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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hidroterapia e empreendedorismo médico: o "feitiço hídrico" de Ricardo Jorge]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Between 1886 and 1893, the doctor and hygienist Ricardo Jorge was linked to a commercial and medical project on the waters of GerÃªs. Known for many centuries and used for therapeutic purposes, they were administered on an empirical basis. When new chemical analyses were first published, the empirical properties of these waters took on a new role in hydrotherapy based on their now proven mineral and medicinal qualities. The article discusses in detail Ricardo Jorge's business venture, framing it in the context of the economic collection and treatment potential of mineral waters and the revival of the phenomenon of hydrotherapy, legitimized by new developments in the chemical analysis of waters. The commercial failure to exploit the water resources highlights the difficulties of this project and the complexity of the professional practice of hydrological medicine, although it resulted in a strengthening of Ricardo's authority and prestige in the field of hydrotherapy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Hidroterapia e empreendedorismo m&eacute;dico: o "feiti&ccedil;o h&iacute;drico" de Ricardo Jorge</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Hydrotherapy and medical entrepreneurship: the "water spell" of Ricardo Jorge</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rui Manuel Pinto Costa</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">orcid.org/0000-0001-7040-3487. Centro de Estudos Interdisciplinares do S&eacute;culo XX da Universidade de Coimbra - CEIS20. UID/HIS/00460/2013. <a href="mailto:rcosta75@gmail.com">rcosta75@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entre 1886 e 1893, o m&eacute;dico e higienista Ricardo Jorge esteve ligado a um projeto de valoriza&ccedil;&atilde;o comercial e terap&ecirc;utica das &aacute;guas do Ger&ecirc;s. Conhecidas desde h&aacute; longos s&eacute;culos e alvo de habituais peregrina&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas assentes numa tradi&ccedil;&atilde;o de base emp&iacute;rica, as propriedades curativas dessas &aacute;guas passam a assumir um papel de maior destaque a partir da d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo XIX quando as an&aacute;lises qu&iacute;micas come&ccedil;am a servir prop&oacute;sitos de avalia&ccedil;&atilde;o das suas qualidades mineromedicinais. Este artigo aborda detalhadamente o projeto m&eacute;dico-empresarial ricardiano em torno da hidroterapia, enquadrando-o no contexto da valoriza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e terap&ecirc;utica das &aacute;guas mineromedicinais, no reavivar do fen&oacute;meno do termalismo e na legitima&ccedil;&atilde;o da hidrologia pelos progressos na avalia&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica das &aacute;guas. Apesar do insucesso comercial na explora&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, esta incurs&atilde;o ricardiana mostra as dificuldades do projecto e a complexidade do exerc&iacute;cio profissional da medicina hidrol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m o refor&ccedil;o da autoridade e prest&iacute;gio de Ricardo Jorge no campo da hidroterapia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras chave:</b> Ricardo Jorge, &aacute;gua, hidroterapia, termalismo, Ger&ecirc;s.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Between 1886 and 1893, the doctor and hygienist Ricardo Jorge was linked to a commercial and medical project on the waters of GerÃªs. Known for many centuries and used for therapeutic purposes, they were administered on an empirical basis. When new chemical analyses were first published, the empirical properties of these waters took on a new role in hydrotherapy based on their now proven mineral and medicinal qualities. The article discusses in detail Ricardo Jorge's business venture, framing it in the context of the economic collection and treatment potential of mineral waters and the revival of the phenomenon of hydrotherapy, legitimized by new developments in the chemical analysis of waters. The commercial failure to exploit the water resources highlights the difficulties of this project and the complexity of the professional practice of hydrological medicine, although it resulted in a strengthening of Ricardo's authority and prestige in the field of hydrotherapy.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> Ricardo Jorge, water, hydrotherapy, spa, Ger&ecirc;s.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Ricardo Jorge e a hidroterapia (*)</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As abordagens historiogr&aacute;ficas em torno da hidroterapia e do termalismo no s&eacute;culo XIX s&atilde;o bastante vastas no contexto europeu e t&ecirc;m-se debru&ccedil;ado sobre uma grande complexidade de prismas. Geralmente, as leituras historiogr&aacute;ficas dedicadas &agrave;s ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas sublinham a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas especializadas, como &eacute; o caso da hidrologia m&eacute;dica, a par das tens&otilde;es em torno da promo&ccedil;&atilde;o empresarial dos recursos h&iacute;dricos mineromedicinais por parte de m&eacute;dicos<sup><a id="footnote-6322-1-backlink" href="#footnote-6322-1">1</a></sup>. Outras v&atilde;o das pr&aacute;ticas balneares ligadas &agrave;s termas como locais de cura, passando pela constru&ccedil;&atilde;o da sociedade do lazer e do turismo social, fazendo sobressair a vertente l&uacute;dica<sup><a id="footnote-6322-2-backlink" href="#footnote-6322-2">2</a></sup>. Na verdade, todas estas abordagens s&atilde;o fundamentais e entrecruzam-se para explicar um fen&oacute;meno transversal a n&iacute;vel europeu.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com algumas excep&ccedil;&otilde;es<sup><a id="footnote-6322-3-backlink" href="#footnote-6322-3">3</a></sup>, tanto a extensa e cl&aacute;ssica historiografia do termalismo portugu&ecirc;s<sup><a id="footnote-6322-4-backlink" href="#footnote-6322-4">4</a></sup> como as abordagens hist&oacute;ricas, sociol&oacute;gicas e antropol&oacute;gicas mais recentes<sup><a id="footnote-6322-5-backlink" href="#footnote-6322-5">5</a></sup> n&atilde;o se debru&ccedil;am sobre o papel espec&iacute;fico das figuras m&eacute;dicas enquanto elementos diretamente implicados no processo de empresarializa&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas termais e mineromedicinais de novecentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A figura do m&eacute;dico-empres&aacute;rio no decorrer do s&eacute;culo XIX, resulta n&atilde;o s&oacute; da afirma&ccedil;&atilde;o da medicina cient&iacute;fica de sabor positivista, mas tamb&eacute;m da capacidade de capta&ccedil;&atilde;o de investimentos em &aacute;reas de reconhecida efic&aacute;cia, mesmo que emp&iacute;rica, como era o caso da emergente hidrologia m&eacute;dica. No caso particular da hidrologia e do uso clinicamente tutelado das &aacute;guas mineromedicinais, assistiu-se um pouco por toda a Europa a um processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o progressiva deste ramo do saber, assente nas novas an&aacute;lises qu&iacute;micas das &aacute;guas minerais. A linha t&eacute;nue entre os interesses cient&iacute;ficos e comerciais levou a que n&atilde;o fosse assunto imune a controv&eacute;rsias. Sendo um processo algo complexo e desigual, foi globalmente lato, se bem que permeado por particularidades e variantes locais<sup><a id="footnote-6322-6-backlink" href="#footnote-6322-6">6</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Alguns dos personagens que lhe est&atilde;o associados, maioritariamente m&eacute;dicos, tornaram-se figuras paradigm&aacute;ticas e desempenharam um papel de relevo na medicaliza&ccedil;&atilde;o da actividade. Este processo passou pela valoriza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da hidrologia, a que se aliou o reconhecimento internacional dos benef&iacute;cios terap&ecirc;uticos das &aacute;guas minerais no tratamento de diversas doen&ccedil;as. Pa&iacute;ses como a Espanha, Inglaterra, Fran&ccedil;a e Alemanha tiveram os seus pr&oacute;prios paladinos e respectivos caminhos de medicaliza&ccedil;&atilde;o da actividade<sup><a id="footnote-6322-7-backlink" href="#footnote-6322-7">7</a></sup>. Em Portugal, este processo de valoriza&ccedil;&atilde;o trilhou caminhos semelhantes, onde ressalta a figura de Ricardo de Almeida Jorge, tanto no papel de m&eacute;dico-empres&aacute;rio como no de promotor da hidrologia m&eacute;dica enquanto &aacute;rea cientificamente fundamentada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ricardo Jorge (1858-1939), homem de ci&ecirc;ncia e de cultura, continua a ser refer&ecirc;ncia no universo m&eacute;dico e cient&iacute;fico dos s&eacute;culos XIX e XX. Reconhecido como personagem cimeiro da higiene p&uacute;blica e das ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de, ainda muito jovem tornou-se professor da Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto em 1881. A&iacute; leccionou antes de rumar a Lisboa em 1899, onde desenvolveu um amplo trabalho enquanto higienista, professor e director do Instituto Central de Higiene, destacando-se enquanto promotor e paladino do higienismo. Autor de uma extensa bibliografia, muito se escreveu sobre o seu papel e personalidade, sendo tamb&eacute;m objeto de particular aten&ccedil;&atilde;o em diversos trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o<sup><a id="footnote-6322-8-backlink" href="#footnote-6322-8">8</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso particular da valoriza&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas mineromedicinais do Ger&ecirc;s, legou-nos duas obras complementares, ainda hoje consideradas fundamentais para a Hist&oacute;ria das &aacute;guas do Ger&ecirc;s, mas tamb&eacute;m da hidrologia portuguesa: a primeira, intitulada o <i>Ger&ecirc;s Termal. Hist&oacute;ria, Hidrologia, Medicina</i> (1888), seguida 3 anos depois por <i>Caldas do Ger&ecirc;s. Guia termal</i> (1891). Ambos textos s&atilde;o seminais para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno terap&ecirc;utico em torno das &aacute;guas termais no &uacute;ltimo quartel de oitocentos. Constituem-se como as principais fontes onde &eacute; poss&iacute;vel recolher a maior parte da informa&ccedil;&atilde;o acerca da participa&ccedil;&atilde;o de Ricardo Jorge no universo da hidrologia m&eacute;dica e do termalismo, numa fase charneira que precedeu imediatamente o que foi identificado por Claudino Ferreira<sup><a id="footnote-6322-9-backlink" href="#footnote-6322-9">9</a></sup> como o per&iacute;odo de ascend&ecirc;ncia do termalismo em Portugal, entre 1892 e 1930.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O <i>Guia Termal</i> de 1891 &eacute; um texto com claros objectivos propagand&iacute;sticos e de promo&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica, apresentando algumas das caracter&iacute;sticas mais comuns dos guias termais coevos. Esta literatura tur&iacute;stica despontara no s&eacute;culo XVIII nas esta&ccedil;&otilde;es termais da B&eacute;lgica, Alemanha e Fran&ccedil;a, tendo-se popularizado ao longo do s&eacute;culo XIX e servido os prop&oacute;sitos dos estabelecimentos termais, vinculando fortemente o termalismo ao turismo<sup><a id="footnote-6322-10-backlink" href="#footnote-6322-10">10</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O interesse de Ricardo Jorge pela hidrologia m&eacute;dica come&ccedil;ou no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo XIX. Em 1886 era j&aacute; um professor de prest&iacute;gio firmado na Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto. Apesar dos seus 27 anos, no rescaldo das confer&ecirc;ncias sobre higiene que realizou em 1884, tornara-se uma figura de relevo no contexto cient&iacute;fico nacional. N&atilde;o menos importante, era o facto de ser membro da Comiss&atilde;o de Estudo das &Aacute;guas Mineromedicinais do Pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Numa altura em que a hidroterapia desenhava uma nova credibilidade que passava a ter na an&aacute;lise das &aacute;guas termais um forte argumento cient&iacute;fico, o mero ato de "ir a banhos" adquiria um novo apelo para a medicina cient&iacute;fica de finais do s&eacute;culo XIX. Nesta altura, a presen&ccedil;a e o conselho m&eacute;dico eram vistas como fundamentais na hora de escolher entre as diversas &aacute;guas e termas<sup><a id="footnote-6322-11-backlink" href="#footnote-6322-11">11</a></sup>. Colaborando com o m&eacute;dico brasileiro Miguel Couto dos Santos<sup><a id="footnote-6322-12-backlink" href="#footnote-6322-12">12</a></sup>, seu cunhado (irm&atilde;o da sua mulher Leonor) e director do estabelecimento balnear de Pedras Salgadas, funda em fevereiro de 1881 o Instituto Hidroter&aacute;pico e Electroter&aacute;pico nas depend&ecirc;ncias do Grande Hotel do Porto. Com a morte precoce do cunhado, a partir de maio de 1882 este Instituto passa a ser dirigido por Ricardo Jorge em parceria com um dos seus colegas de doc&ecirc;ncia: Augusto Henrique de Almeida Brand&atilde;o. Este estabelecimento, mais comercial que terap&ecirc;utico, pode incluir-se numa tend&ecirc;ncia coeva, tal como foi explicada por Juan Antonio Rodr&iacute;guez-S&aacute;nchez, que se desenhou pela mesma altura em Espanha, e que corresponde &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o e medicaliza&ccedil;&atilde;o das correntes hidroterap&ecirc;uticas emp&iacute;ricas da Europa central<sup><a id="footnote-6322-13-backlink" href="#footnote-6322-13">13</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; inserido nesta tend&ecirc;ncia que desde 1881 Ricardo Jorge come&ccedil;ou a apostar nas potencialidades abertas pela nova &aacute;rea terap&ecirc;utica. Publicitado como o &uacute;nico estabelecimento do seu g&eacute;nero no pa&iacute;s, o armament&aacute;rio terap&ecirc;utico inclu&iacute;a duches de press&otilde;es e temperaturas vari&aacute;veis, banhos de estufa e de vapor, barros russos, massagens e electroterapia. Ao longo de 1882 a publicidade deste estabelecimento no peri&oacute;dico <i>Folha Nova</i> conferiu-lhe grande visibilidade, como &eacute; f&aacute;cil de depreender dos constantes an&uacute;ncios &agrave;s v&aacute;rias hidroterapias disponibilizadas e onde ressaltava com claro destaque o nome de Ricardo Jorge.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. A an&aacute;lise qu&iacute;mica das &aacute;guas e a hidrologia m&eacute;dica</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ao longo do s&eacute;culo XIX a vertente terap&ecirc;utica das est&acirc;ncias termais foi adquirindo um vigor progressivo em toda a Europa, impulsionada pelo movimento higienista a que se somava uma vertente claramente l&uacute;dica e tur&iacute;stica. Na d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo XIX os "banhos de caldas e &aacute;guas minerais" eram algo de bastante comum entre os estratos sociais economicamente mais desafogados<sup><a id="footnote-6322-14-backlink" href="#footnote-6322-14">14</a></sup>. As Caldas da Rainha, as termas das Taipas, Vidago, Pedras Salgadas, S. Pedro do Sul ou as Caldas de Vizela eram muito procuradas apesar das dificuldades de acesso de algumas delas<sup><a id="footnote-6322-15-backlink" href="#footnote-6322-15">15</a></sup>. Alguns estratos da sociedade reencontram-se de forma mais ou menos regular com as propriedades ditas curativas ou de bem-estar associadas &agrave;s &aacute;guas termais, &agrave;s quais continuava a faltar uma confirma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que apenas era sobrepujado por um empirismo que assentava na longa pr&aacute;tica do tempo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ser&aacute; precisamente a partir da d&eacute;cada de 60 que come&ccedil;am a surgir alguns dos primeiros trabalhos de &iacute;ndole cient&iacute;fica acerca das propriedades medicinais das &aacute;guas, com o que se v&atilde;o abrindo horizontes de legitima&ccedil;&atilde;o &agrave;s curas que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o dispunham sen&atilde;o do discurso m&eacute;dico ou do empirismo para as legitimar. A an&aacute;lise qu&iacute;mica das &aacute;guas vai-se tornando alvo de diferentes estudos, mais ou menos aprofundados. A comiss&atilde;o nomeada em 1866 e presidida por Tomaz de Carvalho, diretor da Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica de Lisboa, deu &agrave; estampa um extenso e in&eacute;dito relat&oacute;rio que compilava as an&aacute;lises efectuadas a numerosas &aacute;guas minerais portuguesas<sup><a id="footnote-6322-16-backlink" href="#footnote-6322-16">16</a></sup>. Outros estudos foram entretanto publicados na d&eacute;cada seguinte, entre eles os de Bernardino Ant&oacute;nio Gomes e Jos&eacute; J&uacute;lio Rodrigues<sup><a id="footnote-6322-17-backlink" href="#footnote-6322-17">17</a></sup>, bem como v&aacute;rios outros nomes ligados &agrave; Universidade de Coimbra, entre os quais Francisco Alves, Costa Sim&otilde;es e Joaquim dos Santos e Silva<sup><a id="footnote-6322-18-backlink" href="#footnote-6322-18">18</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conferindo-lhe um cunho cient&iacute;fico e servindo como base de trabalho &agrave; hidrologia m&eacute;dica<sup><a id="footnote-6322-19-backlink" href="#footnote-6322-19">19</a></sup>, a qu&iacute;mica anal&iacute;tica permitiu que o renovar desta disciplina m&eacute;dica: o termalismo passa a ser visto com outros olhos e o empirismo das "curas" termais come&ccedil;a a fazer sentir nos m&eacute;dicos a necessidade de o complementar com estudos de base cl&iacute;nica e de fisiologia experimental.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O uso e potencial terap&ecirc;utico das &aacute;guas medicinais imbricava-se com a quest&atilde;o do termalismo enquanto elemento tradicional de tratamento de diversas afec&ccedil;&otilde;es cr&oacute;nicas. Por outro lado, a medicina hidrol&oacute;gica afirmava-se enquanto &aacute;rea do saber m&eacute;dico mas agora com um novo apelo, ao ser legitimada pelos avan&ccedil;os da qu&iacute;mica na an&aacute;lise dos componentes org&acirc;nicos e minerais presentes na &aacute;gua. O estudo hidro-anal&iacute;tico tornara-se elemento essencial &agrave; valida&ccedil;&atilde;o da qualidade da &aacute;gua, desde aquela destinada ao consumo p&uacute;blico at&eacute; &agrave; dedicada a fins terap&ecirc;uticos ou com potencial mineromedicinal. A avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade passava pelo crivo fino da quantifica&ccedil;&atilde;o: doseamento de oligoelementos, compostos org&acirc;nicos e inorg&acirc;nicos, temperatura e mineraliza&ccedil;&atilde;o. Mas isto, por si s&oacute;, n&atilde;o permitia emitir ju&iacute;zos de valor sobre a sua efic&aacute;cia terap&ecirc;utica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A qualidade das an&aacute;lises, sobretudo se atentarmos &agrave; variabilidade de resultados quando os processos utilizados n&atilde;o eram uniformes, colocava a nu as bases fr&aacute;geis em que ainda assentava uma "medicina termal" em busca de afirma&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A Medicina Termal pouco tem avan&ccedil;ado durante o ultimo s&eacute;culo; demonstra tal asser&ccedil;&atilde;o, a defici&ecirc;ncia das an&aacute;lises qu&iacute;micas, em que principalmente se baseia o seu estudo. Que ensinamentos podemos n&oacute;s colher das an&aacute;lises qu&iacute;micas que at&eacute; agora se nos tem apresentado? Poucos, que possam considerar-se como verdades cient&iacute;ficas"<sup><a id="footnote-6322-20-backlink" href="#footnote-6322-20">20</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; por essa raz&atilde;o que a medicina come&ccedil;a a introduzir-lhe os estudos cl&iacute;nicos, tentando justificar a partir da evid&ecirc;ncia e da pr&aacute;tica cl&iacute;nicas as melhores estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas, sistematizando as patologias em que poderiam ser indicadas ou contra-indicadas. Talvez por isso nem sempre se assistiu &agrave; esperada rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre os resultados anal&iacute;ticos e a evid&ecirc;ncia proveniente da experi&ecirc;ncia:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Alguns m&eacute;dicos, asseverando que o conhecimento dos elementos mineralizadores d'uma &aacute;gua n&atilde;o &eacute; suficiente para se poder predizer a sua efic&aacute;cia medicamentosa, objectam &agrave;s pretens&otilde;es da qu&iacute;mica o facto de haverem &aacute;guas cujos compostos predominantes, sendo na mesma quantidade, possuem uma ac&ccedil;&atilde;o diferente, os efeitos os mais diversos sobre certos doentes, atacados das mesmas afe&ccedil;&otilde;es"<sup><a id="footnote-6322-21-backlink" href="#footnote-6322-21">21</a></sup>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Numa altura em que as propriedades das &aacute;guas minerais s&oacute; agora come&ccedil;avam a obter confirma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, assistiam-se a exemplos de propaganda feita com recurso &agrave; sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o das an&aacute;lises qu&iacute;micas despojadas de qualquer avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica. A publicidade que decorria desta valoriza&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica tinha apenas o intuito de capitalizar comercialmente a aura curativa em seu redor. Ricardo Jorge n&atilde;o deixou de o apontar e criticar em Agosto de 1891:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) h&aacute; um tempo para c&aacute;, que aguas medicinais se improvisam por processos <i>fin-de-si&eacute;cle</i>. Qualquer agua que seja ou pare&ccedil;a mineral, se cabe em m&atilde;os providas, d&aacute; em panaceia por for&ccedil;a. Aquilo &eacute; como nas fontes santas d'outros tempos, para o milagre &eacute; s&oacute; benzer e p&ocirc;r o santo. A benzedura, salvo seja, faz-se pela an&aacute;lise qu&iacute;mica; diga ela o que disser, agua analisada &eacute; grande droga de virtude. Para o santo despe-se a patologia inteira e todas as mol&eacute;stias v&atilde;o &agrave; estampa para n&atilde;o faltar romeiros"<sup><a id="footnote-6322-22-backlink" href="#footnote-6322-22">22</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Se bem que a as &aacute;guas mineromedicinais formassem parte do arsenal terap&ecirc;utico e fossem estudadas no contexto da Universidade de Coimbra pelo menos desde o &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XVIII<sup><a id="footnote-6322-23-backlink" href="#footnote-6322-23">23</a></sup>, era uma &aacute;rea ainda sujeita &agrave; pol&eacute;mica e ao contradit&oacute;rio, mas onde a medicina criava um novo espa&ccedil;o de afirma&ccedil;&atilde;o quando o assunto ainda n&atilde;o dispunha de professores especializados nem cadeiras individualizadas nos curr&iacute;culos de medicina. Apesar de ter uma representa&ccedil;&atilde;o modesta quando comparada com outras &aacute;reas de maior apet&ecirc;ncia, &eacute; poss&iacute;vel detectar o interesse em redor da hidrologia em todas as suas vertentes -hidroterapia, crenoterapia e talassoterapia- exposto nas teses inaugurais das escolas m&eacute;dico-cir&uacute;rgicas desde a d&eacute;cada de 70, tema que passou a ser abordado numa base regular sobretudo nas d&eacute;cadas seguintes<sup><a id="footnote-6322-24-backlink" href="#footnote-6322-24">24</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dos efeitos fisiol&oacute;gicos provenientes dos banhos pela imers&atilde;o em &aacute;gua fria ou quente, ou sob a forma de duche aplicado em zonas anat&oacute;micas espec&iacute;ficas, passando pelas inala&ccedil;&otilde;es, pulveriza&ccedil;&otilde;es e ingest&atilde;o de &aacute;guas minerais, a hidroterapia era vista como panaceia quase universal. No entanto existia um quadro geral de recomenda&ccedil;&otilde;es que regulamentavam a dura&ccedil;&atilde;o de duches e banhos, a temperatura, e/ou a frequ&ecirc;ncia e quantidade de &aacute;gua a ingerir. Todas as decis&otilde;es terap&ecirc;uticas dependiam do tipo de afe&ccedil;&atilde;o a tratar bem como de outras condi&ccedil;&otilde;es inerentes a cada doente<sup><a id="footnote-6322-25-backlink" href="#footnote-6322-25">25</a></sup>. Dependendo da tipologia e caracter&iacute;sticas das &aacute;guas, as indica&ccedil;&otilde;es eram m&uacute;ltiplas: dos casos de doen&ccedil;as respirat&oacute;rias &agrave;s patologias gastrointestinais, cut&acirc;neas e febres, das afe&ccedil;&otilde;es reumatismais &agrave;s do foro psiqui&aacute;trico e at&eacute; card&iacute;aco, parecia quase certo que praticamente todos poderiam beneficiar de algum modo com a hidroterapia. Apesar dos benef&iacute;cios un&acirc;nimes que se lhe atribu&iacute;am, as recomenda&ccedil;&otilde;es passavam maioritariamente por um uso n&atilde;o exclusivo mas sim complementar, feito em parceria com outras modalidades de tratamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das orienta&ccedil;&otilde;es gerais, podemos dizer que o conhecimento hidrol&oacute;gico se encontrava descentralizado e exercido de forma pseudo-especializada: utilizado maioritariamente por m&eacute;dicos que laboravam nas est&acirc;ncias termais, a sistematiza&ccedil;&atilde;o dos tratamentos h&iacute;dricos n&atilde;o existia ainda como pr&aacute;tica cientifica universalmente regulamentada. Tamb&eacute;m n&atilde;o era incomum que o tipo de "banho" fosse recomendado em fun&ccedil;&atilde;o de uma observa&ccedil;&atilde;o nem sempre considerada adequada, independentemente dos sinais ou sintomas. A grande quantidade de doentes a avaliar nas est&acirc;ncias termais por m&eacute;dicos sem treino em hidrologia podiam ter esse tipo de efeito pernicioso, como se sublinha numa disserta&ccedil;&atilde;o inaugural de 1890:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) sendo trinta a cinquenta os consultantes a despachar em tr&ecirc;s a quatro horas, como periodicamente sucede, cumpre-nos declarar que o exame feito &eacute; as mais das vezes superficial. Se o paciente acusa dores nos ossos, sem mais pre&acirc;mbulos -<i>banho quente te valha</i> ser&aacute; o <i>recipe</i> do clinico a&ccedil;odado. Se a sua epiderme oferece a exist&ecirc;ncia d'algumas escamas, vesiculas, p&aacute;pulas ou ainda tub&eacute;rculos, dois olhares do facultativo lhe sugerem a diagnose d'um processo m&oacute;rbido que ele enfaticamente significa ao doente pelo palavr&atilde;o <i>"dermatose",</i> e <i>banho fresco sulfuroso</i> ser&aacute; o seu ref&uacute;gio"<sup><a id="footnote-6322-26-backlink" href="#footnote-6322-26">26</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Assente nos resultados proporcionados pelo empirismo da evid&ecirc;ncia cl&iacute;nica mas ainda mal explicada ao n&iacute;vel da a&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica, a hidroterapia era em meados da d&eacute;cada de 80 definida como "(...) o conjunto dos meios de aplica&ccedil;&atilde;o met&oacute;dica da temperatura e press&atilde;o diversas, sobre a superf&iacute;cie cut&acirc;nea, com um fim higi&eacute;nico e terap&ecirc;utico"<sup><a id="footnote-6322-27-backlink" href="#footnote-6322-27">27</a></sup>, o que significa que tanto se podia realizar com &aacute;gua corrente como com &aacute;gua mineromedicinal, uma vez que os efeitos terap&ecirc;uticos advinham da press&atilde;o e da temperatura e n&atilde;o tanto da composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este empirismo n&atilde;o foi rejeitado por Ricardo Jorge, na medida em que os factos assentes na observa&ccedil;&atilde;o direta e na experi&ecirc;ncia eram elementos que confirmavam o valor terap&ecirc;utico das &aacute;guas do Ger&ecirc;s. Mesmo assim, instruiu-se em hidrologia tendo por base uma s&eacute;rie de comp&ecirc;ndios franceses que lhe serviram de refer&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para al&eacute;m disso, tamb&eacute;m n&atilde;o parece ter enjeitado as prescri&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dicos mais experientes nas lides hidrol&oacute;gicas, como as que lhe foram fornecidas por Leonardo Torres. Este m&eacute;dico disponibilizou-lhe em 1884 um importante manuscrito com indica&ccedil;&otilde;es precisas sobre o uso das &aacute;guas medicinais do Ger&ecirc;s<sup><a id="footnote-6322-28-backlink" href="#footnote-6322-28">28</a></sup>. Comparando as prescri&ccedil;&otilde;es contidas nesse documento com as preconizadas por Ricardo Jorge na sua cl&iacute;nica, verifica-se desde logo uma grande semelhan&ccedil;a entre ambas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. Mergulhando no "feiti&ccedil;o h&iacute;drico do Ger&ecirc;s</b><b>"</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi no decorrer de um coment&aacute;rio &agrave;s primeiras an&aacute;lises qu&iacute;micas das &aacute;guas do Ger&ecirc;s que Ricardo Jorge se entusiasmou com seu o potencial terap&ecirc;utico. Tendo conhecido em primeira m&atilde;o o efeito ben&eacute;fico que essas &aacute;guas tiveram nas perturba&ccedil;&otilde;es gastrohep&aacute;ticas do seu colega e professor de medicina Jos&eacute; de Andrade Gramaxo<sup><a id="footnote-6322-29-backlink" href="#footnote-6322-29">29</a></sup>, o interesse acentuou-se depois de ter comentado o valor cient&iacute;fico das an&aacute;lises realizadas em 1885 pelo qu&iacute;mico Adolfo de Sousa Reis. Francamente empolgado como os resultados, n&atilde;o lhe poupou enc&oacute;mios pelo:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) trabalho porfiado durante longos meses com uma paci&ecirc;ncia germ&acirc;nica, onde as opera&ccedil;&otilde;es se sucederam provadas e contraprovadas com um requinte excepcional de precau&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas e d'observ&acirc;ncia estrita &agrave;s regras anal&iacute;ticas da qu&iacute;mica. S&oacute; raros predicados de habilidade e vontade, s&oacute; muita paix&atilde;o pela investiga&ccedil;&atilde;o curios&iacute;ssima, s&oacute; um desejo intimo de firmar uma an&aacute;lise que fixasse de vez a composi&ccedil;&atilde;o das misteriosas &aacute;guas, podiam conseguir o &ecirc;xito brilhante do distinto qu&iacute;mico"<sup><a id="footnote-6322-30-backlink" href="#footnote-6322-30">30</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">As an&aacute;lises de Sousa Reis n&atilde;o foram as &uacute;nicas a ter lugar nessa altura: tamb&eacute;m Em&iacute;lio Dias as realizou, mas foram as primeiras que captaram o interesse de Ricardo Jorge<sup><a id="footnote-6322-31-backlink" href="#footnote-6322-31">31</a></sup>. A "hidromedicina geresiana" acabaria por apaixon&aacute;-lo quase de imediato: ap&oacute;s comparar as an&aacute;lises de Sousa Reis com as de outras nascentes termais da Europa, concluiu que o Ger&ecirc;s possu&iacute;a a &aacute;gua mais fluoretada da Europa, pensando desde logo em algumas aplica&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas espec&iacute;ficas, mas tamb&eacute;m na sua imediata utiliza&ccedil;&atilde;o comercial.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com essa ideia em mente e sempre sob a al&ccedil;ada do experimentalismo, realizou desde 1886 uma s&eacute;rie de trabalhos sobre fluoretos alcalinos; numa primeira fase injectando fluoreto de pot&aacute;ssio em animais de laborat&oacute;rio (r&atilde;s, coelhos e um c&atilde;o) e de seguida em doentes alienados a quem foram ministradas doses de 0,4 a 1,2 dg/dia, tendo registado as observa&ccedil;&otilde;es colhidas nestes doentes com o seu colega e amigo Magalh&atilde;es Lemos. Posteriormente utilizou doses menos concentradas em alguns doentes do Hospital da Miseric&oacute;rdia do Porto com doen&ccedil;as hep&aacute;ticas, biliares e do ba&ccedil;o<sup><a id="footnote-6322-32-backlink" href="#footnote-6322-32">32</a></sup>. Os resultados permitiram-lhe concluir que:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Todas as observa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o contestes para demonstrar que o fluoreto &eacute; um medicamento altamente proveitoso (...). Afoitamente poderemos dizer que a alta caracter&iacute;stica mineral do Ger&ecirc;s &eacute; o seu fl&uacute;or"<sup><a id="footnote-6322-33-backlink" href="#footnote-6322-33">33</a></sup>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para al&eacute;m do uso habitual em doentes com perturba&ccedil;&otilde;es do sistema nervoso e com doen&ccedil;as reum&aacute;ticas, aquilo que na an&aacute;lise de Ricardo Jorge parecia tornar as &aacute;guas do Ger&ecirc;s &uacute;nicas seria no tratamento da "Braditrofia" i.e., das doen&ccedil;as da alimenta&ccedil;&atilde;o -ou da lentid&atilde;o do processo digestivo- que no entendimento m&eacute;dico da altura inclu&iacute;am a obesidade, a lit&iacute;ase biliar e inclusive a diabetes. A regulariza&ccedil;&atilde;o da fisiologia digestiva era o que as diferenciava positivamente relativamente a outras op&ccedil;&otilde;es medicinais, e por isso mesmo oferecia um complemento &agrave;s terap&ecirc;uticas exclusivamente hidroter&aacute;picas que Ricardo Jorge realizava desde 1881 no Instituto Hidroter&aacute;pico e Electroter&aacute;pico do Porto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mergulhou ent&atilde;o no "feiti&ccedil;o h&iacute;drico" do Ger&ecirc;s, e como j&aacute; era seu apan&aacute;gio tra&ccedil;ou-lhe o percurso hist&oacute;rico, comentando os trabalhos dos principais geresistas e ressuscitando as descri&ccedil;&otilde;es dos viajantes (<a href="#f1">Figura 1</a>). O resultado foi o <i>Ger&ecirc;s Termal</i>, metade dele escrito no Ver&atilde;o de 1887 e publicado no ano seguinte. A obra teve impacto e foi entregue como parte da documenta&ccedil;&atilde;o aquando do concurso para a concess&atilde;o:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana" size="2"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/dyn/v37n1/07_articulo2_fig1.jpg">    <br>Figura 1. Ricardo Jorge com traje regional dos pastores do Minho.    <br>Caldas do Ger&ecirc;s: Fotografia Nacional de Francisco Gomes Marques (1890-1891).    <br>Fonte: INSA, &#64; Biblioteca de Sa&uacute;de do Instituto Ricardo Jorge (RJ 108).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) documentando o seu requerimento com minuciosos anteprojectos das instala&ccedil;&otilde;es termais, competentemente elaborados, e uma compendiosa mem&oacute;ria hist&oacute;rica, hidrol&oacute;gica e m&eacute;dica sobre o Ger&ecirc;s termal, escrita com t&atilde;o not&aacute;vel profici&ecirc;ncia pelo segundo dos requerentes &#091;Ricardo Jorge&#093;, que constitui o mais sumptuoso e perdur&aacute;vel monumento erguido &agrave; singular excel&ecirc;ncia daquelas &aacute;guas, e ocupa, com incontest&aacute;vel e incontestado direito o primeiro lugar na bibliografia geresiana, e porventura e de toda a bibliografia hidrol&oacute;gica nacional"<sup><a id="footnote-6322-34-backlink" href="#footnote-6322-34">34</a></sup>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. Um projeto promissor e absorvente</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os muito propalados princ&iacute;pios da higiene associada &agrave; hidroterapia, fossem no contexto das caldas ou at&eacute; dos banhos de mar, tornavam o assunto fortemente apelativo, justificando o investimento num projeto empresarial. Aproveitando o facto do Ministro do Reino Jos&eacute; Luciano de Castro ter retirado &agrave; C&acirc;mara de Terras do Bouro a superintend&ecirc;ncia termal do Ger&ecirc;s e ter aberto concurso para a adjudica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas medicinais, Ricardo Jorge associou-se com outros investidores nesse intento. Apesar do potencial terap&ecirc;utico das &aacute;guas, o processo de concess&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o mostrou-se lento e pejado de problemas, nunca atingindo os objectivos esperados, principalmente a constru&ccedil;&atilde;o do estabelecimento termal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Celestino Maia, que mais tarde lhe sucedeu na dire&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica das Caldas do Ger&ecirc;s descreveu este processo sob o seu ponto de vista<sup><a id="footnote-6322-35-backlink" href="#footnote-6322-35">35</a></sup>. Ricardo Jorge associou-se a tr&ecirc;s outros personagens: Paulo Marcelino Dias, tamb&eacute;m ele m&eacute;dico e professor da EMCP mas amigo de Jos&eacute; Luciano de Castro; Adolfo de Sousa Reis, qu&iacute;mico que apresentara os resultados das primeiras an&aacute;lises da &aacute;gua, e ainda o capitalista bracarense Manuel Joaquim Gomes. Deram entrada com um requerimento no Minist&eacute;rio de Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria em 20 de Junho de 1887, com o objectivo de obter a concess&atilde;o das &aacute;guas medicinais das Caldas do Ger&ecirc;s. Transformado em concurso p&uacute;blico, foi publicado no <i>Di&aacute;rio do Governo</i> a 14 de Agosto de 1888. De acordo com as condi&ccedil;&otilde;es desse programa, os concorrentes eram obrigados a documentar os seus requerimentos com anteprojectos das edifica&ccedil;&otilde;es termais, an&aacute;lise da principal nascente e estado medicinal das &aacute;guas. A adjudica&ccedil;&atilde;o far-se-ia mediante um conjunto de contrapartidas e obriga&ccedil;&otilde;es estipuladas entre o estado e o concession&aacute;rio<sup><a id="footnote-6322-36-backlink" href="#footnote-6322-36">36</a></sup>. Fechado o concurso ao fim de 90 dias, apresentou-se como &uacute;nico candidato uma empresa formada por Paulo Marcelino Dias e Ricardo Jorge. A adjudica&ccedil;&atilde;o foi feita a 7 de dezembro de 1888 por contrato provis&oacute;rio a essa empresa pelo prazo de 50 anos, sendo de seguida apresentado &agrave;s Cortes a 30 de janeiro de 1889, cuja aprova&ccedil;&atilde;o era necess&aacute;ria para que o contrato se efectivasse. Seguiu-se um arrastado processo que demorou quase 9 meses a concluir: nos debates que tiveram lugar nas Cortes foram invocados alguns receios de uma posi&ccedil;&atilde;o dominante da Companhia na venda das &aacute;guas, mas apesar disso, o contrato final foi assinado com algumas emendas a 16 de Setembro de 1889. Mesmo assim, as condi&ccedil;&otilde;es exigidas aos concession&aacute;rios foram reconhecidas como algo duras, sendo:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) talvez de mais o que se exige aos concession&aacute;rios que esteja pronto no fim do primeiro dos dois anos marcados para a conclus&atilde;o de todas as instala&ccedil;&otilde;es, pois a pressa exagerada no andamento das obras pode ser prejudicial &agrave; sua qualidade"<sup><a id="footnote-6322-37-backlink" href="#footnote-6322-37">37</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Ricardo Jorge assumiu o lugar de director cl&iacute;nico, tendo-lhe naturalmente reca&iacute;do "(...) sobre os ombros as responsabilidades profissionais deste sanat&oacute;rio hidri&aacute;trico"<sup><a id="footnote-6322-38-backlink" href="#footnote-6322-38">38</a></sup>. Em paralelo, acumulava tamb&eacute;m as fun&ccedil;&otilde;es de Director-Gerente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A vontade racionalizadora e normalizadora que imp&ocirc;s ao tratamento aqu&iacute;fero obedeciam a uma reconfigura&ccedil;&atilde;o higi&eacute;nica do local, abandonando-se o uso p&uacute;blico das vetustas fontes termais (<a href="#f2">Figura 2</a>). A prioridade foi dada ao tratamento pelos banhos, para o que se criou uma instala&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria no piso baixo do Hotel Universal, canalizando a &aacute;gua que brotava de uma das 11 fontes (<a href="#f3">Figura 3</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana" size="2"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/dyn/v37n1/07_articulo2_fig2.jpg">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Figura 2. Planta das fontes e nascentes das Caldas do Ger&ecirc;s. Fonte: Jorge, Ricardo.    <br>Caldas do Ger&ecirc;s. Guia termal. Porto: Tip. da Casa editora Alcino Aranha; 1891, &#091;s.p&#093;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana" size="2"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/dyn/v37n1/07_articulo2_fig3.jpg">    <br>Figura 3. Aspecto das Caldas do Ger&ecirc;s em 1891. Fonte: Jorge, Ricardo.    <br>Caldas do Ger&ecirc;s. Guia termal. Porto: Tip. da Casa editora Alcino Aranha; 1891, &#091;s.p&#093;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A nossa cruzada pelo Ger&ecirc;s teve principalmente por intuito a erec&ccedil;&atilde;o de termas, dignas da qualidade excelsa das &aacute;guas, e, logo que medicamente podemos interferir na terap&ecirc;utica geresiana, lan&ccedil;amos m&atilde;o do banho, como arma secundaria e por vezes principal, no tratamento das mol&eacute;stias que o Ger&ecirc;s recruta. A repugn&acirc;ncia dos velhos cub&iacute;culos venceu-se com uma instala&ccedil;&atilde;o provisoria, modesta mas suficiente, realizada nos baixos do Grande Hotel Universal (sucursal), para cujas banheiras corre o farto e c&aacute;lido manancial do Forte"<sup><a id="footnote-6322-39-backlink" href="#footnote-6322-39">39</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">No ano seguinte, Paulo Marcelino Dias afasta-se do projecto e a 10 de Mar&ccedil;o de 1890 a concess&atilde;o foi vendida a uma sociedade an&oacute;nima denominada <i>Companhia das Caldas do Ger&ecirc;s</i>, tendo como s&oacute;cios fundadores Ricardo Jorge e Manuel Joaquim Gomes. Iniciou-se ent&atilde;o a subscri&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es da companhia com um capital social de 70 000 reis. Nessas ac&ccedil;&otilde;es encontrava-se impressa a al&ccedil;ada frontal de um amplo edif&iacute;cio termal a construir, acompanhada no canto superior esquerdo da gravura do Hotel Universal onde decorriam nessa altura os tratamentos aqu&iacute;feros<sup><a id="footnote-6322-40-backlink" href="#footnote-6322-40">40</a></sup>. O projecto assim o determinava, mas apesar de se encontrar tra&ccedil;ado no papel ao tempo em que Ricardo Jorge o ajudou a projectar, n&atilde;o chegaria a ser constru&iacute;do durante a vig&ecirc;ncia da Companhia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No m&ecirc;s seguinte, em Abril de 1890, o relat&oacute;rio apresentado pelo Inspector de Obras P&uacute;blicas de Braga mostrava a aus&ecirc;ncia dos melhoramentos impostos pelo contrato assinado no ano anterior<sup><a id="footnote-6322-41-backlink" href="#footnote-6322-41">41</a></sup>, e em 1893, a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parecia ter mudado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o se conhecem todas as raz&otilde;es que ter&atilde;o levado ao abandono do projecto, tanto mais que parecia uma aposta s&oacute;lida. Se atentarmos aos seus coment&aacute;rios em 1891 n&atilde;o existiam raz&otilde;es para duvidar que o investimento se viesse a concretizar. O tra&ccedil;ado da planta foi entregue a especialistas considerados experientes em engenharia de estabelecimentos termais: Joaquim Ferreira dos Santos e Terra Viana, onde a influ&ecirc;ncia do edif&iacute;cio Trinkhalle de Baden-Baden saltava &agrave; vista no discurso ricardiano em torno do projecto<sup><a id="footnote-6322-42-backlink" href="#footnote-6322-42">42</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, tamb&eacute;m a prepara&ccedil;&atilde;o em termos te&oacute;ricos e em aperfei&ccedil;oamento da pr&aacute;tica terap&ecirc;utica era j&aacute; longa. Claramente inspirado pelos exemplos termais centro-europeus, sobretudo das est&acirc;ncias alem&atilde;s, austr&iacute;acas, su&iacute;&ccedil;as e francesas, Ricardo Jorge bebeu destas influ&ecirc;ncias e acompanhou as mesmas tend&ecirc;ncias n&atilde;o s&oacute; em termos arquitect&oacute;nicos e organizativos, mas tamb&eacute;m no tocante &agrave;s prescri&ccedil;&otilde;es e metodologias de uso terap&ecirc;utico. Por alguma raz&atilde;o se referia com tanta insist&ecirc;ncia a Karlsbad quando a usava como paralelo do Ger&ecirc;s, sem descurar as alus&otilde;es constantes &agrave;s vantagens do seu centro termal quando comparado com outros nomes igualmente afamados. No entanto, apesar de tentar reproduzir no Ger&ecirc;s o ambiente florescente vivido noutras paragens termais europeias, parece que as principais resist&ecirc;ncias a que o projecto se viu sujeito eram do foro burocr&aacute;tico e provinham do poder central:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Combatidos os penosos embara&ccedil;os, que entre n&oacute;s tolhem a iniciativa individual quando ela carece de coopera&ccedil;&atilde;o particular e oficial, quando ela s&oacute; visa ao engrandecimento e &agrave; utilidade p&uacute;blica, est&aacute; j&aacute; em execu&ccedil;&atilde;o o <i>domum thermalis</i> do Ger&ecirc;s. Doze anos de pr&aacute;tica ininterrompida, o conhecimento te&oacute;rico e pr&aacute;tico das necessidades balneares, e a visita dos melhores estabelecimentos estrangeiros, guiaram-me na escolha e pormenoriza&ccedil;&atilde;o das instala&ccedil;&otilde;es"<sup><a id="footnote-6322-43-backlink" href="#footnote-6322-43">43</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Chegados a 1891 parece que pouco se chegou a fazer para al&eacute;m de canalizar &aacute;gua para o primeiro pavimento do Hotel Universal onde tinham lugar os banhos. Nesse ano, o engarrafamento da &aacute;gua continuava a realizar-se directamente na rua. Em meados de 1891 quando finalizava a reda&ccedil;&atilde;o do percurso hist&oacute;rico das Caldas, era o pr&oacute;prio Ricardo Jorge quem admitia o arrastar penoso de um processo que se mostrou de concretiza&ccedil;&atilde;o mais demorada do que inicialmente previsto, pois "D'esta nov&iacute;ssima fase, apenas iniciada atrav&eacute;s dos mais espinhosos obst&aacute;culos, perante os quais s&oacute; n&atilde;o so&ccedil;obra uma for&ccedil;a excepcional de vontade, n&atilde;o nos compete a n&oacute;s sermos cronistas"<sup><a id="footnote-6322-44-backlink" href="#footnote-6322-44">44</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A dire&ccedil;&atilde;o imposta por Ricardo Jorge, cujo nome j&aacute; na altura conferia prest&iacute;gio, conferiu ao local laivos de qualidade e n&atilde;o parece que faltassem clientes apesar de n&atilde;o se ter edificado o estabelecimento termal. Em 1892 destacava-se o tratamento geresiano como sendo um:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) dos mais bem afamados de Portugal, e nele, devido &agrave; excelente direc&ccedil;&atilde;o do ilustre m&eacute;dico o Sr. Ricardo Jorge, se respeitam cuidadosamente todos os preceitos de higiene. Possuem aparelhos para se aplicarem duches e todos os outros processos da moderna hidroterapia, e &eacute; bastante concorrido durante os meses de ver&atilde;o por numerosos enfermos que ali muitas vezes encontram al&iacute;vios a seus males"<sup><a id="footnote-6322-45-backlink" href="#footnote-6322-45">45</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar disso, um ano mais tarde, em 17 de Junho de 1893 a <i>Companhia das Caldas do Ger&ecirc;s</i> abria fal&ecirc;ncia, sendo rescindido o contrato por incumprimento das regras de concess&atilde;o a 31 de Mar&ccedil;o de 1894<sup><a id="footnote-6322-46-backlink" href="#footnote-6322-46">46</a></sup>. O facto do concurso de adjudica&ccedil;&atilde;o das Caldas ter como cl&aacute;usula a edifica&ccedil;&atilde;o de termas condignas, que nunca se chegaram a realizar, levou a um demorado processo judicial que terminou em Maio de 1905 no Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a, mas com repercuss&otilde;es bem posteriores a esta data<sup><a id="footnote-6322-47-backlink" href="#footnote-6322-47">47</a></sup>. Em 26 de Junho de 1911 foi acusado no jornal <i>O Mundo</i> de ter agido com dolo e m&aacute;-f&eacute; na gest&atilde;o no incumprimento das regras de concess&atilde;o, o que o motivou a uma defesa imediata. Na missiva dirigida em 26 de Junho de 1911 ao seu solicitador, Fernando Botto Machado, pode ler-se:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Rogo a V. Ex<sup>a</sup>, na qualidade de meu solicitador na causa do Ger&ecirc;s, a fineza de mandar tirar as certid&otilde;es dos ac&oacute;rd&atilde;os das delibera&ccedil;&otilde;es do Supremo Tribunal, pelas quais ficou definitivamente julgado por unanimidade que eu e os que comigo s&atilde;o parte no processo, nem praticamos nenhuma simula&ccedil;&atilde;o nem procedemos com dolo e m&aacute;-f&eacute;. Por que hoje nas colunas do jornal <i>O Mundo</i> se afirma que essa acusa&ccedil;&atilde;o foi consagrada pelos tribunais, e s&oacute; por isso, vou promover a repara&ccedil;&atilde;o judicial a que a lei me faculta"<sup><a id="footnote-6322-48-backlink" href="#footnote-6322-48">48</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A quest&atilde;o alongou-se ainda mais no tempo e serviu como arma de arremesso por alguns daqueles com quem Ricardo Jorge travou pol&eacute;mica anos mais tarde e em contextos bem distintos, como o que teve lugar em 1916 com Te&oacute;filo Braga.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5. Um projeto falhado?</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Aparentemente, o falhan&ccedil;o deveu-se a uma imprevista falta de verbas; o suficiente para fazer so&ccedil;obrar todo o trabalho desenvolvido at&eacute; ent&atilde;o, como se referiu sinteticamente na altura<sup><a id="footnote-6322-49-backlink" href="#footnote-6322-49">49</a></sup>. No entanto, h&aacute; outros factores de ordem legislativa que n&atilde;o devem ser menosprezados. Em 1892 foi introduzida legisla&ccedil;&atilde;o que veio regulamentar a explora&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas mineromedicinais: o Decreto n.<sup>o</sup> 16, de 30 de Setembro de 1892 alterou profundamente o neg&oacute;cio das &aacute;guas minerais. Os propriet&aacute;rios ficaram obrigados &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o de requerimento e sujeitos a inspec&ccedil;&atilde;o pela Junta Consultiva de Sa&uacute;de P&uacute;blica. O mesmo decreto permitiu ao Governo expropriar as nascentes termais, passando-as ao regime de concess&atilde;o. Apesar da <i>Companhia das Caldas do Ger&ecirc;s</i> j&aacute; se encontrar num regime de explora&ccedil;&atilde;o semelhante, a incapacidade de cumprimento contratual ditou o seu fim.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, a concorr&ecirc;ncia foi-se instalando. Desde a d&eacute;cada de 80 banalizou-se a publicidade a v&aacute;rias &aacute;guas minerais. S&oacute; na <i>Folha Nova</i>, e apenas para nos referirmos a um dos muitos peri&oacute;dicos onde esta publicidade foi surgindo, Vidago e Pedras Salgadas surgem j&aacute; como nomes consagrados. A valoriza&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas medicinais e a regulamenta&ccedil;&atilde;o de 1892 levou a um investimento consider&aacute;vel na prepara&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es hoteleiras dos diferentes estabelecimentos termais que entretanto nasciam e nas vias de comunica&ccedil;&atilde;o que lhes davam acesso. As "digress&otilde;es hidrol&oacute;gicas" tornaram-se comuns e o n&uacute;mero de est&acirc;ncias hidroter&aacute;picas aumentou rapidamente em poucos anos. Das mais pequenas &agrave;s maiores, bastava que as &aacute;guas fossem de algum modo imbu&iacute;das de algum cunho de cientificidade para serem apodadas de mineromedicinais pelos empres&aacute;rios do ramo, que para isso custeavam as an&aacute;lises encomendadas &agrave; Universidade de Coimbra, &agrave; Academia Polit&eacute;cnica de Lisboa ou ao Laborat&oacute;rio Qu&iacute;mico Municipal do Porto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Algumas das an&aacute;lises dessas &aacute;guas passaram a ser publicadas na imprensa m&eacute;dica, atestando essas propriedades. Entre 1895 e 1898, o peri&oacute;dico <i>A Medicina Moderna</i> publicou as an&aacute;lises do qu&iacute;mico Ferreira da Silva &agrave;s &aacute;guas de S&atilde;o Gemil, Marco de Canaveses, Caldas da Sa&uacute;de, Almeida, Rapoula do C&ocirc;a, Ramalhoso, Mon&ccedil;&atilde;o e Vidago<sup><a id="footnote-6322-50-backlink" href="#footnote-6322-50">50</a></sup>, publicitando indirectamente os trabalhos que realizava no laborat&oacute;rio qu&iacute;mico municipal<sup><a id="footnote-6322-51-backlink" href="#footnote-6322-51">51</a></sup>. Por raz&otilde;es &oacute;bvias, a publicidade &agrave;s qualidades das diferentes &aacute;guas medicinais e aos estabelecimentos hidroter&aacute;picos abundavam na imprensa m&eacute;dica. Sem falarmos nos peri&oacute;dicos generalistas como o <i>Com&eacute;rcio do Porto</i> ou at&eacute; da j&aacute; referida <i>Folha Nova</i>, as gazetas m&eacute;dicas portuenses como era o caso de <i>A Medicina Moderna</i> ou do <i>Porto M&eacute;dico</i>, apenas para citarmos duas, tamb&eacute;m inseriam habitualmente publicidade dessa natureza.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sobre o desaire geresiano, o novo director cl&iacute;nico das Caldas do Ger&ecirc;s Celestino Maia referiu muitos anos mais tarde que "Ricardo Jorge triunfou em toda a linha e com brilho invulgar nas m&uacute;ltiplas actividades de m&eacute;dico, de escritor e de cientista; mas, como administrador e gerente da &uacute;nica empresa industrial que cremos tenha gerido na sua vida, ficou longe de mostrar os mesmos talentos"<sup><a id="footnote-6322-52-backlink" href="#footnote-6322-52">52</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, esta vis&atilde;o algo pessimista acerca de um Ricardo Jorge enquanto m&eacute;dico-gestor, n&atilde;o mostra outros aspectos cuja an&aacute;lise est&aacute; longe de se medir pela bitola do sucesso comercial, em particular os resultados terap&ecirc;uticos e a promo&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o do Ger&ecirc;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6. Os anos de cl&iacute;nica hidrol&oacute;gica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao fim de pouco tempo de pr&aacute;tica no Ger&ecirc;s, Ricardo Jorge come&ccedil;ou a coligir as muitas observa&ccedil;&otilde;es que realizara em 94 casos de lit&iacute;ase biliar (e tamb&eacute;m os pr&oacute;prios c&aacute;lculos), publicando-as de seguida, por entender que "(...) os cap&iacute;tulos dos tratadistas correntes estavam longe de servir de guia ao clinico para a interpreta&ccedil;&atilde;o, tanto doutrinal como pr&aacute;tica, da colelit&iacute;ase"<sup><a id="footnote-6322-53-backlink" href="#footnote-6322-53">53</a></sup>. Estas observa&ccedil;&otilde;es serviram-lhe de base documental em 1894 quando apresentou uma comunica&ccedil;&atilde;o na <i>Sociedade Uni&atilde;o M&eacute;dica</i> relativa &agrave; petrografia dos c&aacute;lculos hep&aacute;ticos. Durante o tempo em que foi director cl&iacute;nico deu corpo a um trabalho sistem&aacute;tico sobre a terap&ecirc;utica pelas &aacute;guas, compilando centenas de observa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, sistematizando tratamentos, comparando resultados. Depreende-se que importava conferir credibilidade cient&iacute;fica ao empreendimento termal, quando tudo fazia prever -ou como ele pr&oacute;prio profetizava- que o Ger&ecirc;s tivesse como objectivo rivalizar e</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"(...) excelir como est&acirc;ncia hidrotermal e centro hidroter&aacute;pico; ser&aacute;, j&aacute; lho profetiz&aacute;mos, entre as termas do pa&iacute;s, como Dax, perante as esta&ccedil;&otilde;es sulf&uacute;reas dos Piren&eacute;us, e Gastein ou Ragatz, perante as cloretadas s&oacute;dicas da Alemanha"<sup><a id="footnote-6322-54-backlink" href="#footnote-6322-54">54</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O <i>Guia Termal</i> publicado em 1891 &eacute; em larga medida o resultado desses anos passados em redor da cl&iacute;nica termal, aut&ecirc;ntico "sintagma doutrinal e pratico da medica&ccedil;&atilde;o geresiana deduzido da terap&ecirc;utica clinica"<sup><a id="footnote-6322-55-backlink" href="#footnote-6322-55">55</a></sup>, mostrando as especificidades das &aacute;guas do Ger&ecirc;s no tratamento das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas do foro hep&aacute;tico, g&aacute;strico e metab&oacute;lico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Seria este o corol&aacute;rio de uma obra iniciada em 1886 mas que pudesse servir de manual indicativo aos m&eacute;dicos, onde apesar dos prop&oacute;sitos marcadamente cient&iacute;ficos n&atilde;o faltava uma ponta de publicismo mal contida. O local prestava-se a compara&ccedil;&otilde;es alpestres: "(...) estamos nas Caldas -a esta&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas milagrosas para o enfermo- centro d'excurs&otilde;es para o touriste, a Chamonix d'este retalho alpino"<sup><a id="footnote-6322-56-backlink" href="#footnote-6322-56">56</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">E a envolv&ecirc;ncia do higienismo tamb&eacute;m l&aacute; est&aacute; e de forma bem saliente; mais do que a capacidade para debelar um conjunto de afe&ccedil;&otilde;es, a cura termal de Ricardo Jorge pertence a uma tr&iacute;ade complementar que se acomoda &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es higi&eacute;nicas e de salubridade local, valorizando-se o clima, a dieta alimentar e a a&ccedil;&atilde;o especial das &aacute;guas.</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"A cura termal &eacute; um sistema de diversas ordens de fatores: -os elementos climat&eacute;ricos da est&acirc;ncia, vale apertado entre montanhas arborizadas- mudan&ccedil;as de vida, pautadas durante a esta&ccedil;&atilde;o segundo normas sanit&aacute;rias especiais, entre as quais avultam a dieta e o exerc&iacute;cio -enfim a &aacute;gua termal com as suas condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sico-qu&iacute;micas peculiares, utilizada pelos v&aacute;rios processos da t&eacute;cnica hidri&aacute;trica"<sup><a id="footnote-6322-57-backlink" href="#footnote-6322-57">57</a></sup>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Se o clima de montanha se mostrava &uacute;nico pelas condicionantes geogr&aacute;ficas do local, a dieta prescrita fazia jus ao que na altura se considerava uma alimenta&ccedil;&atilde;o, toda ela, <i>higi&eacute;nica</i>. As refei&ccedil;&otilde;es decorriam em hor&aacute;rios e com intervalos pr&eacute;-determinados; exclu&iacute;am-se as bebidas alco&oacute;licas, o caf&eacute;, os produtos de pastelaria, as gorduras, o azeite, o vinagre, a cebola e as especiarias. Os vegetais, as frutas, saladas e latic&iacute;nios tamb&eacute;m se encontravam no rol das proibi&ccedil;&otilde;es. O uso de p&atilde;o restringia-se a um pequeno naco, por se considerar de fraco valor alimentar e at&eacute; nocivo. Preferia-se a carne cozida ou assada: vaca, vitela e galinha, arroz, ovos quentes ou escalfados, batatas em pur&eacute; e fruta de compota. Esporadicamente podia-se comer peixe "de carne branca" mas sem molhos. Para al&eacute;m da &aacute;gua, s&oacute; o ch&aacute; preto era permitido. Pass&iacute;vel de ser alterado com algumas <i>nuances</i> resultantes dos doentes ou das doen&ccedil;as a tratar, era este o regime alimentar estabelecido por Ricardo Jorge, tal como se encontra plasmado nos seus textos<sup><a id="footnote-6322-58-backlink" href="#footnote-6322-58">58</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O uso complementar das &aacute;guas era apenas a parte mais vis&iacute;vel desta conjuga&ccedil;&atilde;o de fatores terap&ecirc;uticos e ao mesmo tempo o mais importante. A ingest&atilde;o da &aacute;gua da Bica tamb&eacute;m era controlada, sendo recomendada em doses pautadas e restritas, encarada como se de medicamento se tratasse:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">"Concluindo. Na cura geresiana jogam uma s&eacute;rie de radicais fisiol&oacute;gicos, todos conducentes &agrave; medica&ccedil;&atilde;o das mol&eacute;stias de cunho desnutritivo e especialmente &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es viscerohep&aacute;ticas de sede hep&aacute;tica, g&aacute;strica e espl&eacute;nica. Os elementos higi&eacute;nicos -o ar, a &aacute;gua, o alimento- actuam sobre a respira&ccedil;&atilde;o, a circula&ccedil;&atilde;o, a digest&atilde;o e a nutri&ccedil;&atilde;o. Os agentes hidrotermais -a &aacute;gua mineral pela sua temperatura e composi&ccedil;&atilde;o- v&atilde;o influir directamente no funcionamento visceral do tubo digestivo e gl&acirc;ndula hep&aacute;tica"<sup><a id="footnote-6322-59-backlink" href="#footnote-6322-59">59</a></sup>.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>7. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O empenho cl&iacute;nico e empresarial de Ricardo Jorge no projeto geresiano inscreve-se num contexto de valoriza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e terap&ecirc;utica das &aacute;guas mineromedicinais, inserido por sua vez no reavivar do fen&oacute;meno do termalismo, visto sob o duplo prisma da terap&ecirc;utica hidrol&oacute;gica e da difus&atilde;o coeva dos princ&iacute;pios do higienismo. Mas n&atilde;o s&oacute;: insere-se igualmente num contexto em que o exerc&iacute;cio profissional da medicina liberal se afirmava atrav&eacute;s de projectos empresariais de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos hidromedicinais. Nesse aspeto, Ricardo Jorge n&atilde;o foi caso &uacute;nico, e n&atilde;o se distingue de outros projetos existentes um pouco por toda a europa. A promo&ccedil;&atilde;o que faz do Ger&ecirc;s enquanto espa&ccedil;o salutog&eacute;nico aliado ao turismo e ao lazer &eacute; semelhante ao que se assistiu na demais Europa no decorrer de todo o s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O facto de ressalvar sobejamente a mineraliza&ccedil;&atilde;o &uacute;nica das &aacute;guas geresianas, fez parte de uma estrat&eacute;gia usada n&atilde;o s&oacute; em Portugal mas em v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus como forma de criar um mercado interno e externo. Para pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, como Portugal ou Espanha, o modelo franc&ecirc;s e centro-europeu de turismo termal internacional de pendor aristocr&aacute;tico eram uma refer&ecirc;ncia &agrave;s quais n&atilde;o se podiam comparar, sobretudo em termos de instala&ccedil;&otilde;es, pelo que importava sublinhar os atractivos &uacute;nicos que possu&iacute;am, especialmente a singularidade das caracter&iacute;sticas qu&iacute;micas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de n&atilde;o ser inovador no uso terap&ecirc;utico do precioso l&iacute;quido, desempenhou um importante papel na valoriza&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas mineromedicinais do Ger&ecirc;s, na enuncia&ccedil;&atilde;o do seu perfil qu&iacute;mico, na defini&ccedil;&atilde;o e clarifica&ccedil;&atilde;o do quadro terap&ecirc;utico em que deveriam ser usadas. Associou os dados da an&aacute;lise qu&iacute;mica da &aacute;gua &agrave; experimenta&ccedil;&atilde;o animal e &agrave; observa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, publicando os resultados do trabalho que realizou, antes e durante o tempo em que foi o director cl&iacute;nico nas Caldas, cargo que exerceu entre 1889 e 1892. Ter&aacute; sido a &eacute;poca da sua vida em que se dedicou de forma mais intensa &agrave; actividade cl&iacute;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Afastando-se das distintas e desarm&oacute;nicas classifica&ccedil;&otilde;es que na altura qualificavam taxonomicamente os diferentes tipos de &aacute;guas -fosse com base nos elementos qu&iacute;micos presentes, fosse com base nas propriedades medicinais- criou um novo sistema de classifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais. Rejeitando o que denominava por "m&aacute; hidrotaxia" adoptou um novo sistema de categoriza&ccedil;&atilde;o hidromineral assente em 3 tipos de mineraliza&ccedil;&atilde;o quantitativa, tomando para base de classifica&ccedil;&atilde;o a quota salina.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Passando rapidamente a deter um estatuto de especialista em hidrologia, come&ccedil;ou a ser citado como autoridade por v&aacute;rios m&eacute;dicos que tamb&eacute;m apostavam nos benef&iacute;cios terap&ecirc;uticos das &aacute;guas termais, bem como em v&aacute;rias disserta&ccedil;&otilde;es inaugurais da Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto dedicadas ao tema. Muitos anos mais tarde, em 1935, Cerqueira Magro ainda o citava na qualidade de especialista em hidrologia, aludindo aos seus trabalhos no Ger&ecirc;s<sup><a id="footnote-6322-60-backlink" href="#footnote-6322-60">60</a></sup>. Por seu turno, a nomenclatura do sistema de classifica&ccedil;&atilde;o que prop&ocirc;s passou a ser utilizada pela maior parte dos hidrologistas portugueses.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Findo o projecto, mas no rescaldo da sua proposta de classifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais exposta no <i>Guia Termal</i> de 1891, ainda chegou a participar em 1893 no Congresso de Besan&ccedil;on promovido pela <i>Association Fran&ccedil;aise pour l'avancement des sciences</i> onde prop&ocirc;s uma nova classifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais: <i>Une nouvelle classification des eaux min&eacute;rales</i><sup><a id="footnote-6322-61-backlink" href="#footnote-6322-61">61</a></sup>, e a publicar em 1896 um artigo no <i>Centralblatt f&uuml;r Bakteriologie</i> sobre um vibri&atilde;o encontrado na &aacute;gua, tendo diagnosticado e confirmado laboratorialmente a exist&ecirc;ncia do vibri&atilde;o para-col&eacute;rico ou para-hemol&iacute;tico, respons&aacute;vel da c&oacute;lera frustre<sup><a id="footnote-6322-62-backlink" href="#footnote-6322-62">62</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fruto do prest&iacute;gio que granjeara na abordagem cient&iacute;fica das enfermidades pass&iacute;veis de tratamento hidrol&oacute;gico, mas j&aacute; numa fase final da sua vida, acabaria por manter contacto com alguns dos personagens centrais do revivalismo termal do segundo quartel do s&eacute;culo XX. Um deles, Armando Narciso, que dinamizou a hidrologia e conheceu bem Ricardo Jorge, convidou-o em 1935 a escrever com assiduidade para a nova revista <i>Cl&iacute;nica, Higiene e Hidrologia</i> da qual era director. Ao recordar a incurs&atilde;o ricardiana pelas Caldas, n&atilde;o teria problemas em afirmar que "(...) com a explora&ccedil;&atilde;o do Ger&ecirc;s, Ricardo Jorge empobreceu, enquanto ia enriquecendo a bibliografia hidrol&oacute;gica portuguesa com trabalhos do mais alto valor cient&iacute;fico"<sup><a id="footnote-6322-63-backlink" href="#footnote-6322-63">63</a></sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" width="30%" align="left">     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>(*)</sup> Este artigo serviu de base &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o: Hidroterapia e empreendedorismo m&eacute;dico - o "feiti&ccedil;o h&iacute;drico" de Ricardo Jorge, apresentada no IV Encontro do CITCEM "Cruzar Fronteiras: Ligar as Margens da Hist&oacute;ria Ambiental", organizado pelo CITCEM (Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o Transdisciplinar Cultura, Espa&ccedil;o e Mem&oacute;ria), que decorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto de 5 a 7 de novembro de 2015.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-1" href="#footnote-6322-1-backlink">1</a></sup>. Rodr&iacute;guez S&aacute;nchez, Juan Antonio. Institucionalizaci&oacute;n de la Hidrolog&iacute;a M&eacute;dica en Espa&ntilde;a. Balnea. 2006; 1: 25-40;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767089&pid=S0211-9536201700010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Weisz, George. Spas, mineral waters and hydrological science in twentieth-century France. Isis. 2001; 92 (3): 451-83;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767090&pid=S0211-9536201700010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Weisz, George. The medical mandarins: the French Academy of Medicine in the nineteenth and early twentieth centuries. New York: Oxford University Press, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767091&pid=S0211-9536201700010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-2" href="#footnote-6322-2-backlink">2</a></sup>. Larrinaga, Carlos. Termalismo y turismo en la Espa&ntilde;a del siglo XIX. In: Barciela, Carlos; Manera, Carles; Molina, Ramon; Di Vittorio, Antonio, eds. La evoluci&oacute;n de la industria tur&iacute;stica en Espa&ntilde;a e Italia. Palma de Mallorca: Institut Balear d'Economia, 2011, p. 569-608;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767093&pid=S0211-9536201700010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Naraindas, Harish; Bastos, Cristiana. Healing holidays? Itinerant patients, therapeutic locales and the quest for health. Anthropology &amp; Medicine. 2011; 18 (1): 1-6;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767094&pid=S0211-9536201700010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Jarrass&eacute;, Dominique. La importancia del termalismo en el nacimiento y desarrollo del turismo en Europa en el siglo XIX. Historia Contempor&aacute;nea. 2002; 25: 33-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767095&pid=S0211-9536201700010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-3" href="#footnote-6322-3-backlink">3</a></sup>. Matos, Ant&oacute;nio Perestrelo de. Ricardo Jorge e a sua incurs&atilde;o na medicina hidrol&oacute;gica. In: Amaral, Isabel, et al. coord. Percursos da Sa&uacute;de P&uacute;blica nos s&eacute;culos XIX e XX - a prop&oacute;sito de Ricardo Jorge. Lisboa: CELOM; 2010, p. 76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767097&pid=S0211-9536201700010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-4" href="#footnote-6322-4-backlink">4</a></sup>. Acciaiuoli, Luiz. &Aacute;guas de Portugal: Hist&oacute;ria e Bibliografia. Lisboa: Editora M&eacute;dica; 1944;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767099&pid=S0211-9536201700010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Narciso, Armando. L'Histoire d&ecirc;s thermes, Le Portugal Hydrologique et Climatique. Lisboa: Ind&uacute;strias Gr&aacute;ficas; 1930-1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767100&pid=S0211-9536201700010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-5" href="#footnote-6322-5-backlink">5</a></sup>. Esteves, Alexandra. Lugares de cura e de lazer: praias e termas do norte de Portugal entre os finais do s&eacute;culo XIX e o dealbar de novecentos. In: Ara&uacute;jo, Maria Marta, et al., coords. Sociabilidades na vida e na morte (S&eacute;culos XVIII-XX). Braga: CITCEM/FCT, 2014, p. 295-316;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767102&pid=S0211-9536201700010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Cantista, Ant&oacute;nio. O termalismo em Portugal. Anales de Hidrologia Medica. 2008-2010; 3: 79-107;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767103&pid=S0211-9536201700010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Bastos, Cristiana. Banhos de princesas e de l&aacute;zaros: termalismo e estratifica&ccedil;&atilde;o social. Anu&aacute;rio Antropol&oacute;gico 2010/II, Dezembro 2011: 107-126;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767104&pid=S0211-9536201700010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Quintela, Maria Manuel. Banhos que Curam: Pr&aacute;ticas Termais em Portugal e no Brasil. Etnogr&aacute;fica. 2003; 7 (1): 171-185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767105&pid=S0211-9536201700010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-6" href="#footnote-6322-6-backlink">6</a></sup>. Suay-Matallana, Ignacio. Expertos, qu&iacute;mica y medicina: Antonio Casares (1812-1888), Jos&eacute; Salgado (1811-1890) y la controversia en torno al an&aacute;lisis de las aguas del balneario de Carratraca. Dynamis. 2016; 36 (2): 419-441;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767107&pid=S0211-9536201700010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Walton, John K. The history of British spa resorts: an exceptional case in Europe? Tst. Transportes, Servicios y Telecomunicaciones. 2011; 20: 138-157;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767108&pid=S0211-9536201700010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Rodr&iacute;guez S&aacute;nchez, Juan Antonio. Agua que a&uacute;n mueve molino: aproximaci&oacute;n a la historia balnearia. Anales de Hidrolog&iacute;a M&eacute;dica. 2007; 2: 9-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767109&pid=S0211-9536201700010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-7" href="#footnote-6322-7-backlink">7</a></sup>. Porter, Roy, ed. The medical history of waters and spas. Medical History. Supplement 10. London: Wellcome Institute for the History of Medicine, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767111&pid=S0211-9536201700010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-8" href="#footnote-6322-8-backlink">8</a></sup>. Costa, Rui Manuel Pinto. Sob o olhar da constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria: Ricardo Jorge na tribuna da hist&oacute;ria. CEM. Cultura, Espa&ccedil;o &amp; Mem&oacute;ria. 2014; 5: 261-274;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767113&pid=S0211-9536201700010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Nunes, Maria de F&aacute;tima. Ricardo Jorge and the construction of a medical-sanitary public discourse. Portugal and International scientific networks. In: Porras Gallo, Maria-Isabel; Ryan, Davies A. The Spanish Influenza Pandemic of 1918-1919-Perspectives from the Iberian Peninsula and the Americas. Rochester: University of Rochester Press; 2014, p. 56-71;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767114&pid=S0211-9536201700010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Amaral, Isabel, et al., coord. Percursos da Sa&uacute;de P&uacute;blica nos s&eacute;culos XIX e XX-a prop&oacute;sito de Ricardo Jorge. Lisboa: CELOM; 2010;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767115&pid=S0211-9536201700010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Correia, Fernando da Silva. A vida, a obra, o estilo, as li&ccedil;&otilde;es e o prest&iacute;gio de Ricardo Jorge. Lisboa: Edi&ccedil;&atilde;o do Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge; 1960.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767116&pid=S0211-9536201700010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-9" href="#footnote-6322-9-backlink">9</a></sup>. Ferreira, Claudino. Os usos sociais do termalismo. Pr&aacute;ticas, representa&ccedil;&otilde;es e identidades sociais dos frequentadores das termas da Curia. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Coimbra: Faculdade de Economia de Coimbra; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767118&pid=S0211-9536201700010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-10" href="#footnote-6322-10-backlink">10</a></sup>. Jarrass&eacute;, n. 2.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-11" href="#footnote-6322-11-backlink">11</a></sup>. Pacheco, Joaquim Antonio, ed. Almanach da sa&uacute;de: contendo a indica&ccedil;&atilde;o do que deve fazer-se, antes da vinda do m&eacute;dico, nos casos urgentes, e a noticia de todas as aguas mineraes portuguezas aproveitaveis no tratamento das doen&ccedil;as. Lisboa: Livraria Catholica; 1889.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767121&pid=S0211-9536201700010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-12" href="#footnote-6322-12-backlink">12</a></sup>. N&atilde;o confundir com o tio materno de Ricardo Jorge, pai e hom&oacute;nimo de Miguel Couto dos Santos.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-13" href="#footnote-6322-13-backlink">13</a></sup>. Rodr&iacute;guez-S&aacute;nchez, Juan Antonio. Una alternativa restringida: la introducci&oacute;n de la hidropat&iacute;a en Espa&ntilde;a. In: Arquiola, Elvira; Mart&iacute;nez-P&eacute;rez, Jos&eacute;, eds. Ciencia en expansi&oacute;n: Estudios sobre la difusi&oacute;n de las ideas cient&iacute;ficas y m&eacute;dicas en Espa&ntilde;a (Siglos XVIII-XX). Madrid: Editorial Complutense; 1995, p. 321-349.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767124&pid=S0211-9536201700010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-14" href="#footnote-6322-14-backlink">14</a></sup>. Ortig&atilde;o, Ramalho. Banhos de caldas e &aacute;guas minerais. Ilustrado por Em&iacute;dio Pimentel. Introdu&ccedil;&atilde;o de J&uacute;lio C&eacute;sar Machado. Porto: Livraria Universal de Magalh&atilde;es &amp; Moniz; 1875.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767126&pid=S0211-9536201700010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-15" href="#footnote-6322-15-backlink">15</a></sup>. Esteves, Alexandra. Praias, Termas e caldas do norte de Portugal no s&eacute;culo XIX: Espa&ccedil;os de cura e de lazer. In: Folguera, Pilar, et. al. ed. Pensar con la Historia desde el siglo XXI. Actas del XII Congreso de la Asociaci&oacute;n de Historia Contempor&aacute;nea. Madrid: Ediciones de la Universidad Aut&oacute;noma de Madrid; 2015, p. 279-289.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767128&pid=S0211-9536201700010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-16" href="#footnote-6322-16-backlink">16</a></sup>. Carvalho, Tomaz de; Azevedo, Jo&atilde;o Baptista Schiappa; Corvo, Jo&atilde;o de Andrade; Louren&ccedil;o, Agostinho Vicente. Trabalhos preparat&oacute;rios acerca das &Aacute;guas Minerais do Reino e provid&ecirc;ncias do Governo sobre proposta da Comiss&atilde;o respectiva. Lisboa: Imprensa Nacional; 1867.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767130&pid=S0211-9536201700010000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-17" href="#footnote-6322-17-backlink">17</a></sup>. Gomes, Bernardino Ant&oacute;nio; Rodrigues, Jos&eacute; J&uacute;lio. Breve not&iacute;cia sobre a composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica e propriedades terap&ecirc;uticas das &aacute;guas minerais das Pedras Salgadas. Coimbra: Imprensa Liter&aacute;ria; 1871.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767132&pid=S0211-9536201700010000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-18" href="#footnote-6322-18-backlink">18</a></sup>. Leonardo, Ant&oacute;nio; Martins, D&eacute;cio; Fiolhais, Carlos. O Instituto de Coimbra e a an&aacute;lise qu&iacute;mica de &aacute;guas minerais em Portugal na segunda metade do s&eacute;culo XIX. Qu&iacute;mica Nova. 2011; 34 (6): 1094-1105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767134&pid=S0211-9536201700010000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-19" href="#footnote-6322-19-backlink">19</a></sup>. H&aacute; que distinguir aqui a hidrologia da hidrologia m&eacute;dica. A hidrologia &eacute; a ci&ecirc;ncia que estuda as &aacute;guas em geral, em todas as suas formas e manifesta&ccedil;&otilde;es na superf&iacute;cie da Terra, seja na atmosfera, nas nuvens, nos mares, nos rios, nos subsolos ou nas fontes, ao passo que a hidrologia m&eacute;dica deve ser entendida como a disciplina que estuda as &aacute;guas minerais, e que se refere ao tratamento feito por meio das &aacute;guas em geral, apresentando tr&ecirc;s divis&otilde;es: hidroterapia, crenoterapia e talassoterapia. No decorrer deste trabalho sempre que nos referimos &agrave; hidrologia apontamos sempre para a hidrologia m&eacute;dica. Weisz, n. 1, p. 137-158.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-20" href="#footnote-6322-20-backlink">20</a></sup>. Duarte, Jos&eacute; A. Hidrologia M&eacute;dica. Generalidades sobre &Aacute;guas Termais. Disserta&ccedil;&atilde;o inaugural apresentada &agrave; Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto. Porto: Tip. de Pereira e Cunha; 1894, p. 85-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767137&pid=S0211-9536201700010000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-21" href="#footnote-6322-21-backlink">21</a></sup>. Mota, Ant&oacute;nio Ferreira Pinto da. As Caldas de S. Jorge. Disserta&ccedil;&atilde;o inaugural apresentada &agrave; Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto. Porto: Tip. de Artur Jos&eacute; de Sousa e Irm&atilde;o; 1890, p. 73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767139&pid=S0211-9536201700010000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-22" href="#footnote-6322-22-backlink">22</a></sup>. Jorge, Ricardo. Caldas do Ger&ecirc;s. Guia termal. Porto: Tip. da Casa editora Alcino Aranha; 1891, p. 74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767141&pid=S0211-9536201700010000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-23" href="#footnote-6322-23-backlink">23</a></sup>. Veja-se o caso de Francisco Tavares (1750-1812), fundador dos estudos cient&iacute;ficos da hidrologia em Portugal, que lecionava o uso das &aacute;guas mineromedicinais inseridas na disciplina de Mat&eacute;ria M&eacute;dica.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-24" href="#footnote-6322-24-backlink">24</a></sup>. Veja-se Costa, Rui Manuel Pinto; Vieira, Ismael Cerqueira. O trabalho acad&eacute;mico como fonte hist&oacute;rica: as teses inaugurais da Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto (1827-1910). CEM. Cultura, Espa&ccedil;o &amp; Mem&oacute;ria. 2012; (3): 251-260.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767144&pid=S0211-9536201700010000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-25" href="#footnote-6322-25-backlink">25</a></sup>. Para uma sinopse destas indica&ccedil;&otilde;es, veja-se Duarte, n. 20, p. 66-81.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-26" href="#footnote-6322-26-backlink">26</a></sup>. Faria, Armindo Freitas Ribeiro de. Vizela e suas &aacute;guas minerais. Disserta&ccedil;&atilde;o inaugural apresentada &agrave; Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto. Porto: Tip. de A. J. da Silva Teixeira; 1890, p. iii.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767147&pid=S0211-9536201700010000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> (It&aacute;lico do original).</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-27" href="#footnote-6322-27-backlink">27</a></sup>. Almeida, Eduardo Paulino Torres e. Hidroterapia. Suas indica&ccedil;&otilde;es no tratamento das nevroses. Disserta&ccedil;&atilde;o inaugural apresentada &agrave; Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto. Porto: Tip. Ocidental; 1885, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767149&pid=S0211-9536201700010000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-28" href="#footnote-6322-28-backlink">28</a></sup>. Torres, Leonardo. &Aacute;gua Medicinal do Ger&ecirc;s. (Manuscrito). 1884. Biblioteca Nacional de Portugal. Esp. E18/Cx. 37.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-29" href="#footnote-6322-29-backlink">29</a></sup>. Lemos, Maximiano de. Hist&oacute;ria do Ensino M&eacute;dico no Porto. Porto: Tip. A vapor da "Enciclop&eacute;dia Portuguesa"; 1925, p. 150.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767152&pid=S0211-9536201700010000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-30" href="#footnote-6322-30-backlink">30</a></sup>. Jorge, Ricardo. O Ger&ecirc;s Termal. Hist&oacute;ria, Hidrologia, Medicina. Porto: Tip. Ocidental; 1888, p. 94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767154&pid=S0211-9536201700010000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-31" href="#footnote-6322-31-backlink">31</a></sup>. Em 1891 Ricardo Jorge colocou em compara&ccedil;&atilde;o os resultados obtidos por ambos em Jorge, n. 22, p. 31, 34.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-32" href="#footnote-6322-32-backlink">32</a></sup>. Jorge, Ricardo. Trabalhos experimentais sobre os fluoretos alcalinos. A Medicina Contempor&acirc;nea. 1886; 5 (31): 259-260,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767157&pid=S0211-9536201700010000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> tamb&eacute;m publicado como ap&ecirc;ndice intitulado "Trabalhos Experimentais e Cl&iacute;nicos sobre os Fluoretos Alcalinos" em Jorge, n. 30, p. 161-163.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-33" href="#footnote-6322-33-backlink">33</a></sup>. Jorge, n. 30, p. 163.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-34" href="#footnote-6322-34-backlink">34</a></sup>. Di&aacute;rio da C&acirc;mara dos Senhores Deputados. Legislatura 26. Sess&atilde;o 3. N<sup>o</sup> 83 (22-06-1889), p. 1334.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767160&pid=S0211-9536201700010000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-35" href="#footnote-6322-35-backlink">35</a></sup>. Celestino Maia foi m&eacute;dico e director cl&iacute;nico das Caldas do Ger&ecirc;s a partir de 1893, precisamente no ano em que a Companhia das Caldas do Ger&ecirc;s detida em parte por Ricardo Jorge abriu fal&ecirc;ncia. Maia, Celestino. No centen&aacute;rio de Ricardo Jorge. Ricardo Jorge Geresista. Porto: (s.n); 1959.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-36" href="#footnote-6322-36-backlink">36</a></sup>. Di&aacute;rio da C&acirc;mara dos Senhores Deputados. Legislatura 26. Sess&atilde;o 3. N.<sup>o</sup> 83 (22-06-1889), p. 1334.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-37" href="#footnote-6322-37-backlink">37</a></sup>. Di&aacute;rio da C&acirc;mara dos Senhores Deputados. Legislatura 26. Sess&atilde;o 3. N<sup>o</sup> 93 (05-07-1889), p. 1549.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767164&pid=S0211-9536201700010000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-38" href="#footnote-6322-38-backlink">38</a></sup>. Jorge, n. 22, p. v.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-39" href="#footnote-6322-39-backlink">39</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 187-188.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-40" href="#footnote-6322-40-backlink">40</a></sup>. Maia, n. 35, p. 20.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-41" href="#footnote-6322-41-backlink">41</a></sup>. "N&atilde;o foi alterado, nem sofreu o mais insignificante melhoramento (...) Os concession&aacute;rios limitaram-se a canalizar a &aacute;gua da Fonte para o primeiro pavimento do Hotel Universal (...). Os banhos s&atilde;o dados em nove banheiras de zinco, havendo um &uacute;nico aparelho de duche (...) o engarrafamento da &aacute;gua para exporta&ccedil;&atilde;o, continua a ser feito na rua". Cit. in Acciaiuoli, Lu&iacute;s de Meneses. &Aacute;guas de Portugal. Minerais e de Mesa. Hist&oacute;ria e Bibliografia. Vol. III. Lisboa: Minist&eacute;rio da Economia. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Minas e Servi&ccedil;os Geol&oacute;gicos; Soc. Tipogr&aacute;fica; 1944, p. 134.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767169&pid=S0211-9536201700010000700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-42" href="#footnote-6322-42-backlink">42</a></sup>. Veja-se a descri&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio projectado em Jorge, n. 22, p. 200-201.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-43" href="#footnote-6322-43-backlink">43</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 199-200.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-44" href="#footnote-6322-44-backlink">44</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 18.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-45" href="#footnote-6322-45-backlink">45</a></sup>. Lopes, Alfredo Luis. &Aacute;guas minero-medicinais de Portugal. Lisboa: Tip. da Academia Real das Ci&ecirc;ncias; 1892, p. 259.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767174&pid=S0211-9536201700010000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-46" href="#footnote-6322-46-backlink">46</a></sup>. Matos, Ant&oacute;nio Perestrelo de. Ricardo Jorge e a sua incurs&atilde;o na medicina hidrol&oacute;gica. In: Amaral, Isabel, et al. coord. Percursos da Sa&uacute;de <i>P&uacute;blica nos</i> s&eacute;culos XIX e XX-a prop&oacute;sito de Ricardo Jorge. Lisboa: CELOM; 2010, p. 76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767176&pid=S0211-9536201700010000700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-47" href="#footnote-6322-47-backlink">47</a></sup>. Jorge, Ricardo. Em verdade. Cartas publicadas no jornal "Republica" de 21 de Junho a 1 de Julho. Lisboa: Tip. Adolfo de Mendon&ccedil;a; 1911.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-48" href="#footnote-6322-48-backlink">48</a></sup>. Jorge, n. 47, p. 48-50.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-49" href="#footnote-6322-49-backlink">49</a></sup>. "N&atilde;o p&ocirc;de essa Companhia com os encargos a que se tinha comprometido, em virtude de dificuldades monet&aacute;rias, at&eacute; que em 1896 se fundou a actual Empresa, que p&ocirc;s a est&acirc;ncia &agrave; altura das suas cong&eacute;neres de primeira ordem". Santos, Fernando. Subs&iacute;dios para o estudo das &aacute;guas termais e pot&aacute;veis do Ger&ecirc;s. A s&iacute;lica e o fluor das &aacute;guas minerais. Disserta&ccedil;&atilde;o inaugural apresentada &agrave; Escola M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Porto. Porto: Oficinas do "Com&eacute;rcio do Porto"; 1903, p. 45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767180&pid=S0211-9536201700010000700044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-50" href="#footnote-6322-50-backlink">50</a></sup>. Reis, Andreia. A circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. An&aacute;lise da revista "A Medicina Moderna". Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea. Porto: FLUP; 2009, p. 69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767182&pid=S0211-9536201700010000700045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-51" href="#footnote-6322-51-backlink">51</a></sup>. Silva, A. J. Ferreira da. Mem&oacute;ria e estudo qu&iacute;mico sobre as &aacute;guas minerais e pot&aacute;veis de Moledo. Porto: Tip. de Artur Jos&eacute; de Sousa &amp; Irm&atilde;o, 1895;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767184&pid=S0211-9536201700010000700046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Silva, A. J. Ferreira da. As &aacute;guas minerais das Caldas da Sa&uacute;de nas proximidades de Santo Tirso. Porto: Tip. a vapor da Empresa Guedes; 1899.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767185&pid=S0211-9536201700010000700047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-52" href="#footnote-6322-52-backlink">52</a></sup>. Maia, n. 35, p. 21.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-53" href="#footnote-6322-53-backlink">53</a></sup>. Jorge, Ricardo. Mol&eacute;stias do f&iacute;gado. Lit&iacute;ase biliar. C&aacute;lculos biliares. C&oacute;licas hep&aacute;ticas. (s.l.): (s.n), (s.d); p. 1 (vers&atilde;o impressa existente na Biblioteca Nacional de Portugal. Esp. E18/Cx. 37). Veja-se tamb&eacute;m Jorge, Ricardo. Estudo sobre a lit&iacute;ase biliar. Cl&iacute;nica Termal do Ger&ecirc;s. A Medicina Contempor&acirc;nea. 1890; 8 (18): 137-138; (19): 145-148.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767188&pid=S0211-9536201700010000700048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-54" href="#footnote-6322-54-backlink">54</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 201-202.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-55" href="#footnote-6322-55-backlink">55</a></sup>. Jorge, n. 22, p. vi.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-56" href="#footnote-6322-56-backlink">56</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 249.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-57" href="#footnote-6322-57-backlink">57</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 138.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-58" href="#footnote-6322-58-backlink">58</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 151-153.</font></p>    <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-59" href="#footnote-6322-59-backlink">59</a></sup>. Jorge, n. 22, p. 181.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-60" href="#footnote-6322-60-backlink">60</a></sup>. Magro, Cerqueira. Curas de diurese e &Aacute;gua do Seixoso. Portugal M&eacute;dico. 1935; 5: 250-252.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767196&pid=S0211-9536201700010000700049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-61" href="#footnote-6322-61-backlink">61</a></sup>. Jorge, Ricardo. Nouvelle m&eacute;thode de classification des eaux min&eacute;rales. Compte Rendu de la 22<sup>me</sup> session. Seconde partie. Notes et extraits. Congr&egrave;s de Besan&ccedil;on 1893. Paris: Association Fran&ccedil;aise pour l'avancement des sciences; 1893, p. 824-826.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767198&pid=S0211-9536201700010000700050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-62" href="#footnote-6322-62-backlink">62</a></sup>. Jorge, Ricardo. Ueber einer neuen Wasservibrio. Centralblatt f&uuml;r Bakteriologie, Parasitenkunde und Infectionskrankheiten. Erste Abtheilung. 1896; 19 (8): 277-281.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767200&pid=S0211-9536201700010000700051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><sup><a id="footnote-6322-63" href="#footnote-6322-63-backlink">63</a></sup>. Narciso, Armando. Prof. Ricardo Jorge. Cl&iacute;nica, Higiene e Hidrologia. 1939; 5 (8): 429.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767202&pid=S0211-9536201700010000700052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 25 de marzo de 2016    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 21 de septiembre de 2016</font></p>      ]]></body><back>
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