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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relações Humanas e Privacidade na Internet: implicações Bioéticas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Internet has influenced and changed human relationships, raising bioethical questions, among which the exposure of privacy. This article aims to analyze the bioethical implications of human relations and the privacity on the internet. This is a critical review based on literature found in electronic databases Capes’ Journals Website, SciELO, Bireme, and Google Scholar. In the analysis, it was possible to perceive the interface between human relations, the privacy and the bioethics, and the positive and negative bioethical implications of the human relations and of the privacy on the Internet. Thus, it constitutes a challenge maintaining and increasing quality of benefits and services of the Internet with a consequent reduction of the exposure risks of privacy. It becomes necessary to establish educational campaigns aimed at raising awareness of the benefits and risks of the Internet and the importance of its use in guided bioethical principles that should guide all human relationships.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="2"><b>ARTÍCULO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Rela&ccedil;&otilde;es Humanas e Privacidade na Internet: implica&ccedil;&otilde;es Bio&eacute;ticas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Human Relationships and Internet Privacy: bioethical implications</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Adriana Silva Barbosa<sup>1</sup>, M&aacute;rcio Roger Ferrari<sup>2</sup>, Rita Narriman Silva de Oliveira Boery<sup>3</sup> y Douglas Leonardo Gomes Filho<sup>4</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Bi&oacute;loga, especialista em Metodologia do Ensino Superior pelas Faculdades Integradas de Jequi&eacute; (FIJ), mestre em Enfermagem e Sa&uacute;de pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), analista universit&aacute;ria da UESB, secret&aacute;ria do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa (CEP) da UESB. <a href="mailto:drybarbosa@yahoo.com.br">drybarbosa@yahoo.com.br</a>    <br><sup>2</sup>Analista de Sistemas formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Indaiatuba, S&atilde;o Paulo, Brasil. <a href="mailto:mrogerf@gmail.com">mrogerf@gmail.com</a>    <br><sup>3</sup>Enfermeira, professora titular do Departamento de Sa&uacute;de da UESB, doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), p&oacute;s-doutoranda em Bio&eacute;tica pela Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, professora do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (mestrado) em Enfermagem e Sa&uacute;de, membro suplente do CEP /UESB, Jequi&eacute;, Bahia, Brasil. <a href="mailto:rboery@gmail.com">rboery@gmail.com</a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br><sup>4</sup>Fil&oacute;sofo, odont&oacute;logo, mestre em Odontologia Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), professor assistente do Departamento de Sa&uacute;de da Uesb, membro efetivo do CEP/UESB, Jequi&eacute;, Bahia, Brasil e membro efetivo da Comiss&atilde;o Nacional de &Eacute;tica em Pesquisa (CONEP). <a href="mailto:dlgfilho@uol.com.br">dlgfilho@uol.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A internet tem influenciado e alterado as rela&ccedil;&otilde;es humanas, suscitando quest&otilde;es bio&eacute;ticas, dentre as quais a exposi&ccedil;&atilde;o da privacidade. Este artigo teve como objetivo analisar as implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet. Trata-se de uma revis&atilde;o cr&iacute;tica da literatura realizada a partir de levantamento bibliogr&aacute;fico nas bases eletr&ocirc;nicas de dados Portal Capes, SciELO, Bireme e Google Acad&ecirc;mico. Na an&aacute;lise realizada, foi poss&iacute;vel perceber a interface entre as rela&ccedil;&otilde;es humanas, a privacidade e a bio&eacute;tica, bem como a exist&ecirc;ncia de implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas positivas e negativas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet. Assim, constitui-se um desafio a manuten&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o com qualidade dos benef&iacute;cios e servi&ccedil;os da internet com a consequente redu&ccedil;&atilde;o dos riscos de exposi&ccedil;&atilde;o da privacidade. Para tanto, torna-se necess&aacute;rio o estabelecimento de campanhas educativas que visem conscientizar as pessoas dos benef&iacute;cios e riscos da internet e da import&acirc;ncia de seu uso pautado nos princ&iacute;pios bio&eacute;ticos que devem nortear todas as rela&ccedil;&otilde;es humanas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> rela&ccedil;&otilde;es interpessoais; privacidade; internet; web; bio&eacute;tica; &eacute;tica.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The Internet has influenced and changed human relationships, raising bioethical questions, among which the exposure of privacy. This article aims to analyze the bioethical implications of human relations and the privacity on the internet. This is a critical review based on literature found in electronic databases Capes&rsquo; Journals Website, SciELO, Bireme, and Google Scholar. In the analysis, it was possible to perceive the interface between human relations, the privacy and the bioethics, and the positive and negative bioethical implications of the human relations and of the privacy on the Internet. Thus, it constitutes a challenge maintaining and increasing quality of benefits and services of the Internet with a consequent reduction of the exposure risks of privacy. It becomes necessary to establish educational campaigns aimed at raising awareness of the benefits and risks of the Internet and the importance of its use in guided bioethical principles that should guide all human relationships.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> interpersonal relations; privacy; internet; web; bioethics; ethics.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo discute a influ&ecirc;ncia da Internet nas rela&ccedil;&otilde;es humanas, suscitando quest&otilde;es bio&eacute;ticas, dentre as quais a exposi&ccedil;&atilde;o da privacidade, o que pode proporcionar benef&iacute;cios e facilidades, mas tamb&eacute;m riscos. Pretende-se, assim, refletir sobre esta quest&atilde;o t&atilde;o presente em nossas vidas, como profissionais ou usu&aacute;rios, no desenvolvimento de atividades virtuais do cotidiano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir da d&eacute;cada de 1950 desencadeou-se um progressivo e avassalador desenvolvimento biotecnol&oacute;gico, engendrando-se as preocupa&ccedil;&otilde;es com a exist&ecirc;ncia humana e configurando o contexto hist&oacute;rico que culminou com a cria&ccedil;&atilde;o do neologismo bio&eacute;tica e o desenvolvimento desta nova ci&ecirc;ncia. Assim, o neologismo bio&eacute;tica foi criado em 1971 pelo bi&oacute;logo e oncologista Van Rensselaer Potter para designar uma &ldquo;&eacute;tica da sobreviv&ecirc;ncia&rdquo; com sentido ecol&oacute;gico e global. Seis meses mais tarde, o m&eacute;dico Andre Hellegers empregou o termo bio&eacute;tica com sentido mais restrito, utilizando-o para designar a &ldquo;&eacute;tica das ci&ecirc;ncias da vida&rdquo;, considerando principalmente aspectos relacionados &agrave; sa&uacute;de humana (NEVES, 1996).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora, inicialmente, tenha prevalecido o conceito de bio&eacute;tica mais voltado para a sa&uacute;de (NEVES, 1996), no decorrer dos anos, a bio&eacute;tica desenvolveu-se vertiginosamente, adquirindo um car&aacute;ter transdisciplinar capaz de interrelacionar-se com todos os campos do desenvolvimento humano e cient&iacute;fico, conduzindo &agrave; reflex&atilde;o e convidando a um novo fazer e proceder humano mais &eacute;tico e racional, seja nas rela&ccedil;&otilde;es profissionais ou no conv&iacute;vio di&aacute;rio com outras pessoas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste sentido, Fortes (2011) lembra que a bio&eacute;tica constituiu-se um movimento em escala mundial de amplo campo doutrin&aacute;rio e abrang&ecirc;ncia ainda n&atilde;o definida. Nasce dos conflitos da transforma&ccedil;&atilde;o humana e seus valores numa tentativa de apreender e compreender o verdadeiro significado do novo e propiciar uma poss&iacute;vel adapta&ccedil;&atilde;o. As quest&otilde;es da bio&eacute;tica variam com o tempo e o contexto social vigente (COHEN, 2008). Para tanto, a bio&eacute;tica deve ser entendida nas rela&ccedil;&otilde;es humanas e percebida a partir da vis&atilde;o do ser humano diante do mundo; pois somente ele, com suas ang&uacute;stias frente &agrave;s suas pr&oacute;prias puls&otilde;es e &agrave;s exig&ecirc;ncias da realidade, cria os conflitos bio&eacute;ticos (COHEN, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Produto do desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico do s&eacute;culo XX, a Internet, tamb&eacute;m chamada de rede mundial de computadores, &eacute; bastante recente e j&aacute; adquiriu import&acirc;ncia imensur&aacute;vel em todos os campos da vida humana, inclusive no cotidiano e nas rela&ccedil;&otilde;es humanas. Todavia, esta rede teve origem militar, cient&iacute;fica e universit&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Marcelo (2001), a internet surgiu em 1969 a partir de um conjunto inicial de quatro computadores que, em dez anos, expandiu-se para uma rede de duzentos computadores para fins de pesquisa militar nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, crescendo lentamente nos anos seguintes. Contudo, a internet como a conhecemos na atualidade s&oacute; se tornou poss&iacute;vel a partir de 1989 quando Tim Berners Lee criou um projeto de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel mundial, um protocolo para a transfer&ecirc;ncia de arquivos HTTP (<i>Hypertext Transfer Protocol</i>) baseado em hipertexto (HTML - <i>Hypertext Markup Language</i>), criando assim a <i>Word Wide Web</i>, a qual permite o estabelecimento de hiperliga&ccedil;&otilde;es entre os documentos localizados em computadores ligados a uma rede de internet por meio do URL (<i>uniform resource locator</i>), fazendo com que texto, som e imagem de computadores remotos cheguem ao computador de qualquer pessoa desde que estejam conectados &agrave; rede.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na atualidade, devido ao seu vertiginoso desenvolvimento e expans&atilde;o, &agrave; rapidez de comunica&ccedil;&atilde;o e troca de informa&ccedil;&otilde;es que proporciona, &agrave; sua inser&ccedil;&atilde;o no cotidiano profissional e na vida particular das pessoas, a internet tem influenciado e alterado as rela&ccedil;&otilde;es humanas, suscitando quest&otilde;es bio&eacute;ticas, dentre as quais se encontra a quest&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o da privacidade. Neste sentido, elaborou-se a seguinte quest&atilde;o norteadora: quais as implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet? Assim, este artigo tem como objetivo analisar as implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet. Todavia, ressalta-se que n&atilde;o se pretendeu esgotar tema t&atilde;o amplo e complexo, mas apenas tecer uma breve reflex&atilde;o acerca da interrela&ccedil;&atilde;o existente entre eles.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. Metodologia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Trata-se de uma revis&atilde;o cr&iacute;tica da literatura, de car&aacute;ter qualitativo, realizada a partir de levantamento bibliogr&aacute;fico nas bases eletr&ocirc;nicas de dados do Portal Capes, Bireme - BVS (Biblioteca Virtual em Sa&uacute;de), SciELO (<i>Scientific Electronic Library On Line</i>) e Google Acad&ecirc;mico no per&iacute;odo de janeiro de 2012 a fevereiro de 2012 com o emprego das seguintes express&otilde;es-chave: conceito de alteridade; conceito de privacidade; bio&eacute;tica e rela&ccedil;&otilde;es humanas; privacidade na internet; privacidade e bio&eacute;tica; bio&eacute;tica e o direito &agrave; privacidade; rela&ccedil;&otilde;es humanas e internet; seguran&ccedil;a e internet.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foram coletados oitenta trabalhos, dos quais foram selecionados trinta e um para compor a base bibliogr&aacute;fica deste estudo por se mostrarem mais adequados ao seu escopo. Para realizar tal sele&ccedil;&atilde;o, efetuou-se a leitura pr&eacute;via do resumo dos trabalhos coletados para verifica&ccedil;&atilde;o do atendimento aos seguintes crit&eacute;rios: 1) trazer aspectos que contribuam para a compreens&atilde;o da interrela&ccedil;&atilde;o bio&eacute;tica-rela&ccedil;&otilde;es humanas; 2) relacionar bio&eacute;tica e privacidade; 3) abordar a privacidade na internet; 4) trazer aspectos que permitam compreender as rela&ccedil;&otilde;es humanas na internet e sua interface com as quest&otilde;es relacionadas &agrave; privacidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desse modo, foi poss&iacute;vel agrupar os trabalhos em dois eixos tem&aacute;ticos: rela&ccedil;&otilde;es humanas, privacidade e sua interface com a Bio&eacute;tica; Implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet, este &uacute;ltimo subdividido em: Internet, rela&ccedil;&otilde;es humanas e privacidade: implica&ccedil;&otilde;es positivas; Internet, rela&ccedil;&otilde;es humanas e privacidade: implica&ccedil;&otilde;es negativas; Rela&ccedil;&otilde;es humanas e prote&ccedil;&atilde;o da privacidade na internet.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Devido &agrave; complexidade e a atualidade do tema, n&atilde;o se delimitou tempo, todavia todos os artigos empregados na elabora&ccedil;&atilde;o deste trabalho foram publicados entre os anos de 1996 e 2011, exceto o artigo cl&aacute;ssico de Warren e Brandeis (1890) sobre o conceito de privacidade. Al&eacute;m disso, utilizou-se tamb&eacute;m livros, disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado, teses de doutorado e documentos como a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos do Homem, a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil e o Projeto de Lei n.&ordm; 84/1999.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante lembrar que este artigo foi elaborado considerando o contexto do marco constitucional brasileiro. Visando dispor sobre os crimes cometidos na &aacute;rea de inform&aacute;tica e suas penalidades, o Projeto de Lei n.&ordm; 84/1999 foi elaborado num contexto social em que os crimes relacionados &agrave; internet come&ccedil;aram a se tornar mais frequentes e preocupar a opini&atilde;o p&uacute;blica e as autoridades brasileiras; todavia, como ser&aacute; visto no artigo, este projeto de lei ainda n&atilde;o foi aprovado pelo legislativo e tem gerado discuss&atilde;o quanto ao teor de seus artigos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. Rela&ccedil;&otilde;es humanas, privacidade e sua interface com a Bio&eacute;tica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O ser humano n&atilde;o nasce &eacute;tico, nem competente para desempenhar suas fun&ccedil;&otilde;es sociais. Tais aspectos s&atilde;o incorporados no decorrer de seu processo de humaniza&ccedil;&atilde;o que ocorre no seio familiar, por meio da elabora&ccedil;&atilde;o do pacto ed&iacute;pico<a href="#_ftn102" name= "_ftnref2">[1]</a> (COHEN; GOBBETTI, 2004), e no conv&iacute;vio com as outras pessoas de seu c&iacute;rculo social, o que significa que o ser humano pode ser entendido como abertura, rela&ccedil;&atilde;o, comunicabilidade e, portanto, o fundamento preliminar da alteridade (CORREIA, 1993).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste sentido, a &eacute;tica pode ser considerada anterior aos gregos, uma vez que os primeiros ancestrais humanos relacionavam-se entre si e que, antes da cria&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos, j&aacute; existiam leis para regulamentar o comportamento humano (COHEN; GOBBETTI, 2004). Todavia, somente a partir das ideias de Hegel, os fil&oacute;sofos come&ccedil;aram a considerar o ser humano nas rela&ccedil;&otilde;es humanas e a no&ccedil;&atilde;o de reciprocidade como elemento fundamental na forma&ccedil;&atilde;o do ser humano social e &eacute;tico e na percep&ccedil;&atilde;o do outro como constituinte do eu (SADALA, 1999). Alteridade significa ser outro, encontro com o outro, realidade dos outros, reconhecimento do outro (CORREIA, 1993), reportando-se, portanto, &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es humanas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, Merleau Ponty lembra que o ser humano n&atilde;o existe como consci&ecirc;ncia fechada em si mesmo, ou seja, o ser humano &eacute; o ser no mundo das rela&ccedil;&otilde;es, um ser-situa&ccedil;&atilde;o num mundo inacabado e em permanente transforma&ccedil;&atilde;o, cujos vazios s&atilde;o preenchidos pelas rela&ccedil;&otilde;es humanas numa constante tens&atilde;o ser humano-mundo, no movimento incans&aacute;vel das infind&aacute;veis transforma&ccedil;&otilde;es (SADALA, 1999).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O ser humano &eacute; biopsicossocial, ou seja, um ser dialogal, um ser-rela&ccedil;&atilde;o que precisa da reciprocidade da experi&ecirc;ncia dialogal:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Na experi&ecirc;ncia do di&aacute;logo, constitui-se um terreno comum entre outrem e mim, meu pensamento e o seu formam um s&oacute; tecido, meus ditos e aqueles do interlocutor s&atilde;o reclamados pelo estado da discuss&atilde;o, eles se inserem em uma opera&ccedil;&atilde;o comum da qual nenhum de n&oacute;s &eacute; o criador. (...) n&oacute;s somos, um para o outro, colaboradores em uma reciprocidade perfeita (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 475)</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar disso, o mesmo autor lembra que as pessoas s&atilde;o limitadas a um certo ponto de vista sobre o mundo e que a liberdade nunca &eacute; incondicional, pois a compreens&atilde;o do outro gera sempre um problema indeterminado. Isso devido ao fato de que a percep&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos humanos e do outro apresentam falhas por suporem a retomada do exterior no interior e do interior no exterior. Assim, apesar de existirem signos que permitem exteriorizar nossos pensamentos, estes n&atilde;o realizam uma verdadeira comunica&ccedil;&atilde;o, uma vez que induzem seu sentido no exterior. A percep&ccedil;&atilde;o humana &eacute; incompleta e a perspectiva adotada resulta da pr&oacute;pria necessidade humana, dependendo essencialmente de suas caracter&iacute;sticas biopsicossociais e do contexto hist&oacute;rico em se que vive.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A incompletude da percep&ccedil;&atilde;o humana e o seu contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico podem propiciar diferentes formas de interpretar as situa&ccedil;&otilde;es e, at&eacute; mesmo, os dilemas que conduzem o ser humano a reflex&otilde;es &eacute;ticas e bio&eacute;ticas. Isso significa que a amplitude da &eacute;tica e da bio&eacute;tica e o seu car&aacute;ter transdisciplinar perpassam todos os campos do agir humano, o que nos leva a acreditar que pensar o agir humano e suas rela&ccedil;&otilde;es com os outros envolve uma profunda e complexa reflex&atilde;o &eacute;tica. Neste sentido, de acordo com Correia (1993), o ser humano &eacute;, ao mesmo tempo, o sujeito, objeto, fundamento, eixo, lugar e converg&ecirc;ncia da &eacute;tica, de modo que esta &eacute; fundamentada a partir da exist&ecirc;ncia humana. Percebe-se ent&atilde;o que a bio&eacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es surge no confronto e no reconhecimento do outro; pois a autonomia, um dos princ&iacute;pios da bio&eacute;tica s&oacute; pode ser pensada na rela&ccedil;&atilde;o com o outro e o limite de nossa liberdade configura-se no contexto de nossas rela&ccedil;&otilde;es com o mundo (COHEN; GOBBETTI, 2004).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de ser essencialmente social e encontrar-se em constante rela&ccedil;&atilde;o com o mundo, devido &agrave; sua complexidade, o ser humano tamb&eacute;m necessita de privacidade; embora seu conceito e a forma como &eacute; vivenciada variem entre as culturas (OKIN, 2008). Este aspecto permite depreender que a ideia de privacidade n&atilde;o &eacute; recente, remontando ao pensamento de fil&oacute;sofos como Thomas Hobbes, John Locke, Robert Price e John Stuart Mill (NOJIRI, 2005). Todavia, sua tutela jur&iacute;dica iniciou-se no s&eacute;culo XIX quando ocorreu uma mudan&ccedil;a da percep&ccedil;&atilde;o humana sobre o ordenamento social e a privacidade deixou de ser considerada um sentimento subjetivo para ser encarada como um direito humano (DONEDA, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste cen&aacute;rio, um dos primeiros conceitos de privacidade expressos na literatura &eacute; o de Warren e Brandeis (1890), que a definem como o direito de ser deixado s&oacute;. Mais de um s&eacute;culo depois, a privacidade &eacute; considerada como um aspecto imprescind&iacute;vel ao desenvolvimento da personalidade humana e &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o da pessoa, sendo considerada importante para as sociedades democr&aacute;ticas ao ser tomada como um pr&eacute;-requisito para o gozo de diversas liberdades fundamentais (DONEDA, 2006). Portanto, a privacidade tem sido conceituada de v&aacute;rias formas e, devido &agrave; configura&ccedil;&atilde;o do mundo atual, adquiriu uma amplitude muito maior do que a original, perpassando por in&uacute;meras quest&otilde;es &eacute;ticas e bio&eacute;ticas a ela relacionadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, embora o direito &agrave; privacidade encontre-se expresso na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos (1948) e no Brasil tamb&eacute;m em sua Carta Magna (BRASIL, 1988), por sua natureza subjetiva, a privacidade tem um car&aacute;ter abstrato, cujo valor e a express&atilde;o diferem de pessoa para pessoa (ISHITANI, 2003), o que justifica a amplitude de conceitos existentes para definir o que &eacute; privacidade. N&atilde;o obstante, Loch (2003) afirma que a privacidade &eacute; vista sob dois enfoques principais: (1) condi&ccedil;&atilde;o ou estado de intimidade e (2) o controle que o indiv&iacute;duo exerce sobre o acesso dos outros a si pr&oacute;prio, sendo este &uacute;ltimo fundamentado nos direitos e poderes do indiv&iacute;duo para controlar sua intimidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante lembrar que o direito e o poder de controlar a pr&oacute;pria privacidade remonta &agrave; autonomia do indiv&iacute;duo sobre si mesmo e ao seu limite em rela&ccedil;&atilde;o ao outro, gerando implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas inerentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es humanas, pois s&oacute; uma pessoa &eacute; capaz de decidir quando, como e quanto de sua privacidade deseja expor e proteger.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Deste modo, a bio&eacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es humanas nasce do reconhecimento do outro e do confronto da necessidade humana de relacionar-se com os outros seres humanos, mas tamb&eacute;m da necessidade de prote&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria privacidade. A bio&eacute;tica se constitui num exame sistem&aacute;tico da conduta humana, &agrave; luz de valores e princ&iacute;pios morais, em todos os seus campos de a&ccedil;&atilde;o (SADALA, 1999), inclusive diante do crescente desenvolvimento tecnol&oacute;gico, pois nenhum ser humano &eacute; totalmente aut&ocirc;nomo e o limite da liberdade humana se d&aacute; no contexto de suas rela&ccedil;&otilde;es com o mundo externo e interno (COHEN; GOBBETTI, 2004).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. Implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4.1. Internet, rela&ccedil;&otilde;es humanas e privacidade: implica&ccedil;&otilde;es positivas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A internet gerou uma nova atmosfera de rela&ccedil;&otilde;es humanas, liberando o ser humano da rela&ccedil;&atilde;o presencial, permitindo-o vencer dist&acirc;ncias, o espa&ccedil;o e o tempo, configurando-se como uma sociabilidade org&acirc;nico-virtual estabelecida por meio de la&ccedil;os mec&acirc;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Silva (1999), a internet tamb&eacute;m propicia uma nova forma de se conceber o espa&ccedil;o, o tempo, as rela&ccedil;&otilde;es, as representa&ccedil;&otilde;es das identidades, o poder, a cidadania, as fronteiras, o conhecimento, a legitimidade, a pesquisa e a realidade s&oacute;cio-econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e cultural. Dessa forma, ela altera o ecossistema cognitivo das pessoas, levando-as a um processo de adapta&ccedil;&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o de sua teia relacional e cognitiva, afetando o modo como concebem a si e a realidade em que vivem, pois as tecnologias prolongam e modelam as capacidades cognitivas e sociais. Apesar disso, a internet n&atilde;o &eacute; uma substituta das rela&ccedil;&otilde;es presenciais, e sim, mais uma esfera de intera&ccedil;&atilde;o que permite o encontro de pessoas com interesses comuns.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, percebe-se que a internet propiciou o surgimento de uma nova e amb&iacute;gua faceta nas rela&ccedil;&otilde;es humanas (sejam elas educativas, profissionais, cient&iacute;ficas, familiares e afetivas), alterando e influenciando-as ao mesclar os conceitos de proximidade e dist&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na atualidade, com o emprego de ferramentas virtuais como e-mail, <i>chats</i>, f&oacute;runs, al&eacute;m da transmiss&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual, &eacute; poss&iacute;vel que pessoas residentes em lugares mais afastados e com poucos recursos educacionais possam estudar pela internet por meio da educa&ccedil;&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia. Al&eacute;m disso, a colabora&ccedil;&atilde;o entre profissionais, as rela&ccedil;&otilde;es comerciais entre empresas ou entre estas e seus consumidores se tornaram mais r&aacute;pidas e f&aacute;ceis. No &acirc;mbito cient&iacute;fico, a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e sua divulga&ccedil;&atilde;o cresceram e se desenvolveram num ritmo vertiginoso.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No campo da sa&uacute;de, v&ecirc;-se a emerg&ecirc;ncia da telemedicina, que &eacute; a associa&ccedil;&atilde;o entre conhecimentos m&eacute;dicos, recursos de telecomunica&ccedil;&atilde;o e inform&aacute;tica aplicados para a realiza&ccedil;&atilde;o de consultas, educa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, procedimentos diagn&oacute;sticos e terap&ecirc;uticos, constitui&ccedil;&atilde;o de prontu&aacute;rios eletr&ocirc;nicos, bem como a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de resultados de exames pela internet, modificando a rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-paciente, dinamizando a medicina e possibilitando agilizar e baratear os procedimentos diagn&oacute;sticos (CAMPOS et al, 2001) e, consequentemente, tamb&eacute;m os tratamentos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que concerne &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es pessoais e privadas, a internet tamb&eacute;m tem grande impacto, pois permite a manuten&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os afetivos entre parentes que se encontram fisicamente distantes por meio da conversa e do compartilhamento de fotos e v&iacute;deos, al&eacute;m do estabelecimento de novos la&ccedil;os afetivos, sejam de amizade ou de cunho rom&acirc;ntico, entre pessoas antes desconhecidas que passam a vivenciar um relacionamento mediado pelo ambiente virtual que pode ou n&atilde;o tornar-se presencial e consolidar-se como algo duradouro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos dias atuais, ao acessar uma rede social, pode-se saber mais sobre a vida, os gostos e as aspira&ccedil;&otilde;es de nossos amigos e conhecidos do que se os tiv&eacute;ssemos encontrado na rua ou em nosso local de trabalho e tais informa&ccedil;&otilde;es se encontram, em grande parte, dispon&iacute;veis livremente; o que pode gerar, dependendo do tipo de uso que for feito das informa&ccedil;&otilde;es, implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, emerge o conceito de privacidade de informa&ccedil;&otilde;es que &eacute; o direito que os indiv&iacute;duos, grupos ou institui&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m de determinar quando, como e quanto de suas informa&ccedil;&otilde;es podem ser divulgadas a outros por meio de autoriza&ccedil;&atilde;o ou consentimento (ISHITANI, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Muitos sites, redes sociais e outros servi&ccedil;os baseados na web t&ecirc;m alterado suas pol&iacute;ticas de privacidade e criado alternativas para promover maior privacidade aos usu&aacute;rios que assim o desejam, tais como a criptografia dos dados e a oportunidade de escolha pelo usu&aacute;rio de quais dados devem ser disponibilizados. Ao preencher um perfil numa rede social, o usu&aacute;rio pode escolher quais informa&ccedil;&otilde;es disponibilizar ao p&uacute;blico geral e aos amigos e quais deseja manter ocultas, podendo deixar de responder alguns itens do perfil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Ishitani (2003), h&aacute; tr&ecirc;s tecnologias para a manuten&ccedil;&atilde;o do anonimato na internet: <i>Anonymizer</i> (um <i>proxy</i> Web filtra todas as identifica&ccedil;&otilde;es do navegador, permitindo que os usu&aacute;rios naveguem na internet sem revelar suas identifica&ccedil;&otilde;es ao servidor), <i>Onion Routing</i> (que emprega uma rede de <i>mix</i>, que s&atilde;o roteadores que escondem o caminho de uma mensagem na rede, impedindo que o destinat&aacute;rio conhe&ccedil;a o seu remetente) e <i>Crowd</i> (m&eacute;todo no qual, para realizar uma transa&ccedil;&atilde;o na internet, a pessoa precisa entrar em um grupo de usu&aacute;rios. A mensagem enviada por um dos membros do grupo tem seu caminho definido &agrave; medida que &eacute; transmitida para os outros membros do grupo). Todavia, esta mesma autora alerta que, para a prote&ccedil;&atilde;o da privacidade e garantia do anonimato dos usu&aacute;rios da internet, devem ser considerados tr&ecirc;s aspectos do anonimato: anonimato ambiental (considera&ccedil;&atilde;o dos fatores externos ao sistema de anonimidade), anonimato baseado em conte&uacute;do (impossibilidade de encontrar pistas sobre a identidade do usu&aacute;rio com base no conte&uacute;do disponibilizado) e anonimato procedimental (protocolo de comunica&ccedil;&atilde;o utilizado).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4.2. Internet, rela&ccedil;&otilde;es humanas e privacidade: implica&ccedil;&otilde;es negativas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A internet aumenta os riscos de invas&atilde;o da privacidade, pois s&atilde;o coletados dados sem que as pessoas percebam que isso est&aacute; ocorrendo. S&atilde;o exemplos de formas de invas&atilde;o da privacidade e de coleta dos dados sem o conhecimento dos usu&aacute;rios na internet: a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es por navegadores, os <i>cookies</i> (arquivo de texto gravado no computador do usu&aacute;rio que cont&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es trocadas entre o servidor <i>Web</i> e o usu&aacute;rio), os <i>web bugs</i> (mensagens de correio eletr&ocirc;nico ou imagens inseridas na <i>web</i> para monitorar os seus usu&aacute;rios), o c&oacute;digo m&oacute;vel (programas que baixam e executam arquivos de programa automaticamente), os ataques a <i>cache</i> (ataques a <i>sites</i> que permitem identificar os <i>sites</i> visitados pelos visitantes destes <i>sites</i>), os <i>spams</i> (e-mails enviados sem o consentimento do receptor) e os v&iacute;rus (ISHITANI, 2003; SANTOS, 2003). Os dados obtidos por estes m&eacute;todos de invas&atilde;o da privacidade na internet podem ser guardados por v&aacute;rios anos, utilizados para fins de personaliza&ccedil;&atilde;o de <i>sites</i> no intuito de atender as prefer&ecirc;ncias de seus usu&aacute;rios, utilizados para danificar os arquivos e/ou o computador dos usu&aacute;rios ou, dependendo de quem os coletou, serem empregados para fins criminosos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante de tantos meios de invas&atilde;o da privacidade sem o conhecimento do usu&aacute;rio e das v&aacute;rias possibilidades de uso dos dados coletados, Ishitani (2003) alerta para o fato de que a rela&ccedil;&atilde;o entre a privacidade, o consentimento e conhecimento dos riscos pelo usu&aacute;rio na internet, bem como a coleta, a an&aacute;lise e a atualiza&ccedil;&atilde;o dos dados no ambiente virtual podem gerar problemas relacionados &agrave;s desigualdades sociais; o que pode resultar em conflitos de interesse de ordem &eacute;tica e bio&eacute;tica, os quais perpassam por quest&otilde;es relacionadas &agrave; equidade e &agrave; vulnerabilidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m dos dados obtidos sem o consentimento dos usu&aacute;rios da internet, &eacute; importante lembrar que, na modernidade, a todo momento, as pessoas s&atilde;o solicitadas a disponibilizar suas informa&ccedil;&otilde;es pessoais ou as disponibilizam por vontade pr&oacute;pria na internet para cumprir suas obriga&ccedil;&otilde;es enquanto cidad&atilde;os (a exemplo de efetuar o pagamento de uma conta), por praticidade (para evitar filas) ou por exig&ecirc;ncias de editais (por exemplo: inscri&ccedil;&otilde;es em concursos p&uacute;blicos) e como forma de entretenimento e intera&ccedil;&atilde;o com outras pessoas. Todavia, de acordo com Ishitani (2003), tais atitudes trazem consigo o risco de invas&atilde;o da privacidade ou da redu&ccedil;&atilde;o da mesma, que vem aumentando com o progressivo desenvolvimento da tecnologia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Soma-se a isso a divulga&ccedil;&atilde;o e/ou manipula&ccedil;&atilde;o de fotos e v&iacute;deos cotidianos sem o consentimento de seus propriet&aacute;rios, os casos de <i>bullying</i> virtual (ataques psicol&oacute;gicos a pessoas na internet), estelionato, pedofilia, as manifesta&ccedil;&otilde;es preconceituosas e depreciativas contra minorias. Embora estes problemas j&aacute; existissem antes do advento do mundo virtual, na internet, podem adquirir maiores propor&ccedil;&otilde;es, atingir um maior n&uacute;mero de pessoas, causar danos mais s&eacute;rios e dif&iacute;ceis de serem remediados, afetando a esfera das rela&ccedil;&otilde;es humanas em todos os seus &acirc;mbitos; comprometendo as rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas e profissionais dos envolvidos, podendo resultar na perda do emprego, em problemas psicol&oacute;gicos e/ou no descr&eacute;dito p&uacute;blico, uma vez que &eacute; muito dif&iacute;cil conter a circula&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es disponibilizadas na internet.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, L&eacute;vy (2004) chama a aten&ccedil;&atilde;o para o decl&iacute;nio da verdade a partir do deslocamento do eixo de gravidade de algumas atividades cognitivas realizadas pelo coletivo social, uma vez que o armazenamento das informa&ccedil;&otilde;es cresce num ritmo vertiginoso, a tecnoci&ecirc;ncia evolui cada vez mais r&aacute;pido e o conhecimento escrito nos livros est&aacute; atualmente em computadores e na internet, podendo ser facilmente editado e modificado e chegar mais f&aacute;cil e rapidamente a um grande n&uacute;mero de pessoas como nas enciclop&eacute;dias livres dispon&iacute;veis na internet, mas tamb&eacute;m colocando a veracidade do conte&uacute;do dispon&iacute;vel em cheque, pois n&atilde;o se pode atestar se quem editou o conte&uacute;do manteve um compromisso com a veracidade das informa&ccedil;&otilde;es e dos direitos autorais; embora, &agrave;s vezes, as pr&oacute;prias p&aacute;ginas de conte&uacute;do livre tragam alertas referentes &agrave; confiabilidade das informa&ccedil;&otilde;es que fornecem.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante ressaltar que acreditamos ser um direito de todos ter acesso ao conhecimento, contudo sua dissemina&ccedil;&atilde;o de forma livre deve ser feita com crit&eacute;rios no intuito de citar a fonte (nome do autor), evitando o pl&aacute;gio e a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es equivocadas que podem ocasionar preju&iacute;zo a quem fizer uso delas. Para L&eacute;vy (2004), tal conjuntura n&atilde;o implicar&aacute; na aceita&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e informa&ccedil;&atilde;o sem an&aacute;lise, e sim, na cria&ccedil;&atilde;o de modelos de pertin&ecirc;ncia vari&aacute;vel, cada vez mais independentes de um horizonte de verdade absoluta, pois a pretens&atilde;o de atingi-la diminui, focando-se na corre&ccedil;&atilde;o dos erros e no crit&eacute;rio de pertin&ecirc;ncia e contextualiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento, mesmo no dom&iacute;nio cient&iacute;fico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ainda sobre o direito e sobre o acesso ao conhecimento e &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podemos deixar de citar Pariser (2011) que, em seu recente livro &ldquo;O filtro-bolha: o que a internet est&aacute; escondendo de voc&ecirc;&rdquo;, revela a n&atilde;o neutralidade de sites como o Google e o Facebook. Quando pesquisamos uma palavra no Google, pensamos que seu resultado &eacute; o mesmo independente do computador ou do lugar onde estamos acessando a internet. Todavia, o autor mostra brilhantemente que estes resultados diferem de acordo com nossos acessos anteriores. Em cap&iacute;tulos como &ldquo;O usu&aacute;rio &eacute; o conte&uacute;do&rdquo; ou &ldquo;O p&uacute;blico &eacute; irrelevante&rdquo; fica claro que h&aacute; manipula&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es sem o conhecimento ou autoriza&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios. As consequ&ecirc;ncias s&atilde;o o desrespeito &agrave; autonomia dos indiv&iacute;duos e da pr&oacute;pria democracia, possivelmente por interesses econ&ocirc;micos das empresas e seus anunciantes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4.3. Rela&ccedil;&otilde;es humanas e prote&ccedil;&atilde;o da privacidade na internet</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A internet tem afetado positiva e negativamente toda a conjuntura s&oacute;cio-hist&oacute;rica estabelecida na humanidade e gerado conflitos em v&aacute;rios &acirc;mbitos, inclusive no bio&eacute;tico, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel prever com exatid&atilde;o quanto, como e em que propor&ccedil;&otilde;es continuar&aacute; afetando a vida das pessoas. Como nos lembra Merleau-Ponty (1996), a percep&ccedil;&atilde;o humana &eacute; limitada e a perspectiva particular que temos das coisas resulta de nossa necessidade f&iacute;sica, o que significa que, a internet &eacute; &ldquo;um espa&ccedil;o que cont&eacute;m as mesmas ambig&uuml;idades das intera&ccedil;&otilde;es sociais na realidade, incluindo-se a&iacute; a interpenetra&ccedil;&atilde;o entre p&uacute;blico e privado&rdquo; (NASCIMENTO, 2007, p. 73), sendo, portanto, campo de &ldquo;velhos&rdquo; e &ldquo;novos&rdquo; conflitos bio&eacute;ticos provenientes da complexidade da natureza humana que necessita da constante intera&ccedil;&atilde;o com o outro, mas tamb&eacute;m necessita estar s&oacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, nota-se que as implica&ccedil;&otilde;es negativas das rela&ccedil;&otilde;es humanas e da privacidade na internet geram conflitos bio&eacute;ticos dentre os quais se encontram: (1) o fato de que, ao acessar a internet, nem todas as pessoas est&atilde;o conscientes do risco de exposi&ccedil;&atilde;o de sua privacidade, desconhecendo tamb&eacute;m em que propor&ccedil;&otilde;es isso se d&aacute; e como reduzir tais riscos e proteger suas informa&ccedil;&otilde;es pessoais; (2) o fato de que nem todas as pessoas sabem identificar quais <i>sites</i> s&atilde;o confi&aacute;veis e/ou at&eacute; que ponto os <i>sites</i> que utilizam s&atilde;o confi&aacute;veis; (3) o fato de que, ao acessar a internet, n&atilde;o h&aacute; como as pessoas saberem que dados seus est&atilde;o sendo coletados, que tipo de cruzamento (rela&ccedil;&atilde;o) ser&aacute; feito com esses dados, qual a finalidade disso e para qu&ecirc; ser&atilde;o utilizados; (4) em caso de pessoas que gostam de expor suas experi&ecirc;ncias e viv&ecirc;ncias na internet, que informa&ccedil;&otilde;es, quando e em quais <i>sites</i> disponibilizar tais informa&ccedil;&otilde;es com seguran&ccedil;a; (5) a dificuldade de mensurar as consequ&ecirc;ncias positivas e/ou negativas da exposi&ccedil;&atilde;o consciente ou n&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es pessoais e profissionais; (6) a prolifera&ccedil;&atilde;o e a apologia a atitudes e formas de comportamento preconceituosas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na atualidade, tem emergido questionamentos e discuss&otilde;es sobre o controle do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o no intuito de encontrar solu&ccedil;&otilde;es para os problemas de prote&ccedil;&atilde;o da privacidade e os conflitos bio&eacute;ticos relacionados ao uso da internet; todavia, Cheswick et al (2005) lembram que a internet ainda &eacute; nova, os riscos de seu uso ainda n&atilde;o s&atilde;o bem entendidos e que, &agrave; medida que mais servi&ccedil;os forem conectados, ser&aacute; poss&iacute;vel ter uma ideia melhor de quais medidas de seguran&ccedil;a s&atilde;o mais efetivas e que tipo de perdas podem ser esperadas, uma vez que a internet oferece muitos alvos a poss&iacute;veis invasores. N&atilde;o obstante, eles t&ecirc;m empenhado esfor&ccedil;os no intuito de regulamentar a prote&ccedil;&atilde;o da privacidade de dados com destaque, no continente americano, para o Canad&aacute;, a Argentina e o Chile (ISHITANI, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Brasil ainda n&atilde;o possui uma lei espec&iacute;fica para a prote&ccedil;&atilde;o da privacidade na internet e o combate aos crimes digitais. Contudo encontra-se em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional o Projeto de Lei N&ordm; 84/1999 do Deputado Eduardo Azeredo que visa dispor sobre os crimes cometidos na &aacute;rea de inform&aacute;tica e suas penalidades (AZEREDO, 1999), o qual tem sido chamado de AI-5 Virtual devido ao seu rigor. As pessoas que protestam contra a aprova&ccedil;&atilde;o deste projeto de lei argumentam que seria necess&aacute;ria uma ampla vigil&acirc;ncia para cumprir suas exig&ecirc;ncias, o que culminaria na redu&ccedil;&atilde;o da privacidade dos usu&aacute;rios da internet, pois <i>lan houses</i> e provedores de acesso teriam que guardar informa&ccedil;&otilde;es acerca da navega&ccedil;&atilde;o de seus usu&aacute;rios e seria necess&aacute;ria a identifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para a cria&ccedil;&atilde;o de <i>blogs</i>, <i>e-mails</i> ou trocar dados, tais como imagem e som (RIBEIRO, 2011).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Deve-se lembrar que, mesmo n&atilde;o possuindo ainda uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para a internet, a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil (BRASIL,1988, s.p.) estabelece em seu artigo 5&ordm;, X, que &ldquo;s&atilde;o inviol&aacute;veis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o pelo dano material ou moral decorrente de sua viola&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Al&eacute;m disso, de acordo com Santos (2003), pode-se, na atualidade, aplicar o disposto no artigo 5&ordm; &agrave;s quest&otilde;es referentes &agrave; privacidade e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es humanas na internet.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste sentido, a OECD (<i>Organization for Economic Co-operation and Development</i> - Organiza&ccedil;&atilde;o para Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica e Desenvolvimento) (OECD, 1980) e a FTC (<i>Federal Trade Commission</i> - Comiss&atilde;o Federal de Com&eacute;rcio) (FTC, 2000) elaboraram princ&iacute;pios para proteger a privacidade dos usu&aacute;rios da internet, relacionando todas as formas de uso de dados &agrave; obten&ccedil;&atilde;o do consentimento dos usu&aacute;rios (ISHINATI, 2003), o que significa que o usu&aacute;rio da internet tamb&eacute;m deve ter autonomia sobre o uso e destina&ccedil;&atilde;o de seus dados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m dos aspectos relacionados &agrave; seguran&ccedil;a e &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o supracitados, &eacute; importante ressaltar que as poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es para as implica&ccedil;&otilde;es bio&eacute;ticas emergentes com uso da internet perpassam pela conscientiza&ccedil;&atilde;o de todos os envolvidos, sejam usu&aacute;rios ou administradores dos servidores de internet da import&acirc;ncia da privacidade, bem como do consentimento das pessoas para coleta e uso de dados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro aspecto digno de nota &eacute; que n&atilde;o se pode esquecer que a internet &eacute; um poderoso espa&ccedil;o de socializa&ccedil;&atilde;o e estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es humanas n&atilde;o presenciais, mas este fato n&atilde;o o torna menos humano e/ou desprovido das mesmas regras e normas &eacute;ticas que devem ser cultivadas nos relacionamentos presenciais. Seus usu&aacute;rios n&atilde;o buscam apenas informa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m a intera&ccedil;&atilde;o social e o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es intersubjetivas geradoras de sentimento de perten&ccedil;a e afirma&ccedil;&atilde;o social, da qual emergem novas formas de sociabilidade, trabalho e aprendizagem em rede que n&atilde;o podem prescindir dos princ&iacute;pios bio&eacute;ticos de respeito &agrave; vida e &agrave; pessoa humana em sua diversidade (SILVA, 1999).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, acredita-se que &eacute; importante o estabelecimento de campanhas educativas de conscientiza&ccedil;&atilde;o dos internautas que contemplem, ao mesmo tempo, conhecimento sobre a internet, as implica&ccedil;&otilde;es positivas e negativas de seu uso, aspectos referentes &agrave; privacidade, princ&iacute;pios &eacute;ticos e bio&eacute;ticos das rela&ccedil;&otilde;es humanas, dentre outros aspectos que contribuam para o uso mais consciente da internet; uma vez que a educa&ccedil;&atilde;o e princ&iacute;pios &eacute;ticos/bio&eacute;ticos s&atilde;o fundamentais para a forma&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento humano e imprescind&iacute;veis para o estabelecimento de toda e qualquer rela&ccedil;&atilde;o humana e para o respeito aos direitos humanos, dentre os quais se encontra a privacidade. Louren&ccedil;o (2008) corrobora este pensamento ao afirmar que os princ&iacute;pios da bio&eacute;tica s&atilde;o basilares para a forma&ccedil;&atilde;o humana, pois fornecem &agrave;s pessoas a possibilidade de compreender a realidade numa perspectiva multi, inter e transdisciplinar, preparando-as para lidar com a complexidade das rela&ccedil;&otilde;es humanas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda nesta vertente, Rodrigues (2001) salienta que a educa&ccedil;&atilde;o deve ser entendida como o processo de forma&ccedil;&atilde;o humana que possibilita &agrave;s pessoas a compreens&atilde;o das coisas, o autorreconhecimento na percep&ccedil;&atilde;o do outro, a constru&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria identidade e a distin&ccedil;&atilde;o entre si e as coisas do mundo e entre si e os outros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a educa&ccedil;&atilde;o envolve as formas de percep&ccedil;&atilde;o do mundo, de comunica&ccedil;&atilde;o e de intercomunica&ccedil;&atilde;o, de autoconhecimento e de conhecimento das necessidades humanas, bem como o desenvolvimento de princ&iacute;pios &eacute;ticos e morais (RODRIGUES, 2001). Isso significa que a educa&ccedil;&atilde;o e a bio&eacute;tica s&atilde;o dois vetores insubstitu&iacute;veis para a universaliza&ccedil;&atilde;o da cultura e do humanismo (LEPARGNEUR, 2006) e, portanto, s&atilde;o imprescind&iacute;veis para todo e qualquer tipo de rela&ccedil;&atilde;o humana, inclusive as estabelecidas no mundo virtual.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fruto do vertiginoso desenvolvimento tecnol&oacute;gico do s&eacute;culo XX, a internet gerou novas formas de relacionamento e de socializa&ccedil;&atilde;o, propiciando maior rapidez de comunica&ccedil;&atilde;o e oportunizando significativos avan&ccedil;os na forma como s&atilde;o estabelecidas as rela&ccedil;&otilde;es profissionais, comerciais, cient&iacute;ficas, educativas e pessoais, as quais tem resultado em benef&iacute;cios econ&ocirc;micos e sociais, no aumento da gera&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico e tamb&eacute;m numa maior intera&ccedil;&atilde;o humana, ultrapassando as barreiras da dist&acirc;ncia e do tempo. Todavia, quando mal utilizada, a internet pode resultar em invas&atilde;o da privacidade, crimes virtuais, apologia a comportamentos inadequados e a atitudes preconceituosas, os quais podem gerar problemas de grande amplitude biopsicossocial, dif&iacute;ceis de resolver e punir; uma vez que, na internet, as informa&ccedil;&otilde;es podem ser r&aacute;pidas e facilmente disseminadas e nem todos pa&iacute;ses possuem aparato legal para lidar com tais problemas, originando conflitos de ordem &eacute;tica e bio&eacute;tica provenientes da forma como as pessoas interagem neste novo palco de rela&ccedil;&otilde;es humanas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar disso, na conjuntura atual, percebe-se que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ao ser humano retroceder e viver sem as facilidades e benef&iacute;cios gerados pela internet e que as pr&oacute;prias necessidades e anseios humanos impulsionam o cont&iacute;nuo e vertiginoso avan&ccedil;o do seu desenvolvimento e da amplia&ccedil;&atilde;o de seus usos. Portanto, constitui-se um amplo e multifacetado desafio a manuten&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios e servi&ccedil;os da internet com qualidade e com base em princ&iacute;pios bio&eacute;ticos, aliados &agrave; redu&ccedil;&atilde;o dos riscos de exposi&ccedil;&atilde;o da privacidade, das manifesta&ccedil;&otilde;es preconceituosas e dos crimes virtuais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para vencer tal desafio, cabe aos profissionais da inform&aacute;tica o desenvolvimento de sistemas cada vez mais seguros sem comprometer a liberdade e a privacidade dos usu&aacute;rios no estabelecimento de suas inter-rela&ccedil;&otilde;es, sejam elas pessoais, profissionais, comerciais, educativas e/ou de entretenimento. Por outro lado, cabe a todos os usu&aacute;rios, no desenrolar de suas atividades virtuais cotidianas, sejam quais forem, utilizar a internet e suas ferramentas conscientes de seus benef&iacute;cios e facilidades, bem como de seus riscos, empregando sempre as formas de prote&ccedil;&atilde;o da privacidade dispon&iacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ademais, a internet &eacute; uma das m&uacute;ltiplas facetas das rela&ccedil;&otilde;es humanas, a qual n&atilde;o pode e n&atilde;o deve prescindir do estabelecimento de uma postura bio&eacute;tica de todos os seus usu&aacute;rios, pois toda e qualquer forma de relacionamento humano, mesmo aquela que se desenvolve n&atilde;o presencialmente, deve ser norteada por princ&iacute;pios bio&eacute;ticos, os quais s&atilde;o essenciais para o ser pessoa e para todas as a&ccedil;&otilde;es humanas.</font></p> <hr align="left" width="30%" size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="_ftn102" href="#_ftnref2">[1]</a> Fase do desenvolvimento infantil em que a crian&ccedil;a come&ccedil;a a aprender a lidar com seus sentimentos para conviver em sociedade e que &eacute;, muitas vezes, ilustrada pela hist&oacute;ria de &Eacute;dipo Rei.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6. Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Azeredo, Eduardo. Projeto de Lei 84/1999, que disp&otilde;e sobre os crimes cometidos na &aacute;rea de inform&aacute;tica, suas penalidades e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. 1999. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href= "http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=15028">http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=15028</a>. Acesso em: 27 jan. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553064&pid=S1886-5887201400010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Brasil. Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jur&iacute;dicos. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href= "http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm</a>. Acesso em: 01 fev. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553066&pid=S1886-5887201400010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Campos, Carlos Jos&eacute; Reis De; An&ccedil;&atilde;o, Meide Silva; Ramos, M&ocirc;nica Parente; Sigulem, Daniel. Internet e sa&uacute;de - aspectos &eacute;ticos. Revista Brasileira de Cl&iacute;nica e Terap&ecirc;utica. S&atilde;o Paulo, v. 27, n. 2, p. 48-53, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553068&pid=S1886-5887201400010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Cheswick, William R.; Bellovin, Steven M.; Rubin, Aviel D. Firewalls e Seguran&ccedil;a na internet: repelindo o hacker ardiloso. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 400 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553070&pid=S1886-5887201400010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. Cohen, Cl&aacute;udio. Como ensinar a Bio&eacute;tica. In: Pessini, Leo; Bachifontaine, Christian  de Paul (orgs.). Bio&eacute;tica e Longevidade Humana. S&atilde;o Paulo: Centro Universit&aacute;rio S&atilde;o Camilo/Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 2006. p. 183-194.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553072&pid=S1886-5887201400010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Cohen, Cl&aacute;udio. Por que pensar a bio&eacute;tica? Rev. Assoc. Med. Bras. S&atilde;o Paulo, v.54, n.6, Nov./Dec., 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553074&pid=S1886-5887201400010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Cohen, Claudio; Gobbetti, Gisele. Bio&eacute;tica da vida cotidiana. Cienc. Cult. S&atilde;o Paulo, v. 56, n. 4, Dec. 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553076&pid=S1886-5887201400010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. Correia, Francisco De Assis. A alteridade como Crit&eacute;rio fundamental e englobante da bio&eacute;tica. Tese de Doutorado. Campinas, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Estadual de Campinas -UNICAMP, 1993. 239 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553078&pid=S1886-5887201400010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. Doneda, Danilo. Da privacidade &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais. Rio de Janeiro: Renovar, 2006. 448 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553080&pid=S1886-5887201400010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Fortes, Paulo Ant&ocirc;nio De Carvalho. A bio&eacute;tica em um mundo em transforma&ccedil;&atilde;o. Rev. Bio&eacute;t. V.19, n.2, p.319-327, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553082&pid=S1886-5887201400010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Ftc - Federal Trade Commission. Privacy online: fair information practices in the electronic marketplace, May 2000. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href= "http://www.ftc.gov/.../privacy2000/privacy2000.pdf">www.ftc.gov/.../privacy2000/privacy2000.pdf</a>. Acesso em 02 fev. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553084&pid=S1886-5887201400010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Ishitani, Lucila. Uma Arquitetura para Controle de Privacidade na Web. Tese de Doutorado. Belo Horizonte, Programa de P&oacute;s-Graduaçao em Ciencia da Computaçao, Universidade  Federal de Minas Gerais - UFMG, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553086&pid=S1886-5887201400010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. Lepargneur, Hubert. Onze reflex&otilde;es sobre educa&ccedil;&atilde;o e bio&eacute;tica. In: Pessini, Leo; Bachifontaine, Christian De Paul (orgs.). Bio&eacute;tica e Longevidade Humana. S&atilde;o Paulo: Centro Universit&aacute;rio S&atilde;o Camilo/Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 2006. p.149-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553088&pid=S1886-5887201400010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. L&eacute;vy, Pierre. As Tecnologias da intelig&ecirc;ncia. O futuro do pensamento na era da internet. 13 ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553090&pid=S1886-5887201400010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. Loch, Jussara De Azambuja. Confidencialidade: natureza, caracter&iacute;sticas e limita&ccedil;&otilde;es no contexto da rela&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica. Rev. Bio&eacute;t. V.11, n.1, p.51-64, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553092&pid=S1886-5887201400010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. Louren&ccedil;o, Nelson De Jesus Martins. A emergencia de um profissional para a Bio&eacute;tica. Ponta Delgada  - Portugal: Curso de Mestrado em &quot;&Eacute;tica da Vida&quot;, Universidade dos A&ccedil;ores, Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. 2008. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href= "http://www.porto.ucp.pt/lusobrasileiro/actas/N%C3%A9lson%20Louren%C3%A7o.pdf">www.porto.ucp.pt/lusobrasileiro/actas/N&eacute;lson%20Louren&ccedil;o.pdf</a>. Acesso em 31 jan 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553094&pid=S1886-5887201400010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. Marcelo, Ana Sofia. Internet e Novas Formas de Sociabilidade. Tese de mestrado em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o. Universidade da Beira Interior. Covilh&atilde;, Portugal, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553096&pid=S1886-5887201400010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. Merleau-ponty, Maurice. Fenomenologia da percep&ccedil;&atilde;o. 2 ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes,1999. 657 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553098&pid=S1886-5887201400010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. Nascimento, Carlize Regina Ogg. Do amor em tempos de internet: an&aacute;lise sociol&oacute;gica das rela&ccedil;&otilde;es amorosas mediadas pela tecnologia. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Curitiba, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia, Universidade Federal do Paran&aacute; -UFPR, 2007.146 f.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553100&pid=S1886-5887201400010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. Neves, Maria Do C&eacute;u Patr&atilde;o. A Fundamenta&ccedil;&atilde;o Antropol&oacute;gica da Bio&eacute;tica. Rev. Bio&eacute;t. V.4, N.1, s.p., 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553102&pid=S1886-5887201400010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. Nojiri, S&eacute;rgio. O direito &agrave; privacidade na era da inform&aacute;tica: algumas considera&ccedil;&otilde;es. R. Jur. UNIJUS; Uberaba-MG, V.8, n.8, p. 99-106, mai., 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553104&pid=S1886-5887201400010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">22. Okin, Susan Moller. G&ecirc;nero, o p&uacute;blico e o privado. Estudos Feministas. Florian&oacute;polis, v.16, n. 2, p. 305-332, mai-ago., 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553106&pid=S1886-5887201400010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">23. Organiza&ccedil;&atilde;o Das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos. Assembl&eacute;ia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Dez, 1948. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a target="_blank" href="http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm">http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm</a>&gt;. Acesso em 16 jan 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553108&pid=S1886-5887201400010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> 24. OECD - ORGANIZATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT. Guidelines on the Protection of Privacy and Transborder Flows of Personal Data. 1980. Dispon&iacute;vel em: http://www.oecd.org/document/18/0,3343,en_2649_34255_1815186_1_1_1_1,00.html#part1/. Acesso em: 02 fev. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553110&pid=S1886-5887201400010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">25. Pariser, Eli. The filter bubble: what the internet is hiding from you. New York: The Peguin Press, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553112&pid=S1886-5887201400010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">26. Ribeiro, Luana. Projeto de lei amea&ccedil;a privacidade na internet. Ci&ecirc;ncia e Cultura. Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias em CT&amp;I. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href= "http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/%20noticias/projeto-de-leiameaca-privacidade-na-internet/"> http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/ noticias/projeto-de-leiameaca-privacidade-na-internet/</a>. Acesso em 27 jan 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4553114&pid=S1886-5887201400010000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">27. Rodrigues, Neidson. Educa&ccedil;&atilde;o: da forma&ccedil;&atilde;o  humana à constru&ccedil;&atilde;o do sujeito &eacute;tico. Educ.Soc. 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