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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cultura e ética na formação familiar: a poligamia e a sua repressão no ocidente]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Christian culture is built as the predominant cultural model in the west. This assertion take effect in various social fields -for example, in the family. The western family eminently follows the model of monogamous life, as typical christian entity. However, a significant portion of western countries just restricting other forms of family unit, as in relation to polygamous model. One should fight any form of suppression of minority cultures, in respect to the principle of freedom and plural coexistence principles of democratic states.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="2"><b>ART&Iacute;CULO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Cultura e &eacute;tica na forma&ccedil;&atilde;o familiar: a poligamia e a sua repress&atilde;o no ocidente</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Culture and ethics in family formation: polygamy and its repression in the West</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ricardo Oliveira Rotondano</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Advogado. Especialista em Direito Constitucional pela Universidade Gama Filho. Mestre em Direito pela Universidade de Bras&iacute;lia. E-mail: <a href="mailto:oliveirarotondano@uol.com.br">oliveirarotondano@uol.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A cultura crist&atilde; encontra-se edificada como modelo cultural predominante no ocidente. Tal assertiva produz efeitos nos mais variados campos sociais -como, por exemplo, na fam&iacute;lia. A fam&iacute;lia ocidental segue eminentemente o modelo monog&acirc;mico de vida, como t&iacute;pica entidade crist&atilde;. Entretanto, parcela significativa dos pa&iacute;ses ocidentais acaba cerceando as demais formas de entidade familiar, como ocorre em rela&ccedil;&atilde;o ao modelo polig&acirc;mico. Deve-se combater qualquer modalidade de supress&atilde;o de culturas minorit&aacute;rias, em respeito ao princ&iacute;pio da liberdade e aos preceitos de conviv&ecirc;ncia plural dos Estados democr&aacute;ticos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> cultura; democracia; &eacute;tica; fam&iacute;lia; poligamia.</font></p> <hr size="1">     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Christian culture is built as the predominant cultural model in the west. This assertion take effect in various social fields -for example, in the family. The western family eminently follows the model of monogamous life, as typical christian entity. However, a significant portion of western countries just restricting other forms of family unit, as in relation to polygamous model. One should fight any form of suppression of minority cultures, in respect to the principle of freedom and plural coexistence principles of democratic states.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> culture; democracy; ethic; family; poligamy.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O surgimento dos fatores culturais de uma sociedade ocorre dentro de um processo em que h&aacute; influ&ecirc;ncia de diversos elementos. Tais fatores, ao serem disseminados socialmente, imp&otilde;em-se como um padr&atilde;o de cultura espec&iacute;fico da comunidade na qual foi adotada, servindo como par&acirc;metro de civilidade e coes&atilde;o entre os seus membros. O padr&atilde;o cultural estabelecido passa a estar vinculado aos indiv&iacute;duos como o modo correto de vida a ser seguido por eles, sendo praticado e mesmo exigido por seus pr&oacute;prios membros ante os demais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entre eles, a religi&atilde;o se constitui como um dos principais fatores de modelagem da mentalidade humana, direcionando o exerc&iacute;cio apreens&atilde;o do mundo f&iacute;sico pelo homem segundo determinados padr&otilde;es morais e &eacute;ticos. Assim sendo, o indiv&iacute;duo passa a interpretar as pr&aacute;ticas em suas rela&ccedil;&otilde;es sociais cotidianas segundo classifica&ccedil;&otilde;es de corre&ccedil;&atilde;o vinculadas ao modelo pr&eacute;- estabelecido pela cren&ccedil;a religiosa adotada. Adota, em consequ&ecirc;ncia, um estilo de vida vinculado &agrave; sua consci&ecirc;ncia moral religiosa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na parcela ocidental do planeta, impera como padr&atilde;o religioso o culto aos preceitos crist&atilde;os -seja na sua vertente cat&oacute;lica, seja em sua modalidade evang&eacute;lica. Com o Brasil, n&atilde;o &eacute; diferente: cerca de 85% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira atual declarou ser adepta de religi&otilde;es crist&atilde;s. Como elemento cultural de grande for&ccedil;a persuasiva, a religi&atilde;o crist&atilde; exerce a fun&ccedil;&atilde;o de instituto modelador da vis&atilde;o de mundo do povo brasileiro, influenciando consequentemente a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas ligadas &agrave; sua religi&atilde;o -e, consequentemente, a identificar como err&ocirc;neas quaisquer atitudes que contrariem frontalmente o modo de vida cultural crist&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma s&eacute;rie de paradigmas cultural-religiosos passa, assim, a ostentar car&aacute;ter obrigat&oacute;rio para toda a popula&ccedil;&atilde;o, quando s&atilde;o adotados por uma parcela majorit&aacute;ria de determinado povo. Entre os in&uacute;meros exemplos que poderiam ser destacados, o presente estudo d&aacute; &ecirc;nfase ao car&aacute;ter monog&acirc;mico obrigat&oacute;rio da fam&iacute;lia brasileira. Para entender o panorama em destaque, &eacute; preciso analisar com mais profundidade as bases te&oacute;ricas acerca da for&ccedil;a que a religi&atilde;o det&eacute;m no meio social como elemento formador da cultura. Ademais, verificar-se-&aacute; se &eacute; correta a imposi&ccedil;&atilde;o social de determinado padr&atilde;o cultural para toda a popula&ccedil;&atilde;o -inclusive para as minorias, que tenham modos de vida diferenciados do modo de vida amplamente majorit&aacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. Cultura e &eacute;tica na forma&ccedil;&atilde;o humana</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por certo, a carga gen&eacute;tica do ser humano -recebida como consequente heran&ccedil;a dos seus genitores- carrega uma s&eacute;rie de disposi&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas que ir&atilde;o influenciar a forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo. N&atilde;o obstante a cren&ccedil;a acerca desse processo ser comumente disseminada como algo poderoso e definitivo, seguindo o ditado popular "tal pai, tal filho", a estrutura biogen&eacute;tica de cada sujeito reflete apenas uma pequena parcela do que este vir&aacute; a se tornar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A bagagem gen&eacute;tica, como fator intr&iacute;nseco do ser humano, fornece apenas os caracteres b&aacute;sicos da forma&ccedil;&atilde;o humana. Em geral, cont&eacute;m as disposi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas relativas ao processo evolutivo do indiv&iacute;duo. A sua forma&ccedil;&atilde;o intelectiva -que comp&otilde;e, para as ci&ecirc;ncias sociais, o aspecto mais importante da forma&ccedil;&atilde;o do sujeito- &eacute; claramente influenciada de modo majorit&aacute;rio pelas fontes de informa&ccedil;&atilde;o externas ao ser humano.<sup>1</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Estas fontes externas s&atilde;o os elementos culturais. A estrutura social que comp&otilde;e um modo de vida espec&iacute;fico -imbu&iacute;do de racionalidades e s&iacute;mbolos &iacute;mpares- atua inconscientemente na mentalidade humana, delineando a sua vis&atilde;o de mundo em determinado sentido. &Eacute; desse modo que, desde o nascimento, as crian&ccedil;as t&ecirc;m a sua racionalidade moldada pelos aspectos culturais do local e do povo no qual vivem e mant&eacute;m constante contato.<sup>2</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">H&aacute;, aqui, uma clara rela&ccedil;&atilde;o de complementaridade. A carga gen&eacute;tica humana claramente n&atilde;o &eacute; capaz de definir com rigor os aspectos intelectivos do sujeito. Esse espa&ccedil;o vazio &eacute; ocupado pela cultura, atuando de modo a estabelecer a adequa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo ao meio em que vive, adotando pr&aacute;ticas de determinado modo de vida a partir da sua vincula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o intencional &agrave; cultura na qual a sua mentalidade foi moldada.<sup>3</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O vi&eacute;s cultural se traduz em uma s&eacute;rie de modalidades diferentes que atuam na domestica&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo para a sua adequa&ccedil;&atilde;o ao sistema de s&iacute;mbolos de determinado modo de vida. A religi&atilde;o pode estabelecer o respeito &agrave;s normas sagradas por interm&eacute;dio do temor a entidades que imp&otilde;em san&ccedil;&otilde;es em vida, ou por meio de uma suposta recompensa ap&oacute;s a morte. A economia pode estipular um modo de vida individualista e consumista, ou estabelecer pr&aacute;ticas sociais solid&aacute;rias e distributivas. Aquele que convive sob cada um destes diferentes elementos tende naturalmente a seguir as pr&aacute;ticas sociais estabelecidas em sua comunidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; justamente a partir da grande contribui&ccedil;&atilde;o da simbologia cultural para a forma&ccedil;&atilde;o da mentalidade humana que influencia o campo valorativo do indiv&iacute;duo. Os preceitos &eacute;ticos e morais deste s&atilde;o elaborados mediante a vis&atilde;o de mundo cultural arraigada em sua viv&ecirc;ncia. A experi&ecirc;ncia cultural atua de modo t&atilde;o profundo na forma&ccedil;&atilde;o da identidade coletiva e individual que o sujeito que somente aquele modo de vida faz sentido para seus membros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">H&aacute; a fixa&ccedil;&atilde;o de um conjunto dogm&aacute;tico acerca dos valores morais que perpassam determinado panorama cultural no ju&iacute;zo de validade do sujeito acerca das suas a&ccedil;&otilde;es e das pr&aacute;ticas de todos os demais indiv&iacute;duos. O sujeito passa a pautar suas a&ccedil;&otilde;es e a realizar um julgamento de valor acerca dos atos de outrem a partir das caracter&iacute;sticas que este internalizou do modo de vida coletivo ao qual est&aacute; integrado. Identifica-se aqui a inerente liga&ccedil;&atilde;o entre &eacute;tica e cultura, em uma rela&ccedil;&atilde;o de simbiose atestada a partir da an&aacute;lise intelectiva humana.<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como elemento modelador da vis&atilde;o de mundo do homem, a cultura influencia toda a constru&ccedil;&atilde;o social dos indiv&iacute;duos. N&atilde;o somente as a&ccedil;&otilde;es humanas, mas igualmente as suas institui&ccedil;&otilde;es sociais s&atilde;o criadas segundo crit&eacute;rios culturais. Dessa forma, a institui&ccedil;&atilde;o familiar -como uma inequ&iacute;voca institui&ccedil;&atilde;o social- n&atilde;o est&aacute; livre da interven&ccedil;&atilde;o cultural. Este &eacute; o tema ao qual se presta o pr&oacute;ximo t&oacute;pico, no qual analisaremos a for&ccedil;a que det&eacute;m a cultura em estabelecer certo par&acirc;metro social de fam&iacute;lia a ser seguido.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. A forma&ccedil;&atilde;o cultural familiar</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De modo inequ&iacute;voco, os fatores culturais encontram estreita rela&ccedil;&atilde;o com o plano familiar, como aponta Paulo Antonio de Menezes Albuquerque.<sup>5</sup> Aduz o autor que seria um equ&iacute;voco desprezar a intensa correla&ccedil;&atilde;o existente entre o aspecto cultural e o familiar, tendo em vista que "al&eacute;m de manter tradi&ccedil;&otilde;es e valores vigentes e de responder pela reprodu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de seus membros, a fam&iacute;lia atua em rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima com o modo de organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, refletindo-a em sua pr&oacute;pria vis&atilde;o de mundo".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; justamente desse modo que ocorreu a edifica&ccedil;&atilde;o dos preceitos monog&acirc;micos em territ&oacute;rio ocidental. Ao ser disseminada culturalmente, gera&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s gera&ccedil;&atilde;o, a monogamia tornou-se um dogma enraizado na popula&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses ocidentais. N&atilde;o poderia ser diferente: ap&oacute;s milhares de anos sob o manto da fam&iacute;lia monog&acirc;mica, estabeleceu-se o senso comum de que os homens e as mulheres somente podem se amar sob a monogamia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Est&aacute; arraigado o entendimento de que as rela&ccedil;&otilde;es afetivas precisam de uma sagra&ccedil;&atilde;o social qualquer e que as crian&ccedil;as precisam das figuras materna e paterna, tais como hoje conhecemos Assim sendo, "amar se tornou sin&ocirc;nimo de constituir fam&iacute;lia -e constituir fam&iacute;lia se tornou sin&ocirc;nimo de monogamia".<sup>6</sup> A edifica&ccedil;&atilde;o dos preceitos culturais religiosos crist&atilde;os na sociedade ocidental provocou a sua consequente obrigatoriedade social, exigida pelos pr&oacute;prios indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A ascens&atilde;o monog&acirc;mica como modelo familiar predominante no mundo guarda estreita rela&ccedil;&atilde;o com dois principais fatores hist&oacute;rico-globais. O primeiro deles se refere &agrave; necessidade socioecon&ocirc;mica de acumula&ccedil;&atilde;o de propriedade, tendo em vista que o modelo familiar anterior n&atilde;o correspondia a este objetivo.<sup>7</sup> A partir do instante em que irromperam na sociedade elementos concernentes &agrave; uma estrutura individualista e patrimonial, exigiu-se a mudan&ccedil;a do paradigma familiar anterior.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Isto porque, anteriormente, n&atilde;o havia o controle relacional afetivo das mulheres -e consequentemente, havia dificuldades na identifica&ccedil;&atilde;o da prole com exatid&atilde;o. A imposi&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico parceiro sexual foi o instrumento utilizado pelas sociedades em transi&ccedil;&atilde;o para controlar a sexualidade feminina, de modo a visualizar com alto grau de certeza a liga&ccedil;&atilde;o de parentesco entre os filhos- futuros herdeiros do patrim&ocirc;nio -e os seus respectivos pais- que deixariam determinada heran&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mais adiante, inferimos que a modalidade monog&acirc;mica na parte ocidental do planeta teve a sua dissemina&ccedil;&atilde;o e edifica&ccedil;&atilde;o estimulada pelos preceitos crist&atilde;os. N&atilde;o obstante a sociedade ter adotado o controle da fecundidade feminina, tal padr&atilde;o estabeleceu-se somente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher -e n&atilde;o ao homem, que em diversas culturas poderia ter mais de uma esposa. A poligamia ainda ocupava espa&ccedil;o dentro da sociedade, unicamente na modalidade da poliginia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A prolifera&ccedil;&atilde;o de preceitos crist&atilde;os entre a popula&ccedil;&atilde;o ocidental ocorreu apesar da intensa repress&atilde;o institucional dos governos romanos da &eacute;poca. Preceitos estes que inclu&iacute;am o modo de vida estritamente monog&acirc;mico, com a obrigatoriedade da unicidade de parceiros tanto para o homem quanto para a mulher.<sup>8</sup> A ado&ccedil;&atilde;o do cristianismo como religi&atilde;o oficial do vasto imp&eacute;rio romano foi o &aacute;pice do hist&oacute;rico crist&atilde;o no ocidente -que, a partir da&iacute;, serviu como par&acirc;metro religioso para os futuros Estados nacionais europeus e consequentemente para as suas col&ocirc;nias na Am&eacute;rica e na &Aacute;frica.<sup>9</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ante esta breve explana&ccedil;&atilde;o, podemos delinear os aspectos hist&oacute;rico-culturais que levaram &agrave; ado&ccedil;&atilde;o do modelo monog&acirc;mico no ocidente. Mais do que isso, h&aacute; n&atilde;o s&oacute; a partilha majorit&aacute;ria de uma cultura monog&acirc;mica comum; existe o cerceamento social e institucional, em muitos dos Estados ocidentais, para o estabelecimento da entidade familiar polig&acirc;mica. O pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo se destina &agrave; an&aacute;lise acerca desta imposi&ccedil;&atilde;o cultural para a minoria que pretenda optar por um modelo familiar diverso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. A repress&atilde;o &agrave; poligamia no ocidente</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Curioso &eacute; notar que tal cerceamento cultural adv&eacute;m da parcela ocidental do globo, que constantemente discursa acerca da essencialidade dos esfor&ccedil;os mundiais para a implementa&ccedil;&atilde;o de valores democr&aacute;ticos e liberais. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que o discurso dos direitos humanos -uma constru&ccedil;&atilde;o europeia voltada, em verdade, para a consecu&ccedil;&atilde;o das necessidades pr&oacute;prias do seu povo<sup>10</sup>- assumem a roupagem de linguagem universal garantidora da liberdade humana.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; certo que muitas cr&iacute;ticas destinadas ao trato de culturas diferenciadas em pa&iacute;s orientais nas quais vigora uma maior influ&ecirc;ncia religiosa t&ecirc;m fundamento. Uma s&eacute;rie de pr&aacute;ticas sociais que somente dizem respeito &agrave; esfera privada do sujeito s&atilde;o constantemente discriminadas e imputadas, por vezes, como crimes nos pa&iacute;ses com governos mais radicais. A pr&aacute;tica da homossexualidade &eacute; uma delas, que vem enfrentando s&eacute;rias repres&aacute;lias aos seus praticantes em na&ccedil;&otilde;es por todo o mundo, em especial nas quais vigoram institui&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas.<sup>11</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, muitos pa&iacute;ses ocidentais como o Brasil, adeptos de uma cultura democr&aacute;tica pluralista e respeitosa dos direitos humanos fundamentais, ainda est&atilde;o vinculados a uma heran&ccedil;a hist&oacute;rico-cultural dogm&aacute;tica e retr&oacute;grada. No Brasil, vigoram dispositivos legais que impedem a constitui&ccedil;&atilde;o de entidade familiar polig&acirc;mica, sendo esta claramente uma imposi&ccedil;&atilde;o cultural crist&atilde; sobre as demais modalidades de experi&ecirc;ncia cultural.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ilustramos a referida assertiva a partir da an&aacute;lise do C&oacute;digo Civil brasileiro -que goza de claros preceitos religiosos crist&atilde;os em toda a sua extens&atilde;o. O art. 1.521 do referido instituto jur&iacute;dico deixa claro que "N&atilde;o podem casar: (...) VI - as pessoas casadas", sendo este o denominado impedimento civil ao casamento polig&acirc;mico. Dessa forma, somente ser&aacute; legalmente v&aacute;lido e leg&iacute;timo a uni&atilde;o civil adquirida mediante o respeito &agrave; matriz familiar monog&acirc;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como se tal refer&ecirc;ncia legislativa n&atilde;o fosse o suficiente para atestar a manuten&ccedil;&atilde;o de dispositivos preconceituosos no ordenamento brasileiro, h&aacute; ainda a proibi&ccedil;&atilde;o da entidade familiar polig&acirc;mica no &acirc;mbito penal. O C&oacute;digo Penal brasileiro estipula pena de reclus&atilde;o, de dois a seis anos, para o fato de "Contrair algu&eacute;m, sendo casado, novo casamento". Aquele que n&atilde;o &eacute; casado, mas t&ecirc;m ci&ecirc;ncia de estar se casando com algu&eacute;m que j&aacute; &eacute; casado, tamb&eacute;m ser&aacute; punido, com reclus&atilde;o ou deten&ccedil;&atilde;o, de um a tr&ecirc;s anos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em que medida as duas pr&aacute;ticas se distinguem? Existe repress&atilde;o cultural tanto em pa&iacute;ses orientais referentes a pr&aacute;ticas alheias &agrave; sua cultura religiosa predominante como nos pa&iacute;ses ocidentais. Se inferirmos o fato de que o estabelecimento de uma cultura monog&acirc;mica obrigat&oacute;ria nos pa&iacute;ses ocidentais decorreu da for&ccedil;a institucional, social e cultural das religi&otilde;es crist&atilde;s, concluiremos que a diferen&ccedil;a entre tais pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias &eacute; m&iacute;nima ou inexistente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o se pode obrigar os cidad&atilde;os a adotar pr&aacute;ticas culturais de determinada cultura, ainda que tal pr&aacute;tica seja recorrente e perten&ccedil;a &agrave; grande maioria daquela popula&ccedil;&atilde;o. A liberdade de escolha do modo de vida que se pretende adotar e seguir pertence &agrave; esfera privada do cidad&atilde;o: nem a sociedade nem o Estado podem interferir nesta seara. Sobre esta assertiva, cabe maiores reflex&otilde;es, que realizaremos no cap&iacute;tulo a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5. Pluralismo e diversidade cultural: o direito &agrave; fam&iacute;lia polig&acirc;mica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A ado&ccedil;&atilde;o de certos preceitos culturais por determinada comunidade n&atilde;o pode se impor sobre o desejo daqueles que n&atilde;o optarem por seguir tais regramentos sociais. Deve-se respeitar o direito de cada um adotar o modo de vida que melhor lhe aprouver, sem que haja a obrigatoriedade da ado&ccedil;&atilde;o de quaisquer preceitos compartilhados pela comunidade. Em aspectos culturais, o valor liberdade goza de especial relev&acirc;ncia, desobstruindo-se as barreiras que se configurem como impedimentos para que o sujeito possa expressar seus valores culturais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A conviv&ecirc;ncia social a partir do diferente conv&iacute;vio de ideias que perpassa a diversidade cultural inerente ao Estado democr&aacute;tico deve primar pela toler&acirc;ncia e respeito m&uacute;tuos. O respeito &agrave; diversidade e &agrave; pluralidade de modos de vida &eacute; fator que enrique o espa&ccedil;o em comum, impedindo qualquer tentativa de sobrepor uma forma de viv&ecirc;ncia &agrave; outra. Nesse sentido, confere- se constantemente a op&ccedil;&atilde;o para que o sujeito adote o modo de vida que desejar, sem que haja o estabelecimento de uma monocultura alienante e opressora pela comunidade e pelo Estado.<sup>12</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; este o cerne da democracia: manter vivo o debate ideol&oacute;gico proveniente de um espa&ccedil;o cultural m&uacute;ltiplo, onde as diverg&ecirc;ncias hist&oacute;rico-sociais estejam sempre em di&aacute;logo.<sup>13</sup> O constante debate intelectivo entre os diferentes modos de vida serve para que, ante a conviv&ecirc;ncia com aspectos culturais diferentes, o indiv&iacute;duo possa refletir sobre suas pr&aacute;ticas internalizadas, tendo a oportunidade de questionar os conceitos pr&eacute;-estabelecidos e modific&aacute;-los, sempre que desejar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, a inexist&ecirc;ncia de modelos culturais polig&acirc;micos no territ&oacute;rio ocidental somente contribui para a continuidade da obrigatoriedade social e legal da fam&iacute;lia monog&acirc;mica. &Eacute; preciso investir e estimular a constru&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias plurais e diversificadas, para que se possa provocar uma reflex&atilde;o prof&iacute;cua acerca das bases culturais que revestem a fam&iacute;lia monog&acirc;mica contempor&acirc;nea. Mais do que isso, almeja-se conceder a efetiva possibilidade de ado&ccedil;&atilde;o de preceitos familiares n&atilde;o crist&atilde;os para a popula&ccedil;&atilde;o em geral.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O panorama em destaque conduz &agrave; discuss&atilde;o acerca dos direitos que as minorias det&ecirc;m de terem os seus direitos resguardados ante as investidas da maioria em cerce&aacute;-los ou suprimi-los. O debate acerca da chamada ditadura da maioria<sup>14</sup> &eacute; pautado pela utiliza&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da maioria -instrumento que rege a condu&ccedil;&atilde;o de decis&otilde;es democr&aacute;ticas- muitas vezes para fundamentar a imposi&ccedil;&atilde;o de certos preceitos majorit&aacute;rios ante as minorias dentro da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Estado, por sua vez, amparado pela correta utiliza&ccedil;&atilde;o formal do procedimento democr&aacute;tico de decis&atilde;o, acaba por reafirmar tais imposi&ccedil;&otilde;es, cerceando e suprimindo modos de vida minorit&aacute;rios. Tal pr&aacute;tica acaba por corromper a ess&ecirc;ncia democr&aacute;tica: o livre e pleno debate de ideias entre distintos modos de pensar.<sup>15</sup> A composi&ccedil;&atilde;o social pluralista e diversificada passa a moldar-se em formatos &uacute;nicos e dogm&aacute;ticos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">V&ecirc;-se claramente que a composi&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da sociedade n&atilde;o pode impor o seu modo de vida para a parcela minorit&aacute;ria de modo arbitr&aacute;rio, especialmente no que diz respeito &agrave;s decis&otilde;es da vida privada dos cidad&atilde;os. Existem limites ao poder que a maioria det&eacute;m de estabelecer comandos estatais por interm&eacute;dio do princ&iacute;pio da maioria no regime democr&aacute;tico.<sup>16</sup> Os direitos das minorias, nesse sentido, devem ser respeitados e mantidos inc&oacute;lumes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">H&aacute; aqui um evidente conflito entre autoridade e liberdade, posto em tela. O Estado &eacute; usualmente reconhecido por estabelecer regramentos jur&iacute;dicos em prol do bem-estar social, mantendo a ordem e a paz nas rela&ccedil;&otilde;es entre os sujeitos. Tais regramentos adv&ecirc;m da vontade do pr&oacute;prio povo -derivando desse preceito as li&ccedil;&otilde;es acerca da liberdade positiva dos sujeitos: somente se submeter &agrave;s leis &agrave;s quais o pr&oacute;prio sujeito se imp&ocirc;s.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, falar em poder do povo &eacute; falar, em verdade, acerca do poder de uma parcela majorit&aacute;ria do povo -e n&atilde;o da sua totalidade. &Eacute; comum -e saud&aacute;vel- que n&atilde;o se estabele&ccedil;am consensos un&iacute;ssonos entre a popula&ccedil;&atilde;o sobre as mais variadas quest&otilde;es. Ocorre que a parcela majorit&aacute;ria pode desejar oprimir os grupos minorit&aacute;rios, impondo-lhes seu modo de vida. Para que isso n&atilde;o ocorra, &eacute; necess&aacute;rio adotar certos mecanismos a fim de proteger as minorias contra poss&iacute;veis arbitrariedades da maioria.<sup>17</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desse modo, urge a necessidade de romper com os dogmas pr&eacute;-estabelecidos que autorizam a segrega&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas sociais minorit&aacute;rias. &Eacute; preciso investir em pr&aacute;ticas jur&iacute;dico- sociais pluralistas, tendo em vista que o direito deve ser constru&iacute;do conferindo a livre oportunidade de escolhas &eacute;tico-culturais aos cidad&atilde;os. Cr&ecirc;-se, nesse &iacute;nterim, que o direito deve ser pautado pela pluralidade, constituindo e respeitando o direito &agrave; diferen&ccedil;a e &agrave; identidade plural dos sujeitos.<sup>18</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um Estado democr&aacute;tico, que respeite e estimule as diferen&ccedil;as entre os sujeitos, n&atilde;o deve impor qualquer pr&aacute;tica cultural como obrigat&oacute;ria, cerceando as pr&aacute;ticas que divergem daquele modo de vida. Isto implicaria em um etnocentrismo completamente avesso &agrave; livre oportunidade e escolha de modos de vida.<sup>19</sup> A teoria democr&aacute;tico-estatal deve implementar a ideologia do relativismo cultural como fonte das rela&ccedil;&otilde;es intersubjetivas entre as diferentes culturas, visto que n&atilde;o h&aacute; um &uacute;nico e supremo modo de vida a ser seguido.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A segrega&ccedil;&atilde;o cultural e legislativa do modo de vida polig&acirc;mico, nesse &iacute;nterim, &eacute; injustific&aacute;vel. A supress&atilde;o da possibilidade de instituir uma fam&iacute;lia polig&acirc;mica nos mais diversos Estados do ocidente se traduz como clara imposi&ccedil;&atilde;o da maioria crist&atilde; ante pr&aacute;ticas de culturas minorit&aacute;rias, constantemente subalternizadas. A abertura social e legal para as mais variadas formas de conviv&ecirc;ncia familiar -incluindo-se a poligamia- &eacute; direito inerente ao cidad&atilde;o, de optar pela forma de vida que melhor lhe aprouver.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A predomin&acirc;ncia da cultura crist&atilde; na parte ocidental do planeta gera, em consequ&ecirc;ncia, a pr&aacute;tica de preceitos oriundos deste modo de vida pela maioria absoluta da popula&ccedil;&atilde;o. A vis&atilde;o de mundo espec&iacute;fica destes sujeitos, imbu&iacute;do em um elemento cultural majorit&aacute;rio e compartilhado quase que consensualmente, faz com que o modo de vida crist&atilde;o seja encarado como o &uacute;nico modelo socialmente aceit&aacute;vel e correto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, os demais modelos culturais religiosos que n&atilde;o seguem os ensinamentos crist&atilde;os s&atilde;o encarados como estere&oacute;tipos incorretos de viv&ecirc;ncia. Esta &eacute; uma das principais consequ&ecirc;ncias da domestica&ccedil;&atilde;o cultural: n&atilde;o somente adotar os preceitos de determinado modo de vida, mas igualmente encarar as formas de viv&ecirc;ncia alheias como desviadas e imorais. A &eacute;tica humana det&eacute;m, nestes termos, estreita liga&ccedil;&atilde;o com o modelo cultural adotado pelo indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A fam&iacute;lia n&atilde;o escapa aos delineamentos culturais e &agrave; consequente caracteriza&ccedil;&atilde;o como correta/err&ocirc;nea. A fam&iacute;lia pregada pela doutrina crist&atilde; prev&ecirc; a monogamia como &uacute;nica modalidade de conviv&ecirc;ncia aceit&aacute;vel, renegando a possibilidade de coexist&ecirc;ncia com o modelo polig&acirc;mico. As entidades familiares avessas ao conceito crist&atilde;o, dessa forma, encontram rigorosa resist&ecirc;ncia social e estatal -tendo em vista a inerente tend&ecirc;ncia da maioria tentar impor os preceitos compartilhados majoritariamente para as minorias culturais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No entanto, os direitos de manter os aspectos culturais de diferentes culturas dentro da sociedade &eacute; um direito inato &agrave; democracia e aos cidad&atilde;os. A conviv&ecirc;ncia entre os diferentes modos de vida diz respeito &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o, entre outros, do direito &agrave; liberdade -pilar da sociedade. O direito &agrave; diferen&ccedil;a -ou seja, o direito que o sujeito det&eacute;m de resguardar a sua individualidade privada, o modo de vida que desejar- &eacute; o limite interposto contra a arbitrariedade da maioria, ao usar o Estado e o princ&iacute;pio da maioria para tentar suprimir as culturas minorit&aacute;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim sendo, todo Estado democr&aacute;tico deve primar pelo respeito aos mais diferentes modos de vida. O ocidente, que comumente imp&otilde;e aos sujeitos a forma monog&acirc;mica familiar como institui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria, acaba por cercear a pluralidade de conviv&ecirc;ncias nas rela&ccedil;&otilde;es familiares que somente dizem respeito &agrave;s escolhas dos pr&oacute;prios indiv&iacute;duos. Prezar pela multiculturalidade e interculturalidade dentro da sociedade &eacute; tarefa essencial para proporcionar a realiza&ccedil;&atilde;o plena do ser humano enquanto tal, devendo ser retiradas quaisquer barreiras que obstem tal objetivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" width="30%" align="left">     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup> GEERTZ, Clifford. <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o das culturas</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Gilberto Velho. Rio de Janeiro: LTC, 1989, p. 107.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup> LARAIA, Roque de Barros. <i>Um conceito antropol&oacute;gico</i>. 11<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997, p. 17-18.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>3</sup> GEERTZ, Clifford. <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o das culturas</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Gilberto Velho. Rio de Janeiro: LTC, 1989, p. 113-114.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>4</sup> BITTAR, Eduardo C. B. <i>Curso de &eacute;tica jur&iacute;dica:</i> &eacute;tica geral e profissional. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 2002, p. 64.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>5</sup> ALBUQUERQUE, Paulo Antonio de Menezes. In FERREIRA, Lier Pires; GUANABARA, Ricardo; JORGE, Vladimyr Lombardo (Orgs.). <i>Curso de sociologia jur&iacute;dica</i>. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011, p. 139.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>6</sup> LESSA, S&eacute;rgio. A atualidade da aboli&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia monog&acirc;mica. <i>Revista Cr&iacute;tica Marxista</i>, n. 35, pp. 41-58, 2012, p. 41.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>7</sup> TEIXEIRA, Fl&aacute;via B.; CARRIJO, Gilson G. Morgan e Engels: considera&ccedil;&otilde;es sobre a coincid&ecirc;ncia entre as no&ccedil;&otilde;es de evolu&ccedil;&atilde;o e de progresso. <i>Hist&oacute;ria &amp; Perspectivas</i>, Uberl&acirc;ndia, n. 29 e 30, pp. 327-353, jul./dez. 2003 e jan./jun. 2004, p. 340.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><sup>8</sup> Faz-se aqui apenas refer&ecirc;ncia ao casamento heterossexual, tendo em vista que esta era a &uacute;nica possibilidade afetiva vislumbrada pelo cristianismo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>9</sup> CABRAL, Ju&ccedil;ara Teresinha. <i>A sexualidade no mundo ocidental</i>. 2<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. Campinas, SP: Papirus, 1995, p. 101.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>10</sup> BRAGATO, Fernanda Frizzo. Para al&eacute;m do discurso euroc&ecirc;ntrico dos direitos humanos: contribui&ccedil;&otilde;es da descolonialidade. <i>Revista Novos Estudos Jur&iacute;dicos</i>, v. 19, n. 1, pp. 201-230, jan./abr. 2014, p. 208.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>11</sup> CHADE, Jamil. Ir&atilde; condena mais um a morte, por ser homossexual. <i>O Estad&atilde;o</i>, S&atilde;o Paulo, ago. 2010, s/p.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>12</sup> FARIAS, Jos&eacute; Fernando de Castro. <i>&Eacute;tica, pol&iacute;tica e direito</i>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004, p. 215-216.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>13</sup> <i>MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito.</i> Fundamentos do direito<i>. S&atilde;o Paulo: Atlas, 2010</i>, p. 216.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>14</sup> BOBBIO, Norberto. <i>Liberalismo e democracia</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Marco Aur&eacute;lio Nogueira. 6<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2005, p. 55.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>15</sup> KELSEN, Hans. <i>Teoria geral do direito e do estado</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Lu&iacute;s Carlos Borges. 3<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 412.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>16</sup> MILL, Stuart. <i>Sobre a liberdade</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Ari R. Tank. S&atilde;o Paulo: Hedra, 2010, p. 37.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>17</sup> MILL, Stuart. <i>Sobre a liberdade</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Ari R. Tank. S&atilde;o Paulo: Hedra, 2010, p. 41.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><sup>18</sup> WOLKMER, Antonio Carlos. Pluralismo jur&iacute;dico, direitos humanos e interculturalidade. <i>Revista Sequ&ecirc;ncia</i>, Florian&oacute;polis, n. 53, pp. 113-128, dez. 2006, p. 114.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>19</sup> MENESES, Paulo. Etnocentrismo e relativismo cultural: algumas reflex&otilde;es. <i>S&iacute;ntese</i> - Revista de Filosofia, Belo Horizonte, v. 27, n. 88, pp. 245-254, 2000, p. 248.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. ALBUQUERQUE, Paulo Antonio de Menezes. In FERREIRA, Lier Pires; GUANABARA, Ricardo; JORGE, Vladimyr Lombardo (Orgs.). Curso de sociologia jur&iacute;dica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538805&pid=S1886-5887201600030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. BITTAR, Eduardo C. B. Curso de &eacute;tica jur&iacute;dica: &eacute;tica geral e profissional. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538807&pid=S1886-5887201600030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. BOBBIO, Norberto. Liberalismo e democracia. Tradu&ccedil;&atilde;o: Marco Aur&eacute;lio Nogueira. 6<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538809&pid=S1886-5887201600030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. BOUDON, Raymond (Org.). Tratado de sociologia. Tradu&ccedil;&atilde;o: Teresa Curvelo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538811&pid=S1886-5887201600030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. BRAGATO, Fernanda Frizzo. Para al&eacute;m do discurso euroc&ecirc;ntrico dos direitos humanos: contribui&ccedil;&otilde;es da descolonialidade. Revista Novos Estudos Jur&iacute;dicos, v. 19, n. 1, pp. 201-230, jan./abr. 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538813&pid=S1886-5887201600030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. CABRAL, Ju&ccedil;ara Teresinha. A sexualidade no mundo ocidental. 2<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. Campinas, SP: Papirus, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538815&pid=S1886-5887201600030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. CHADE, Jamil. Ir&atilde; condena mais um a morte, por ser homossexual. O Estad&atilde;o, S&atilde;o Paulo, ago. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538817&pid=S1886-5887201600030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. CHINOY, Ely. Sociedade: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; sociologia. S&atilde;o Paulo: Cultrix, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538819&pid=S1886-5887201600030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. FARIAS, Jos&eacute; Fernando de Castro. &Eacute;tica, pol&iacute;tica e direito. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538821&pid=S1886-5887201600030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. GEERTZ, Clifford. A interpreta&ccedil;&atilde;o das culturas. Tradu&ccedil;&atilde;o: Gilberto Velho. Rio de Janeiro: LTC, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538823&pid=S1886-5887201600030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do estado. Tradu&ccedil;&atilde;o: Lu&iacute;s Carlos Borges. 3<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538825&pid=S1886-5887201600030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. LARAIA, Roque de Barros. Um conceito antropol&oacute;gico. 11<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538827&pid=S1886-5887201600030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. LESSA, S&eacute;rgio. A atualidade da aboli&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia monog&acirc;mica. Revista Cr&iacute;tica Marxista, n. 35, pp. 41-58, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538829&pid=S1886-5887201600030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Fundamentos do direito. S&atilde;o Paulo: Atlas, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538831&pid=S1886-5887201600030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. MENESES, Paulo. Etnocentrismo e relativismo cultural: algumas reflex&otilde;es. S&iacute;ntese - Revista de Filosofia, Belo Horizonte, v. 27, n. 88, pp. 245-254, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538833&pid=S1886-5887201600030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. MILL, Stuart. Sobre a liberdade. Tradu&ccedil;&atilde;o: Ari R. Tank. S&atilde;o Paulo: Hedra, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538835&pid=S1886-5887201600030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. REALE, Miguel. Filosofia do direito. 20<sup>a</sup> edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538837&pid=S1886-5887201600030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. TEIXEIRA, Fl&aacute;via B.; CARRIJO, Gilson G. Morgan e Engels: considera&ccedil;&otilde;es sobre a coincid&ecirc;ncia entre as no&ccedil;&otilde;es de evolu&ccedil;&atilde;o e de progresso. Hist&oacute;ria &amp; Perspectivas, Uberl&acirc;ndia, n. 29 e 30, pp. 327-353, jul./dez. 2003 e jan./jun. 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538839&pid=S1886-5887201600030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. WOLKMER, Antonio Carlos. Pluralismo jur&iacute;dico, direitos humanos e interculturalidade. Revista Sequ&ecirc;ncia, Florian&oacute;polis, n. 53, pp. 113-128, dez. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4538841&pid=S1886-5887201600030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: 6 de febrero de 2015    <br>Fecha de aceptaci&oacute;n: 9 de septiembre de 2015</font></p>      ]]></body><back>
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