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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O casamento civil homoafetivo e sua regulamentação no Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This essay analyses the fundamental right to free sexual orientation choice. It defends homoaffectivity as a late recognized fundamental right, demonstrating that in practice the Ancient people tolerated the sexual practice between same-sex persons. It demonstrates that the Brazilian Supreme Court recent understanding in 2011 consists in a strong precedent for recognizing same-sex marriage, confirmed in 2011 by a decision of the Brazilian Superior Court of Justice and in 2013 by the Brazilian National Council of Justice with a Resolution. It points out the possibility of converting consensual same-sex marriage in civil same-sex marriage. As conclusion remarks it is shown that Brazilian Constitution allows both consensual and civil (formal) same-sex marriages.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="2"><b>ARTÍCULO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>O casamento civil homoafetivo e sua regulamenta&#231;&#227;o no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Same-sex civil marriage and its regulation in Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Julio Pinheiro Faro<sup>1</sup> e Jackelline Fraga Pessanha<sup>2</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV); Professor Substituto de Institui&ccedil;&otilde;es do Direito e Direito Tributario na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Professor de Direito Processual Constitucional e Direito Tributário na Faculdade Estácio de Sá em Vitória (FESV); Diretor Secretário-Geral da Academia Brasileira de Direitos Humanos (ABDH); Coordenador do N&uacute;cleo de Pesquisa em Direito da FESV; Consultor da C&#226;mara de Pesquisa da FESV; Pesquisador; Advogado e Consultor Jurídico. <a href="mailto:julio.pfhs@gmail.com">julio.pfhs@gmail.com</a>    <br><sup>2</sup>Mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV). Pesquisadora e Professora Universitária; Advogada. <a href="mailto:jackellinepessanha@yahoo.com.br">jackellinepessanha@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O estudo faz uma análise sobre o direito &#224; livre manifesta&#231;&#227;o de op&#231;&#227;o quanto &#224; orienta&#231;&#227;o sexual. Defende-se a homoafetividade com direito fundamental de reconhecimento tardio, embora se verifique a exist&#234;ncia e toler&#226;ncia entre os povos antigos de rela&#231;&#245;es sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Demonstra-se como o entendimento do Supremo Tribunal Federal brasileiro em 2011 ao reconhecer reconhecendo a possibilidade de uni&#227;o estável entre pessoas do mesmo sexo gerou forte precedente para o reconhecimento do casamento entre tais pessoas, o que foi confirmado por uma decis&#227;o do Superior Tribunal de Justi&#231;a brasileiro em 2011 e por uma Resolu&#231;&#227;o do Conselho Nacional de Justi&#231;a em 2013. Indica-se, assim, a possibilidade de convers&#227;o das uni&#245;es estáveis homoafetivas, já aceitas no ordenamento jurídico brasileiro, em casamento civil homoafetivo. A conclus&#227;o é que constitucionalmente s&#227;o aceitas, entre pessoas do mesmo sexo, tanto uni&#245;es estáveis quanto casamentos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> direito constitucional; direito das famílias; direito homoafetivo; uni&#227;o estável homoafetiva; casamento homoafetivo.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This essay analyses the fundamental right to free sexual orientation choice. It defends homoaffectivity as a late recognized fundamental right, demonstrating that in practice the Ancient people tolerated the sexual practice between same-sex persons. It demonstrates that the Brazilian Supreme Court recent understanding in 2011 consists in a strong precedent for recognizing same-sex marriage, confirmed in 2011 by a decision of the Brazilian Superior Court of Justice and in 2013 by the Brazilian National Council of Justice with a Resolution. It points out the possibility of converting consensual same-sex marriage in civil same-sex marriage. As conclusion remarks it is shown that Brazilian Constitution allows both consensual and civil (formal) same-sex marriages.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> constitutional law; families law; homoaffective law; consensual same-sex marriage; same-sex civil marriage.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os ordenamentos jurídicos modernos se caracterizam pelo reconhecimento de uma ampla variedade de direitos. Essa diversidade de direitos decorre fundamentalmente de se ter erigido a dignidade humana a fundamento das ordens constitucionais e internacional no segundo pós-guerra, ampliando bastante o catálogo de direitos reconhecidos, explícita ou implicitamente. Dentre esses direitos, tem-se incluído, recentemente, o direito &#224; livre op&#231;&#227;o de orienta&#231;&#227;o sexual, sobre cuja prote&#231;&#227;o este trabalho discorre no que pertine ao Direito das famílias, pautando-se em recentes decis&#245;es da Suprema Corte brasileira e na interpreta&#231;&#227;o constitucionalmente conforme do ordenamento brasileiro. O reconhecimento da liberdade de op&#231;&#227;o quanto &#224; orienta&#231;&#227;o sexual concretiza-se na possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo sexo (casamento homoafetivo), observadas as mesmas regras do casamento entre pessoas do mesmo sexo (casamento heteroafetivo).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este estudo faz uma breve análise sobre a possibilidade do casamento homoafetivo no Brasil, que, apesar de reconhecido judicialmente a partir de uma interpreta&#231;&#227;o da Constitui&#231;&#227;o brasileira, n&#227;o encontra, ainda, forte respaldo legislativo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. A homoafetividade é um direito fundamental</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A liberdade de op&#231;&#227;o quanto &#224; orienta&#231;&#227;o sexual reflete uma escolha quanto a um estilo de vida, que há muito tempo n&#227;o se baseia simplesmente em rela&#231;&#245;es carnais, mas, principalmente, em rela&#231;&#245;es afetivas. O afeto é o aspecto central das entidades familiares contempor&#226;neas (PEREIRA, 2011: 193), na busca pela boa vida. Todavia, em algum momento da história humana, estabeleceu-se que as rela&#231;&#245;es afetivas e carnais, principalmente estas, só poderiam ocorrer entre um homem e uma mulher, sendo considerado anormal qualquer comportamento destoante desse padr&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Presume-se que esse giro tenha ocorrido na Idade Média. Na cultura, na literatura e na mitologia das sociedades egípcia e mesopot&#226;mica antigas, as rela&#231;&#245;es sexuais entre pessoas do mesmo sexo eram reconhecidas (ESKRIDGE, 1993: 1437). No entanto, as evid&#234;ncias s&#227;o apenas indiretas, sendo uma delas a tumba do Faraó Ikhnaton, em que há representa&#231;&#245;es dele em posi&#231;&#245;es íntimas com seu companheiro, o que é significativo para a época, pois na maioria das tumbas a representa&#231;&#227;o entre homem e mulher era normalmente muito formal (ESKRIDGE, 1993: 1437-1438).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Evid&#234;ncias mais fortes e diretas s&#227;o encontradas na cultura greco-romana. Há um registro no <i>Symposium</i> de Plat&#227;o que sugere uma rela&#231;&#227;o esposo-esposa entre Aquiles e Pátroco, embora n&#227;o fosse claro o papel desempenhado por cada um (ESKRIDGE, 1993: 1442). Há relatos de que na antiguidade ateniense, os cidad&#227;os (que eram apenas os homens adultos), &#8220;poderiam penetrar indivíduos socialmente inferiores, como mulheres, garotos, estrangeiros e escravos&#8221; (RUPP, 2001: 288). Os historiadores parecem entrar em consenso de que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo n&#227;o era proibida, havendo, inclusive, toler&#226;ncia social (ESKRIDGE, 1993: 1445-1446).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Evid&#234;ncias fortes de toler&#226;ncia social ao relacionamento entre pessoas do mesmo sexo também s&#227;o encontradas na Idade Média (ESKRIDGE, 1993: 1437). E é por volta da Alta Idade Média que parecem ter surgido os primeiros sinais de intoler&#226;ncia a esse tipo de rela&#231;&#227;o. O Código de Justiniano de 533 tornou ilícita a rela&#231;&#227;o íntima entre pessoas do mesmo sexo, porque violava o ideal crist&#227;o do casamento entre pessoas de sexos distintos (ESKRIDGE, 1993: 1447-1449). A essa época, a Igreja adotava posi&#231;&#227;o contrária &#224; rela&#231;&#227;o entre pessoas do mesmo sexo, em virtude de quest&#245;es de procria&#231;&#227;o, mas admitia, em alguns casos, esse tipo de rela&#231;&#227;o entre clérigos (ESKRIDGE, 1993: 1450). A Igreja teve papel relevante na mudan&#231;a de percep&#231;&#227;o social sobre rela&#231;&#245;es entre pessoas do mesmo sexo, o que, &#224; época, era chamado de invers&#227;o. A mudan&#231;a de atitudes adveio de um pesado investimento histórico promovido pelas institui&#231;&#245;es religiosas sobre um tipo de sexualidade &#8220;que permite a organiza&#231;&#227;o social a partir de um determinado tipo de família, baseada num casal heterossexual e monog&#226;mico e que restringe ou privilegia a prática sexual orientada para a procria&#231;&#227;o&#8221; (ADELMAN, 2000: 164).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da persegui&#231;&#227;o promovida pelos inquisidores aos praticantes de invers&#227;o, há documentos históricos que atestam a exist&#234;ncia, durante a Modernidade, de guetos ou comunidades, situados nos centros urbanos europeus, em que havia a prática da invers&#227;o (ESKRIDGE, 1993: 1472). Mas n&#227;o só na Europa os invertidos eram perseguidos. Entre 1860 e 1920, arquivos coloniais da &#205;ndia registram condena&#231;&#245;es contra sodomitas (ARONDEKAR, 2005: 20).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Também os espanhóis registraram em 1615 um costume comum entre povos pré-colombianos: &#8220;os pais &#091;davam&#093; um garoto a seu jovem filho para que ele o possuísse como uma mulher e para usá-lo como uma mulher&#8221; (ESKRIDGE, 1993: 1454). Os portugueses registraram, em 1576, que havia mulheres no nordeste brasileiro que deixavam de lado seus afazeres e agiam como homens, tendo uma mulher para lhes servir (ESKRIDGE, 1993: 1454).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Há registros de que entre os &#205;ndios norteamericanos, os Astecas, os Maias e os Incas havia uma tradi&#231;&#227;o berdache, em que um homem ou uma mulher que se tenha desviado do papel tradicional de seu g&#234;nero recebe as responsabilidades do sexo oposto, casando-se com pessoas do mesmo sexo (ESKRIDGE, 1993: 1454-1455; RUPP, 2001: 291). Nas culturas africanas também há evid&#234;ncias desse relacionamento, conforme relatos de antropólogos na década de 1930, havendo um registro do século XIX de que em uma tribo Igbo, no leste da Nigéria, uma mulher, em virtude de sua prosperidade, era casada com outra mulher (ESKRIDGE, 1993: 1419-1420 e 1460-1461).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Também na &#193;sia registra-se a prática berdache entre os Hijiras na &#205;ndia, onde homens impotentes ou emasculados assumiam o papel de mulher (ESKRIDGE, 1993: 1462-1463), bem como relatos de missionários europeus sobre a prática de invers&#227;o em sociedades polinésias, em que os homens se vestiam como mulher e se relacionavam com outros homens (RUPP, 2001: 292). Há documentos sobre uma espécie de &#8220;homossexualidade ritualizada&#8221; entre aborígenes da Austrália e da Melanésia, onde &#8220;um garoto, antes de entrar na idade adulta, deve ter uma rela&#231;&#227;o sexual temporária com um homem mais velho&#8221; (ESKRIDGE, 1993: 1468). Há evid&#234;ncias de prática homossexual institucionalizada entre os guerreiros samurais no Jap&#227;o no século XVII (ESKRIDGE, 1993: 1467; RUPP, 2001: 289), e relatos históricos oficiais de que alguns imperadores chineses tinham relacionamentos homossexuais (ESKRIDGE, 1993: 1464-1465), embora por volta do século XVI a prática homossexual entre homens tenha recebido a rubrica de &#8220;sexo ilícito&#8221; (CHIANG, 2010: 632).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O termo <i>homossexual</i> e seus correlatos eram desconhecidos até fins do século XIX, quando surgiu para substituir a palavra <i>invers&#227;o</i> (SCHULTZ, 2006: 14; SAUER, 2010: 135; MOTT, 2006: 510; FISHER, 2007: 41). Na escrita árabe medieval já existia uma palavra para o que se chama atualmente <i>lesbianismo</i> (AMER, 2009: 215). Mesmo assim, a homossexualidade continuou, durante muito tempo, a ser vista como conduta desviante, pervers&#227;o sexual, estigma, n&#227;o como identidade sexual. Se já no Medievo a homossexualidade era vista como uma anomalia, uma doen&#231;a (CHAVES, 2012: 64; OLIVEIRA, 2011: 93), a sexologia do século XIX a tornou, efetivamente, patológica. A Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as (CID) considerava a homossexualidade sob um diagnóstico psiquiátrico (CID-9), mas sua revis&#227;o (CID-10) deixou de considerá-la doen&#231;a, e, sim, como sintoma decorrente de circunst&#226;ncias psicossociais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A tend&#234;ncia atual é considerar a homossexualidade ou homoafetividade resultado de um estilo de vida baseado na livre escolha individual sobre a própria orienta&#231;&#227;o sexual (DIAS, 2011: 677; WEINRICH, 1987: 310). O resultado do exercício de uma liberdade fundamental, que, se n&#227;o encontra reconhecimento expresso em normas positivadas, tem respaldo na dignidade humana e na garantia do bem-estar de todos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. O STF e a uni&#227;o estável homossexual no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A atual Constitui&#231;&#227;o brasileira n&#227;o reconheceu formalmente a liberdade de escolha pela orienta&#231;&#227;o sexual nem a uni&#227;o estável entre pessoas do mesmo sexo, embora n&#227;o as proíba. Dados oficiais (IBGE, 2010) registram, no Brasil, cerca de 60 mil casais autodeclarados homossexuais. Mas, apesar desse n&#250;mero, inexiste uma legisla&#231;&#227;o específica para esse grupo. O que há é um conjunto de decis&#245;es judiciais, devendo-se destacar o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, que, interpretando a legisla&#231;&#227;o infraconstitucional de acordo com a Constitui&#231;&#227;o, fez história nos julgamentos da ADI 4277 e da ADPF 132, em 2011.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora haja aus&#234;ncia de previs&#227;o legal específica, o reconhecimento pelo STF demonstra que falta de reconhecimento formal n&#227;o quer dizer inexist&#234;ncia de direitos, nem impossibilidade de conceder tutela jurisdicional (DIAS, 2008: 16). Dizer o contrário constituiria viola&#231;&#227;o &#224; isonomia e &#224; liberdade de escolha, e desrespeito a aos diferentes estilos de vida. O estilo de vida baseado em uma rela&#231;&#227;o homoafetiva encontra-se, porém, cercado de preconceitos, embora, no moderno Direito das famílias, também as famílias homoafetivas tenham o direito de consolidar la&#231;os familiares.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O STF fez história ao reconhecer as uni&#245;es estáveis entre pessoas do mesmo sexo por dois motivos. O primeiro é o fato de que a legisla&#231;&#227;o infraconstitucional possuía um dispositivo id&#234;ntico a uma previs&#227;o constitucional; o que atesta a exist&#234;ncia de algo maior que uma simples interpreta&#231;&#227;o conforme a Constitui&#231;&#227;o, tendo o STF feito o papel de constituinte derivado, embora n&#227;o tenha tal legitimidade. Nos casos (ADI 4277 e ADPF 132) decididos, a pretens&#227;o era pela aplica&#231;&#227;o do regime jurídico da uni&#227;o estável entre pessoas de diferentes sexos &#224;s uni&#245;es entre pessoas do mesmo sexo. A decis&#227;o do STF, que tem eficácia <i>erga omnes</i> e efeito vinculante para a Administra&#231;&#227;o P&#250;blica e os demais órg&#227;os do Judiciário, foi confirmada em outro julgado do próprio STF (AgR-RE 477554), onde reafirmou que a uni&#227;o estável homoafetiva é um tipo de entidade familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A decis&#227;o fundamentou-se basicamente na dignidade humana como substrato legal para a liberdade de op&#231;&#227;o individual quanto &#224; orienta&#231;&#227;o sexual e na proibi&#231;&#227;o constitucional a discrimina&#231;&#245;es com base em raz&#227;o de orienta&#231;&#227;o sexual. Já que a legisla&#231;&#227;o brasileira n&#227;o fixou o modo como a sexualidade humana deve se expressar, e nem poderia faz&#234;-lo, sen&#227;o interferiria indevidamente na liberdade de escolha e na vida privada e autonomia das pessoas, o STF reconheceu que as pessoas t&#234;m &#224; sua livre disposi&#231;&#227;o como se orientar&#227;o sexual e afetivamente. Pode-se dizer, ent&#227;o, que desde 2011, na ordem jurídica brasileira, a uni&#227;o estável n&#227;o pressup&#245;e a diversidade de sexos para ser uma entidade familiar, devendo apenas haver uma conviv&#234;ncia p&#250;blica, contínua e duradoura com o objetivo de constitui&#231;&#227;o de família. Logo, embora a decis&#227;o do STF n&#227;o vincule o Poder Legislativo, toda a legisla&#231;&#227;o brasileira sobre uni&#227;o estável deve ser interpretada sem que haja como pressuposto a diversidade de sexos; além do qu&#234; os demais órg&#227;os do Poder Judiciário e a Administra&#231;&#227;o P&#250;blica devem, porque vinculados pela decis&#227;o do STF, agir de maneira a facilitar o reconhecimento dessas uni&#245;es e, inclusive, em virtude de comando constitucional, facilitar sua convers&#227;o em casamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>4. O STJ, o CNJ e a possibilidade do casamento homoafetivo no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse reconhecimento tardio n&#227;o deixa de ser interessante, pois na Alta Antiguidade Clássica Romana, o parentesco que unia os indivíduos em uma família n&#227;o decorria da consanguinidade, mas da agna&#231;&#227;o (CHAMOUN, 1968: 151-152) e da varonia (FUSTEL DE COULANGES: año 53). As famílias eram como pequenos Estados, com unidade política, econ&#244;mica e religiosa própria. A cogna&#231;&#227;o (parentesco decorrente de rela&#231;&#245;es de consanguinidade) só passa a determinar a estrutura familiar na Baixa Antiguidade Clássica Romana (CHAMOUN, 1968: 151), com a compila&#231;&#227;o de Justiniano, que originou a família moderna (CORREIA e SCIASCIA, 1953: 177).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A primeira institui&#231;&#227;o estabelecida pela religi&#227;o doméstica foi o casamento (FUSTEL DE COULANGES: año 31). A solenidade era desnecessária para que duas pessoas pudessem ser consideradas unidas em matrim&#244;nio, do que se infere que o casamento como contrato solene de uni&#227;o é constru&#231;&#227;o relativamente recente. Em virtude da necessidade de solenidade, o casamento moderno é visto como uma uni&#227;o de direito, enquanto o casamento antigo é visto como uma uni&#227;o de fato, sendo este o que se chama hoje de uni&#227;o estável, tendo sido por muito tempo denominado concubinato puro, bastando a conviv&#234;ncia entre duas pessoas, por algum tempo, &#8220;como se casados, com ou sem celebra&#231;&#227;o religiosa, para que se considerassem sob casamento&#8221; (AZEVEDO, 1994: 7).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Atualmente, a uni&#227;o estável é vista como entidade familiar entre duas pessoas, com a inten&#231;&#227;o de conviverem juntas, contínua, duradoura e publicamente e com a inten&#231;&#227;o de constituir família. Essa é a concep&#231;&#227;o adotada pelo Direito brasileiro. No entanto, embora o Direito das famílias brasileiro tenha sofrido grande influ&#234;ncia dos institutos romanos antigos, também é forte a influ&#234;ncia de institutos dos Direitos can&#244;nico e germ&#226;nico (DANTAS, 1991: 18). O casamento como sacramento é heran&#231;a de institutos can&#244;nicos, que o transformaram em rito sagrado celebrado perante Deus, na presen&#231;a de um intermediário (pároco) e de testemunhas. Com a op&#231;&#227;o pela influ&#234;ncia can&#244;nica, ficou vedada a prática de concubinatos puros, que eram severamente punidos (GAMA, 2006: 67), e tornou-se pecado a rela&#231;&#227;o sexual entre pessoas do mesmo sexo (invers&#245;es).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, desde 1890, s&#227;o adotadas formalidades que artificializaram a uni&#227;o entre duas pessoas, de modo que o Estado brasileiro passou a desconsiderar como casamento tanto a uni&#227;o de fato (por mera conviv&#234;ncia duradoura dos c&#244;njuges) quanto o casamento religioso, que, sem o posterior registro civil, é considerado como concubinato (AZEVEDO, 1994: 8). Independente disso, o fato é que o casamento é a celebra&#231;&#227;o solene da uni&#227;o estável, conferindo-lhe reconhecimento estatal. A sociedade repete nos dias de hoje, genericamente, o que a Igreja estabeleceu no Medievo: o casamento é um sacramento, &#8220;meio externo pelo qual se assegura ao indivíduo certa participa&#231;&#227;o na gra&#231;a&#8221; divina (DANTAS, 1991: 43-44), o que se comprova por dispositivos legais, que determinam que para que se considerem casadas duas pessoas, haja a declara&#231;&#227;o de um juiz.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O que se tem, atualmente, é que a família é uma constru&#231;&#227;o social, tendo amor e afeto como seus principais caracteres constituintes. &#201; a presen&#231;a de um vínculo familiar baseado na afetividade, n&#227;o importando a orienta&#231;&#227;o sexual, protegido juridicamente como entidade familiar (PEREIRA, 2011: 193-194). Aduz-se, ent&#227;o, que a diferen&#231;a entre uni&#227;o estável e casamento é a exist&#234;ncia de solenidades, já que ambos se baseiam na inten&#231;&#227;o de conviv&#234;ncia p&#250;blica, duradoura e contínua baseada no afeto entre as pessoas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Daí o entendimento adotado pelo STF desde 2011 n&#227;o se restringir &#224;s uni&#245;es estáveis, indo além, tornando possível o casamento homoafetivo, seja mediante a convers&#227;o da uni&#227;o estável, seja mediante o casamento direto. Seguindo esse rumo, o Superior Tribunal de Justi&#231;a (STJ) brasileiro decidiu (REsp 1183378), ainda em 2011, ser possível o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, reconhecendo que n&#227;o há veda&#231;&#227;o expressa e que a leitura da Constitui&#231;&#227;o indicando a veda&#231;&#227;o implícita é inaceitável. Também no mesmo caminho e para evitar a negativa que vinha sendo dada pelos cartórios de registrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o Conselho Nacional de Justi&#231;a (CNJ) brasileiro editou, em 2013, a Resolu&#231;&#227;o 175, proibindo que as autoridades competentes se recusassem a habilitar, celebrar casamentos civis ou converter uni&#227;o estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo. Embora o CNJ n&#227;o seja órg&#227;o legislativo, fixou na Resolu&#231;&#227;o 175 que o interessado pode comunicar a recusa ao juiz corregedor competente para que as provid&#234;ncias cabíveis sejam tomadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desse modo, n&#227;o há impedimentos constitucionais ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, já que, contemporaneamente, o casamento n&#227;o deve ser entendido unicamente com o fim de unir pessoas para procriar (seja pela maneira natural, seja pelas técnicas de reprodu&#231;&#227;o for&#231;adas ou assistidas), o que tornaria a possibilidade reconhecida pelo STF um equívoco. Mas, n&#227;o é só o casamento n&#227;o ter mais a finalidade de solenizar uma uni&#227;o para procria&#231;&#227;o, fundamentando-se nas liga&#231;&#245;es afetivas entre as pessoas, também o fato de a legisla&#231;&#227;o e a Constitui&#231;&#227;o brasileira n&#227;o terem uma defini&#231;&#227;o do casamento como necessariamente dependente da exist&#234;ncia de uma diversidade de sexos (CHAVES, 2012: 248).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Deveria haver no sistema constitucional e na prática brasileiros uma equipara&#231;&#227;o entre o companheiro e o c&#244;njuge, haja vista só haver distin&#231;&#227;o de formalidades entre uni&#227;o estável e casamento, devendo-se adotar, para ambos, igual regime jurídico. E isso porque as pessoas n&#227;o podem ser punidas por, no uso de suas liberdades, decidir casar ou n&#227;o e com quem se unir. No que diz respeito &#224; possibilidade do casamento homoafetivo, deve-se dizer, portanto, que, atualmente, ele é plenamente possível, de um ponto de vista jurídico, no Brasil, já que a Constitui&#231;&#227;o determina que a legisla&#231;&#227;o deva facilitar a convers&#227;o da uni&#227;o estável &#8211; e como esta é reconhecida para relacionamentos homoafetivos, fica tranquilo arguir a possibilidade do casamento homoafetivo; falta, apenas, mudar a prática. Daí que a convers&#227;o da uni&#227;o homoafetiva em casamento, respeitados os ditames e as proibi&#231;&#245;es legais, deve ser facilitada, para garantir todos os direitos inerentes &#224;s famílias, seja ou n&#227;o homoafetivas, para preservar os direitos e garantias fundamentais intrínsecos a qualquer pessoa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>5. Conclus&#245;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante disso, tr&#234;s conclus&#245;es s&#227;o formuladas: 1) Uni&#245;es estáveis entre pessoas do mesmo sexo ou entre pessoas de sexos opostos existem desde pelo menos a Antiguidade, havendo vários relatos, ainda que indiretos, de que entre os povos antigos os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo eram comuns e até socialmente tolerados. Há relatos dessa prática nas Idades Média, Moderna e Contempor&#226;nea, com ou sem a toler&#226;ncia social ou estatal. Assim, o direito de optar por determinada orienta&#231;&#227;o sexual é uma liberdade natural humana, independente de formaliza&#231;&#227;o legal ou constitucional; 2) A Constitui&#231;&#227;o brasileira atual determina, com a nova interpreta&#231;&#227;o dada pelo STF e seguida pelo STJ e pelo CNJ, que o legislador facilite a convers&#227;o de qualquer uni&#227;o estável em casamento. Isso permite dizer que já foi reconhecido no Brasil o casamento entre pessoas do mesmo sexo, além do que há uma tend&#234;ncia, ainda que tímida, de que se igualem os regimes jurídicos da uni&#227;o estável e do casamento; 3) A diferen&#231;a entre uni&#227;o estável e casamento é quest&#227;o de formalidade. Ambos dependem da vontade de duas pessoas estarem juntas e de manifestarem esta inten&#231;&#227;o publicamente, de maneira que o registro (diferencial do casamento) n&#227;o é condi&#231;&#227;o necessária para a forma&#231;&#227;o de uma entidade familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, gra&#231;as aos princípios, objetivos e direitos fundamentais reconhecidos pela atual Constitui&#231;&#227;o brasileira, notadamente a prote&#231;&#227;o dada pelo Estado &#224; família, independente de sua constitui&#231;&#227;o, deve-se reconhecer iguais direitos a c&#244;njuges e companheiros, sem quaisquer discrimina&#231;&#245;es, pois, somente assim será efetivada a igualdade substancial e respeitada a dignidade humana.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6. Refer&#234;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. ADELMAN, Míriam. Paradoxos da identidade: a política de orienta&#231;&#227;o sexual no século XX. <i>Revista de Sociologia e Política</i>, vol. 14. Curitiba: UFPR, jun. 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541629&pid=S1886-5887201400030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. AMER, Sahar. Medieval Arab lesbians and lesbian-like women. <i>Journal of the History of Sexuality</i>, vol. 18, n. 2. Austin: University of Texas Press, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541631&pid=S1886-5887201400030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. ARONDEKAR, Anjali. Without a trace: sexuality and the colonial archive. <i>Journal of the History of Sexuality</i>, vol. 14, n. 1/2. Austin: University of Texas Press, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541633&pid=S1886-5887201400030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. AZEVEDO, &Aacute;lvaro Villa&ccedil;a. Uni&atilde;o estavel antiga forma do casamento de fato. <i>Revista dos Tribunais</i>, n. 701. S&atilde;o Paulo: Revista dos Tribunais, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541635&pid=S1886-5887201400030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. CHAMOUN, Ebert. <i>Institui&#231;&#245;es de direito romano</i>. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1968.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541637&pid=S1886-5887201400030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. CHAVES, Marianna. <i>Homoafetividade e Direito:</i> prote&ccedil;&atilde;o constitucional, uni&otilde;es, casamento e parentalidade. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541639&pid=S1886-5887201400030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. CHIANG, Howard. Epistemic modernity and the emergence of homosexuality in China. <i>Gender &amp; History</i>, vol. 22, n. 3, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541641&pid=S1886-5887201400030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. CORREIA, Alexandre; SCIASCIA, Gaetano. Manual de direito romano e textos em correspond&ecirc;ncia com os artigos do código civil brasileiro. 2. ed. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 1953, vol. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541643&pid=S1886-5887201400030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. DANTAS, San Tiago. <i>Direitos de família e das sucess&otilde;es</i>. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541645&pid=S1886-5887201400030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. DIAS, Maria Berenice. A homoafetividade como direito humano. <i>In</i>: FABRIZ, Daury Cesar <i>et al.</i> (coord.). <i>O tempo e os direitos humanos</i>. Rio de Janeiro/Vitória: Lumen Juris/Acesso, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541647&pid=S1886-5887201400030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. DIAS, Maria Berenice. <i>A invisibilidade das uni&otilde;es homoafetivas e a omiss&atilde;o da Justi&ccedil;a</i>. In: DIAS, Maria Berenice; PINHEIRO, Jorge Duarte (coord.). Escritos de Direito de Família: uma perspectiva luso-brasileira. Porto Alegre, Magister, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541649&pid=S1886-5887201400030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. ESKRIDGE JR., William N. A history of same-sex marriage. <i>Virginia Law Review</i>, vol. 79, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541651&pid=S1886-5887201400030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. FISHER, Will. The sexual politics of Victorian historiographical writing about the &#8220;Renaissance&#8221;. <i>GLQ &#8211; A Journal of Leasbian and Gay Studies</i>, vol. 14, n. 1 (Duke University Press), 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541653&pid=S1886-5887201400030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. FUSTEL DE COULANGES, Numa Denis. <i>A cidade antiga</i>: estudos sobre o culto, o direito, as institui&ccedil;&otilde;es da Gricia e de Roma. Trad. Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541655&pid=S1886-5887201400030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. GAMA, Guilherme Calmon Nogueira da. &#8220;Uni&atilde;o estável&#8221; no Código Civil de 2002. <i>Revista da Se&ccedil;&atilde;o Judiciária do Rio de Janeiro</i>, n. 18, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541657&pid=S1886-5887201400030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. IBGE. <i>Censo 2010</i>. Disponível em: &lt;<a target="_blank" href="http://censo2010.ibge.gov.br/">http://censo2010.ibge.gov.br/</a>&gt;. Acesso em 06 jan. 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541659&pid=S1886-5887201400030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. MOREIRA, Adilson José. Uni&atilde;o homoafetiva: a constru&ccedil;&atilde;o da igualdade na jurisprud&ecirc;ncia brasileira. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541661&pid=S1886-5887201400030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. MOTT, Luis. Homo-afetividade e direitos humanos. <i>Estudos Feministas</i>, vol. 14, n. 2. Florianópolis: UFSC, maio/ago. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541663&pid=S1886-5887201400030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. OLIVEIRA, Regis Fernandes de. <i>Homossexualidade</i>: uma vis&atilde;o mitológica, religiosa, filosófica e jurídica. S&atilde;o Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541665&pid=S1886-5887201400030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. <i>Princípio da afetividade</i>. <i>In:</i> DIAS, Maria Berenice. <i>Diversidade sexual e direito homoafetivo.</i> S&atilde;o Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4541667&pid=S1886-5887201400030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. RUPP, Leila J. Toward a global history of same-sex sexuality. <i>Journal of the History of Sexuality</i>, vol. 10, n. 2. 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