smear has been implemented as a central technology for cervical cancer screening in Brazil have been shaped by the conflicting views of this technology held by different disciplines as well as by the relationship between these disciplines and labour market dynamics.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key Words:</b> history of cervical cancer control, history of sciences and technologies, Pap smear, cytotechnicians/cytotechnologist.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o (*)</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Diversos trabalhos analisaram a maneira pela qual o teste de Papanicolaou passou a ser visto como a tecnologia adequada para o controle do c&#226;ncer cervical (<i>right tool for the job</i>) e quais os custos e benef&iacute;cios da utiliza&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia. Tais estudos relativizam a ideia de que o rastreio populacional com o uso do teste de Papanicolaou foi a &uacute;nica forma poss&iacute;vel de preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer cervical e demonstram que a aplica&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia ocorreu de forma diferente em cada contexto local<a id="footnote-6348-1-backlink" href="#footnote-6348-1"><sup>1</sup></a>. Ao seguir essa perspectiva, esses trabalhos ampliam o campo de an&aacute;lise sobre as t&eacute;cnicas de controle da doen&ccedil;a e inserem o desenvolvimento do teste Papanicolaou no &#226;mbito de um conjunto de alternativas poss&iacute;veis, demonstrando que a compreens&atilde;o do teste como "<i>righ tool for the job"</i> &eacute; resultado de escolhas de alguns grupos em determinados contextos s&oacute;cio-hist&oacute;ricos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Partindo dessas reflex&otilde;es, esse artigo analisa algumas particularidades da aplica&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia no Brasil, tendo como foco o surgimento do citot&eacute;cnico e as controv&eacute;rsias atinentes ao processo de regulamenta&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o de suas atividades. Como em grande parte dos pa&iacute;ses ocidentais, no Brasil o citot&eacute;cnico &eacute; um profissional que tem como principal fun&ccedil;&atilde;o examinar as l&#226;minas elaboradas a partir do material colhido e encaminhar os casos considerados at&iacute;picos para avalia&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico citopatologista. Dessa forma, &eacute; o respons&aacute;vel pela triagem do material citopatol&oacute;gico, permitindo que o m&eacute;dico examine somente os casos suspeitos, em geral 10 a 30% do total. Seu trabalho, se tornou cada vez mais necess&aacute;rio a medida que o uso do Papanicolaou se intensificou no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No final da d&eacute;cada de 1960, ocorreu uma transforma&ccedil;&atilde;o nas a&ccedil;&otilde;es para o controle do c&#226;ncer cervical no Brasil. O modelo centrado no uso combinado da colposcopia e da citologia, come&ccedil;ou a dar lugar a campanhas ou programas p&uacute;blicos de preven&ccedil;&atilde;o baseados no screening com o uso do Papanicolaou. A amplia&ccedil;&atilde;o do volume de exames criou a necessidade de aumentar o n&uacute;mero de profissionais para a leitura das l&#226;minas citol&oacute;gicas, que at&eacute; ent&atilde;o era realizada na maioria das vezes por m&eacute;dicos residentes ou por citopatologistas. Nesse contexto, o citot&eacute;cnico passou a ser visto como um elemento fundamental para a amplia&ccedil;&atilde;o de programas de controle da doen&ccedil;a e surgiram os primeiros cursos para a forma&ccedil;&atilde;o desse profissional e iniciativas para a normatiza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o. No entanto, o processo de reconhecimento da profiss&atilde;o, com a padroniza&ccedil;&atilde;o de sua forma&ccedil;&atilde;o e a regulamenta&ccedil;&atilde;o da categoria profissional, ainda hoje est&aacute; inconcluso, sendo alvo de longos debates<a id="footnote-6348-2-backlink" href="#footnote-6348-2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em trabalho anterior, discutimos a trajet&oacute;ria da forma&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos no pa&iacute;s, relacionando o surgimento dos cursos para a sua forma&ccedil;&atilde;o ao movimento de expans&atilde;o de programas e campanhas de rastreamento do c&#226;ncer cervical na Brasil. A partir da perspectiva da sociologia das profiss&otilde;es, procuramos mostrar como a an&aacute;lise de suas atividades n&atilde;o pode se prender somente a sua forma&ccedil;&atilde;o, se relacionando tamb&eacute;m ao perfil do mercado de trabalho e a suas formas de organiza&ccedil;&atilde;o<a id="footnote-6348-3-backlink" href="#footnote-6348-3"><sup>3</sup></a>. A partir desse estudo foi poss&iacute;vel perceber que a iniciativa de regulamenta&ccedil;&atilde;o do trabalho desse grupo de t&eacute;cnicos respons&aacute;veis pela triagem do material citopatol&oacute;gico, esbarra nas discuss&otilde;es entre bi&oacute;logos, farmac&ecirc;uticos, biom&eacute;dicos e m&eacute;dicos citopatologistas sobre quem tem a capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para realizar a an&aacute;lise das l&#226;minas e supervisionar essa atividade, garantindo a qualidade dos exames efetuados. Os citopatologistas, representados pela Sociedade Brasileira de Citopatologia, afirmam que todo diagn&oacute;stico citopatologico deve ser dado por um m&eacute;dico da especialidade, pois a realiza&ccedil;&atilde;o de qualquer diagn&oacute;stico caberia apenas aos m&eacute;dicos. No campo oposto, os bi&oacute;logos, farmac&ecirc;uticos e biom&eacute;dicos afirmam que o Papanicolaou &eacute; "um m&eacute;todo de screnning" e que os resultados das leituras das l&#226;minas est&atilde;o fora do campo de a&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos, caracterizando-se como "laudos t&eacute;cnicos" para embasar diagn&oacute;sticos m&eacute;dicos posteriores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nosso objetivo agora &eacute; avaliar a a&ccedil;&atilde;o dos diversos grupos profissionais pelo monop&oacute;lio do trabalho de leitura e emiss&atilde;o de laudos citol&oacute;gicos e como elas se relacionam &agrave;s especificidades da utiliza&ccedil;&atilde;o do Papanicolaou no pa&iacute;s. Para tanto, tomamos por base a perspectiva da hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias e das tecnologias de que "<i>"tools", "jobs", and the "rightness" of the tools for the jobs are each and all situationally constructed</i>"<a id="footnote-6348-4-backlink" href="#footnote-6348-4"><sup>4</sup></a>. Seguindo as reflex&otilde;es de Clarke e Fujimura sobre "<i>how tools shape disciplines and how disciplines shapes tools</i>", nossa an&aacute;lise mostrar&aacute; que, nos debates entre esses diferentes campos disciplinares, as ambiguidades da tecnologia s&atilde;o acionadas de diferentes maneiras pelos grupos que procuram participar das a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer cervical no Brasil. Esse embate tamb&eacute;m encontra-se crivado pelas distintas posi&ccedil;&otilde;es ocupadas pelos citot&eacute;cnicos no campo da sa&uacute;de p&uacute;blica e da medicina privada, o que dificulta ainda mais a padroniza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o e a regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o de citot&eacute;cnico no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na primeira parte do artigo mostraremos como o Papanicolaou transformou-se na "ferramenta" certa para o controle do c&#226;ncer de colo no Brasil e, nesse contexto, como os citot&eacute;cnicos tornaram-se elementos chaves para as campanhas de screening efetuadas a partir da d&eacute;cada de 1970. Em seguida nos voltaremos para a cria&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Screening Viva Mulher, observando sua import&#226;ncia na intensifica&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o do Papanicolaou. Nas duas se&ccedil;&otilde;es seguintes avaliamos como, nesse contexto, o desenvolvimento dos laborat&oacute;rios p&uacute;blicos e privados impulsionaram a profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos e os debates sobre a capacidade t&eacute;cnica para a leitura (e supervis&atilde;o desta) das l&#226;minas. As duas &uacute;ltimas se&ccedil;&otilde;es analisam os embates em torno da busca de monop&oacute;lio da leitura de l&#226;minas citol&oacute;gicas travadas entre diferentes profiss&otilde;es no campo da sa&uacute;de, a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos e as iniciativas estatais de normatiza&ccedil;&atilde;o dessa atividade at&eacute; a primeira d&eacute;cada deste s&eacute;culo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. A ferramenta adequada para o trabalho</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nas d&eacute;cadas de 1940 e 1950, as a&ccedil;&otilde;es para a detec&ccedil;&atilde;o precoce do c&#226;ncer de colo do &uacute;tero era realizada em consult&oacute;rios particulares, em servi&ccedil;os de ginecologia de alguns poucos hospitais p&uacute;blicos ou filantr&oacute;picos e em ambulat&oacute;rios ginecol&oacute;gicos ligados a universidades e institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais. Muitos desses servi&ccedil;os utilizavam o modelo triplo<a id="footnote-6348-5-backlink" href="#footnote-6348-5"><sup>5</sup></a>, ou seja, faziam uso combinado da colposcopia e da citologia como testes iniciais e da biopsia como forma de confirma&ccedil;&atilde;o da natureza das altera&ccedil;&otilde;es observadas nos exames iniciais. A partir dos anos 1960, esse modelo come&ccedil;ou a conviver com iniciativas de preven&ccedil;&atilde;o baseados principalmente na citologia, sendo a colposcopia e a bi&oacute;psia utilizadas somente como exames complementares, em caso de observa&ccedil;&atilde;o de anomalias no Papanicolaou<a id="footnote-6348-6-backlink" href="#footnote-6348-6"><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em meados dos anos 1960, come&ccedil;aram a surgir campanhas de rastreamento em massa do c&#226;ncer cervical no Brasil. Seguindo as diretrizes propostas pela Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-americana de Sa&uacute;de (OPAS) foram realizadas campanhas de rastreamento nos Estados do Rio Grande do Sul, Bahia e S&atilde;o Paulo. A partir do in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970, v&aacute;rias campanhas foram desenvolvidas na regi&atilde;o sudeste, em especial no Estado de S&atilde;o Paulo por entidades filantr&oacute;picas e governos locais. Em 1973, com a cria&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Combate ao C&#226;ncer, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de passou a incentivar financeiramente a elabora&ccedil;&atilde;o de campanhas de rastreamento em diversos Estados. Esse processo marcou uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o no controle do c&#226;ncer cervical no Brasil, que deixou de ser feito exclusivamente no &#226;mbito dos consult&oacute;rios particulares, hospitais especializados e gabinetes ginecol&oacute;gicos e paulatinamente se transformou numa responsabilidade referente &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica<a id="footnote-6348-7-backlink" href="#footnote-6348-7"><sup>7</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A partir da amplia&ccedil;&atilde;o do uso da citologia, a leitura das l&#226;minas de exames citol&oacute;gicos se tornou uma atividade central &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica e a ideia de se formar t&eacute;cnicos para a realiza&ccedil;&atilde;o da triagem desse material surgiu como resposta para a grande demanda de profissionais capacitados para essa atividade. Inicialmente, a forma&ccedil;&atilde;o desses t&eacute;cnicos era realizada informalmente pelos pr&oacute;prios m&eacute;dicos nos laborat&oacute;rios de universidade e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa. Logo, come&ccedil;aram a surgir iniciativas de cria&ccedil;&atilde;o de cursos para forma&ccedil;&atilde;o desses profissionais. O primeiro curso para a forma&ccedil;&atilde;o de citot&eacute;cnicos de que temos not&iacute;cia no Brasil foi institu&iacute;do em 1968, no Centro de Pesquisa Luiza Gomes de Lemos, no Rio de Janeiro. Esse centro tinha sido criado pelo presidente brasileiro Juscelino Kubitschek (presidente entre 1956 e 1961), ap&oacute;s a morte de sua sogra, Luiza Gomes de Lemos, em decorr&ecirc;ncia de um c&#226;ncer uterino. O curso tinha a dura&ccedil;&atilde;o de dois anos e funcionava em regime de hor&aacute;rio integral. O curr&iacute;culo era amplo e o aluno assistia aulas te&oacute;ricas e pr&aacute;ticas sobre citologia ginecol&oacute;gica e sobre outras aplica&ccedil;&otilde;es da citologia, como a citologia pulmonar. O &uacute;nico pr&eacute;-requisito para o ingresso no curso era o candidato ter terminado o ensino m&eacute;dio<a id="footnote-6348-8-backlink" href="#footnote-6348-8"><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1973, outro curso de forma&ccedil;&atilde;o de citot&eacute;cnicos surgiu no Instituto Brasileiro de Pesquisas em Oncologia e Obstetr&iacute;cia (IBEPOG), no Estado de S&atilde;o Paulo. Foi criado para apoiar a expans&atilde;o das campanhas de screening efetuadas na cidade de S&atilde;o Paulo para outras regi&otilde;es do Estado. A institui&ccedil;&atilde;o recrutou portadores de necessidades especiais como clientela preferencial de seus cursos, pois os organizadores aliavam &agrave; busca de inser&ccedil;&atilde;o dessas pessoas no mercado de trabalho, a ideia de que a dificuldade de locomo&ccedil;&atilde;o dos cadeirantes lhes proporcionaria mais efici&ecirc;ncia no cansativo trabalho de an&aacute;lise de l&#226;minas ao microsc&oacute;pico. O curso do IBEPOG tamb&eacute;m tinha curr&iacute;culo te&oacute;rico e pr&aacute;tico amplo e voltado para pessoal de n&iacute;vel m&eacute;dio<a id="footnote-6348-9-backlink" href="#footnote-6348-9"><sup>9</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante a primeira metade da d&eacute;cada de 1970, o n&uacute;mero de centros formadores de citot&eacute;cnicos se ampliou. Em 1975 j&aacute; existiam quatro centros de treinamento no &#226;mbito do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de: Centro de Citodiagn&oacute;stico (FUSAM/PE), Laborat&oacute;rio de Anatomia Patol&oacute;gica da Secretaria de Sa&uacute;de do Rio Grande do Sul, Instituto Nacional de C&#226;ncer e Instituto Brasileiro de Controle do C&#226;ncer/SP (CUNHA, 1978). Al&eacute;m deles, muitas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de ligadas a Secretarias de sa&uacute;de estaduais, centros universit&aacute;rios e funda&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas passaram a efetuar treinamento de citot&eacute;cnicos<a id="footnote-6348-10-backlink" href="#footnote-6348-10"><sup>10</sup></a>. No entanto, muitos citot&eacute;cnicos ainda aprendiam a atividade informalmente nos laborat&oacute;rios privados. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos, as iniciativas estatais mostram a exist&ecirc;ncia de v&aacute;rias proposi&ccedil;&otilde;es, configurando diferentes formas de ver a mesma atividade. De um lado, existia o modelo de curso de longa dura&ccedil;&atilde;o e de forma&ccedil;&atilde;o ampliada, do Centro de Pesquisa Luiza Gomes de Lemos e do IBEPOG. Por outro lado, surgiram em outros estados cursos mais curtos, com curr&iacute;culos restritos, direcionados especificamente ao aprendizado pr&aacute;tico da leitura do teste Papanicolaou. Al&eacute;m disso, alguns profissionais defendiam a cria&ccedil;&atilde;o de cursos profissionalizantes no &#226;mbito do ensino regular. Essas diferentes vis&otilde;es sobre os cursos demonstram diferentes formas de pensar a extens&atilde;o do trabalho do citot&eacute;cnico<a id="footnote-6348-11-backlink" href="#footnote-6348-11"><sup>11</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As iniciativas visando a regulamenta&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o do trabalho dos citot&eacute;cnicos no pa&iacute;s tamb&eacute;m se iniciam partir de 1970. A primeira delas foi a cria&ccedil;&atilde;o, em 1973, do concurso para a concess&atilde;o de um "certificado de sufici&ecirc;ncia em citotecnologia", promovido pela Sociedade Brasileira de Citologia (SBC). Essa Sociedade, criada em 1956, teve um importante papel na busca pelo reconhecimento da citopatologia como especialidade m&eacute;dica. A cria&ccedil;&atilde;o desse certificado pela SBC colocava os citot&eacute;cnicos sob a tutela dos m&eacute;dicos especialistas em citopatologia e foi a primeira a&ccedil;&atilde;o no sentido de definir as qualifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;ria para o bom cumprimento de suas fun&ccedil;&otilde;es<a id="footnote-6348-12-backlink" href="#footnote-6348-12"><sup>12</sup></a>. Outra iniciativa relevante foi a tentativa do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de de incluir a forma&ccedil;&atilde;o dos citotecnicos no &#226;mbito do ensino profissionalizante, com a elabora&ccedil;&atilde;o de uma proposta de habilita&ccedil;&atilde;o e de curr&iacute;culo m&iacute;nimo para a forma&ccedil;&atilde;o desse profissional. Embora essa proposta n&atilde;o tenha se concretizado, ela deu origem a um parecer oficial, publicado em abril de 1989, pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, que definiu os conte&uacute;dos curriculares m&iacute;nimos e as atribui&ccedil;&otilde;es dos citot&eacute;cnicos<a id="footnote-6348-13-backlink" href="#footnote-6348-13"><sup>13</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar dos debates e iniciativas relacionados &agrave; necessidade de padroniza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos para a manuten&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer cervical, a regulamenta&ccedil;&atilde;o de sua forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o profissional n&atilde;o ocorreu. As campanhas de <i>screening</i> e os incentivos governamentais n&atilde;o foram suficientes para criar consenso em torno da forma&ccedil;&atilde;o destes profissionais. Nas d&eacute;cadas seguintes, esse problema iria se ampliar com o desenvolvimento de campanhas nacionais de preven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. O programa nacional de screening</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O surgimento de um programa nacional de controle do c&#226;ncer de colo do &uacute;tero s&oacute; se tornou poss&iacute;vel ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema universal de sa&uacute;de no Brasil. At&eacute; o final dos anos 1980, o pa&iacute;s conviveu com um sistema de sa&uacute;de subdividido em dois diferentes setores: um sistema de sa&uacute;de p&uacute;blica, dedicado prioritariamente a a&ccedil;&otilde;es no campo do saneamento, vacina&ccedil;&atilde;o, e controle de doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis; e um sistema de medicina previdenci&aacute;ria (seguro sa&uacute;de estatal) originalmente dirigido aos grupos trabalhadores urbanos, mas que, a partir da d&eacute;cada de 1960, come&ccedil;ou a ampliar sua cobertura para diversos grupos que n&atilde;o contribu&iacute;am para seu financiamento. A partir de 1964, o pa&iacute;s passou por uma forte ditadura, de inspira&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica liberal, que valorizou o sistema privado de sa&uacute;de em detrimento das a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Nesse contexto, o Estado ampliou fortemente a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados dirigidos aos cidad&atilde;os cobertos pela medicina previdenci&aacute;ria. Essa diretriz refor&ccedil;ou a medicina curativa de base hospitalar em detrimento das a&ccedil;&otilde;es preventivas de sa&uacute;de p&uacute;blica<a id="footnote-6348-14-backlink" href="#footnote-6348-14"><sup>14</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Somente a partir de meados dos anos 1980, no processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, as propostas de reforma na sa&uacute;de, que acabaram dando origem a um sistema &uacute;nico e universal de sa&uacute;de, come&ccedil;am a se desenvolver. Tendo na base de seu projeto a busca pela amplia&ccedil;&atilde;o da cobertura e a racionaliza&ccedil;&atilde;o do sistema e tamb&eacute;m se preocupando com a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e com as a&ccedil;&otilde;es preventivas -aspectos fortemente recomendados pelas agencias multilaterais de sa&uacute;de a partir dos anos 1970- um movimento social liderado por sanitaristas p&ocirc;s em marcha uma reforma sanit&aacute;ria. Em 1988, no processo de elabora&ccedil;&atilde;o de uma nova constitui&ccedil;&atilde;o para o pa&iacute;s, foram estipuladas as bases do atual sistema universal de sa&uacute;de (SUS), consolidado em lei dois anos depois<a id="footnote-6348-15-backlink" href="#footnote-6348-15"><sup>15</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sob um novo contexto pol&iacute;tico democr&aacute;tico e um sistema de sa&uacute;de universal, surgiriam as primeiras iniciativas nacionais para o controle do c&#226;ncer de colo do &uacute;tero<a id="footnote-6348-16-backlink" href="#footnote-6348-16"><sup>16</sup></a>. A partir da reforma sanit&aacute;ria, o Instituto Nacional do C&#226;ncer passou a se responsabilizar pela coordena&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de controle do c&#226;ncer no pa&iacute;s. Em 1995, como consequ&ecirc;ncia das demandas do movimento feminista, refor&ccedil;adas pela participa&ccedil;&atilde;o do Brasil na VI Confer&ecirc;ncia Internacional da Mulher, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de incumbiuo Instituto Nacional de C&#226;ncer de responsabilidade de formula&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o de um programa de controle do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero. O Programa, ent&atilde;o denominado Viva Mulher, implantou projetos-piloto em um munic&iacute;pio de cada regi&atilde;o brasileira, rastreando mulheres entre 35 e 49 anos. Em 1998, o projeto foi transferido para o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, se transformando em um programa nacional para a realiza&ccedil;&atilde;o de exames citol&oacute;gicos que visava tamb&eacute;m garantir o acompanhamento e tratamento das mulheres com citologia positiva. Em sua primeira campanha, o Viva Mulher (1988) conseguiu examinar mais de 3 milh&otilde;es de mulheres, mobilizando quase a totalidade dos munic&iacute;pios brasileiros. No ano seguinte transformou-se em um programa permanente que busca rastrear todas as brasileiras em idade de maior risco e tamb&eacute;m proceder ao seguimento e tratamento das que apresentassem les&otilde;es precursoras<a id="footnote-6348-17-backlink" href="#footnote-6348-17"><sup>17</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O surgimento do Viva Mulher foi um marco no controle do c&#226;ncer de colo de &uacute;tero no pa&iacute;s, pois possibilitou uma forte amplia&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o do teste Papanicolaou, numa a&ccedil;&atilde;o coordenada e de &#226;mbito nacional. Al&eacute;m disso, permitiu a padroniza&ccedil;&atilde;o de procedimentos e fortaleceu a no&ccedil;&atilde;o de preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a a partir de grandes campanhas publicit&aacute;rias dirigidas &agrave;s mulheres. No entanto, mais do que solu&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas, o desenvolvimento do programa gerou novas dificuldades e quest&otilde;es. As principais se relacionaram &agrave; capacidade do sistema de sa&uacute;de para acompanhar as mulheres com les&otilde;es precursoras detectadas, &agrave; efici&ecirc;ncia para prover acesso ao exame &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es de &aacute;reas mais pobres ou geograficamente isoladas e &agrave; qualidade dos exames. Os primeiros problemas eram decorr&ecirc;ncia das defici&ecirc;ncias do rec&eacute;m-criado sistema &uacute;nico de sa&uacute;de brasileiro e fogem aos interesses desse estudo, j&aacute; o &uacute;ltimo se relacionava a escassez de profissionais treinados para a leitura das l&#226;minas e da inexist&ecirc;ncia de laborat&oacute;rios adequados para essa atividade, aspectos fortemente relacionados &agrave; quest&atilde;o mais geral da normatiza&ccedil;&atilde;o do trabalho dos citot&eacute;cnicos. Uma an&aacute;lise das limita&ccedil;&otilde;es e alcance do Programa Viva Mulher encontra-se no texto de Habib e Porto nesse mesmo dossi&ecirc;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. O citot&eacute;cnico entre o p&uacute;blico e o privado</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir das primeiras campanhas p&uacute;blicas de screening, realizadas ainda na d&eacute;cada de 1970, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de passou a comprar servi&ccedil;os de citologia de laborat&oacute;rios privados. Esse sistema funcionava em conson&#226;ncia com o modelo de sa&uacute;de p&uacute;blica de favorecimento &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados pela previd&ecirc;ncia oficial que vinha se ampliando desde a d&eacute;cada anterior. A implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de embora tenha buscado priorizar os servi&ccedil;os p&uacute;blicos, manteve o modelo de compra de servi&ccedil;os privados para a suplementa&ccedil;&atilde;o de suas atividades<a id="footnote-6348-18-backlink" href="#footnote-6348-18"><sup>18</sup></a>. Com a implanta&ccedil;&atilde;o do programa Viva Mulher e a necessidade de leitura de um grande n&uacute;mero de l&#226;minas, a compra de exames citol&oacute;gicos se intensificou. Para termos uma dimens&atilde;o da magnitude desse processo podemos observar que em 2001, dos mais de oito milh&otilde;es de exames efetuados pelo SUS, 60,3% foi elaborado por laborat&oacute;rios privados; em 2002 o n&uacute;mero de exames vendidos ao SUS pela iniciativa privada alcan&ccedil;ava a cifra de 66,7% do total efetuado. Corroborando com esses dados, uma pesquisa sobre o perfil dos laborat&oacute;rios que prestavam servi&ccedil;os ao SUS, utilizando uma mostra de 67,9% dos laborat&oacute;rios que efetuavam exames citol&oacute;gicos para a sa&uacute;de p&uacute;blica em 2002, mostrou que 70,2% desses estabelecimentos eram privados<a id="footnote-6348-19-backlink" href="#footnote-6348-19"><sup>19</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para garantir a qualidade dos exames efetuados nesses laborat&oacute;rios o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de elaborou instrumentos para a aferi&ccedil;&atilde;o da qualidade dos exames. Para tanto, foi encomendado ao Instituto de Metrologia um instrumento para acredita&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios ao Programa. Em 1988, o Instituto Nacional de Metrologia elaborou em conjunto com as Sociedades Brasileiras de Patologia e Citopatologia um complexo question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o para as unidades que prestavam servi&ccedil;os de citologia ao SUS. Posteriormente, novas regulamenta&ccedil;&otilde;es foram criadas pelas sociedades de citologia, no entanto, n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias de que tenha havido um real acompanhamento da qualidade desses laborat&oacute;rios para a participa&ccedil;&atilde;o no programa de screening<a id="footnote-6348-20-backlink" href="#footnote-6348-20"><sup>20</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No final do s&eacute;culo XX, concomitantemente ao desenvolvimento das campanhas e programas p&uacute;blicos de screening, tamb&eacute;m vinha ocorrendo uma amplia&ccedil;&atilde;o do uso do Papanicolaou no &#226;mbito da medicina privada. Esse processo teve como consequ&ecirc;ncia o surgimento de dois regimes diferenciados em rela&ccedil;&atilde;o a preven&ccedil;&atilde;o c&#226;ncer de colo at&eacute; hoje existentes. O programa nacional de screening (Viva Mulher) &eacute; direcionado prioritariamente as mulheres de baixa renda - usualmente atendidas pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de. As mulheres de classe m&eacute;dia e alta normalmente est&atilde;o sob a cobertura de seguros sa&uacute;de privados e acompanhadas por ginecologistas particulares que prescrevem seus preventivos e os enviavam para leitura em laborat&oacute;rios privados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante observar que nos anos 1990 ocorreu um grande desenvolvimento da medicina diagn&oacute;stica. No Brasil, esse processo foi marcado pela amplia&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios privados de aux&iacute;lio &agrave; atividade m&eacute;dica<a id="footnote-6348-21-backlink" href="#footnote-6348-21"><sup>21</sup></a>. Muitos deles passaram a produzir exames citol&oacute;gicos para os consult&oacute;rios e hospitais privados, al&eacute;m de venderem servi&ccedil;os para os planos de sa&uacute;de privada que tamb&eacute;m estavam se expandindo no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diferente dos laborat&oacute;rios p&uacute;blicos criados especialmente para atender aos programas governamentais de screening, os laborat&oacute;rios privados que atendiam o SUS tinham a citologia como apenas uma de suas atividades e sua din&#226;mica empresarial fazia com que tivessem como objetivo a diminui&ccedil;&atilde;o dos custos dos exames para o aumento da lucratividade. Nesses laborat&oacute;rios, era comum a contrata&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos sem a devida qualifica&ccedil;&atilde;o, para a leitura das l&#226;minas. Embora vigesse a exig&ecirc;ncia de habilita&ccedil;&atilde;o formal no exame de profici&ecirc;ncia da Sociedade de Citopatologia, a inexist&ecirc;ncia de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e de reconhecimento oficial da profiss&atilde;o possibilitava que trabalhadores sem a devida qualifica&ccedil;&atilde;o executassem a leitura de l&#226;minas. Pessoas das mais variadas forma&ccedil;&otilde;es aprendiam de maneira informal a atividade, e por ganharem baixos sal&aacute;rios, complementavam seu rendimento examinando um n&uacute;mero muito elevando de l&#226;minas, muitas vezes fora do ambiente de trabalho. Essa pr&aacute;tica, comum ainda hoje, diminu&iacute;a a qualidade da leitura da l&#226;mina e, consequentemente, a acur&aacute;cia do exame<a id="footnote-6348-22-backlink" href="#footnote-6348-22"><sup>22</sup></a>. Dessa forma, a conforma&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho do citot&eacute;cnico come&ccedil;ava a se mostrar como um entrave &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora o Estado brasileiro tenha promovido iniciativas para a expans&atilde;o e padroniza&ccedil;&atilde;o dos cursos de forma&ccedil;&atilde;o, a organiza&ccedil;&atilde;o de trabalho dos laborat&oacute;rios privados esticava a corda em outra dire&ccedil;&atilde;o. A n&atilde;o formaliza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o impedia a organiza&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Por outro lado, essa falta de organiza&ccedil;&atilde;o garantia maior lucratividade aos laborat&oacute;rios privados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, as a&ccedil;&otilde;es governamentais para a forma&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos tinha como base as recomenda&ccedil;&otilde;es da OPAS sobre o n&uacute;mero m&iacute;nimo ideal de exames a serem processados nos laborat&oacute;rios por ano, pois estudos mostram que a leitura de um grande n&uacute;mero de exames por um mesmo laborat&oacute;rio aumenta a qualidade servi&ccedil;o executado. A amplia&ccedil;&atilde;o desmensurada da oferta de exames citol&oacute;gicos por laborat&oacute;rios privados, a partir de uma l&oacute;gica de mercado, impossibilitou a manuten&ccedil;&atilde;o dessa diretriz. Em pesquisa j&aacute; citada, Thuler e seus colaboradores mostraram que em 2002, 81% da mostra de laborat&oacute;rios por eles analisada processava um n&uacute;mero de exames inferior ao recomendado<a id="footnote-6348-23-backlink" href="#footnote-6348-23"><sup>23</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora a divis&atilde;o entre o p&uacute;blico e o privado fosse um obst&aacute;culo a normatiza&ccedil;&atilde;o das atividades dos citot&eacute;cnicos, a quest&atilde;o n&atilde;o se limitava a esse aspecto. Como veremos a seguir, a quest&atilde;o da formaliza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o do citot&eacute;cnico iria se ligar a disputa pelo monop&oacute;lio da supervis&atilde;o de sua atividade. De forma semelhante &agrave; quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o, esse problema tamb&eacute;m se relacionaria ao bin&ocirc;mio p&uacute;blico privado existente no setor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5. Disputas pela supervis&atilde;o do trabalho </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao analisarmos os documentos oficiais do Programa Nacional de Combate ao C&#226;ncer de Colo Uterino - Viva Mulher, percebemos que a institui&ccedil;&atilde;o desse programa trouxe &agrave; tona a disputa de mercado existente entre farmac&ecirc;uticos e m&eacute;dicos citopatologistas e patologistas no campo das an&aacute;lises cl&iacute;nicas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda na d&eacute;cada de 1980, bi&oacute;logos, farmac&ecirc;uticos e biom&eacute;dicos passaram a se mobilizar na defesa da possibilidade de atuarem na supervis&atilde;o de atividades laboratoriais, em particular na leitura de l&#226;minas citol&oacute;gicas. A busca por essa fatia do mercado de trabalho em sa&uacute;de sofreu v&aacute;rias cr&iacute;ticas dos m&eacute;dicos, que definiram essa atividade como responsabilidade sua. O centro da quest&atilde;o que se apresentava n&atilde;o dizia respeito a leitura das l&#226;minas de Papanicolaou, mas sim o monop&oacute;lio do controle de qualidade dessa leitura, ou seja, a revis&atilde;o de uma parte dos exames negativos realizados a atribui&ccedil;&atilde;o de laudos dos exames duvidosos e positivos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com a implanta&ccedil;&atilde;o do programa nacional de screening de c&#226;ncer de colo, as quest&otilde;es referentes a compet&ecirc;ncia para a execu&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o das leituras das l&#226;minas come&ccedil;aram a se intensificar. Contr&aacute;rio &agrave;s demandas de diversos profissionais n&atilde;o m&eacute;dicos, o Conselho Federal de Medicina emitiu pareceres reafirmando que a citologia e a patologia eram especialidades m&eacute;dicas<a id="footnote-6348-24-backlink" href="#footnote-6348-24"><sup>24</sup></a>. Ao defender a prerrogativa dos m&eacute;dicos citopatologistas e patologistas no campo de an&aacute;lises cl&iacute;nicas, o Conselho Federal de Medicina se opunha a atua&ccedil;&atilde;o de outros profissionais na administra&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios e, consequentemente, na supervis&atilde;o do trabalho dos citot&eacute;cnicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1998, foi submetido a consulta p&uacute;blica o "Regulamento T&eacute;cnico para o funcionamento dos laborat&oacute;rio de citopatologia e histopatologia", no &#226;mbito do Programa Viva Mulher. O documento estabelecia que todos os laudos citol&oacute;gicos deveriam ser assinados por m&eacute;dicos citopatologistas e patologistas e que somente esses poderiam assumir responsabilidade t&eacute;cnica pelo laborat&oacute;rio de citopatologia e / ou histopatologia<a id="footnote-6348-25-backlink" href="#footnote-6348-25"><sup>25</sup></a>. Seu oitavo item fazia refer&ecirc;ncia ao controle de qualidade dos servi&ccedil;os prestados. Definia que todo laborat&oacute;rio deveria contar com um sistema de controle de qualidade interno, que deveria, entre outras atribui&ccedil;&otilde;es, revisar todos os esfrega&ccedil;os suspeitos para neoplasia e reexaminar pelo menos 10% de todos os casos ginecol&oacute;gicos considerados negativos. No entanto, uma nota sublinhava que:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Os casos cujo escrut&iacute;nio foi feito por um m&eacute;dico citopatologista com t&iacute;tulo de especialista em citopatologista ou m&eacute;dico an&aacute;tomo-patologista com t&iacute;tulo de especialista em patologia n&atilde;o est&atilde;o sujeitos a re-escrut&iacute;nio"<a id="footnote-6348-26-backlink" href="#footnote-6348-26"><sup>26</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse documento nos deixa entrever que a leitura da l&#226;mina do Papanicolaou era feita tamb&eacute;m por outros profissionais (t&eacute;cnicos ou n&atilde;o), entretanto, estava previsto que os m&eacute;dicos citopatologistas ou anatomo-patologistas deveriam assumir a responsabilidade pelo laborat&oacute;rio e por cada laudo realizado ali. Dessa forma, afirmava-se que a realiza&ccedil;&atilde;o de laudos e a responsabilidade pela supervis&atilde;o dos laborat&oacute;rios eram prerrogativas apenas dos m&eacute;dicos e de nenhum outro profissional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em 13 de agosto de 1998, o Conselho Regional de Farm&aacute;cia do Estado de Minas Gerais enviou ao Ministro da Sa&uacute;de, um documento criticando esse regulamento por conferir ao m&eacute;dico, em car&aacute;ter de exclusividade, a responsabilidade t&eacute;cnica pela supervis&atilde;o do laborat&oacute;rio de citopatologia<a id="footnote-6348-27-backlink" href="#footnote-6348-27"><sup>27</sup></a>. O documento tomava por base o fato de que o decreto que aprovou a regulamenta&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o farmac&ecirc;utica no Brasil, ainda em 1931, definia como compet&ecirc;ncia dos farmac&ecirc;uticos as an&aacute;lises reclamadas pela cl&iacute;nica m&eacute;dica<a id="footnote-6348-28-backlink" href="#footnote-6348-28"><sup>28</sup></a>. Meio s&eacute;culo depois, uma nova legisla&ccedil;&atilde;o teria confirmado essa prerrogativa<a id="footnote-6348-29-backlink" href="#footnote-6348-29"><sup>29</sup></a>. Esse &uacute;ltimo decreto conferia ao farmac&ecirc;utico a possibilidade de exercer</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"a dire&ccedil;&atilde;o, o assessoramento, a responsabilidade t&eacute;cnica e o desempenho de fun&ccedil;&otilde;es especializadas exercidas em &oacute;rg&atilde;os ou laborat&oacute;rios de an&aacute;lises cl&iacute;nicas ou de sa&uacute;de p&uacute;blica ou seus departamentos especializados"<a id="footnote-6348-30-backlink" href="#footnote-6348-30"><sup>30</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa atribui&ccedil;&atilde;o foi ainda confirmada pelo Conselho Federal de Farm&aacute;cia, com uma resolu&ccedil;&atilde;o de 1987, que ratificou a compet&ecirc;ncia legal para o farmac&ecirc;utico executar exames de citologia esfoliativa onc&oacute;tica e hormonal<a id="footnote-6348-31-backlink" href="#footnote-6348-31"><sup>31</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O documento do Conselho Regional de Farm&aacute;cia de Minas Gerais tamb&eacute;m justificava a compet&ecirc;ncia do farmac&ecirc;utico para a referida atividade pela abrang&ecirc;ncia de sua forma&ccedil;&atilde;o, citando que o curr&iacute;culo m&iacute;nimo do Curso de Farm&aacute;cia, estabelecido pela Resolu&ccedil;&atilde;o n. 4, de 11 de abril de 1969, do Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, que inclu&iacute;a como mat&eacute;rias b&aacute;sicas obrigat&oacute;rias para a forma&ccedil;&atilde;o do farmac&ecirc;utico bioqu&iacute;mico: "Analista cl&iacute;nico", "Citologia (exames citol&oacute;gicos de secre&ccedil;&otilde;es, excre&ccedil;&otilde;es, exsudatos, transudatos, l&iacute;quor cefalorraquiano e sangue)", a "Histologia", a "Bioqu&iacute;mica", a "Anatomia", a "Fisiologia" e a "Patologia". Afirmava-se tamb&eacute;m que, naquele momento, era exigida a disciplina "Citologia cl&iacute;nica" com est&aacute;gio supervisionado nas Faculdades de Farm&aacute;cia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pelas raz&otilde;es apontadas, o Conselho Regional de Farm&aacute;cia de Minas Gerais defendia que os farmac&ecirc;uticos estavam habilitados, tanto quanto os m&eacute;dicos, a assumirem a responsabilidade t&eacute;cnica pelo laborat&oacute;rio de citopatologia. Como conclus&atilde;o, defendiam</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"a pronta e eficaz interveni&ecirc;ncia desse Minist&eacute;rio &#091;da Sa&uacute;de&#093;, no sentido de reconhecer a capacita&ccedil;&atilde;o do Farmac&ecirc;utico para a realiza&ccedil;&atilde;o dos exames citol&oacute;gicos, determinando e acolhendo o credenciamento dos laborat&oacute;rios sob tutela desses profissionais, a fim de que possam engajar-se no Programa, somando esfor&ccedil;os e servi&ccedil;os para o pleno &ecirc;xito da campanha de combate ao c&#226;ncer de colo uterino"<a id="footnote-6348-32-backlink" href="#footnote-6348-32"><sup>32</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Em outubro de 1999, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de publicou uma portaria estendendo aos farmac&ecirc;uticos o direito &agrave; leitura dos slides de <i>pap smear</i> e ao controle de qualidade dessa leitura<a id="footnote-6348-33-backlink" href="#footnote-6348-33"><sup>33</sup></a>. &Eacute; interessante notar que embora a quest&atilde;o da supervis&atilde;o da leitura das l&#226;minas citol&oacute;gicas fosse uma quest&atilde;o mais geral dos farmac&ecirc;uticos, no sentido de valorizar sua profiss&atilde;o no &#226;mbito das atividades laboratoriais, sua argumenta&ccedil;&atilde;o para inclus&atilde;o nesse campo se justificava pela possibilidade de contribuir para o controle do c&#226;ncer cervical no pa&iacute;s. Na verdade, por tr&aacute;s dessa afirma&ccedil;&atilde;o estava a possibilidade de ser remunerado pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de pela elabora&ccedil;&atilde;o de laudos de Papanicolaou. A despeito da compet&ecirc;ncia para a leitura das l&#226;minas se mostrar relevante nesse embate, a quest&atilde;o principal se relacionava ao controle de qualidade, ou seja a releitura das l&#226;minas para controle e a avalia&ccedil;&atilde;o de casos duvidosos. A possibilidade de exercer essa atividade garantia aos farmac&ecirc;uticos a coordena&ccedil;&atilde;o dos laborat&oacute;rios de citologia, em especial os que prestavam servi&ccedil;o ao SUS.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>6. Qual o grupo certo para o trabalho?</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os embates entre m&eacute;dicos e farmac&ecirc;uticos por espa&ccedil;o no campo da an&aacute;lise de exames citol&oacute;gicos iria ganhar novos atores no final do s&eacute;culo XX, momento em que os m&eacute;dicos, empreendem uma verdadeira cruzada pela normatiza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de suas atividades, com o objetivo de impedir que outros profissionais do campo da sa&uacute;de dividissem seu mercado de trabalho. O empenho dos m&eacute;dicos, representados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) na promulga&ccedil;&atilde;o da lei do Ato M&eacute;dico tomam corpo a partir de 2002, quando o CFM apoiou a elabora&ccedil;&atilde;o desse projeto de lei para regulamentar a pr&aacute;tica da medicina no qual eram definidas as atividades privativas do m&eacute;dico. O primeiro texto desse projeto foi muito criticado por diversos grupos de profissionais de sa&uacute;de (farmac&ecirc;uticos, fisioterapeutas, psic&oacute;logos, nutricionistas, assistentes sociais, fonoaudi&oacute;logos etc) que o consideravam uma limita&ccedil;&atilde;o de sua autonomia profissional. Um dos pontos pol&ecirc;micos do projeto era a atribui&ccedil;&atilde;o exclusiva aos m&eacute;dicos do direito de fazer os diagn&oacute;sticos das doen&ccedil;as e a prescri&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica<a id="footnote-6348-34-backlink" href="#footnote-6348-34"><sup>34</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A controv&eacute;rsia sobre a lei do ato m&eacute;dico se estende por v&aacute;rios anos. Em 2003, ap&oacute;s longos debates em comiss&otilde;es do legislativo, um substitutivo foi aprovado no Senado. Essa formula&ccedil;&atilde;o, embora mantivesse a ess&ecirc;ncia de normatizar o exerc&iacute;cio dos profissionais de sa&uacute;de a partir do monop&oacute;lio dos m&eacute;dicos, rejeitava a amplia&ccedil;&atilde;o da compet&ecirc;ncia do Conselho Nacional Medicina em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o sobre a atua&ccedil;&atilde;o de outros grupos profissionais. Essa quest&atilde;o era de grande import&#226;ncia para as outras categorias da sa&uacute;de que n&atilde;o aceitavam ter a extens&atilde;o de suas atividades definidas pelo Conselho de Medicina (Projeto Substitutivo n.<sup>o</sup> 25/02). Enviado &agrave; C&#226;mara dos Deputados, onde recebeu o n&uacute;mero 7.703/2006, o substitutivo passou por diversas mudan&ccedil;as. Somente em 2009, o projeto foi finalmente votado, com um tom muito mais brando, que caracterizava o m&eacute;dico como integrante de uma equipe multiprofissional voltada para a sa&uacute;de e tipificava as atividades de seu exclusivo direito<a id="footnote-6348-35-backlink" href="#footnote-6348-35"><sup>35</sup></a>. Uma das pol&ecirc;micas desencadeadas por esse projeto de lei se referiu &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos exames citopatol&oacute;gicos e &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o dos seus laudos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em setembro de 2009, o Conselho Federal de Farm&aacute;cia publicou um Of&iacute;cio referente ao projeto de lei do ato m&eacute;dico defendendo que fosse retirado do texto que iria a vota&ccedil;&atilde;o no plen&aacute;rio da C&#226;mara dos Deputados, as refer&ecirc;ncias aos exames citol&oacute;gicos como atividade privativa do m&eacute;dico, argumentando que essa atividade era tamb&eacute;m de compet&ecirc;ncia dos farmac&ecirc;uticos. Direito j&aacute; garantido por lei a esses profissionais<a id="footnote-6348-36-backlink" href="#footnote-6348-36"><sup>36</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em resposta ao texto inicial do projeto de lei do ato m&eacute;dico, os farmac&ecirc;uticos passaram a sustentar que, de acordo com a literatura internacional sobre o tema, a leitura da l&#226;mina de citologia esfoliativa n&atilde;o era um m&eacute;todo diagn&oacute;stico, e sim parte de um m&eacute;todo de screening de les&otilde;es precursoras, portanto, os laudos por eles emitidos n&atilde;o entravam no campo de dom&iacute;nio dos m&eacute;dicos. Ap&oacute;s a identifica&ccedil;&atilde;o de uma altera&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-maligna ou maligna na leitura da l&#226;mina de citologia esfoliativa, o diagn&oacute;stico viria em seguida com a an&aacute;lise dos dados cl&iacute;nicos e com a realiza&ccedil;&atilde;o de exames complementares como a biopsia e o exame histopatol&oacute;gico<a id="footnote-6348-37-backlink" href="#footnote-6348-37"><sup>37</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim como os farmac&ecirc;uticos, biom&eacute;dicos e bi&oacute;logos tamb&eacute;m se mobilizaram para defenderem sua atua&ccedil;&atilde;o no campo de an&aacute;lises cl&iacute;nicas. Em abril de 2002, o Conselho Federal de Biomedicina publicou uma resolu&ccedil;&atilde;o definindo as responsabilidades profissionais dos biom&eacute;dicos. Suas atividades foram caracterizadas como procedimentos de apoio ao diagn&oacute;stico m&eacute;dico e entre elas foi inclu&iacute;da a responsabilidade t&eacute;cnica pelos exames de citologia onc&oacute;tica<a id="footnote-6348-38-backlink" href="#footnote-6348-38"><sup>38</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No texto do projeto de lei do ato m&eacute;dico, aprovado em outubro de 2009, &eacute; poss&iacute;vel perceber o resultado das negocia&ccedil;&otilde;es entre esses grupos. No novo texto afirma-se que eram atividades privativas do m&eacute;dico a emiss&atilde;o dos diagn&oacute;sticos anatomopatol&oacute;gicos e citopatol&oacute;gicos, no entanto, excetuavam-se do rol dessas atividades a realiza&ccedil;&atilde;o dos exames citopatol&oacute;gicos e seus respectivos laudos<a id="footnote-6348-39-backlink" href="#footnote-6348-39"><sup>39</sup></a>. A utiliza&ccedil;&atilde;o do termo "diagn&oacute;stico citopatol&oacute;gico" sugere um novo posicionamento dos m&eacute;dicos patologistas e citopatologistas. Mesmo resguardando o direito de outros profissionais, que possuem habilita&ccedil;&atilde;o legal, de realizarem os exames citopatol&oacute;gicos, os laudos dados por eles s&atilde;o vistos como laudos t&eacute;cnicos e apenas um m&eacute;dico citopatologista ou patologista pode dar um laudo m&eacute;dico, ou seja, um diagn&oacute;stico citopatol&oacute;gico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em novembro de 2009, a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), com apoio da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Anatomia Patol&oacute;gica e Citopatologia e SBC, publicou uma Cartilha intitulada <i>Ato M&eacute;dico - A lei da regulamenta&ccedil;&atilde;o da medicina e a defesa dos direitos dos cidad&atilde;os</i>. Conforme seus organizadores ela foi idealizada para facilitar o entendimento do Projeto de Lei 7703/2006, lei do ato m&eacute;dico, sendo direcionada tanto aos especialistas quanto ao p&uacute;blico geral. No texto da cartilha encontramos uma explica&ccedil;&atilde;o para a defini&ccedil;&atilde;o dos diagn&oacute;sticos citopatol&oacute;gicos como uma das atividades privativas do m&eacute;dico:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"&#091;os diagn&oacute;sticos citopatol&oacute;gicos&#093; Estabelecem benignidade ou malignidade e geram condutas terap&ecirc;uticas espec&iacute;ficas; S&atilde;o elaborados dentro de um contexto cl&iacute;nico, exigindo conhecimentos que permitem conferir significado &agrave;s les&otilde;es celulares e/ou teciduais identificadas ao microsc&oacute;pio; A base cl&iacute;nica e cient&iacute;fica para formula&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos nas &aacute;reas da Anatomia Patol&oacute;gica e Citopatologia apenas &eacute; oferecida nas escolas de Medicina, na resid&ecirc;ncia e outras p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas; Em todo o mundo ocidental, o exerc&iacute;cio pleno da Anatomia Patol&oacute;gica e Citopatologia est&aacute; restrito aos m&eacute;dicos &#091;...&#093;"<a id="footnote-6348-40-backlink" href="#footnote-6348-40"><sup>40</sup></a>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, com a cartilha, procurava-se responder ao grande movimento organizado por outros profissionais contra a lei do ato m&eacute;dico, que era acusada de ser uma amea&ccedil;a a possibilidade de atendimento integral a todo cidad&atilde;o brasileiro, preconizada pelo SUS. Afirma-se que a lei n&atilde;o desestabilizaria o SUS:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Com rela&ccedil;&atilde;o aos programas de preven&ccedil;&atilde;o de c&#226;ncer do colo uterino, n&atilde;o haver&aacute; impedimento para a participa&ccedil;&atilde;o de profissionais n&atilde;o-m&eacute;dicos na realiza&ccedil;&atilde;o dos exames colpocitol&oacute;gicos (Papanicolaou). Ao m&eacute;dico, entretanto, caber&aacute; a responsabilidade pelo diagn&oacute;stico. As milhares de pacientes do sistema SUS, beneficiadas com os programas de preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer do colo uterino n&atilde;o ficar&atilde;o desassistidas, porque a lei garante que os exames citopatol&oacute;gicos preventivos (Papanicolaou) poder&atilde;o tamb&eacute;m ser realizados de forma multidisciplinar, com a participa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos e de outros profissionais habilitados para compartilhar esse trabalho"<a id="footnote-6348-41-backlink" href="#footnote-6348-41"><sup>41</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer cervical seria, portanto, um exemplo de trabalho multidisciplinar, no qual outros profissionais habilitados poderiam realizar os exames citopatol&oacute;gicos em apoio ao trabalho dos m&eacute;dicos, &uacute;nicos respons&aacute;veis pelo diagn&oacute;stico citopatol&oacute;gico. No entanto, ao fazerem essa diferen&ccedil;a entre laudo t&eacute;cnico e diagn&oacute;stico citopatol&oacute;gico, os m&eacute;dicos igualam o trabalho dos outros profissionais envolvidos com a leitura das l&#226;minas e sua supervis&atilde;o, o que vai de encontro ao interesse de diversas profiss&otilde;es que buscam fatias desse mercado, em especial dos citot&eacute;cnicos que perdem a especificidade de sua atividade que exercem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>7. Citot&eacute;cnicos: um grupo em mobiliza&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como vimos no in&iacute;cio do artigo, as primeiras escolas de citologia surgiram na d&eacute;cada de 1970 em institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de federais e estaduais. Devido a complexidade da forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico e pr&aacute;tica e a necessidade de equipamentos t&eacute;cnicos, microsc&oacute;pios em especial, essas escolas colocavam no mercado de trabalho, a cada dois anos, um pequeno contingente de citot&eacute;cnicos com s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o. Seus alunos normalmente eram selecionados entre t&eacute;cnicos de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de sa&uacute;de com o objetivo de para elas retornarem quando terminasse sua forma&ccedil;&atilde;o. Com a cria&ccedil;&atilde;o do Viva Mulher, e a amplia&ccedil;&atilde;o da demanda por exames citol&oacute;gicos surgiram novos cursos no &#226;mbito dos centros universit&aacute;rios de sa&uacute;de e de institui&ccedil;&otilde;es envolvidas com o controle do c&#226;ncer.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Rio de Janeiro, por exemplo, o Instituto Nacional de C&#226;ncer transformou o Servi&ccedil;o Integrado Tecnol&oacute;gico em Citologia (SITEC) num grande centro de forma&ccedil;&atilde;o que a cada ano passou a receber alunos enviados pelas secret&aacute;rias estaduais das diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s para qualifica&ccedil;&atilde;o profissional. Esses profissionais em muito se diferenciavam dos t&eacute;cnicos de laborat&oacute;rio sem a devida forma&ccedil;&atilde;o, que eram utilizados em servi&ccedil;os de leitura de laminas de diversos laborat&oacute;rios, e mesmo dos citot&eacute;cnicos formados em servi&ccedil;o, que obtinham licen&ccedil;a para atuarem depois de passarem no teste de profici&ecirc;ncia elaborado pela Sociedade Brasileira de Citologia<a id="footnote-6348-42-backlink" href="#footnote-6348-42"><sup>42</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, o INCA passou a ser respons&aacute;vel pela pol&iacute;tica nacional de aten&ccedil;&atilde;o oncol&oacute;gica, tendo entre as suas fun&ccedil;&otilde;es, a promo&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o permanente dos profissionais de sa&uacute;de e a forma&ccedil;&atilde;o e especializa&ccedil;&atilde;o de recursos humanos. Com base nesse objetivo institucional e partindo do diagn&oacute;stico de que a qualidade do Papanicolaou no Brasil n&atilde;o era adequada pela forma&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o profissional desses t&eacute;cnicos, a institui&ccedil;&atilde;o deu in&iacute;cio a algumas investidas no sentido de qualificar os citot&eacute;cnicos no pa&iacute;s<a id="footnote-6348-43-backlink" href="#footnote-6348-43"><sup>43</sup></a>. Em 2008, a institui&ccedil;&atilde;o elaborou um projeto que previa a cria&ccedil;&atilde;o de um curso de atualiza&ccedil;&atilde;o para citot&eacute;cnicos, um semin&aacute;rio sobre os problemas e perspectivas da categoria, a moderniza&ccedil;&atilde;o de sua escola de citot&eacute;cnicos (SITEC), a produ&ccedil;&atilde;o de um estudo nacional sobre essa for&ccedil;a de trabalho e a&ccedil;&otilde;es institucionais para a regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o junto aos setores respons&aacute;veis pela gest&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. No ano seguinte, o Instituto patrocinou a I Jornada Nacional dos Citot&eacute;cnicos, um ciclo de palestras onde foram apresentados trabalhos t&eacute;cnicos sobre citologia, discutidos problemas da categoria e propostas para a melhoria da situa&ccedil;&atilde;o.<a id="footnote-6348-44-backlink" href="#footnote-6348-44"><sup>44</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em paralelo &agrave; jornada dos citot&eacute;cnicos foi criada uma Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Citot&eacute;cnicos (ANACITO) com o objetivo de defender os interesses dos citot&eacute;cnicos e, principalmente lutar pela regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o. As lideran&ccedil;as da associa&ccedil;&atilde;o acreditam que os problemas dos citot&eacute;cnicos relacionam-se prioritariamente a falta de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o formal da profiss&atilde;o o que leva a diversas disparidades nas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e renda desses trabalhadores, como a inexist&ecirc;ncia e plano de carreira, defini&ccedil;&atilde;o de carga hor&aacute;ria para o trabalho etc. Suas principais bandeiras se relacionam &agrave; normatiza&ccedil;&atilde;o da quantidade de l&#226;minas a serem examinadas por cada citot&eacute;cnico em cada jornada de trabalho e a quest&atilde;o da sua forma&ccedil;&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro aspecto, justificam que o trabalho exercido ao microsc&oacute;pio &eacute; muito minucioso e exige um alto grau de concentra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podendo ser efetuado durante longas jornadas ou em ambientes inadequados. Por isso, defendem que, de forma semelhante a maioria dos pa&iacute;ses onde a profiss&atilde;o &eacute; regulamentada, &eacute; necess&aacute;rio normatizar a quantidade de horas a serem trabalhadas e o n&uacute;mero m&aacute;ximo de l&#226;minas a serem lidas a cada jornada de trabalho. No que tange a forma&ccedil;&atilde;o profissional, buscam consolidar a exig&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o em curso espec&iacute;fico, com grade curricular ampla, direcionada ao conhecimento de diversas formas de citologia e com muitas horas de aprendizagem monitorada. Postulam ainda, que de forma semelhante a grande parte dos pa&iacute;ses europeus e ao Canad&aacute;, a forma&ccedil;&atilde;o em citotecnologia no Brasil deveria se dar em n&iacute;vel universit&aacute;rio<a id="footnote-6348-45-backlink" href="#footnote-6348-45"><sup>45</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A consecu&ccedil;&atilde;o dos objetivos do INCA e da ANACITO esbarram em problemas de dif&iacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o, que envolvem interesses de outros grupos. A exist&ecirc;ncia de citot&eacute;cnicos sem a devida forma&ccedil;&atilde;o causa uma divis&atilde;o nos interesses da categoria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; normatiza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o, pois ao mesmo tempo que essa regulariza&ccedil;&atilde;o pode vir a melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos que tiveram a forma&ccedil;&atilde;o considerada adequada, impede os t&eacute;cnicos sem forma&ccedil;&atilde;o de exercer a atividade. Al&eacute;m disso, a formaliza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o dos citot&eacute;cnicos representaria um custo adicional aos laborat&oacute;rios que utilizam profissionais sem a devida forma&ccedil;&atilde;o para a leitura das l&#226;minas de citologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>8. Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Monica Clarke e Joan Fujimura, uma perspectiva interessante para os estudos sociais das ci&ecirc;ncias &eacute; a an&aacute;lise da trajet&oacute;ria dos instrumentos ao longo do tempo, tendo em vista que:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"<i>Tools are not neutral objects but trough their use in practice- in interactive situations - become meaning-laden entities to all those familiar with them for any reason. Moreover, those meanings may differ among the parties involved, leading varyingly to conflict, coexistence, or domination"</i><a id="footnote-6348-46-backlink" href="#footnote-6348-46"><sup>46</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Como afirmam esses autores, esses instrumentos podem estar relacionados a uma disciplina ou podem atravessar diferentes disciplinas. No caso aqui analisado, &eacute; poss&iacute;vel perceber que a disputa de mercado entre profissionais de n&iacute;vel superior faz com que o teste de Papanicolaou seja acionado de diferentes formas nos discursos produzidos por esses grupos para defenderem sua participa&ccedil;&atilde;o em a&ccedil;&otilde;es de controle do c&#226;ncer cervical no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Trabalhos anteriores demonstraram que a defini&ccedil;&atilde;o do teste Papanicolaou como a ferramenta de screening ideal para a preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer cervical n&atilde;o significou que essa tecnologia tenha se estabilizado e se transformado em "caixa-preta"<a id="footnote-6348-47-backlink" href="#footnote-6348-47"><sup>47</sup></a>. Ao contr&aacute;rio, segundo esses estudos, essa tecnologia esteve em constantemente negocia&ccedil;&atilde;o, aspecto que n&atilde;o faz com que ela fosse vista como menos eficaz. Isso porque a pr&oacute;pria ambiguidade e instabilidade da tecnologia sustenta a rede de grupos e institui&ccedil;&otilde;es que d&atilde;o sentido aos programas de combate ao c&#226;ncer cervical. Como demonstrou Monica Casper e Adele Clarke, apesar dos conflitos e dificuldades de padroniza&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia, a articula&ccedil;&atilde;o entre grupos e interesses diversos e as transforma&ccedil;&otilde;es decorrentes de sua utiliza&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica possibilitaram a transforma&ccedil;&atilde;o do teste Papanicolaou em tecnologia perfeita para a realiza&ccedil;&atilde;o de campanhas de screening de c&#226;ncer cervical (<i>the right tool for the job</i>). Ao longo do tempo, o objetivo inicial de utiliza&ccedil;&atilde;o do teste Papanicolaou como tecnologia diagn&oacute;stica das les&otilde;es malignas deu lugar a sua utiliza&ccedil;&atilde;o como uma tecnologia de screening que detecta as les&otilde;es pr&eacute;-malignas. E mesmo com as dificuldades de defini&ccedil;&atilde;o e padroniza&ccedil;&atilde;o do que s&atilde;o as les&otilde;es pr&eacute;-malignas, que marcaram a hist&oacute;ria do desenvolvimento dessa tecnologia, ela se difundiu e <i>"the Pap smear became gradually perceived as a prescreening rather than a true diagnostic test"</i><a id="footnote-6348-48-backlink" href="#footnote-6348-48"><sup>48</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os debates sobre quem tem a prerrogativa para fazer as an&aacute;lises cl&iacute;nicas e para supervisionar o trabalho dos citot&eacute;cnicos no Brasil trazem a luz a instabilidade dessa tecnologia. Nesse debate &eacute; poss&iacute;vel perceber a utiliza&ccedil;&atilde;o por esses grupos de termos como <i>laudo t&eacute;cnico</i> ou <i>laudo m&eacute;dico</i> e <i>exame citopatol&oacute;gico</i> por <i>diagn&oacute;stico citopatol&oacute;gico</i> quando defendem sua participa&ccedil;&atilde;o em a&ccedil;&otilde;es para a preven&ccedil;&atilde;o de c&#226;ncer cervical. Como vimos, a proposta dos m&eacute;dicos citopatologistas de diferenciarem o laudo t&eacute;cnico do diagn&oacute;stico citopatol&oacute;gico dificulta ainda mais o processo de normatiza&ccedil;&atilde;o da atividade dos citot&eacute;cnicos, pois iguala o trabalho dos outros profissionais de n&iacute;vel superior (como farmac&ecirc;uticos e biom&eacute;dicos) ao trabalho desses profissionais de n&iacute;vel m&eacute;dio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, como tamb&eacute;m observamos, a l&oacute;gica privada dos laborat&oacute;rio, tanto no que se refere a contrata&ccedil;&atilde;o de seus quadros profissionais, como no que concerne ao modelo de produ&ccedil;&atilde;o e venda de servi&ccedil;os, dificulta a organiza&ccedil;&atilde;o dos citot&eacute;cnicos ao mesmo tempo que impede a racionaliza&ccedil;&atilde;o do setor. Dessa forma, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a busca do Estado, por meio do INCA, de qualificar melhor os citot&eacute;cnicos e regulamentar sua profiss&atilde;o tem como limites a din&#226;mica de um mercado de sa&uacute;de formatado de acordo com interesses profissionais espec&iacute;ficos e os valores referentes ao <i>mix</i> p&uacute;blico e privado existente no setor. Num contexto onde a utiliza&ccedil;&atilde;o do Papanicolaou responde simultaneamente a demandas de um sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de em busca de racionaliza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para atender a um programa nacional de screening e ao interesse do mercado, a profiss&atilde;o do citot&eacute;cnico caminha na corda bamba.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Gostar&iacute;amos de expressar nosso reconhecimento a Eliane Monteiro Santana Dias pelo aux&iacute;lio na apresenta&ccedil;&atilde;o das fontes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Referências</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(*) Pesquisa elaborada na Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), no &#226;mbito do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer - atores, cen&aacute;rios e políticas públicas.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-1" href="#footnote-6348-1-backlink"> 1</a> . A frase grifada intitula o cl&aacute;ssico artigo de Monica Casper e Adele Clark sobre a estabiliza&ccedil;&atilde;o do pap smear como tecnologia adequada ao controle do c&#226;ncer cervical: Casper, Monica; Clarke, Adele. Making the Pap Smear into the "Right Tool" for the Job: Cervical cancer screening in the USA, circa 1940-95. Social Studies of Sciences. 1998; 28 (2): 255-290.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739948&pid=S0211-9536201400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m: Lowy, Ilana. Cancer, women, and public health: the history of screening for cervical cancer. Hist&oacute;ria, Ciencia, Saude-Manguinhos. 2010; 17 (suppl. 1): 53-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739949&pid=S0211-9536201400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Um exemplo da import&#226;ncia do contexto local na especificidade do desenvolvimento do Papanicolaou refere-se a trajet&oacute;ria peculiar do controle do c&#226;ncer cervical no Brasil e na Argentina, aonde o uso da colposcopia como primeiro exame para a preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a perdurou at&eacute; a d&eacute;cada 1960, diferente do que ocorreu nos EUA e na Europa. Eraso, Yolanda. Migrating techniques, multiplying diagnoses: The contribution of Argentina and Brazil to early "detection policy" in cervical cancer. Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos. 2010; 17 (suppl. 1): 33-51 e Teixeira,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739950&pid=S0211-9536201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Luiz; Lowy, Ilana. Imperfect tools for a difficult job: Colposcopy, "colpocytology" and screening for cervical cancer in Brazil. Social Studies of Science. 2011; 41 (4): 585-608.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739951&pid=S0211-9536201400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-2" href="#footnote-6348-2-backlink"> 2</a> . Teixeira, Luiz; Porto, Marco; Pumar, Leticia. A expans&atilde;o do rastreio do c&#226;ncer do colo do &uacute;tero e a forma&ccedil;&atilde;o de citot&eacute;cnicos no Brasil. Physis. 2012; 22 (2): 713-731.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739953&pid=S0211-9536201400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-3" href="#footnote-6348-3-backlink"> 3</a> . Teixeira; Porto; Pumar, n. 2, p. 713-731. Sobre a sociologia das profiss&otilde;es ver, em particular: Freidson, E. Profiss&atilde;o m&eacute;dica. Um estudo de sociologia do conhecimento aplicado. S&atilde;o Paulo: Unesp; 2009,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739955&pid=S0211-9536201400010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e Abbott, A. The system of professions: An essay on the division of expert labor. Chicago: the University of Chicago Press; 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739956&pid=S0211-9536201400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-4" href="#footnote-6348-4-backlink"> 4</a> . Clarke, Adele; Fujimura, Joan, eds. The right tools for the job: at work in twentieth-century life sciences. Princeton: Princeton University Press; 1992, p. 5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739958&pid=S0211-9536201400010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-5" href="#footnote-6348-5-backlink"> 5</a> . Teixeira e Lowy denominaram de modelo triplo o uso combinado da colposcopia, citologia e biopsia nos exames preventivos do c&#226;ncer de colo. O trabalho mostra como essa forma de utiliza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas se desenvolveu no Brasil entre os anos 1940 e 1970, ressaltando sua originalidade frente a grande parte dos pa&iacute;ses ocidentais que utilizaram a colposcopia como exame complementar ao Papanicolaou. Teixeira; Lowy, n. 1, p. 585-608.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-6" href="#footnote-6348-6-backlink"> 6</a> . Teixeira; Lowy, n. 1, p. 585-608.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-7" href="#footnote-6348-7-backlink"> 7</a> . Teixeira, Luiz; Porto, Marco. O c&#226;ncer no Brasil: passado e presente. Rio de Janeiro: Outras Letras; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739962&pid=S0211-9536201400010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-8" href="#footnote-6348-8-backlink"> 8</a> . Barcelos, Jos&eacute;. Introdu&ccedil;&atilde;o. In: Campos da Paz Filho, Athur; Barcelos, Jose. Concursos de especializa&ccedil;&atilde;o em citopatologia. Rio de Janeiro: Escola de Citopatologia do Centro de Pesquisas Luiza Gomes de Lemos / Funda&ccedil;&atilde;o Pioneiras Sociais; 1974, p. 5-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739964&pid=S0211-9536201400010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-9" href="#footnote-6348-9-backlink"> 9</a> . Capucci, F. Filosofia Sampaio G&oacute;es: Instituto Brasileiro de Controle do C&#226;ncer - IBCC 35 anos. S&atilde;o Paulo: Activa Comunica&ccedil;&atilde;o; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739966&pid=S0211-9536201400010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-10" href="#footnote-6348-10-backlink"> 10</a> . Al&eacute;m das institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; citadas, atuavam na forma&ccedil;&atilde;o de citot&eacute;cnicos nesse per&iacute;odo o Instituto Nacional de C&#226;ncer, no Rio de Janeiro; a Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de S&atilde;o Paulo; a Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas; o Centro de Treinamento de Recursos Humanos da Funda&ccedil;&atilde;o Amaury de Medeiros, da Secretaria de Sa&uacute;de do Estado de Pernambuco; a Faculdade de Medicina da Universidade Cat&oacute;lica de Porto Alegre; o Instituto do C&#226;ncer de Londrina; a Secretaria de Sa&uacute;de do Estado de Minas Gerais e a Secretaria de Sa&uacute;de do Estado da Bahia. Barcelos, n. 8, p. 6-7.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-11" href="#footnote-6348-11-backlink"> 11</a> . Teixeira; Porto; Pumar, n. 2, p. 713-731.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-12" href="#footnote-6348-12-backlink"> 12</a> . Barcelos, n. 8, p. 7.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-13" href="#footnote-6348-13-backlink"> 13</a> . Parecer n. 353/89. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o; 1989.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-14" href="#footnote-6348-14-backlink"> 14</a> . Escorel, Sarah; Nascimento, Dilene; Edler, Flavio. As origens da reforma sanit&aacute;ria e do SUS. In: Lima, Nisia; Gershman, Silvia; Edler, Flavio; Su&aacute;rez, Julio. Sa&uacute;de e democracia: hist&oacute;ria e perspectivas do SUS. Rio de Janeiro: FIOCRUZ; 2005, p. 59-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739972&pid=S0211-9536201400010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-15" href="#footnote-6348-15-backlink"> 15</a> . Sob o processo que deu origem a reforma sanit&aacute;ria ver: Escorel, Sarah; Nascimento, Dilene; Edler, Flavio. As origens da reforma sanit&aacute;ria e do SUS. In: Lima, Nisia; Gershman, Silvia; Edler, Flavio; Su&aacute;rez, Julio. Sa&uacute;de e democracia: hist&oacute;ria e perspectivas do SUS. Rio de Janeiro: FIOCRUZ; 2005; p. 59-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739974&pid=S0211-9536201400010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-16" href="#footnote-6348-16-backlink"> 16</a> . Em 1987, antes mesmo da cria&ccedil;&atilde;o do SUS, o governo federal criou um programa, denominado PRO-ONCO, que era direcionado a diversos tipos de c&#226;ncer. No entanto, a falta de integra&ccedil;&atilde;o entre os setores previdenci&aacute;rio e de sa&uacute;de p&uacute;blica foi um impeditivo ao seu maior desenvolvimento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-17" href="#footnote-6348-17-backlink"> 17</a> . A partir de 1999, o Viva Mulher passou a oferecer exames citol&oacute;gicos de rotina, acompanhados de grandes campanhas trienais. Em 2002, foi realizada a segunda campanha nacional, a partir de ent&atilde;o o programa passou a dar &ecirc;nfase ao aperfei&ccedil;oamento da rede de aten&ccedil;&atilde;o oncol&oacute;gica. Teixeira, Porto, Pumar, n. 2, p. 713-731.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-18" href="#footnote-6348-18-backlink"> 18</a> . O processo de implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de n&atilde;o inibiu as atividades privadas nesse campo. Os servi&ccedil;os privados se mantiveram e em alguns casos at&eacute; se ampliaram, a partir do fortalecimento dos planos de sa&uacute;de. Sobre esse tema ver: Bahia, Ligia. A d&eacute;marche do privado e p&uacute;blico no sistema de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de no Brasil em tempos de democracia e ajuste fiscal, 1988-2008. In: Matta, Gustavo; Fran&ccedil;a Lima, J&uacute;lio, orgs. Estado, sociedade e forma&ccedil;&atilde;o profissional em sa&uacute;de: contradi&ccedil;&otilde;es e desafios em 20 anos de SUS. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/EPSJV; 2008, p. 123-185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739978&pid=S0211-9536201400010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-19" href="#footnote-6348-19-backlink"> 19</a> . Os dados referentes ao n&uacute;mero de exames efetuados no setor p&uacute;blico e privado encontram-se no Departamento de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (DATASUS) www.datasus.gov.br. A pesquisa sobre o perfil dos laborat&oacute;rios que prestavam servi&ccedil;os ao SUS encontrasse em Thuler, Luiz; Zardo, Lucilia; Zeferino, Luiz. Perfil dos laborat&oacute;rios de citopatologia do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de. Jornal Brasileiro de Patologia M&eacute;dica Laboratorial. 2007; 43 (2): 103-114.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739980&pid=S0211-9536201400010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-20" href="#footnote-6348-20-backlink"> 20</a> . Sociedade Brasileira de Citopatologia, Sociedade Brasileira de Patologia. Lista de verifica&ccedil;&atilde;o para acredita&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios m&eacute;dicos de citopatologia e/ou patologia cir&uacute;rgica especificamente para o Programa Viva Mulher de preven&ccedil;&atilde;o do c&#226;ncer cervico-uterino, 1988. Dispon&iacute;vel em:  <a target="_blank" href="http://citopatologia.org.br/listaver.htm">http://citopatologia.org.br/listaver.htm</a>. Acceso em: 20 jun 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739982&pid=S0211-9536201400010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-21" href="#footnote-6348-21-backlink"> 21</a> . O Cadastro de Laborat&oacute;rios do Registro Nacional de Patologia tumoral informa a exist&ecirc;ncia de 361 laborat&oacute;rios de citopatologia no pa&iacute;s em 1987. Em 2004 o SUS contabilizava 1075 laborat&oacute;rios prestando informa&ccedil;&otilde;es sobre exames realizados para a sa&uacute;de p&uacute;blica. Embora n&atilde;o existam informa&ccedil;&otilde;es sobre a totalidade de laborat&oacute;rios privados, a cifra de laborat&oacute;rios prestadores de servi&ccedil;os ao SUS mostra o grande aumento do n&uacute;mero desses estabelecimentos. Os dados encontram-se em Thuler; Zardo; Zeferino, n. 19, p. 105.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-22" href="#footnote-6348-22-backlink"> 22</a> . Evaristo, Simone (presidente da ANACITO). Entrevista concedida ao Programa de Hist&oacute;ria oral do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer no Brasil: atores, cen&aacute;rios e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz) em 02/05/2011. Küll, Leda (Coordenadora do Curso de forma&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos em n&iacute;vel m&eacute;dio em citopatologia (INCA/Fiocruz)). Entrevista concedida ao Programa de Hist&oacute;ria oral do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer no Brasil: atores cen&aacute;rios e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz) em 06/04/2011.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-23" href="#footnote-6348-23-backlink"> 23</a> . Thuler; Zardo; Zeferino, n. 19, p. 105.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-24" href="#footnote-6348-24-backlink"> 24</a> . Conselho Federal de Medicina, Parecer n. 36/1989.  <a target="_blank" href="http://www.portalmedico.org.br/pareceres/CFM/1989/36_1989.htm">http://www.portalmedico.org.br/pareceres/CFM/1989/36_1989.htm</a>, Conselho Federal de Medicina, Parecer n 37/1989 <a target="_blank" href="http://www.portalmedico.org.br/pareceres/CFM/1989/37_1989.htm">http://www.portalmedico.org.br/pareceres/CFM/1989/37_1989.htm</a>. Acceso em: 20 jun 2012.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-25" href="#footnote-6348-25-backlink"> 25</a> . Secret&aacute;ria de Vigil&#226;ncia Sanit&aacute;ria do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Portaria n. 505, de 23 de junho de 1998. Consulta p&uacute;blica e Proposta de Regulamento T&eacute;cnico para funcionamento dos laborat&oacute;rios de citopatologia e Histopatologia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-26" href="#footnote-6348-26-backlink"> 26</a> . Secret&aacute;ria de Vigil&#226;ncia Sanit&aacute;ria do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, n. 25.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-27" href="#footnote-6348-27-backlink"> 27</a> . Conselho Regional de Farm&aacute;cia do Estado de Minas Gerais. Of&iacute;cio CJ n. 064/98 BH, 13 de agosto de 1998, referente a Consulta p&uacute;blica baixada pela Portaria n. 505, de 23 de junho de 1998, que institui o Programa de combate ao c&#226;ncer de colo uterino.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-28" href="#footnote-6348-28-backlink"> 28</a> . Decreto n.<sup>o</sup> 20.377, de 08 de setembro de 1931. Aprova a regulamenta&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o farmac&ecirc;utica no Brasil. Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="http://www.crf-rj.org.br/crf/legislacao/leis/legis_pro_20377.asp">http://www.crf-rj.org.br/crf/legislacao/leis/legis_pro_20377.asp</a>. Acceso em: 15 jun 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739991&pid=S0211-9536201400010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-29" href="#footnote-6348-29-backlink"> 29</a> . Decreto n. 85.878, de 7 de abril de 1981. Estabelece normas para execu&ccedil;&atilde;o da Lei n.<sup>o</sup> 3.820, de 11 de novembro de 1960, sobre o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de farmac&ecirc;utico. Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="http://www.crf-rj.org.br/crf/legislacao/leis/legis_pro_85878.asp">http://www.crf-rj.org.br/crf/legislacao/leis/legis_pro_85878.asp</a>. Acceso em: 15 jun 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739993&pid=S0211-9536201400010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-30" href="#footnote-6348-30-backlink"> 30</a> . Decreto, n. 29.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-31" href="#footnote-6348-31-backlink"> 31</a> . Conselho Federal de Farm&aacute;cia. Resolu&ccedil;&atilde;o n.<sup>o</sup> 179, de 18 de mar&ccedil;o de 1987, (alterada pela Resolu&ccedil;&atilde;o n.<sup>o</sup> 357 de 20/04/2001 e pela Resolu&ccedil;&atilde;o n.<sup>o</sup> 358/01). Ratifica a compet&ecirc;ncia legal de o farmac&ecirc;utico executar exames de Citologia Esfoliativa: Onc&oacute;tica e Hormonal. Dispon&iacute;vel em:  <a target="_blank" href="http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/179.pdf">www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/179.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739996&pid=S0211-9536201400010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-32" href="#footnote-6348-32-backlink"> 32</a> . Conselho Regional de Farm&aacute;cia do Estado de Minas Gerais, n. 27.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-33" href="#footnote-6348-33-backlink"> 33</a> . Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Portaria n. 1230, de 14 de outubro de 1999, Di&aacute;rio Oficial n.199E 18/10/1999.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-34" href="#footnote-6348-34-backlink"> 34</a> . Fernandes, Patr&iacute;cia. Ato m&eacute;dico: vis&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es de uma pol&ecirc;mica contempor&#226;nea das profiss&otilde;es da &aacute;rea de sa&uacute;de no Brasil. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz / PPGHCS; 2004 (disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1740000&pid=S0211-9536201400010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-35" href="#footnote-6348-35-backlink"> 35</a> . Enviado para o Senado, o projeto j&aacute; com um novo texto passou a tramitar na Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o, Justi&ccedil;a e Cidadania, tendo sido aprovado em fevereiro de 2012. O texto precisar&aacute; passar pelas comiss&otilde;es de Educa&ccedil;&atilde;o e de Assuntos Sociais antes de ir a Plen&aacute;rio. Fernandes, n. 34, p. 42-60.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-36" href="#footnote-6348-36-backlink"> 36</a> . Conselho Nacional de Farm&aacute;cia. Of&iacute;cio de 22 de setembro de 2009, referente ao projeto de Lei no. 7703/2006. (Ato M&eacute;dico) (OF.5255/2009/SEC/CFF)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-37" href="#footnote-6348-37-backlink"> 37</a> . Conselho Nacional de Farm&aacute;cia, n. 31.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-38" href="#footnote-6348-38-backlink"> 38</a> . Conselho Federal de Biomedicina. Resolu&ccedil;&atilde;o n. 78, de 29 e abril de 2002. Disp&otilde;e sobre o ato profissional biom&eacute;dico, fiscaliza o campo de atividade do biom&eacute;dico e cria normas e responsabilidade t&eacute;cnica. Dispon&iacute;vel em:  <a target="_blank" href="http://www.crbm1.com.br/resolucao12.asp">http://www.crbm1.com.br/resolucao12.asp</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1740005&pid=S0211-9536201400010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-39" href="#footnote-6348-39-backlink"> 39</a> . Projeto de Lei no. 7703/2006. Disp&otilde;e sobre o exerc&iacute;cio da medicina. Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=339409">http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=339409</a>. Acceso em: 15 jun 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1740006&pid=S0211-9536201400010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-40" href="#footnote-6348-40-backlink"> 40</a> . Sociedade Brasileira de Patologia. Ato m&eacute;dico: a lei da regulamenta&ccedil;&atilde;o da medicina e a defesa dos direitos do cidad&atilde;o. S&atilde;o Paulo: SBP; 2009, p. 31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1740008&pid=S0211-9536201400010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> A publica&ccedil;&atilde;o tem vers&atilde;o impressa e online e traz ainda dois artigos especiais com a opini&atilde;o dos presidentes do Conselho Federal de Medicina e Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-41" href="#footnote-6348-41-backlink"> 41</a> . Sociedade Brasileira de Patologia, n. 35, p. 14.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-42" href="#footnote-6348-42-backlink"> 42</a> . Thuler, Luiz Claudio. A inser&ccedil;&atilde;o do citotecnologista nas pol&iacute;ticas do SUS. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz; 2009. Arquivo Digital. Palestra proferida na I Jornada Internacional de citotecnologia ocorrida entre 12 e 14 de agosto de 2009;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1740011&pid=S0211-9536201400010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Evaristo, Simone (presidente da ANACITO). Entrevista concedida ao Programa de Hist&oacute;ria oral do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer no Brasil: atores, cen&aacute;rios e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz) em 02/05/2011. Küll, Leda (Coordenadora do Curso de Forma&ccedil;&atilde;o de T&eacute;cnicos em N&iacute;vel M&eacute;dio em Citopatologia (INCA/Fiocruz). Entrevista concedida ao Programa de Hist&oacute;ria oral do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer no Brasil: atores cen&aacute;rios e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz) em 06/04/2011.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-43" href="#footnote-6348-43-backlink"> 43</a> . Thuler, n. 42.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-44" href="#footnote-6348-44-backlink"> 44</a> . Thuler, n. 42.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-45" href="#footnote-6348-45-backlink"> 45</a> . Evaristo, Simone (presidente da ANACITO). Entrevista concedida ao Programa de Hist&oacute;ria oral do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer no Brasil: atores, cen&aacute;rios e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz) em 02/05/2011. Küll, Leda (Coordenadora do Curso de Forma&ccedil;&atilde;o de T&eacute;cnicos em N&iacute;vel M&eacute;dio em Citopatologia (INCA/Fiocruz) Entrevista concedida ao Programa de Hist&oacute;ria oral do projeto Hist&oacute;ria do C&#226;ncer no Brasil: atores cen&aacute;rios e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz) em 06/04/2011.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-46" href="#footnote-6348-46-backlink"> 46</a> . Clarke; Fujimura, n. 4, p. 16.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-47" href="#footnote-6348-47-backlink"> 47</a> . Casper; Clarke, n. 1, p. 255-290; Lowy, n. 1, p. 53-67; Singleton, Vicky. Stabilizing instabilities: The role of the laboratory in the United Kingdom Cervical Screening Programme. In: Berg, Marc; Mol, Annemarie, eds. Differences in medicine: Unraveling practices, techniques and bodies. Durham: Duke University Press; 1988, p. 86-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1740017&pid=S0211-9536201400010000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a id="footnote-6348-48" href="#footnote-6348-48-backlink"> 48</a> . Lowy, n. 1, p. 60.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 27 de septiembre de 2012    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 17 de julio de 2013</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Casper]]></surname>
<given-names><![CDATA[Monica]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Clarke]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adele]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Making the Pap Smear into the "Right Tool" for the Job: Cervical cancer screening in the USA, circa 1940-95]]></article-title>
<source><![CDATA[Social Studies of Sciences]]></source>
<year>1998</year>
<volume>28</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>255-290</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lowy]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ilana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cancer, women, and public health: the history of screening for cervical cancer]]></article-title>
<source><![CDATA[História, Ciencia, Saude-Manguinhos]]></source>
<year>2010</year>
<volume>17</volume>
<numero>^s1</numero>
<issue>^s1</issue>
<supplement>1</supplement>
<page-range>53-67</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Eraso]]></surname>
<given-names><![CDATA[Yolanda]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Migrating techniques, multiplying diagnoses: The contribution of Argentina and Brazil to early "detection policy" in cervical cancer]]></article-title>
<source><![CDATA[História, Ciências, Saúde-Manguinhos]]></source>
<year>2010</year>
<volume>17</volume>
<numero>^s1</numero>
<issue>^s1</issue>
<supplement>1</supplement>
<page-range>33-51</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lowy]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ilana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Imperfect tools for a difficult job: Colposcopy, "colpocytology" and screening for cervical cancer in Brazil]]></article-title>
<source><![CDATA[Social Studies of Science]]></source>
<year>2011</year>
<volume>41</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>585-608</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Porto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marco]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pumar]]></surname>
<given-names><![CDATA[Leticia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A expansão do rastreio do câncer do colo do útero e a formação de citotécnicos no Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Physis]]></source>
<year>2012</year>
<volume>22</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>713-731</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freidson]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Profissão médica: Um estudo de sociologia do conhecimento aplicado]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Unesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Abbott]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The system of professions: An essay on the division of expert labor]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Chicago ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[the University of Chicago Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Clarke]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adele]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fujimura]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The right tools for the job: at work in twentieth-century life sciences]]></source>
<year>1992</year>
<page-range>5</page-range><publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Porto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O câncer no Brasil: passado e presente]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Outras Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barcelos]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Introdução]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Campos da Paz Filho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Athur]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barcelos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jose]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Concursos de especialização em citopatologia]]></source>
<year>1974</year>
<page-range>5-7</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Escola de Citopatologia do Centro de Pesquisas Luiza Gomes de LemosFundação Pioneiras Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Capucci]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Filosofia Sampaio Góes: Instituto Brasileiro de Controle do Câncer: IBCC 35 anos]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Activa Comunicação]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Escorel]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sarah]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nascimento]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dilene]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Edler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Flavio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As origens da reforma sanitária e do SUS]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nisia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gershman]]></surname>
<given-names><![CDATA[Silvia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Edler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Flavio]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Suárez]]></surname>
<given-names><![CDATA[Julio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Saúde e democracia: história e perspectivas do SUS]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>59-83</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FIOCRUZ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Escorel]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sarah]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nascimento]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dilene]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Edler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Flavio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As origens da reforma sanitária e do SUS]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nisia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gershman]]></surname>
<given-names><![CDATA[Silvia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Edler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Flavio]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Suárez]]></surname>
<given-names><![CDATA[Julio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Saúde e democracia: história e perspectivas do SUS]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>59-83</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FIOCRUZ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bahia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ligia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A démarche do privado e público no sistema de atenção à saúde no Brasil em tempos de democracia e ajuste fiscal, 1988-2008]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Matta]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gustavo]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[França Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[Júlio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estado, sociedade e formação profissional em saúde: contradições e desafios em 20 anos de SUS]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>123-185</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fiocruz/EPSJV]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Thuler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zardo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lucilia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zeferino]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perfil dos laboratórios de citopatologia do Sistema Único de Saúde]]></article-title>
<source><![CDATA[Jornal Brasileiro de Patologia Médica Laboratorial]]></source>
<year>2007</year>
<volume>43</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>103-114</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>Sociedade Brasileira de Citopatologia</collab>
<collab>Sociedade Brasileira de Patologia</collab>
<source><![CDATA[Lista de verificação para acreditação de laboratórios médicos de citopatologia e/ou patologia cirúrgica especificamente para o Programa Viva Mulher de prevenção do câncer cervico-uterino, 1988]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[Decreto n.º 20.377, de 08 de setembro de 1931: Aprova a regulamentação do exercício da profissão farmacêutica no Brasil]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[Decreto n. 85.878, de 7 de abril de 1981: Estabelece normas para execução da Lei n.º 3.820, de 11 de novembro de 1960, sobre o exercício da profissão de farmacêutico]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>Conselho Federal de Farmácia</collab>
<source><![CDATA[Resolução n.º 179, de 18 de março de 1987, (alterada pela Resolução n.º 357 de 20/04/2001 e pela Resolução n.º 358/01): Ratifica a competência legal de o farmacêutico executar exames de Citologia Esfoliativa: Oncótica e Hormonal]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ato médico: visões e reações de uma polêmica contemporânea das profissões da área de saúde no Brasil]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa de Oswaldo Cruz / PPGHCS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>Conselho Federal de Biomedicina</collab>
<source><![CDATA[Resolução n. 78, de 29 e abril de 2002: Dispõe sobre o ato profissional biomédico, fiscaliza o campo de atividade do biomédico e cria normas e responsabilidade técnica]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[Projeto de Lei no. 7703/2006: Dispõe sobre o exercício da medicina]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Sociedade Brasileira de Patologia</collab>
<source><![CDATA[Ato médico: a lei da regulamentação da medicina e a defesa dos direitos do cidadão]]></source>
<year>2009</year>
<page-range>31</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SBP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Thuler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz Claudio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A inserção do citotecnologista nas políticas do SUS]]></source>
<year>2009</year>
<conf-name><![CDATA[I Jornada Internacional de citotecnologia]]></conf-name>
<conf-date>12 e 14 de agosto de 2009</conf-date>
<conf-loc> </conf-loc>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa de Oswaldo Cruz]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Singleton]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vicky]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Stabilizing instabilities: The role of the laboratory in the United Kingdom Cervical Screening Programme]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Berg]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marc]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mol]]></surname>
<given-names><![CDATA[Annemarie]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Differences in medicine: Unraveling practices, techniques and bodies]]></source>
<year>1988</year>
<page-range>86-105</page-range><publisher-loc><![CDATA[Durham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Duke University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
